HC 1026568 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido porque a impetração buscava, na prática, revisão de decisões ordinárias após o trânsito em julgado (23/7/2025), matéria que configura tentativa de substituição da revisão criminal competencialmente destinada a outro rito; além disso, o Tribunal de origem não enfrentou o pedido de...
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- Parties
- Paciente: MARCELO VALINS DA SILVA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO; Interveniente (opinou Pelo Não Conhecimento): MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 October 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento (não Conheço O Habeas Corpus)
- Outcome
- Não conheço o habeas corpus.
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso, Prescrição Da Pretensão Punitiva (retroativa), Dosimetria Da Pena, Substituição Da Pena Privativa De Liberdade Por Restritiva De Direitos (art. 44 Cp), Suspensão Condicional Da Pena, Regime Inicial De Cumprimento Da Pena, Trânsito Em Julgado, Flagrante Ilegalidade
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Parties
MARCELO VALINS DA SILVA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Autoridade Coatora
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Interveniente (opinou Pelo Não Conhecimento)
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento (não Conheço O Habeas Corpus)
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus como substitutivo de recurso ou de revisão criminal
- 2 reconhecimento da prescrição retroativa da pretensão punitiva
- 3 possibilidade de revisão da dosimetria e substituição da pena
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido porque a impetração buscava, na prática, revisão de decisões ordinárias após o trânsito em julgado (23/7/2025), matéria que configura tentativa de substituição da revisão criminal competencialmente destinada a outro rito; além disso, o Tribunal de origem não enfrentou o pedido de prescrição, de modo que a apreciação direta pelo STJ implicaria supressão de instância; não se verificou flagrante ilegalidade que autorizasse o conhecimento do writ, nos termos dos arts. 105, I, alínea e, e 108, I, alínea b, da Constituição.
Court Disposition
Não conheço o habeas corpus.
Orders
- Liminar indeferida
- Não conheço o habeas corpus
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido liminar, impetrado em favor de MARCELO VALINS DA SILVA, apontando como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Extrai-se dos autos que o paciente foi condenado à pena de 8 meses e 5 dias de detenção, no regime semiaberto, e ao pagamento de 14 dias-multa, além da pena acessória de suspensão ou proibição de se obter a permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor pelo período de 2 meses e 21 dias, por infração ao artigo 306 da Lei nº 9.503/97. A defesa interpôs recurso de apelação perante o Tribunal de origem, que negou provimento ao apelo, nos termos do acórdão que recebeu a seguinte ementa: "Embriaguez ao volante - Prova certa - Condenação indiscutível - Prova testemunhal e prova documental seguras, que apontam para a responsabilidade criminal do réu -Dosimetria - Pena fixada com atenção aos maus antecedentes e reincidência do sentenciado - Confissão não configurada, vez que o réu não admitiu seu estado de embriaguez - Regime semiaberto mantido - Recurso improvido." (e-STJ, fls. 23-26) Neste writ, a defesa alega a prescrição da pretensão punitiva na modalidade retroativa, afirmando que, considerada a pena concretamente aplicada (8 meses e 5 dias de detenção), incide o prazo prescricional de 3 anos (art. 109, VI, c/c art. 107, IV, do CP), e que "se passaram mais de 3 (três) anos entre a data da publicação do decreto condenatório (10/03/2025 - fls. 253/264 dos autos de primeiro grau) e a data de recebimento da denúncia (22/03/2021 - fls. 92/94 dos autos de primeiro grau)" . Subsidiariamente, postula a revisão da dosimetria, bem como pela substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos (art. 44 do CP), argumentando que, não obstante a reincidência, o § 3º do art. 44 admite a substituição ao reincidente. Por outro lado, postula a suspensão condicional da pena. Por fim, requer a fixação do regime inicial aberto, pois o regime semiaberto teria sido fundamentado exclusivamente na reincidência e maus antecedentes, implicando dupla valoração das mesmas circunstâncias. Requer a concessão da ordem para que seja reconhecida a prescrição. Alternativamente, busca revisão da pena e do regime prisional Indeferida a liminar (e-STJ, fl. 95), o Ministério Público Federal opina pelo não conhecimento do writ (e-STJ, fls. 136-140). É o relatório. Decido. Esta Corte - HC 535.063, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgRg no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Inicialmente, no tocante ao pretendido reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva na modalidade retroativa, observa-se que o Tribunal de origem não analisou o pleito, no julgamento da apelação criminal. Dessa forma, sua apreciação direta por esta Corte Superior fica obstada, sob pena de se incorrer em indevida supressão de instância. Por outro lado, consoante se depreende das informações prestadas pelo Tribunal de origem às fls. 129-134, e-STJ, verifica-se que a condenação transitou em julgado em 23/7/2025, razão pela qual a utilização do presente habeas corpus com o fim de se desconstituir as decisões proferidas pelas instâncias ordinárias consubstancia pretensão revisional que configura usurpação da competência do Tribunal de origem, nos termos dos arts. 105, inciso I, alínea e e 108, inciso I, alínea b, ambos da Constituição da República. Nesse sentido: "DIREITO PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Habeas corpus impetrado contra condenação transitada em julgado, alegando constrangimento ilegal devido à exasperação da pena-base sem fundamentação concreta, baseada na quantidade e natureza da droga apreendida e nos maus antecedentes. 2. Agravo regimental interposto contra decisão que indeferiu liminarmente o habeas corpus, sustentando a necessidade de readequação da pena e alteração do regime inicial de cumprimento da pena. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se o habeas corpus pode ser conhecido como substitutivo de revisão criminal em caso de condenação já transitada em julgado e se há preclusão temporal que impeça o seu conhecimento. III. Razões de decidir 4. O habeas corpus não pode ser conhecido como substitutivo de revisão criminal, pois não houve inauguração da competência do STJ para tal revisão. 5. A preclusão temporal impede o conhecimento do habeas corpus, em respeito aos princípios da segurança jurídica e da lealdade processual, dado o longo decurso de tempo desde o trânsito em julgado da decisão impugnada. 6. Não há flagrante ilegalidade no acórdão impugnado que justifique a concessão da ordem de ofício. IV. Dispositivo e tese 7. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "1. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de revisão criminal para condenações já transitadas em julgado. 2. A preclusão temporal impede o conhecimento do habeas corpus quando há longo decurso de tempo desde o trânsito em julgado da decisão impugnada.". Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 105, I, e; CPP, art. 654, § 2º.Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 851.309/MG, de minha relatoria, Quinta Turma, DJe 15.12.2023; STJ, AgRg no HC 754.541/SP, Rel. Min. Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJe 13.09.2024." (AgRg no HC n. 994.463/CE, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 10/6/2025, DJEN de 17/6/2025.) "AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. TRÂNSITO EM JULGADO. SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. Como não existe no STJ julgamento de mérito passível de revisão em relação à condenação sofrida pelo paciente, forçoso reconhecer a incompetência deste Tribunal para o processamento do presente pedido. 2. Esta Corte, em diversas ocasiões, reconheceu a impossibilidade de uso do habeas corpus em substituição à revisão criminal, posicionando-se no sentido de que "o trânsito em julgado do acórdão que julga a apelação criminal, sem que haja a inauguração da competência deste Sodalício, torna incognoscível o pedido de habeas corpus" (AgRg no HC n. 805.183/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 12/3/2024, DJe de 15/3/2024.). 3. No caso concreto, este habeas corpus se insurge contra acórdão de apelação proferido em 8/8/2024. A defesa impetrou o HC em 16/2/2025, depois do trânsito em julgado da condenação, de modo que o presente writ é substitutivo de revisão criminal. 4. Apesar da ampliação do uso do remédio heroico, e sem esquecer a sua importância na defesa da liberdade de locomoção, a crescente quantidade de impetrações que, antes, deveriam ser examinadas em instâncias diversas, está prejudicando as funções constitucionais desta Corte. É notável o excessivo volume de habeas corpus, em detrimento da eficácia do recurso especial, o que prejudica a delimitação de teses para trazer uniformidade e previsibilidade ao sistema jurídico. 5. Agravo regimental não provido." (AgRg no HC n. 981.876/MG, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 11/6/2025, DJEN de 16/6/2025.) Ante o exposto, não conheço o habeas corpus. Publique-se. Intime-se. EMENTA