HC 635559 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido porque não se verificou flagrante ilegalidade na dosimetria ou na fixação do regime inicial; o Tribunal de origem expôs fundamentos concretos (reincidência e maus antecedentes) que justificaram a adoção do regime fechado nos termos do art. 33, §§ 2º e 3º do Código Penal, e a...
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- Parties
- Paciente: SIMONE GABRIELA DA ROCHA; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo; Apelante (ministerial): Ministério Público; Apelante: JOANA D'ARC POLETTE SIMÕES; Apelada: ÉRICA GRAZIELE ARAÚJO RAMOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 June 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento Do Writ)
- Outcome
- não conheço do writ (habeas corpus)
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso, Dosimetria Da Pena, Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Substituição Da Pena Privativa De Liberdade Por Restritiva De Direitos, Reincidência, Maus Antecedentes
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Parties
SIMONE GABRIELA DA ROCHA
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Autoridade Coatora
Ministério Público
Apelante (ministerial)
JOANA D'ARC POLETTE SIMÕES
Apelante
ÉRICA GRAZIELE ARAÚJO RAMOS
Apelada
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento Do Writ)
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus substitutivo de recurso próprio
- 2 verificação de flagrante ilegalidade na dosimetria e fixação de regime inicial
- 3 possibilidade de substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos diante de reincidência e circunstâncias judiciais desfavoráveis
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido porque não se verificou flagrante ilegalidade na dosimetria ou na fixação do regime inicial; o Tribunal de origem expôs fundamentos concretos (reincidência e maus antecedentes) que justificaram a adoção do regime fechado nos termos do art. 33, §§ 2º e 3º do Código Penal, e a substituição da pena foi vedada pela reincidência e circunstâncias judiciais desfavoráveis nos termos do art. 44, II e §3º do Código Penal, não sendo cabível o reexame fático via writ.
Court Disposition
não conheço do writ (habeas corpus)
Orders
- Requerimento de tutela provisória indeferido.
- Não conheço do writ.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido de liminar, impetrado em benefício de SIMONE GABRIELA DA ROCHA, em que aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Consta dos autos que a paciente foi condenada à pena de 1 ano, 4 meses e 10 dias de reclusão, a ser resgatada em regime inicialmente semiaberto, por infração ao preceito do art. 171, caput, c/c art. 71, e com o artigo 29, todos do Código Penal. Irresignada, a defesa e o Ministério Público apelaram à Corte local, que negou provimento ao recurso defensivo e deu provimento à apelação ministerial para aumentar a pena da paciente para 1 (um) ano, 7 (sete) meses e 1 (um) dia de reclusão, e pagamento de 14 (quatorze) dias-multa, em regime fechado, nos termos da seguinte ementa: "DERAM PROVIMENTO AO RECURSO INTERPOSTO PELA APELANTE JOANA D"ARC POLETTE SIMÕES, DE MODO QUE A ABSOLVERAM DO DELITO DO ART. 171 C/C O ART. 71 E 29, TODOS DO CÓDIGO PENAL, E O FIZERAM NOS TERMOS DO ARTIGO 386, VII, DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO DA APELANTE SIMONE GABRIELA DA ROCHA; E DERAM PROVIMENTO AO RECURSO INTERPOSTO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO PARA MAJORAR AS PENAS COMINADAS À S APELADAS SIMONE GABRIELA DA ROCHA E ÉRICA GRAZIELE ARAÚJO RAMOS PARA 1 (UM) ANO, 7 (SETE) MESES E 1 (UM) DIA DE RECLUSÃO, E PAGAMENTO DE 14 (QUATORZE) DIAS-MULTA, FIXADOS NO MÍNIMO LEGAL; BEM COMO PARA FIXAR O REGIME FECHADO PARA O INÍCIO DE CUMPRIMENTO DE PENA QUANTO À APELANTE SIMONE GABRIELA DA ROCHA, MANTENDO O REGIME SEMIABERTO IMPOSTO À APELADA ÉRICA GRAZIELE ARAÚJO RAMOS, PARA O INÍCIO DO CUMPRIMENTO DA PENA CORPORAL QUE LHE ESTÁ SENDO IMPOSTA. PROCESSADOS EVENTUAIS RECURSOS ORDINÁRIOS, EXPEÇAM-SE OS MANDADOS DE PRISÃO EM FACE DAS APELADAS SIMONE GABRIELA DA ROCHA E ÉRICA GRAZIELE ARAÚJO RAMOS. V.U." (e-STJ, fls. 28-29) Neste writ, a defesa sustenta que "o acórdão combatido se utilizou de decisão genérica e abstrata para a fixação do regime inicial da paciente no fechado, o que não é permitido" (e-STJ, fls. 6). Entende que deve ser substituída a pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, pois "embora haja a menção expressa da impossibilidade da conversão da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos para réus reincidente, verifica-se que, quando do início do cumprimento da pena, a paciente já ostentava novamente seu status de primária, sendo perfeitamente cabível e aconselhável, no caso concreto, a substituição" (e-STJ, fl. 9). Nesse contexto, requer a concessão do regime prisional aberto e a substituição da pena privativa de liberdade por privativa de direitos. Requerimento de tutela provisória indeferido (e-STJ, fl. 755). Parecer do Ministério Público federal no sentido do não conhecimento do writ (e-STJ, fls. 832-836). É o relatório. Decido. Esta Corte - HC 535.063/SP, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgR no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. No caso, não se observa flagrante ilegalidade a justificar a concessão do habeas corpus, de ofício. O Colegiado de origem estabeleceu o regime prisional mais gravoso e a negativa da substituição da prisão pelos seguintes fundamentos: "Na primeira fase da dosimetria, verifica-se que tanto Simone (fls. 112/113), quanto Érica (fls 139/140), possuem condenação definitiva por crime doloso anterior, de modo que se configura a circunstância de maus antecedentes prevista no artigo 59, Código Penal. Assim, fixo a pena- base 1/6 (um sexto) acima do mínimo legal, em 1 (um) ano de reclusão e 2 (dois) meses de reclusão e ao pagamento de 10 (dez) dias-multa, calculados no mínimo legal. Na segunda fase do cálculo, visto a reincidência específica da apelante Simone (fls. 114/116) e a reincidência em crime doloso da apelada Érica (fls. 104/106), majoro a pena de ambas em mais 1/6 (um sexto), elevando-a, portanto, para 1(um) ano e 4 (quatro) meses de reclusão e 12 (doze) dias-multa, calculados no mínimo legal. Verifica-se que os antecedentes criminais que justificaram a aplicação da pena-base acima do mínimo legal, estão representados por certidões diversas daquelas utilizadas para fins de reincidência. .. O recurso interposto pelo Ministério Público comporta provimento, em que pese a modificação para o regime inicial fechado para o cumprimento da pena da apelante Simone, pois, de fato, em consonância com o artigo 33, § 3º, do Código Penal, a reincidência e os maus antecedentes da apelante são circunstâncias que impedem o cumprimento da pena em regime mais brando." (e- STJ, fls. 41-42). Com efeito, os fundamentos utilizados pelas instâncias ordinárias não podem ser tidos por genéricos e, portanto, constituem motivação suficiente para justificar a imposição de regime prisional mais gravoso que o estabelecido em lei (art. 33, §§ 2º e 3º, do Código Penal), não havendo falar em violação da Súmula 440/STJ, bem como dos verbetes sumulares 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal. No caso dos autos, a reprimenda foi fixada em 1 ano, 7 meses e 1 dia de reclusão, sendo a paciente reincidente, com circunstâncias judiciais desfavoravelmente valoradas pelos maus antecedentes, o que leva à fixação do regime prisional fechado, nos termos do art. 33, § 2º, "c", e § 3º do CP. Nesse sentido: "AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ROUBO QUALIFICADO. TENTADO. REINCIDÊNCIA. FIXAÇÃO DO REGIME FECHADO. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. A reincidência constitui fundamento apto a promover o recrudescimento do regime prisional, porém nos moldes da razoabilidade e proporcionalidade. 2. A fixação de regime inicial fechado à réu mesmo que reincidente condenado à pena de 2 anos e 8 meses de reclusão, mostra-se desarrazoada, fazendo jus portanto ao regime inicial semiaberto. 3. Agravo regimental improvido. (AgRg no HC 448.968/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 11/9/2018, DJe 24/9/2018, grifou-se). "PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL. NÃO CABIMENTO. ROUBO MAJORADO. DOSIMETRIA. TERCEIRA FASE. AUMENTO DA PENA. INCIDÊNCIA DE DUAS MAJORANTES. FUNDAMENTAÇÃO INSUFICIENTE. SÚMULA N. 443/STJ. REGIME FECHADO. ADEQUADO. PENA SUPERIOR A 4 ANOS E INFERIOR A 8 ANOS. RÉU REINCIDENTE. WRIT NÃO CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. I - A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do col. Pretório Excelso, firmou orientação no sentido de não admitir a impetração de habeas corpus em substituição ao recurso adequado, situação que implica o não conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que, configurada flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal, seja possível a concessão da ordem de ofício. II - A via do writ somente se mostra adequada para a análise da dosimetria da pena se não for necessária uma análise aprofundada do conjunto probatório e caso se trate de flagrante ilegalidade. Vale dizer, "o entendimento deste Tribunal firmou-se no sentido de que, em sede de habeas corpus, não cabe qualquer análise mais acurada sobre a dosimetria da reprimenda imposta nas instâncias inferiores, se não evidenciada flagrante ilegalidade, tendo em vista a impropriedade da via eleita" (HC n. 39.030/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves, DJU de 11/4/2005). III - In casu, a pena foi exasperada, na terceira fase, na fração de 3/8 (três oitavos) em virtude da incidência de duas causas de aumento de pena, levando-se em conta apenas o número de majorantes contidas nos incisos I e II do § 2º do art. 157 do Código Penal. Diante desse contexto, forçoso reconhecer a ocorrência de flagrante ilegalidade, eis que o quantum de aumento de pena foi aplicado sem que houvesse a devida fundamentação, baseando-se apenas no número de majorantes, em desacordo com a orientação firmada na Súmula n. 443/STJ: "O aumento na terceira fase de aplicação da pena no crime de roubo circunstanciado exige fundamentação concreta, não sendo suficiente para a sua exasperação a mera indicação do número de majorantes." (Precedentes). IV - Os requisitos para a imposição do regime semiaberto, constam no art. 33, § 2º, alínea b, e § 3º, do Código Penal, quais sejam, a ausência de reincidência, condenação por um período superior a 4 (quatro) anos e inferior a 8 (oito) anos, bem como a inexistência de circunstâncias judiciais desfavoráveis. V - Na hipótese, o paciente ostentar reincidência (fl. 57). Logo, fixada a pena em 5 (sete) anos e 4 (quatro) meses de reclusão, o regime inicial fechado é o adequado para o cumprimento da sanção, nos termos do art. 33, §2º, alínea "b" e §3º, do Código Penal. Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida de ofício apenas para estabelecer a fração mínima legal de 1/3 (um terço) na terceira fase da dosimetria, em razão das majorantes do emprego de arma e concurso de pessoas, e redimensionar a pena do paciente para 5 (cinco) anos e 4 (quatro) meses de reclusão, mais pagamento de 12 (doze) dias-multa, mantidos os demais termos da condenação." (HC 456.877/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 04/09/2018, DJe 10/09/2018). Por fim, não se mostra viável a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, pois, consoante vedação do art. 44, II e II, e § 3º, do Código Penal, a paciente é reincidente em crime doloso e possui circunstâncias judiciais desfavoráveis. Outrossim, as instâncias ordinárias entenderam não ser socialmente recomendável a substituição, conclusão esta que não pode ser alterada sem o indevido revolvimento fático probatório. Ante o exposto, não conheço do writ. Publique-se. Intimem-se.