HC 932215 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque a via não pode substituir o recurso previsto, não estando demonstrada ilegalidade flagrante no ato judicial impugnado, e porque a dosimetria das penas integra juízo discricionário das instâncias ordinárias, revisável neste Tribunal apenas em caso de inobservância de parâmetros...
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- Parties
- Paciente: MATHEUS HENRIQUE SOARES GUIMARAES; Impetrado (órgão Julgador): TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO; Manifestante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 October 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conhecido do pedido de habeas corpus
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso, Dosimetria Da Pena, Circunstâncias Judiciais
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Parties
MATHEUS HENRIQUE SOARES GUIMARAES
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Impetrado (órgão Julgador)
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus substitutivo de recurso
- 2 possibilidade de revisão da dosimetria da pena por esta Corte
- 3 exigência de flagrante ilegalidade para conhecimento de habeas corpus em lugar de recurso
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque a via não pode substituir o recurso previsto, não estando demonstrada ilegalidade flagrante no ato judicial impugnado, e porque a dosimetria das penas integra juízo discricionário das instâncias ordinárias, revisável neste Tribunal apenas em caso de inobservância de parâmetros legais ou flagrante desproporcionalidade.
Court Disposition
não conhecido do pedido de habeas corpus
Orders
- Liminar indeferida
- Não conheço do pedido de habeas corpus
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus, com pedido de liminar, em favor de MATHEUS HENRIQUE SOARES GUIMARAES, impetrado contra acórdão proferido pelo eg. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO (Apelação Criminal n. 003088-11.2018.8.17.0990). Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 55 (cinquenta e cinco) anos, 08 (oito) meses e 08 (oito) dias de reclusão, no regime inicial fechado, como incurso no art. 121, § 2º, I e IV (por três vezes), c/c o art. 70, ambos do Código Penal. O Tribunal de origem deu parcial provimento ao recurso de apelação interposto pela Defesa, reduzindo a pena do condenado para 45 (quarenta e cinco) anos de reclusão. A impetrante sustenta a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto duas circunstâncias judiciais devem ser decotadas da pena-base: circunstâncias e consequências do crime. Em relação à primeira, aponta que não foi demonstrada situação fática do caso concreto que extrapola os limites do próprio tipo legal. Quanto à segunda, assinala que a valoração negativa deve considerar algo extraordinário, que venha a desbordar das consequências comuns do delito, o que não se verificou no caso em exame. Afirma que houve desproporcionalidade no quantum de aumento da pena-base. Requer, liminarmente e no mérito, a concessão da ordem para que a pena do paciente seja redimensionada nos termos delineados na impetração. Liminar indeferida (fls. 80-81). Foram prestadas informações às fls. 91-128. O Ministério Público Federal manifestou-se às fls. 144-146, opinando pela denegação da ordem. É o relatório. DECIDO. Inicialmente, pontuo que esta Corte Superior, seguindo o entendimento do Supremo Tribunal Federal (AgRg no HC n. 180.365, Primeira Turma, rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/03/2020, e AgRg no HC n. 147.210, Segunda Turma, rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018), pacificou orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado (HC n. 535.063/SP, Terceira Seção, rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/06/2020). Além disso, inexiste ilegalidade flagrante que justifique a concessão de habeas corpus de ofício, isso porque, de acordo com o entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça, a dosimetria da pena insere-se dentro de um juízo de discricionariedade do julgador, atrelado às particularidades fáticas do caso concreto e subjetivas do agente, somente passível de revisão por esta Corte no caso de inobservância dos parâmetros legais ou de flagrante desproporcionalidade (AgRg no HC 710.060/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 14/12/2021, DJe de 17/12/2021). Insta asseverar que n ão há direito do subjetivo do réu à adoção de alguma fração específica para cada circunstância judicial, seja ela de 1/6 sobre a pena-base, 1/8 do intervalo supracitado ou mesmo outro valor. Tais frações são parâmetros aceitos pela jurisprudência do STJ, mas não se revestem de caráter obrigatório, exigindo-se apenas que seja proporcional o critério utilizado pelas instâ ncias ordinárias, como no caso (AgRg no HC n. 820.316/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 19/06/2023, DJe de 23/06/2023). Ante o exposto, não conheço do pedido de habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA