HC 882471 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido porque está sendo utilizado como substitutivo de revisão criminal contra acórdão já transitado em julgado, sem demonstração de flagrante ilegalidade que justifique a intervenção desta Corte, observando-se a jurisprudência consolidada do STJ sobre a limitação do remédio...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: ANTÔNIO DANIEL VIEIRA DE ARAÚJO; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 June 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do presente habeas corpus.
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso, Dosimetria, Bis in Idem, Revisão Criminal, Pena Base, Regime Inicial Fechado
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ANTÔNIO DANIEL VIEIRA DE ARAÚJO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Possibilidade de conhecimento de habeas corpus como substitutivo de revisão criminal contra acórdão transitado em julgado
- 2 Valoração negativa de circunstâncias na pena-base (uso da violência inerente ao crime)
- 3 Alegação de bis in idem pela consideração da idade da vítima em mais de uma fase da dosimetria
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido porque está sendo utilizado como substitutivo de revisão criminal contra acórdão já transitado em julgado, sem demonstração de flagrante ilegalidade que justifique a intervenção desta Corte, observando-se a jurisprudência consolidada do STJ sobre a limitação do remédio constitucional nesse contexto.
Court Disposition
Não conheço do presente habeas corpus.
Orders
- Pedido liminar indeferido
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Conforme anteriormente relatado (e-STJ fl. 100): Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de ANTÔNIO DANIEL VIEIRA DE ARAÚJO em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ. Consta dos autos que o paciente foi condenado às penas de 8 anos e 2 meses de reclusão no regime inicial fechado e de 18 dias-multa, como incurso no art. 157, caput, do Código Penal. Interposta apelação, a Corte de origem deu parcial provimento à insurgência a fim de redimensionar a reprimenda do paciente para 6 anos e 5 meses de reclusão, mais 15 dias-multa, mantendo o regime inicial fechado. No corrente feito, a impetrante sustenta que a pena-base teria sido exasperada com amparo em fundamentos inidôneos, alegando que a violência é um aspecto inerente ao crime imputado e, assim, não poderia ter sido utilizada como argumento para aumentar a pena basilar. Acrescenta que a idade da vítima teria sido considerada tanto na primeira quanto na segunda fase da dosimetria, o que configuraria indevido bis in idem. Dessa forma, entende ser descabida a negativação do vetor circunstâncias do crime, motivo pelo qual pretende o seu decote. Requer, liminarmente e no mérito, o redimensionamento da reprimenda do paciente. O pedido liminar foi indeferido. Informações prestadas. Parecer ministerial assim ementado (e-STJ fl. 131): H ABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. ROUBO. DOSIMETRIA. PENA-BASE. PRETENSÃO DE AFASTAR A VALORAÇÃO NEGATIVA DAS CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. MARGEM DE DISCRICIONARIEDADE JUDICIAL. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃOVERIFICADO. PARECER PELO NÃO CONHECIMENTOD O HABEAS CORPUS E, CASO CONHECIDO, PELA DENEGAÇÃO DA ORDEM. É o relatório. Decido. O Superior Tribunal de Justiça, de longa data, vem buscando fixar balizas para a racionalização do uso do habeas corpus, visando a garantia não apenas do curso natural das ações ou revisões criminais mas da efetiva priorização do objeto ínsito ao remédio heroico, qual seja, o de prevenir ou remediar lesão ou ameaça de lesão ao direito de locomoção. Nessa linha, esta Corte, em diversas ocasiões, já assentou a impossibilidade de impetração de habeas corpus em substituição à revisão criminal, quando já transitada em julgado a condenação do réu, posicionando-se no sentido de que " n ão deve ser conhecido o writ que se volta contra acórdão condenatório já transitado em julgado, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte" (HC n. 730.555/SC, relator Ministro Olindo Menezes, Desembargador Convocado do TRF 1ª Região, Sexta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 15/8/2022). Nesse mesmo sentido, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ROUBO DUPLAMENTE MAJORADO TENTADO. INSURGÊNCIA CONTRA ACÓRDÃO TRANSITADO EM JULGADO. MANEJO DO WRIT COMO REVISÃO CRIMINAL. DESCABIMENTO. ILEGALIDADE FLAGRANTE NÃO DEMONSTRADA. REPRIMENDA INFERIOR A QUATRO ANOS. PENA-BASE FIXADA NO MÍNIMO LEGAL. REGIME MAIS GRAVOSO. POSSIBILIDADE. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA EVIDENCIADA. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. EFEITO DEVOLUTIVO AMPLO DO RECURSO DE APELAÇÃO. BIS IN IDEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PETIÇÃO INICIAL LIMINARMENTE INDEFERIDA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Não deve ser conhecido o writ que se volta contra acórdão já transitada em julgado, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte. Precedentes da Quinta e Sexta Turmas do Superior Tribunal de Justiça. .. 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 751.156/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 18/8/2022, grifei.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS INDEFERIDO LIMINARMENTE. TRÁFICO DE DROGAS. ACÓRDÃO TRANSITADO EM JULGADO. DOSIMETRIA. SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. NÃO INAUGURADA A COMPETÊNCIA DO STJ. INADMISSIBILIDADE. AUMENTO DA PENA-BASE. ELEVADA QUANTIDADE DE DROGAS. PROPORCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. Agravo regimental não conhecido. (AgRg no HC n. 751.137/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 2/8/2022, DJe de 4/8/2022, grifei.) Assim, não se deve conhecer do writ que pretende a desconstituição de condenação definitiva, olvidando-se a parte de ajuizar a necessária revisão criminal antes de inaugurar a competência desta Corte acerca da controvérsia, notadamente, no caso, em que não se vislumbra flagrante ilegalidade nas decisões das instâncias ordinárias, a ser reparada de ofício. Por essas considerações, não conheço do presente habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA