HC 948996 - DECISAO
O habeas corpus foi conhecido e não conhecido por ser inadequado como substitutivo de recurso cabível, não tendo sido demonstrada ilegalidade flagrante; ademais, a suspensão cautelar do livramento condicional durante a vigência de prisão preventiva em outro processo está autorizada pelo art. 145 da Lei de Execução...
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- Parties
- Paciente: ANTONIO EDSON VASCONCELOS BARROSO; Órgão Julgador: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO (Agravo em Execução nº 0808889-17.2024.8.10.0000); Interessado: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 May 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento Do Habeas Corpus
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso, Suspensão Da Execução Penal, Livramento Condicional, Prisão Preventiva, Incompatibilidade De Regimes
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Parties
ANTONIO EDSON VASCONCELOS BARROSO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO (Agravo em Execução nº 0808889-17.2024.8.10.0000)
Órgão Julgador
Ministério Público Federal
Interessado
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento Do Habeas Corpus
Legal Issues
- 1 Cabe habeas corpus como substituto de recurso ordinariamente previsto?
- 2 É legal a suspensão da execução penal (livramento condicional) durante prisão preventiva em outro processo?
- 3 Há incompatibilidade entre regimes de cumprimento (aberto/semiaberto) e prisão preventiva?)
Ratio Decidendi
O habeas corpus foi conhecido e não conhecido por ser inadequado como substitutivo de recurso cabível, não tendo sido demonstrada ilegalidade flagrante; ademais, a suspensão cautelar do livramento condicional durante a vigência de prisão preventiva em outro processo está autorizada pelo art. 145 da Lei de Execução Penal e pela jurisprudência que reconhece a incompatibilidade entre regimes aberto/semaberto e prisão preventiva.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Liminar indeferida
- Não conheço do habeas corpus
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de ANTONIO EDSON VASCONCELOS BARROSO, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO (Agravo em Execução nº 0808889-17.2024.8.10.0000). Consta dos autos que o paciente cumpria pena quando sobreveio a prática de novo crime com decretação de prisão preventiva. Em razão disso, o juízo de primeiro grau regrediu o cumprimento de pena para o regime fechado e determinou a suspensão da execução penal enquanto durar a prisão cautelar no outro processo. A impetrante alega, em síntese, a existência de constrangimento ilegal na suspensão da execução da pena, pois entende que não há motivação jurídica idônea para que a execução em curso seja suspensa. Argumenta que não há incompatibilidade entre a execução definitiva de pena e prisão cautelar, pois são espécies distintas de prisão que não se confundem. Requer, liminarmente e no mérito, a revogação da suspensão da execução penal durante a prisão preventiva referente à acusação por novo delito. A liminar foi indeferida às fls. 48-49. Informações prestadas às fls. 56-59 e 66-70. O Ministério Público Federal apresentou parecer às fls. 72-75. É o relatório. DECIDO. A presente impetração investe contra acórdão, funcionando como substituto do recurso próprio, motivo pelo qual não deve ser conhecida. A 3ª Seção, no âmbito do HC 535.063-SP, de relatoria do Ministro Sebastião Reis Júnior, julgado em 10/06/2020, e o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do AgRg no HC 180.365, de relatoria da Ministra Rosa Weber, julgado em 27/03/2020, consolidaram a orientação de que não cabe habeas corpus substitutivo ao recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Também não vislumbro a presença de coação ilegal que desafie a concessão da ordem ofício, em observância § 2º do artigo 654 do Código de Processo Penal. Confira-se o excerto da ementa do acórdão impugnado (fl. 27): 1. Inarredável a incompatibilidade dos regimes aberto e semiaberto com o instituto da prisão preventiva, escorreita resulta a decisão que suspende execução penal durante o tempo em que vigente prisão decretada em autos outros. Nesse sentido, o artigo 145 da Lei de Execução Penal assim dispõe: Art. 145. Praticada pelo liberado outra infração penal, o Juiz poderá ordenar a sua prisão, ouvidos o Conselho Penitenciário e o Ministério Público, suspendendo o curso do livramento condicional, cuja revogação, entretanto, ficará dependendo da decisão final. A corroborar o entendimento do Tribunal de origem: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. LIVRAMENTO CONDICIONAL. SUSTAÇÃO CAUTELAR. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A notícia da prática de outra infração penal durante o período de prova do livramento condicional pode ensejar a suspensão do benefício, uma vez que há sinais razoáveis de falta de disciplina e de responsabilidade para a permanência desvigiada no último estágio da pena. 2. A providência do art. 145 da LEP é cautelar, de natureza urgente; visa assegurar a efetividade da execução. Por isso, não pressupõe sentença condenatória transitada em julgado e não está condicionada à decretação de prisão preventiva no processo de conhecimento referente ao novo delito. Os institutos são diferentes e seus propósitos não se confundem. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg nos E Dcl no HC n. 937.011/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 7/10/2024, D Je de 9/10/2024.) Portanto, a suspensão do livramento condicional não revela ilegalidade flagrante na hipótese de prisão preventiva por outro delito. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA