HC 909584 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido por constituir substitutivo do recurso ordinariamente previsto, não tendo sido demonstrada flagrante ilegalidade no acórdão impugnado; além disso, a denúncia foi apreciada com base em prova oral firme, razão pela qual a via não é adequada para reexaminar a matéria fático-probatória.
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: THIAGO CUNHA AVELINO; Paciente: RODOLFO NERES DA SILVA; Órgão Prolator Do Acórdão: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 April 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Impetração Perante O Superior Tribunal De Justiça Não Conhecido
- Outcome
- habeas corpus não conhecido
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso, Prova Testemunhal, Associação Criminosa (art. 288 Cp), Art. 244 B Do ECA
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
THIAGO CUNHA AVELINO
Paciente
RODOLFO NERES DA SILVA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Órgão Prolator Do Acórdão
Procedural Posture
Habeas Corpus / Impetração Perante O Superior Tribunal De Justiça Não Conhecido
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus como substituto de recurso ordinário
- 2 alegação de insuficiência de provas para condenação por associação criminosa (art. 288 CP)
- 3 alegação de insuficiência de provas para condenação por induzir/instigar adolescentes (art. 244-B do ECA)
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido por constituir substitutivo do recurso ordinariamente previsto, não tendo sido demonstrada flagrante ilegalidade no acórdão impugnado; além disso, a denúncia foi apreciada com base em prova oral firme, razão pela qual a via não é adequada para reexaminar a matéria fático-probatória.
Court Disposition
habeas corpus não conhecido
Orders
- Não conheço do habeas corpus, nos termos do art. 34, inciso XX do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de THIAGO CUNHA AVELINO e RODOLFO NERES DA SILVA contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JU STIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO no julgamento da Apelação Criminal n. 0011579-10.2014.8.19.0014. Consta dos autos que os pacientes foram condenados como incursos nas sanções do art. 288 do Código Penal c/c art. 8º da Lei n. 8.072/1990, e art. 244-B da Lei n. 8.069/1990, na forma do art. 70, caput, do Código Penal. Ao paciente TIAGO foi imposta pena definitiva de 05 (cinco) anos e 03 (três) meses de reclusão, em regime semiaberto, e a RODOLFO foi imposta pena definitiva de 04 (quatro) anos e 08 (oito) meses de reclusão, em regime semiaberto. O Tribunal local negou provimento ao recurso de Apelação interposto pela defesa. Daí o presente habeas corpus, por meio do qual a Defensoria Pública sustenta que não há prova cabal da prática do crime previsto no art. 288 do Código Penal, já que "tudo o que foi colhido nos autos impede a pretensão acusatória de condenar os pacientes por associação criminosa (art. 288, Parágrafo único, do CP), porque não demonstrada a associação entre eles, assim entendida como a vinculação estável e duradoura quanto à prática de injustos penais; nem qualquer relação de continuidade". Na sequência, defende que "como imperativo lógico da absolvição do delito associativo, não há razão para manter a imputação aos pacientes o delito descrito no art. 244-B do ECA. Isso porque, analisando os autos, não se verifica nenhuma prova no sentido de que eles efetuaram essa conduta apta a induzir ou instigar os adolescentes à prática de crimes". Postula, assim, a concessão da ordem para o efeito de absolver os pacientes dos delitos imputados, já que não houve prova suficiente para a condenação. Foram solicitadas informações (fl. 90). O Ministério Público Federal emitiu parecer opinando pelo não conhecimento do habeas corpus e, se conhecido, pela denegação da ordem (fls. 157-159). É o relatório. DECIDO. Cinge-se a controvérsia acerca de possível coação ilegal em razão da alegada ausência de prova suficiente para a condenação dos pacientes. Contudo, a presente impetração investe contra acórdão, funcionando como substituto do recurso próprio, motivo pelo qual não deve ser conhecida. A 3ª Seção, no âmbito do HC 535.063-SP, de relatoria do Ministro Sebastião Reis Júnior, julgado em 10/06/2020, e o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do AgRg no HC 180.365, de relatoria da Ministra Rosa Weber, julgado em 27/03/2020, consolidaram a orientação de que não cabe habeas corpus substitutivo ao recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Também não vislumbro a presença de coação ilegal que desafie a concessão da ordem de ofício, em observância § 2º do artigo 654 do Código de Processo Penal. Isto porque a pretensão absolutória por falta de provas para ambos os crimes a que os pacientes foram condenados não pode ser admitida pela via estreita do habeas corpus, que não admite o revolvimento da matéria fático-probatória. A este respeito, da leitura do acórdão impugnado verifico que a condenação dos pacientes foi baseada em firme prova oral colhida sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus, nos termos do art. 34, inciso XX do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA