HC 976931 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque foi impetrado como substitutivo de revisão criminal contra acórdão com trânsito em julgado, hipótese em que o STJ não tem competência para revisar julgados de instância diversa (art.105,I,e CF); além disso, não se identificou ilegalidade flagrante na dosimetria que justificasse...
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- Parties
- Paciente: MARTA MARIA BURNIER GANIMI; Paciente: VERA MARIA BURNIER GANIMI FILHA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 6ª REGIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 March 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (habeas Corpus Usado Como Substitutivo De Revisão Criminal; Trânsito Em Julgado Em 07/12/2021)
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo De Revisão Criminal, Dosimetria Da Pena, Trânsito Em Julgado, Competência Do STJ (art. 105, I, E), Art. 62, III, Do Código Penal, Art. 299 Do CP
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Parties
MARTA MARIA BURNIER GANIMI
Paciente
VERA MARIA BURNIER GANIMI FILHA
Paciente
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 6ª REGIÃO
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (habeas Corpus Usado Como Substitutivo De Revisão Criminal; Trânsito Em Julgado Em 07/12/2021)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do habeas corpus após trânsito em julgado como substitutivo de revisão criminal
- 2 Regularidade da dosimetria da pena e incidência da agravante do art. 62, III, CP
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque foi impetrado como substitutivo de revisão criminal contra acórdão com trânsito em julgado, hipótese em que o STJ não tem competência para revisar julgados de instância diversa (art.105,I,e CF); além disso, não se identificou ilegalidade flagrante na dosimetria que justificasse intervenção de ofício.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de MARTA MARIA BURNIER GANIMI e de VERA MARIA BURNIER GANIMI FILHA em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 6ª REGIÃO. Segundo consta dos autos, as pacientes foram condenadas, em primeiro grau, como incursas nas penas do art. 299 do CP, às penas de 3 anos e 6 meses de reclusão, em regime inicial aberto, e 360 dias-multa do salário mínimo vigente à época dos fatos. Foi dado parcial provimento tanto ao recurso do Ministério Público quanto ao da defesa, de modo que as penas para ambas foram fixadas em 4 anos de reclusão, em regime aberto, e 40 dias-multa, à razão diária de 1/30 do salário mínimo vigente na época dos fatos. A defesa afirma que a pena-base foi exacerbada indevidamente. Assevera que o aumento fundamentou-se em argumentos genéricos, de gravidade abstrata e que a pena-base deve ser fixada no mínimo legal. Defende que não há provas que justifiquem a incidência da agravante prevista no art. 62, III, do Código Penal. Pleiteia a concessão de liminar e de ordem para que seja refeita a dosimetria, devendo a pena-base ser fixada no mínimo legal e afastada a causa especial de aumento atrelada à coação. Indeferida a liminar (fls. 36-37), vieram aos autos informações prestadas pela origem (fls. 42-45 e 49-57) e manifestação do Ministério Público Federal opinando pelo não conhecimento do writ e, caso conhecido, pela denegação da ordem (fls. 60-70). É o relatório. O presente writ foi impetrado em 27/1/2025 com o objetivo de impugnar o acórdão que julgou a apelação criminal, com trânsito em julgado em 7/12/2021 (fl. 44). Nesse contexto, a utilização do habeas corpus assume o caráter de substitutivo da revisão criminal, instrumento que não pode ser manejado no caso, uma vez que a legislação processual exige a prévia submissão do pedido por meio de impugnação específica, sob pena de usurpação da competência da instância originária. Vale anotar que, consoante dispõe o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência do Superior Tribunal de Justiça para julgar pretensão típica de revisão criminal é limitada aos seus próprios julgados, o que não é o caso dos autos. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. PENA-BASE. MATÉRIA NÃO DEBATIDA NA ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. CONSUMAÇÃO DO CRIME. PRÁTICA DE QUALQUER ATO DE LIBIDINAGEM OFENSIVO À DIGNIDADE SEXUAL DA VÍTIMA. MATERIALIDADE DELITIVA. AUSÊNCIA DE VESTÍGIOS NO LAUDO PERICIAL. IRRELEVÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. .. 2. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. Por se tratar de habeas corpus substitutivo de via processual específica, não compete a esta Corte analisar os fundamentos de apelação transitada em julgado, a qual deve ser objeto de recurso interposto na origem, a fim de evitar inadmissível subversão de competência. Cabia à defesa trazer seus argumentos relativos à diminuição da reprimenda-base na ação revisional e depois impetrar o habeas corpus, a fim de possibilitar o exame da matéria por este Superior Tribunal, o que não fez. .. (AgRg no HC n. 914.206/RJ, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 15/8/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. BUSCA PESSOAL E DOMICILIAR. IMPETRAÇÃO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA CONDENAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INCOMPETÊNCIA DESSA CORTE SUPERIOR. WRIT SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. 1. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento segundo o qual: "o advento do trânsito em julgado impossibilita a admissão do writ, visto que o conhecimento de habeas corpus em substituição à revisão criminal subverte o sistema de competências constitucionais, transferindo a análise do feito de órgão estadual para este Tribunal Superior" (AgRg no HC n. 789.984/GO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 20/4/2023). 2. De acordo com o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados, o que não ocorre no presente caso, em que se insurge a defesa contra acórdão proferido pela instância antecedente, no julgamento de apelação criminal, cujo trânsito em julgado ocorreu em 28/9/2022. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 876.697/MG, relator Ministro Jesuíno Rissato - Desembargador convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 16/8/2024.) A propósito do disposto no art. 647-A do CPP, verifico que o acórdão impugnado não possui ilegalidade flagrante que permita a concessão da ordem de ofício. Analisados os fundamentos adotados no ato judicial impugnado, observa-se adequada aplicação do direito ao caso concreto, nada havendo a ser reparado na dosimetria da pena. Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA