HC 1001732 - DECISAO
O pedido foi indeferido liminarmente porque o habeas corpus foi manejado como substitutivo de revisão criminal contra acórdão que transitou em julgado e porque o acórdão impugnado não se manifestou sobre a prescrição, de modo que o exame da questão pelo STJ implicaria supressão de instância, além de a matéria não...
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- Parties
- Paciente: Carlos Antonio Fernandes Ferreira; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 May 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Petição Inicial Indeferida Liminarmente
- Outcome
- petição inicial indeferida liminarmente
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo De Revisão Criminal, Prescrição Retroativa, Posse De Arma De Fogo, Supressão De Instância
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Parties
Carlos Antonio Fernandes Ferreira
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Petição Inicial Indeferida Liminarmente
Legal Issues
- 1 Conhecimento de habeas corpus contra acórdão transitado em julgado como substitutivo de revisão criminal
- 2 Reconhecimento de prescrição retroativa em razão do art.115 do Código Penal e idade avançada (>70 anos)
- 3 Possibilidade de análise de matéria não decidida pela Corte a quo
Ratio Decidendi
O pedido foi indeferido liminarmente porque o habeas corpus foi manejado como substitutivo de revisão criminal contra acórdão que transitou em julgado e porque o acórdão impugnado não se manifestou sobre a prescrição, de modo que o exame da questão pelo STJ implicaria supressão de instância, além de a matéria não ter sido suscitada nas instâncias ordinárias; diante disso e com apoio em precedentes, a petição inicial foi indeferida com fundamento no art. 210 do RISTJ.
Court Disposition
petição inicial indeferida liminarmente
Orders
- Indeferida liminarmente a petição inicial (art. 210 do RISTJ)
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus ajuizado em nome de Carlos Antonio Fernandes Ferreira, condenado por infração aos arts. 12 e 16, parágrafo único, IV, da Lei n. 10.826/2003, c/c o art. 70 do Código Penal, à pena de 3 anos e 6 meses de reclusão, em regime aberto, convertida em duas sanções restritivas de direitos, mais 10 dias-multa (Processo n. 0195877-07.2012.8.17.0001, da 5ª Vara Criminal da comarca de Recife/PE). Aponta-se como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco, que negou provimento ao recurso defensivo, mantendo a condenação do paciente (fls. 15/32). Requer-se a concessão da ordem para reconhecer a existência da prescrição retroativa em favor do paciente em relação ao crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido. Para tanto, argumenta-se que o acórdão do Tribunal de Justiça desconsiderou a contagem pela metade do prazo prescricional das penas aplicadas, conforme o art. 115 do Código Penal, devido à idade avançada do paciente, que possui mais de 70 anos. Alega-se que interpretação prejudicial ao acusado não pode retroagir, conforme o art. 5º, XL, da Constituição Federal. Defende-se que a prescrição deve ser reconhecida como matéria de ordem pública, podendo ser declarada até mesmo de ofício. É o relatório. Diz a jurisprudência desta Corte que não se deve conhecer do writ que se volta contra acórdão já transitado em julgado, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese em que não há, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, julgamento de mérito passível de revisão criminal em relação a essa condenação (AgRg no HC n. 885.105/SP, Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe 19/9/2024). Ademais, quanto ao pleito de reconhecimento da prescrição, observo que o acórdão impugnado não se manifestou a respeito. Assim, a análise da alegação importaria indevida supressão de instância. Não é possível que a defesa, não tendo alegado a dita inobservância do referido art. 115, tampouco a ocorrência da prescrição perante as instâncias ordinárias, venha diretamente ao STJ buscando tal questão seja decidida. Ora, admitir a análise direta por esta Corte de eventual ilegalidade não submetida ao crivo do Tribunal de origem denotaria patente desprestígio às instâncias ordinárias e inequívoco intento de desvirtuamento do ordenamento recursal ordinário, o que efetivamente tem se buscado coibir (AgRg no HC n. 818.673/SC, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 29/5/2023). Tampouco o Supremo Tribunal Federal admite o habeas corpus nessa circunstância de ausência de pronunciamento judicial conclusivo pela Corte a quo quanto à tese defensiva suscitada apenas no writ. A propósito: HC n. 235.221-AgR, Ministro Cristiano Zanin, Primeira Turma, DJe 9/2/2024; HC n. 236.138-AgR, Ministro Alexandre de Moraes, Primeira Turma, DJe 22/2/2024; HC n. 235.861-AgR, Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 22/2/2024; e RHC n. 230.594-AgR, Ministro Nunes Marques, Segunda Turma, DJe 23/2/2024. Pelo exposto, indefiro liminarmente a petição inicial (art. 210 do RISTJ). Publique-se. EMENTA PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. DESCABIMENTO. POSSE DE ARMAS DE FOGO E MUNIÇÕES DE USO PERMITIDO E DE USO RESTRITO. PRESCRIÇÃO RETROATIVA. DUPLA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INADMISSIBILIDADE. PRECEDENTES. Petição inicial indeferida liminarmente.