HC 1020851 - DECISAO
O habeas corpus substitutivo de recurso próprio não deve ser conhecido, salvo flagrante ilegalidade, o que não se verifica; subsidiariamente analisado o mérito, a manutenção da prisão preventiva do paciente revelou-se devidamente fundamentada em fatos concretos (quantidade significativa de droga apreendida,...
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- Parties
- Paciente: GUSTAVO FELIPE SILVA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 September 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecido (decisão Monocrática)
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso, Prisão Preventiva, Medidas Cautelares Alternativas, Fundamentação Da Decisão
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Parties
GUSTAVO FELIPE SILVA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecido (decisão Monocrática)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio
- 2 Existência de constrangimento ilegal na decretação da prisão preventiva
- 3 Suficiência da quantidade de droga e demais elementos para justificar a prisão preventiva
Ratio Decidendi
O habeas corpus substitutivo de recurso próprio não deve ser conhecido, salvo flagrante ilegalidade, o que não se verifica; subsidiariamente analisado o mérito, a manutenção da prisão preventiva do paciente revelou-se devidamente fundamentada em fatos concretos (quantidade significativa de droga apreendida, apetrechos indicativos de manejo e circulação de pessoas, substâncias acondicionadas em local comum), evidenciando periculum libertatis e a gravidade concreta da conduta, de modo que não há constrangimento ilegal e impõe-se o não conhecimento do writ.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus
Orders
- Pedido liminar indeferido.
- Não conheço do habeas corpus.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Habeas Corpus impetrado em favor de GUSTAVO FELIPE SILVA, no qual se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS, no julgamento do HC n. 5491614-43.2025.8.09.0127. Consta dos autos que o paciente foi preso em flagrante, convertida em preventiva, e restou denunciado pela suposta prática do delito tipificado no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006. Irresignada, a defesa impetrou habeas corpus, ao qual o Tribunal de origem denegou a ordem, nos termos do acórdão de fls. 7/16. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, uma vez que a prisão preventiva foi decretada com base em fundamentação genérica, sem individualização da conduta ou demonstração de periculosidade concreta, utilizando exclusivamente a quantidade de droga como fundamento. Afirma que o paciente é primário, possui residência fixa e não integra organização criminosa. Alega que a decisão do Tribunal a quo incorre em grave impropriedade ao invocar o crime de associação para o tráfico, previsto no art. 35 da Lei n. 11.343/2006, sem que haja imputação formal desse delito ao paciente. Requer a revogação da prisão preventiva do paciente. Subsidiariamente, pleiteia que a prisão seja substituída por medidas cautelares alternativas, nos termos do art. 319 do Código de Processo Penal. Pedido liminar indeferido às fls. 45/46. Parecer do MPF às fls. 79/85. É o relatório. Decido. De início, é importante destacar que, por se tratar de medida substitutiva de recurso próprio, o presente habeas corpus sequer deve ser conhecido, segundo orientação jurisprudencial dominante nos Tribunais Superiores. Nesse sentido, citam-se precedentes (grifos nossos): DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO. MEDIDA DE SEGURANÇA. INTERNAÇÃO PSIQUIÁTRICA. AGRAVO IMPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do habeas corpus, impetrado para converter medida de segurança de internação psiquiátrica em tratamento ambulatorial. II. Questão em discussão 2. Há duas questões em discussão: (i) definir se o habeas corpus pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio para questionar a medida de segurança de internação; e (ii) verificar se a medida de segurança de internação imposta ao paciente apresenta flagrante ilegalidade, justificando sua substituição por tratamento ambulatorial. III. Razões de decidir 3. O habeas corpus não é admitido como substitutivo de recurso próprio ou de revisão criminal, exceto em casos de flagrante ilegalidade que configurem constrangimento ilegal à liberdade de locomoção. .. . (AgRg no HC 990023/SP, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Órgão Julgador: QUINTA TURMA, Data do Julgamento: 28/05/2025, Data da Publicação/Fonte: DJEN 04/06/2025). PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NÃO CONHECIMENTO DO WRIT SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. DOSIMETRIA. MINORANTE DO ART. 33, § 4º, DA LEI N. 11.343/2006. NÃO APLICAÇÃO. QUANTIDADE, VARIEDADE E NATUREZA DOS ENTORPECENTES APREENDIDOS E CIRCUNSTÂNCIAS DO DELITO QUE EVIDENCIAM A DEDICAÇÃO DO RÉU A ATIVIDADES CRIMINOSAS. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. REVOLVIMENTO DAS PROVAS EM HABEAS CORPUS. INVIABILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça, de longa data, vem buscando fixar balizas para a racionalização do uso do habeas corpus, visando a garantia não apenas do curso natural das ações ou revisões criminais, mas também da efetiva priorização do objeto ínsito ao remédio heroico, qual seja, o de prevenir ou remediar lesão ou ameaça de lesão ao direito de locomoção. Nessa linha, "é incognoscível, ordinariamente, o habeas corpus impetrado em substituição à via recursal de impugnação própria" (AgRg no HC n. 716.759/RS, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 26/9/2023, DJe de 2/10/2023), notadamente no caso, em que não se verifica ilegalidade flagrante a atrair a concessão da ordem de ofício. .. . (AgRg no HC 994790/SP, Relator Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, Órgão Julgador: SEXTA TURMA, Data do Julgamento: 11/06/2025, Data da Publicação/Fonte: DJEN 16/06/2025). Sendo assim, entendeu-se razoável a extensão do processamento do feito apenas para verificar eventual constrangimento ilegal que justificasse a concessão da ordem de ofício, nos termos do art. 654, § 2º, do CPP, o que não ocorre no presente caso. Extrai-se dos autos que o paciente foi denunciado pela suposta prática do crime de tráfico de drogas. Noticia-se que ele teria sido, em tese, surpreendido, em sua residência, mantendo em depósito 13 (treze) tabletes de maconha e 04 (quatro) porções do mesmo entorpecente, totalizando 10,565 kg (dez quilos e quinhentos e sessenta e cinco gramas), além de 2 aparelhos de celular, 1 rádio ht, 2 balanças de precisão e rolo de papel filme (fl. 08). Ao analisar o writ originário, o Tribunal de Justiça entendeu pela necessidade da manutenção da prisão preventiva tendo em vista a gravidade concreta da conduta, pontuando-se que a magistrada converteu a prisão em flagrante em preventiva, com fundamento na garantia da ordem pública e na aplicação da lei penal, diante da expressiva quantidade de droga apreendida (depósito de 10.566 kg de maconha), da existência de apetrechos para o seu manejo (02 balanças de precisão e rolo filme para embalar a droga), da intensa movimentação de pessoas no local e das circunstâncias da apreensão (as substâncias estavam acondicionadas em local comum e de fácil acesso a todos os moradores da residência). Verifica-se, portanto, que a decisão que decretou a prisão preventiva do paciente foi baseada em fatos concretos que evidenciam a presença do periculum libertatis, pelo que não há que se falar em constrangimento ilegal. Sobre o tema, citam-se precedentes (grifos nossos): AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PRISÃO PREVENTIVA. TRÁFICO DE DROGAS. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. GRAVIDADE EM CONCRETO DA CONDUTA DELITIVA. DECISÃO MANTIDA. AG RAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Para ser compatível com o Estado Democrático de Direito - o qual se ocupa de proteger tanto a liberdade quanto a segurança e a paz públicas - e com a presunção de não culpabilidade, é necessário que a decretação e a manutenção da prisão cautelar se revistam de caráter excepcional e provisório. A par disso, a decisão judicial deve ser suficientemente motivada, mediante análise da concreta necessidade da cautela, nos termos dos artigos 282, incisos I e II c/c 312 do CPP. 2. O Juízo singular apontou a presença dos vetores contidos no art. 312 do Código de Processo Penal, em especial a gravidade em concreto da conduta delitiva, tendo em vista que "foi encontrado um tablete de substância análoga à maconha, pesando 755 gramas". 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 1.003.243/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 20/8/2025, DJEN de 26/8/2025.) DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. PRISÃO PREVENTIVA. TRÁFICO DE DROGAS. RECURSO DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que denegou ordem de habeas corpus impetrado contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, que manteve a prisão preventiva do agravante pela suposta prática do crime de tráfico de drogas, em razão da apreensão de 1.416 gramas de maconha. 2. A defesa alega que a prisão preventiva é ilegal, pois fundamentada exclusivamente na quantidade de droga apreendida, sem demonstração de periculum libertatis ou risco à ordem pública. Pleiteia a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se a prisão preventiva do agravante, fundamentada na quantidade de droga apreendida, é legal e se há possibilidade de substituição por prisão domiciliar. III. Razões de decidir 4. A prisão preventiva encontra-se em consonância com a jurisprudência, fundamentada em dados concretos que evidenciam a necessidade de garantia da ordem pública, notadamente pela quantidade de droga apreendida, a saber, 1.416,0 gramas de maconha, circunstâncias que indicam a periculosidade concreta do agravante e revelam a indispensabilidade da imposição da segregação cautelar. 5. A concessão de prisão domiciliar não possui caráter absoluto, podendo o magistrado conceder ou não o benefício após análise da adequação no caso concreto. No presente caso, não há comprovação de que o agravante é o único provedor de sua família. 6. A existência de condições pessoais favoráveis, como primariedade e bons antecedentes, não é suficiente para desconstituir a prisão processual quando presentes os requisitos que autorizam sua imposição. IV. Dispositivo e tese 7. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "1. A prisão preventiva pode ser mantida quando fundamentada em dados concretos que evidenciam a necessidade de garantia da ordem pública. 2. A concessão de prisão domiciliar não é automática e depende da análise da adequação no caso concreto. 3. Condições pessoais favoráveis não desconstituem a prisão processual quando presentes os requisitos legais para sua imposição". Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 312; CPP, art. 318; CPP, art. 319.Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 916.246/MG, Rel. Min. Jesuíno Rissato, Sexta Turma, DJe 16/8/2024; STJ, AgRg no HC 907.910/BA, Relª. Minª. Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJe 24/6/2024. (AgRg no HC n. 1.008.022/MG, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 5/8/2025, DJEN de 25/8/2025.) No que tange à alegação de que o réu possui condições pessoais favoráveis, isso por si só não tem por efeito beneficiá-lo, tendo em vista a jurisprudência consolidada desta Corte no sentido de que condições pessoais favoráveis, tais como primariedade, ocupação lícita e residência fixa, não têm o condão de, por si sós, garantirem ao paciente a revogação da prisão preventiva se há nos autos elementos hábeis a recomendar a manutenção de sua custódia cautelar (cf. AgRg no HC 580.348/SC, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 16/06/2020, DJe 23/06/2020). Ademais, demonstrados os pressupostos da prisão preventiva, não é possível a aplicação de quaisquer das medidas cautelares alternativas à constrição de liberdade, elencadas no art. 319 do Código de Processo Penal. Nesse contexto, não verifico a presença de constrangimento ilegal capaz de justificar a revogação da custódia cautelar do paciente. Ante o exposto, com fulcro no art. 34, XX, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA