HC 993602 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque o remédio não pode substituir recurso próprio nem revisão criminal, não se demonstrando flagrante ilegalidade apta a autorizar concessão de ofício; além disso, a dosimetria é matéria discricionária vinculada ao juízo fático-probatório, cuja reavaliação é incompatível com o habeas...
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- Parties
- Paciente: JOEL DANIEL SELVINO DIAS; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 May 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- pedido não conhecido (habeas corpus não conhecido)
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso, Continuidade Delitiva, Dosimetria Da Pena, Flagrante Ilegalidade, Reexame De Provas
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Parties
JOEL DANIEL SELVINO DIAS
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Reconhecimento da continuidade delitiva entre dois homicídios
- 2 Possibilidade de utilização do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio
- 3 Revisão da dosimetria da pena por habeas corpus
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque o remédio não pode substituir recurso próprio nem revisão criminal, não se demonstrando flagrante ilegalidade apta a autorizar concessão de ofício; além disso, a dosimetria é matéria discricionária vinculada ao juízo fático-probatório, cuja reavaliação é incompatível com o habeas corpus.
Court Disposition
pedido não conhecido (habeas corpus não conhecido)
Orders
- Não conheço do habeas corpus.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de JOEL DANIEL SELVINO DIAS, em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (Apelação Criminal n. 5000170-14.2013.8.21.0019/RS). Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 36 (trinta e seis) anos de reclusão, em regime inicial fechado, pela prática do crime previsto no art. 121, § 2º, I, III e IV, por duas vezes, na forma do art. 69 do Código Penal. O Tribunal local negou provimento ao apelo defensivo e deu parcial provimento ao apelo ministerial, redimensionando a pena do paciente para 38 (trinta e oito) anos de reclusão, em regime inicial fechado (fls. 9-16). Neste writ, a impetrante sustenta constrangimento ilegal porquanto não reconhecida a continuidade delitiva entre os homicídios. Aduz que o legislador adotou a teoria objetiva ao tratar da matéria, o que se reflete na não-exigência de maiores pormenores para o reconhecimento do crime continuado, já que o dispositivo legal que norteia a postulação em tela exige tão-somente a prática de dois ou mais crimes da mesma espécie e que se assemelhem pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução. (fl. 6). Sustenta que os delitos ocorreram nas mesmas circunstâncias de tempo e lugar, o que justifica a aplicação do aumento previsto para o crime continuado. Requer, liminarmente e no mérito, o reconhecimento da continuidade delitiva entre os dois fatos pelos quais o paciente foi condenado, com redimensionamento da pena definitiva. O pedido liminar foi indeferido às fls. 1746-1747. Informações prestadas às fls. 1754-1787 e 1788-1791. Parecer do MPF às fls. 1797-1801, opinando pelo não conhecimento da impetração. É o relatório. Decido. O Superior Tribunal de Justiça, considerando a necessidade de racionalização do emprego do remédio heroico que reiteradamente é impetrado de maneira desvirtuada, alheia aos preceitos constitucionais e legais, entende ser incabível a impetração de habeas corpus substitutivo de recurso próprio ou de revisão criminal, sob pena subversão do sistema recursal e indevida supressão de instância. Nesse sentido: PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO "HABEAS CORPUS". ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. DOSIMETRIA. INEXISTÊNCIA DE ILICITUDE FLAGRANTE. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. .. (AgRg no HC n. 921.445/MS, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 3/9/2024, DJe de 6/9/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. WRIT SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL, IMPETRADO QUANDO O PRAZO PARA A INTERPOSIÇÃO DA VIA RECURSAL CABÍVEL NA CAUSA PRINCIPAL AINDA NÃO HAVIA FLUÍDO. INADEQUAÇÃO DO PRESENTE REMÉDIO. PRECEDENTES. NÃO CABIMENTO DE CONCESSÃO DA ORDEM DE OFÍCIO. PETIÇÃO INICIAL INDEFERIDA LIMINARMENTE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. É incognoscível, ordinariamente, o habeas corpus impetrado quando em curso o prazo para interposição do recurso cabível. O recurso especial defensivo, interposto, na origem, após a prolação da decisão agravada, apenas reforça o óbice à cognição do pedido veiculado neste feito autônomo. .. (AgRg no HC n. 834.221/DF, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 18/9/2023, DJe de 25/9/2023.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO. TRÁFICO DE DROGAS. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIAS CONCRETAS. APREENSÃO DE DROGAS E MATERIAL CARACTERÍSTICO DO TRÁFICO. NECESSIDADE DE RESGUARDAR A ORDEM PÚBLICA. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício. .. (AgRg no HC n. 946.588/SC, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 23/10/2024, DJe de 25/10/2024.) Ademais, inexiste ilegalidade flagrante que justifique a concessão de habeas corpus de ofício, porque, de acordo com o entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça, a dosimetria da pena insere-se dentro de um juízo de discricionariedade do julgador, atrelado às particularidades fáticas do caso concreto e subjetivas do agente, somente passível de revisão por esta Corte no caso de inobservância dos parâmetros legais ou de flagrante desproporcionalidade (AgRg no HC 710.060/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 14/12/2021, DJe de 17/12/2021), situação não verificada na espécie. Ainda, A reavaliação do contexto fático-probatório é incompatível com a via estreita do habeas corpus, não sendo possível o reexame de provas para reconhecimento da continuidade delitiva. (AgRg no AREsp n. 2.626.584/GO, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 22/4/2025, DJEN de 29/4/2025.) Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA