HC 919718 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus por ser impetração substitutiva do recurso próprio, sem demonstração de flagrante ilegalidade que autorize a apreciação na via estreita do habeas corpus, e por vedação ao reexame de provas e fatos nessa via.
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: MARCELO QUEIROZ VILELA; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado do Distrito Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 March 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus.
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo, Receptação, Crime Continuado, Concurso Material, Revolvimento Fático Probatório, Flagrante Ilegalidade, Dosimetria
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MARCELO QUEIROZ VILELA
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado do Distrito Federal
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus substitutivo de recurso
- 2 reconhecimento de continuidade delitiva
- 3 vedação ao revolvimento de matéria fático-probatória na via estreita do habeas corpus
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus por ser impetração substitutiva do recurso próprio, sem demonstração de flagrante ilegalidade que autorize a apreciação na via estreita do habeas corpus, e por vedação ao reexame de provas e fatos nessa via.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus impetrado em favor do paciente MARCELO QUEIROZ VILELA, tendo apontado como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado do Distrito Federal. Consta dos autos que o paciente foi condenado, em primeiro grau, como incurso no artigo 180, caput c/c 69, ambos Código Penal (receptação por três vezes em concurso material), à pena de 4 (quatro) anos de reclusão, em regime semiaberto, 36 (trinta e seis) dias-multa. Interposta apelação defensiva, o recurso foi parcialmente provido, apenas para reduzir a pena de multa de cada receptação para 12 (doze) dias-multa e a multa final, após a unificação, para 36 (trinta e seis) dias-multa, à razão mínima legal. Na presente impetração, busca-se a concessão da ordem, para que seja reconhecida a continuidade delitiva entre os crimes que ensejaram a condenação do paciente. Parecer do Ministério Público Federal pelo não conhecimento do habeas corpus. É o relatório. DECIDO. Da análise detida da petição inicial do habeas corpus, tenho que a presente impetração se insurge contra acórdão, funcionando como substitutivo do recurso próprio, motivo pelo qual, por si só, não deve ser conhecida (AgRg no HC 936880 / SP, QUINTA TURMA, de minha relatoria, DJe 19/09/2024). Com efeito, a 3ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do HC 535.063-SP, de Relatoria do Ministro Sebastião Reis Júnior, julgado em 10/06/2020, e o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do AgRg no HC 180.365, de Relatoria da Ministra Rosa Weber, julgado em 27/03/2020, consolidaram a orientação de que não cabe habeas corpus substitutivo ao recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. De mais a mais, não vislumbro a presença de teratologia ou coação ilegal que desafie a concessão da ordem de ofício, nos termos do parágrafo 2º do artigo 654 do Código de Processo Penal. Nesta toada, a pretensão defensiva resvala na via estreita do habeas corpus, que impossibilita o revolvimento de matéria fático-probatória nestes autos, consoante jurisprudência sedimentada desta Corte, devendo ser observadas as escorreitas conclusões do Tribunal local, soberano no enfrentamento de fatos e de provas. A propósito, mutatis mutandis: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. TRÁFICO DE ENTORPECENTES E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO NO TOCANTE AO DELITO DE ASSOCIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO VEDADO. DOSIMETRIA. EXASPERAÇÃO DA PENA-BASE. MAUS ANTECEDENTES. 1/6. PROPORCIONALIDADE. PRIVILÉGIO. INAPLICABILIDADE. CONDENAÇÃO CONCOMITANTE PELO DELITO DE ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. ILEGALIDADE FLAGRANTE NÃO EVIDENCIADA. I - Não se conhece de habeas corpus substitutivo de revisão criminal. II - Na hipótese de ilegalidade flagrante, concede-se a ordem de ofício. Precedentes. III - No presente caso, as instâncias ordinárias fundamentaram devidamente a condenação pelo crime de associação para o tráfico, com fulcro em robusto conjunto probatório, restando configurada a estabilidade e a permanência da associação, bem como a função da agravante e dos demais integrantes, com hierarquia e divisão de tarefas. IV - O rito do habeas corpus não admite o revolvimento de matéria fático probatória, de modo que não há que se falar em desconstituição da conclusão bem exarada pelo Tribunal local. (..) Agravo regimental desprovido (AgRg no HC 895457 / SC, QUINTA TURMA, de minha relatoria, DJe 16/05/2024). Sendo assim, para chegar a conclusões diversas do Tribunal de origem e acolher a tese da defesa relativamente ao crime continuado, seria forçosa a reanálise fático-probatória dos autos, medida incompatível na estreita via do habeas corpus (AgRg no HC 675140 / SC, QUINTA TURMA, de minha relatoria, DJe 12/05/2023). Não remanesce, portanto, qualquer constrangimento ilegal decorrente do ato judicial impugnado. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA