HC 871847 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus por se tratar de impetração substitutiva de recurso sem flagrante ilegalidade; analisando-se de ofício, a abordagem e a busca foram consideradas legítimas porque o paciente foi visto abrindo o portão, tentou fugir e dispensou invólucro com droga, configurando-se crime permanente que...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: JULIO CESAR LEOCADIO DE FREITAS; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 February 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecimento
- Outcome
- habeas corpus não conhecido
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso, Busca Domiciliar, Nulidade De Prova, Abordagem Policial, Prisão Preventiva, Tráfico De Drogas (art. 33, Lei 11.343/06), Posse/porte De Arma (art. 16, §1º, IV, Lei 10.826/03)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
JULIO CESAR LEOCADIO DE FREITAS
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus substitutivo de recurso
- 2 ilegalidade da busca domiciliar e nulidade das provas
- 3 possibilidade de concessão de ordem de ofício (art. 654, §2º, CPP)
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus por se tratar de impetração substitutiva de recurso sem flagrante ilegalidade; analisando-se de ofício, a abordagem e a busca foram consideradas legítimas porque o paciente foi visto abrindo o portão, tentou fugir e dispensou invólucro com droga, configurando-se crime permanente que dispensa mandado, conforme jurisprudência citada.
Court Disposition
habeas corpus não conhecido
Orders
- Não conheço do habeas corpus.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de JULIO CESAR LEOCADIO DE FREITAS em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS. O paciente foi condenado à pena de dez anos e nove meses de reclusão, em regime fechado, como incurso nos delitos capitulados no artigo 33, caput, da Lei 11.343/06 e artigo 16, §1º, inciso IV, da Lei 10.826/03. Insurge-se o impetrante contra decisão que não acolheu recurso de apelação do paciente. Alega a ocorrência de constrangimento ilegal em razão da nulidade da busca domiciliar sem fundadas razões. Requer o reconhecimento da ilicitude das provas dos autos, com a consequente absolvição do paciente. Requer a revogação da prisão preventiva. A liminar foi indeferida (fls. 203/204). As informações foram prestadas (fls. 207/209,213/262). O Ministério Público Federal opinou pela concessão da ordem (fls. 266/276). É o relatório. DECIDO. A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do HC 535.063-SP, de relatoria do Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020, e o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do AgRg no HC 180.365, de relatoria da Ministra Rosa Weber, julgado em 27/3/2020, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. A hipótese é de não conhecimento. Porém, passo a analisar a possibilidade de concessão de ordem de ofício, na forma do artigo 654, § 2º, do Código de Processo Penal. O paciente foi condenado à pena de dez anos e nove meses de reclusão, em regime fechado, como incurso nos delitos capitulados no artigo 33, caput, da Lei 11.343/06 e artigo 16, §1º, inciso IV, da Lei 10.826/03. A defesa apelou, tendo a 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais rejeitado as preliminares e, no mérito, negado provimento ao recurso. O impetrante requer o reconhecimento de nulidade por ausência de justa causa para abordagem do paciente, e também requer a nulidade das provas por violação de domicílio, sob o argumento de que o ingresso na residência do paciente se deu exclusivamente baseado em denúncia anônima. De acordo com o voto do relator do recurso de apelação junto ao Tribunal de origem, ( fl.275): "no dia dos fatos, os policiais realizaram campana e observação, ocasião em que o acusado foi visto abrindo o portão de sua residência. Ato contínuo, Júlio César visualizou a aproximação da guarnição, momento em que tentou correr, dispensando um invólucro na lateral do seu lote, motivando, assim, a abordagem realizada pelos policiais militares". Realizada busca pessoal, foi apreendida uma arma de fogo municiada e, no invólucro dispensado, foram apreendidos 23 (vinte e três) pinos de cocaína. Não há ilegalidade da abordagem policial, sendo dispensável, portanto, a apresentação de mandado de busca e apreensão para que os policiais ingressassem na residência, uma vez se tratar de crime permanente. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RHC 229.514/PE, relatado pelo Ministro Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em 02-10-2023, DJe de 23/10/2023, já expressou entendimento de que : " Fugir ao avistar viatura, pulando muros, gesticular como quem segura algo na cintura e reagir de modo próprio e conhecido pela ciência aplicada à atividade policial, objetivamente, justifica a busca pessoal em via pública." Ante o exposto, não conh eço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA