HC 897923 - DECISAO
O habeas corpus foi considerado incabível por funcionar como substitutivo de recurso próprio, não sendo demonstrada flagrante ilegalidade no acórdão. Além disso, matéria relativa a excesso de prazo não foi examinada pelo tribunal a quo, impedindo decisão do STJ sem supressão de instância; e a manutenção da custódia...
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- Parties
- Impetrante: JOSÉ MONTEIRO SILVA FILHO E OUTRO; Paciente: ADAMIS KAIKE DA SILVA FIRMINO; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 December 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso, Prisão Preventiva, Manutenção Da Custódia Após Condenação, Excesso De Prazo No Julgamento De Recurso, Medidas Cautelares Diversas Da Prisão, Art. 312 Do Código De Processo Penal, Art. 654 Do Código De Processo Penal
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Parties
JOSÉ MONTEIRO SILVA FILHO E OUTRO
Impetrante
ADAMIS KAIKE DA SILVA FIRMINO
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus como substitutivo de recurso
- 2 manutenção da prisão cautelar após condenação de réu que permaneceu preso durante a instrução
- 3 impossibilidade de apreciação de matéria não debatida pela corte a quo (excesso de prazo)
Ratio Decidendi
O habeas corpus foi considerado incabível por funcionar como substitutivo de recurso próprio, não sendo demonstrada flagrante ilegalidade no acórdão. Além disso, matéria relativa a excesso de prazo não foi examinada pelo tribunal a quo, impedindo decisão do STJ sem supressão de instância; e a manutenção da custódia é justificável ante o fato de o réu ter permanecido preso durante a instrução, atendendo aos requisitos do art. 312 do CPP.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus impetrado por JOSÉ MONTEIRO SILVA FILHO E OUTRO em favor do paci ente ADAMIS KAIKE DA SILVA FIRMINO, tendo apontado como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas. Consta dos autos que, em primeiro grau (Processo nº 0712318-08.2021.8.02.0001), o paciente foi condenado, em 23 de agosto de 2023, à pena de 14 anos e 06 meses de reclusão, em regime inicial fechado e ao pagamento de 2.049 dias-multa pela prática dos crimes previstos nos arts. 33, caput, e 35, caput, com a incidência das causas de aumento previstas no art. 40, III, IV e V, todos da Lei 11.343/2006. Impetrado habeas corpus perante o Tribunal de origem (Processo nº 810422-67.2023.8.02.0000), a ordem foi denegada. Na presente impetração, busca-se a concessão da ordem, para que o paciente possa recorrer em liberdade, com a fixação de medidas cautelares diversas da prisão. Parecer do Ministério Público Federal pelo não conhecimento do habeas corpus. É o relatório. DECIDO. Da análise detida da petição inicial do habeas corpus, tenho que a presente impetração se insurge contra acórdão, funcionando como substitutivo do recurso próprio, motivo pelo qual, por si só, não deve ser conhecida (AgRg no HC 936880 / SP, QUINTA TURMA, de minha relatoria, DJe 19/09/2024). Com efeito, a 3ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do HC 535.063-SP, de Relatoria do Ministro Sebastião Reis Júnior, julgado em 10/06/2020, e o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do AgRg no HC 180.365, de Relatoria da Ministra Rosa Weber, julgado em 27/03/2020, consolidaram a orientação de que não cabe habeas corpus substitutivo ao recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. De mais a mais, não vislumbro a presença de teratologia ou coação ilegal que desafie a concessão da ordem de ofício, nos termos do parágrafo 2º do artigo 654 do Código de Processo Penal. Isso porque, como bem pontuado pelo Parquet em seu parecer, verifica-se que a questão afeta ao excesso de prazo no julgamento do recurso sequer foi objeto de apreciação por parte do Tribunal de origem no acórdão impugnado, circunstância que, por si só, impede a esta Corte Superior decidir diretamente a matéria, sob pena de indevida supressão de instância. Logo, "não debatida a questão pela Corte a quo, é firme o entendimento de que fica obstada sua análise a priori pelo Superior Tribunal de Justiça, sob pena de dupla e indevida supressão de instância, e violação dos princípios do duplo grau de jurisdição e devido processo legal" (AgRg no HC 901793 / RN, QUINTA TURMA, de minha relatoria, DJe 13/09/2024). Quanto à negativa de recorrer em liberdade, a jurisprudência desta Corte Superior perfilhou entendimento de que a manutenção da custódia cautelar na sentença condenatória, nos casos em que o réu permaneceu preso durante toda a instrução processual, não exige fundamentação exaustiva, sendo suficiente que permaneçam inalterados os motivos que levaram à decretação da prisão preventiva, desde que estejam, de fato, preenchidos os requisitos legais do art. 312 do mesmo diploma (AgRg no RHC 194672 / MG, SEXTA TURMA, Rel. Ministro OTÁVIO DE ALMEIDA TOLEDO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJSP), DJe 11/09/2024), como se tem no caso vertente. Não é outra a orientação sedimentada no Supremo Tribunal Federal, assente no sentido de que, "tendo o réu permanecido preso durante toda a instrução criminal, não se afigura plausível, ao contrário, se revela um contrassenso jurídico, sobrevindo sua condenação, colocá-lo em liberdade para aguardar o julgamento do apelo" (HC 177.003 AgRg, Relatora Ministra ROSA WEBER, Primeira Turma, Julgado em 19/4/2021, DJe em 26/4/2021). Ademais, na contramão do sustentado pela defesa, eventuais condições pessoais favoráveis, tais como primariedade, ocupação lícita e residência fixa não têm o condão de ensejar a revogação da prisão preventiva, caso haja, nos autos, elementos hábeis a recomendar a manutenção de sua custódia cautelar (AgRg no RHC 199673 / AM, QUINTA TURMA, de minha relatoria, DJe 14/10/2024). Não remanesce, portanto, qualquer constrangimento ilegal decorrente do ato judicial impugnado. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA