HC 898362 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido porque o acórdão impugnado transitou em julgado, configurando a impetração como sucedâneo de revisão criminal, o que é inadmissível perante o STJ, cuja competência para revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados (art. 105, I, "e", CF); somente em presença de...
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- Parties
- Paciente: Paciente; Impetrante: Impetrante; Órgão Ministerial: Ministério Público Federal; Tribunal a Quo: Tribunal a quo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 June 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecido (impetração Inadmissível Por Sucedâneo De Revisão Criminal Após Trânsito Em Julgado)
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo De Revisão Criminal, Trânsito Em Julgado, Crime Impossível (art. 17 Cp), Tentativa De Furto, Princípio Da Insignificância, Dosimetria Da Pena
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Parties
Paciente
Paciente
Impetrante
Impetrante
Ministério Público Federal
Órgão Ministerial
Tribunal a quo
Tribunal a Quo
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecido (impetração Inadmissível Por Sucedâneo De Revisão Criminal Após Trânsito Em Julgado)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade de habeas corpus após trânsito em julgado como substitutivo de revisão criminal
- 2 Reconhecimento de crime impossível versus tentativa de furto
- 3 Aplicação do princípio da insignificância diante do valor do bem subtraído
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido porque o acórdão impugnado transitou em julgado, configurando a impetração como sucedâneo de revisão criminal, o que é inadmissível perante o STJ, cuja competência para revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados (art. 105, I, "e", CF); somente em presença de flagrante ilegalidade poderia haver concessão de ofício, hipótese não verificada nos autos.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado contra acórdão assim ementado (fl. 29): EMBARGOS INFRINGENTES EM RECURSO DE APELAÇÃO CRIMINAL QUE CONHECEU DO RECURSO DA DEFESA E, POR MAIORIA, NEGOU-LHE PROVIMENTO. CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO. TENTATIVA DE FURTO (ART. 155, CAPUT , C/C ART. 14, II, AMBOS DO CP). PRETENSÃO DA DEFESA PELA PREVALÊNCIA DO VOTO DIVERGENTE. IMPOSSIBILIDADE. ATIPICIDADE DA CONDUTA COM FUNDAMENTO NO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. EMBORA O VALOR DO BEM ASSACADO SEJA INFERIOR A 10% (DEZ POR CENTO) DO SALÁRIO MÍNIMO À ÉPOCA DOS FATOS, REINCIDÊNCIA EM CRIME PATRIMONIAL E COMETIMENTO DE DELITO DURANTE O RESGATE DE PENA QUE DENOTAM A ELEVADA REPROVABILIDADE DA CONDUTA. CONDENAÇÃO MANTIDA. EMBARGOS CONHECIDOS E REJEITADOS. Consta dos autos que o paciente foi condenado como incurso no art. 155, caput, c/c art. 14, II, ambos do Código Penal, a 8 meses de reclusão, em regime semiaberto, e 6 dias-multa. Interposta apelação, o recurso defensivo foi desprovido. Os embargos infringentes opostos foram rejeitados. No presente writ, a impetrante alega que "pelas circunstâncias do caso concreto, não há dúvidas de que se trata de tentativa de furto inexequível, por absoluta ineficácia do meio utilizado, o reconhecimento de crime impossível no presente caso (CP, art. 17) é medida de rigor" (fl. 8). Sustenta que "as circunstâncias peculiares do crime indicam a ausência potencial de lesão ao patrimônio da vítima: a subtração de um pedaço de carne, avaliada no total em R$ 92,01 (noventa e dois reais e um centavo) de um grande supermercado Atacadista. Tudo isso revela o ínfimo desvalor da conduta e do resultado" (fl. 13), devendo ser reconhecida a atipicidade material da conduta imputada ao paciente. Aponta "que a conduta ficou bastante distante da efetiva subtração patrimonial (momento consumativo do furto). A conduta não passou da fase inicial do iter criminis" (fl. 16). Requer, assim, liminarmente e no mérito, a absolvição do paciente ou, subsidiariamente, aplicação da fração máxima de 2/3 em relação à tentativa. Indeferida a liminar e prestadas as informações, manifestou-se o Ministério Público Federal pelo não conhecimento do writ. É o relatório. Na espécie, verifica-se, conforme informação processual eletrônica extraída do site do Tribunal a quo em 4/6/2024, que o acórdão impugnado transitou em julgado em 24/4/2024, configurando-se o presente habeas corpus em sucedâneo de revisão criminal, sendo, portanto, inadmissível. Esta Corte, em diversas ocasiões, já assentou a impossibilidade de impetração de habeas corpus em substituição à revisão criminal, quando já transitada em julgado a condenação do réu, posicionando-se no sentido de que " o trânsito em julgado do acórdão que julga a apelação criminal, sem que haja a inauguração da competência deste Sodalício, torna incognoscível o pedido de habeas corpus, impetrado nesta Corte Superior de Justiça, como substitutivo de revisão criminal, ressalvada a possibilidade de concessão da ordem de ofício, se presente flagrante ilegalidade." (AgRg no HC n. 805.183/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 12/3/2024, DJe de 15/3/2024.). Nesse mesmo sentido, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. INEXISTÊNCIA DE JULGAMENTO DE MÉRITO DESTA CORTE SUPERIOR. INCOMPETÊNCIA DO STJ PARA O PROCESSAMENTO DO PEDIDO. TRÁFICO INTERNACIONAL DE ENTORPECENTES. POSTAGEM VIA CORREIOS. 3,280 KG DE SUBSTÂNCIA EM PÓ BRANCO, IDENTIFICADA COMO LIDOCAÍNA. DOSIMETRIA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. PENA-BASE FIXADA ACIMA DO MÍNIMO LEGAL. NEGATIVAÇÃO DAS CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME. DROGA ESCONDIDA EM BASES DE PATINETES PARA DIFICULTAR A FISCALIZAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. TERCEIRA FASE. CAUSA DE DIMINUIÇÃO DA PENA DO TRÁFICO PRIVILEGIADO (ART. 33, § 4º, DA LEI N. 11.343/2006). AFASTAMENTO. DEDICAÇÃO A ATIVIDADES CRIMINOSAS VERIFICADA PELAS INSTÂNCIAS ORIGINÁRIAS. APRESENTAÇÃO DE ELEMENTOS CONCRETOS. INVIABILIDADE DE REEXAME PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL MANIFESTO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO MONOCRÁTICA QUE SE IMPÕE. 1. Inicialmente, registre-se a indevida utilização da impetração, que hostiliza condenação transitada em julgado, como sucedâneo de revisão criminal. 2. Ademais, deve ser mantida a decisão agravada que indeferiu liminarmente a impetração, haja vista que o aumento de um ano aplicado na primeira fase da dosimetria pelas instâncias ordinárias, em razão das circunstâncias do crime, apontando que estas extrapolam as comuns à espécie, já que a droga estava oculta dentro de bases de patinetes, o que tinha por objetivo dificultar a fiscalização (fl. 80), não se mostra indevido ou desproporcional. Precedentes. 3. No que tange à causa especial de redução de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, não se verifica constrangimento ilegal, pois a fundamentação das instâncias ordinárias quanto à dedicação do ora agravante a atividades criminosas, para afastar a incidência da causa de diminuição de pena do tráfico privilegiado, está de acordo com o entendimento da Sexta Turma desta Corte. 4. Por fim, a exasperação da pena-base, aliada à reprimenda definitiva imposta superior a 4 anos, além das circunstâncias judiciais negativas que envolveram a prática do delito, bem como a condenação anterior do paciente pelo mesmo delito - ocultação da droga em compartimento adrede preparado no interior de patinetes, colaboração com o tráfico ilícito de entorpecentes em grande escala (fl. 86) -, justificam o regime inicial fechado, nos termos do art. 33, § 3º, c/c o art. 59, ambos do Código Penal e da jurisprudência deste STJ. 5. Agravo regimental improvido. (AgRg no HC n. 801.152/PR, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 28/2/2024.) HABEAS CORPUS. IMPETRAÇÃO QUE QUESTIONA DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO NÃO PROFERIDA PELO STJ. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE SITUAÇÕES PREVISTAS NO ART. 621 DO STJ. CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. AUMENTO DA PENA-BASE. PROPORCIONAL E SOB FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. ALEGADA CONFISSÃO TOTAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA E INSTRUÇÃO DEFICIENTE. HABEAS CORPUS PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, DENEGADA A ORDEM. 1. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. No caso, como não existe no STJ julgamento de mérito passível de revisão em relação à condenação sofrida pelo paciente, forçoso reconhecer a incompetência deste Tribunal para o processamento do presente pedido. 2. Ademais, consoante jurisprudência desta Corte Superior, o não cabimento do writ substitutivo de revisão criminal é corroborado quando o impetrante não indica que as razões de pedir estão previstas em alguma das hipóteses do art. 621 do CPP, como no presente caso. 3. Além disso, não se identifica ilegalidade flagrante a ensejar a concessão da ordem de ofício, pois a Corte estadual manteve o incremento da pena-base em quantum proporcional e sob fundamentação idônea. 4. Embora a defesa argumente que o réu confessou totalmente o delito e pleiteie a integral compensação da atenuante com uma agravante, esse assunto não foi discutido pela Corte de origem e a defesa não acostou cópia da sentença condenatória, a inviabilizar o exame acerca da existência da apontada ilegalidade. 5. Habeas corpus parcialmente conhecido e, na parte conhecida, denegada a ordem. (HC n. 829.748/GO, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 5/12/2023, DJe de 11/12/2023.) Portanto, deve ser observada a regra do art. 105, I, e, da Constituição Federal, segundo a qual, a competência desta Corte Superior para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. No caso, como não existe no STJ julgamento de mérito passível de revisão em relação à condenação sofrida pela paciente, forçoso reconhecer a incompetência deste Tribunal para o processamento do presente pedido. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA