HC 1035064 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque, impetrado após o trânsito em julgado e destinado a discutir matéria que deveria ser objeto de revisão criminal, o writ configura substitutivo de via processual específica e, por força do art. 105, I, e, da CF, o STJ não tem competência para esse exame quando se trata de acórdão...
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- Parties
- Paciente: EMERSON VIEIRA DOS SANTOS; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 October 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (art. 210 Do Regimento Interno Do Superior Tribunal De Justiça)
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo De Revisão Criminal, Competência Do Superior Tribunal De Justiça (art. 105, I, E, Cf), Trânsito Em Julgado, Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Reincidência, Substituição De Pena Por Restritivas De Direitos
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Parties
EMERSON VIEIRA DOS SANTOS
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (art. 210 Do Regimento Interno Do Superior Tribunal De Justiça)
Legal Issues
- 1 admissibilidade de habeas corpus após trânsito em julgado como substitutivo de revisão criminal
- 2 limitação da competência do STJ para revisão criminal às hipóteses de seus próprios julgados (art.105, I, e, CF)
- 3 se a reincidência decorrente de delito de menor potencial ofensivo autoriza manutenção de regime mais gravoso diante de pena curta e circunstâncias favoráveis
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque, impetrado após o trânsito em julgado e destinado a discutir matéria que deveria ser objeto de revisão criminal, o writ configura substitutivo de via processual específica e, por força do art. 105, I, e, da CF, o STJ não tem competência para esse exame quando se trata de acórdão de instância diversa; cabia à defesa manejar a ação revisional na origem antes de impetrar habeas corpus.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de EMERSON VIEIRA DOS SANTOS em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Consta dos autos que o paciente foi condenado às penas de 1 ano, 6 meses e 20 dias em regime semiaberto e de 14 dias-multa, como incurso nas sanções do art. 171, caput, c/c o art. 14, II, e 71 do Código Penal. Alega que a manutenção do regime semiaberto decorreu exclusivamente da reincidência, embora a pena seja curta e as circunstâncias judiciais favoráveis. Aduz que a reincidência, oriunda de delito de menor potencial ofensivo, não deve eternizar efeito de agravamento do regime, impondo-se a adequação ao aberto. Assevera que a pena privativa foi substituída por restritivas de direitos, o que reforça a suficiência do regime aberto. Afirma que há precedentes que admitem regime aberto para reincidente quando a reprimenda é de curta duração, por proporcionalidade, e que a gravidade em abstrato do delito não legitima a imposição de regime mais severo, à luz dos enunciados 718 e 719 do STF (fls. 4-5). Requer, liminarmente e no mérito, a alteração do regime inicial para o aberto. E, subsidiariamente, a concessão da ordem de ofício, com base no art. 654, § 2º, do CPP (fl. 6). É o relatório. O presente writ foi impetrado em 12/9/2025 com o objetivo de impugnar o acórdão que julgou a apelação criminal, com trânsito em julgado em 7/8/2024 (fl. 57). Nesse contexto, a utilização do habeas corpus assume o caráter de substitutivo da revisão criminal, uma vez que a legislação processual exige a prévia submissão do pedido por meio de impugnação específica, sob pena de usurpação da competência da instância originária. Vale anotar que, consoante dispõe o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência do Superior Tribunal de Justiça para julgar pretensão típica de revisão criminal é limitada aos seus próprios julgados, o que não é o caso dos autos. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. PENA-BASE. MATÉRIA NÃO DEBATIDA NA ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. CONSUMAÇÃO DO CRIME. PRÁTICA DE QUALQUER ATO DE LIBIDINAGEM OFENSIVO À DIGNIDADE SEXUAL DA VÍTIMA. MATERIALIDADE DELITIVA. AUSÊNCIA DE VESTÍGIOS NO LAUDO PERICIAL. IRRELEVÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. .. 2. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. Por se tratar de habeas corpus substitutivo de via processual específica, não compete a esta Corte analisar os fundamentos de apelação transitada em julgado, a qual deve ser objeto de recurso interposto na origem, a fim de evitar inadmissível subversão de competência. Cabia à defesa trazer seus argumentos relativos à diminuição da reprimenda-base na ação revisional e depois impetrar o habeas corpus, a fim de possibilitar o exame da matéria por este Superior Tribunal, o que não fez. .. (AgRg no HC n. 914.206/RJ, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 15/8/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. BUSCA PESSOAL E DOMICILIAR. IMPETRAÇÃO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA CONDENAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INCOMPETÊNCIA DESSA CORTE SUPERIOR. WRIT SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. 1. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento segundo o qual: "o advento do trânsito em julgado impossibilita a admissão do writ, visto que o conhecimento de habeas corpus em substituição à revisão criminal subverte o sistema de competências constitucionais, transferindo a análise do feito de órgão estadual para este Tribunal Superior" (AgRg no HC n. 789.984/GO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 20/4/2023). 2. De acordo com o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados, o que não ocorre no presente caso, em que se insurge a defesa contra acórdão proferido pela instância antecedente, no julgamento de apelação criminal, cujo trânsito em julgado ocorreu em 28/9/2022. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 876.697/MG, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT) , Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 16/8/2024.) Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA