HC 1075585 - DECISAO
Não conheço do habeas corpus porque a impetração funciona como substituto de recurso próprio e não foi demonstrada flagrante ilegalidade que justificasse o conhecimento excepcional; além disso, as teses suscitadas não foram apreciadas pelo Tribunal de origem, o que caracteriza supressão de instância e impede o exame...
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- Parties
- Paciente: PETERSON CRISTIANO ZANELA DE MORAES; Órgão Prolator Do Acórdão: Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 May 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conhecido
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo, Nulidade De Provas, Cadeia De Custódia, Invasão De Domicílio, Relatório Do COAF, Supressão De Instância, Prequestionamento
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Parties
PETERSON CRISTIANO ZANELA DE MORAES
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
Órgão Prolator Do Acórdão
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus em substituição a recurso próprio
- 2 existência de flagrante ilegalidade apta a autorizar conhecimento excepcional
- 3 nulidade de provas por invasão de domicílio, quebra da cadeia de custódia e uso de relatório do COAF sem autorização judicial
Ratio Decidendi
Não conheço do habeas corpus porque a impetração funciona como substituto de recurso próprio e não foi demonstrada flagrante ilegalidade que justificasse o conhecimento excepcional; além disso, as teses suscitadas não foram apreciadas pelo Tribunal de origem, o que caracteriza supressão de instância e impede o exame pela Corte Superior.
Court Disposition
não conhecido
Orders
- Não conheço do presente habeas corpus.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, sem pedido de liminar, impetrado em favor de PETERSON CRISTIANO ZANELA DE MORAES contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais no HC n. 1.0000.25.480257-2/000. Depreende-se dos autos que o paciente foi inicialmente condenado pelo Juízo da 3ª Vara Criminal da Comarca de Uberaba/MG à pena de 12 (doze) anos e 10 (dez) meses de reclusão, em regime fechado, além de 1 (um) ano e 2 (dois) meses de detenção, em regime semiaberto, e 955 (novecentos e cinquenta e cinco) dias-multa, por infração ao artigo 2º da Lei n. 12.850/2013, artigo 33, c.c. o artigo 40, V, da Lei n. 11.343/2006, e artigo 12 da Lei n. 10.826/2003 (fls. 469-470). A Defesa impetrou o prévio habeas corpus perante o Tribunal de origem, que conheceu parcialmente do writ e denegou a ordem (fls. 34-45). Na presente impetração, busca-se a concessão da ordem para: (i) reconhecer a nulidade das provas por invasão de domicílio, quebra da cadeia de custódia e utilização de relatório do COAF sem autorização judicial; e (ii) determinar o conhecimento integral do habeas corpus originário ou, subsidiariamente, excluir as provas consideradas ilícitas e absolver o paciente (fls. 4-9 e 18-33). As informações solicitadas foram recebidas e acostadas às fls. 465-487. Intimado, o Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento do habeas corpus, conforme parecer de fls. 489-494. É o relatório. DECIDO. A presente impetração investe contra acórdão, funcionando como substituto do recurso próprio, motivo pelo qual não deve ser conhecida. A Terceira Seção, no âmbito do HC n. 535.063/SP, de relatoria do Ministro Sebastião Reis Júnior, julgado em 10/6/2020, e o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do AgRg no HC n. 180.365/PB, de relatoria da Ministra Rosa Weber, julgado em 27/3/2020, consolidaram a orientação de que não cabe habeas corpus substitutivo ao recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Nesse sentido: " .. 1. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. .. " (AgRg no HC n. 908.122/MT, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 27/8/2024, DJe de 2/9/2024.) " .. II - O habeas corpus não é conhecido quando impetrado em substituição a recurso próprio, salvo em caso de flagrante ilegalidade, conforme jurisprudência pacífica do STJ e do STF. .. " (AgRg no HC n. 935.569/SP, de minha relatoria, Quinta Turma, julgado em 3/9/2024, DJe de 10/9/2024.) De todo modo, não verifico, no presente caso, a presença de coação ilegal que permita a concessão da ordem, de ofício, nos termos do parágrafo 2º do artigo 654 do Código de Processo Penal. De fato, constata-se do exame do aresto impugnado que todas as teses e pleitos aventados neste mandamus não foram analisados pelo colegiado do Tribunal a quo, o que também inviabilizaria seu exame nesta Corte Superior tendo em vista a indevida supressão de instância. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento no sentido de que: " .. matéria não apreciada pelo Tribunal de origem inviabiliza a análise por esta Corte Superior, sob pena de incorrer em indevida supressão de instância e violação dos princípios do duplo grau de jurisdição e devido processo legal, mesmo em caso de suposta nulidade absoluta" (AgRg no HC n. 813.772/GO, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 27/4/2023, DJe de 3/5/2023). Ainda nesse sentido: AgRg no HC n. 804.815/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 19/4/2023; AgRg no HC n. 813.293/PB, r elator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 25/4/2023, DJe de 28/4/2023; e AgRg nos EDcl na PET no REsp n. 1.908.093/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 11/4/2023, DJe de 18/4/2023. Vale ressaltar, ademais, que: " .. o prequestionamento das teses jurídicas constitui requisito de admissibilidade da via, inclusive em se tratando de matérias de ordem pública, sob pena de incidir em indevida supressão de instância e violação da competência constitucionalmente definida para esta Corte" (AgRg nos EDcl no REsp n. 1.955.005/SC, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 24/4/2023). Desta forma, os referidos pedidos trazidos nesta impetração não comportam guarida sob nenhuma vertente. Ante o exposto, não conheço do presente habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA