HC 973991 - ACORDAO
O agravo regimental foi negado porque o habeas corpus foi impetrado depois do trânsito em julgado e se apresenta como substitutivo de revisão criminal, hipótese em que o STJ é incompetente para conhecer, por força do art. 105, I, "e", da CF, inexistindo julgamento deste Tribunal passível de revisão, tornando...
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- Parties
- Agravante: PAMELA PULZ RODRIGUES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 31 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus / Sessão Virtual (20/03/2025 a 26/03/2025) Julgamento Do Agravo Regimental
- Outcome
- Agravo regimental não provido.
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo De Revisão Criminal, Competência Do Superior Tribunal De Justiça Para Revisão Criminal, Trânsito Em Julgado, Tráfico Privilegiado
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Parties
PAMELA PULZ RODRIGUES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus / Sessão Virtual (20/03/2025 a 26/03/2025) Julgamento Do Agravo Regimental
Legal Issues
- 1 possibilidade de impetração de habeas corpus substitutivo de revisão criminal
- 2 competência do STJ para processar revisão criminal
- 3 efeitos do trânsito em julgado sobre o cabimento do habeas corpus
Ratio Decidendi
O agravo regimental foi negado porque o habeas corpus foi impetrado depois do trânsito em julgado e se apresenta como substitutivo de revisão criminal, hipótese em que o STJ é incompetente para conhecer, por força do art. 105, I, "e", da CF, inexistindo julgamento deste Tribunal passível de revisão, tornando incognoscível o pedido e impondo a manutenção da decisão que indeferiu o HC.
Court Disposition
Agravo regimental não provido.
Orders
- Negado provimento ao agravo regimental.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 20/03/2025 a 26/03/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior, Antonio Saldanha Palheiro e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Esta Corte, em diversas ocasiões, reconheceu a impossibilidade de impetração de habeas corpus concomitante à interposição de recurso especial ou em substituição à revisão criminal. 2. Revela-se inviável, notadamente diante da incompetência deste Superior Tribunal, analisar habeas corpus substitutivo de revisão criminal. Sem descurar de sua importância na defesa da liberdade de locomoção, a crescente quantidade de impetrações que, antes, deveriam ser examinadas em instâncias diversas, está prejudicando as funções constitucionais desta Corte, em detrimento da eficácia do apelo especial, o que enfraquece a delimitação de teses para a uniformidade e a previsibilidade do sistema jurídico. 3. Agravo regimental não provido.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ: PAMELA PULZ RODRIGUES interpõe agravo regimental contra a decisão de fls. 122-124, por meio da qual indeferi liminarmente o habeas corpus. A defesa sustenta "não ter culpa do excesso de HC impetrado na corte suprema, além do que o ministro informa na sua decisão que a agravante deveria entrar com revisão criminal, para reaver a matéria já exaustiva da figura do tráfico privilegiado, sendo certo, é que a corte de São Paulo unanime não aceita revisão criminal para a aplicação do tráfico privilegiado" (fls. 129-130). Requer, portanto, a reconsideração da decisão impugnada. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Esta Corte, em diversas ocasiões, reconheceu a impossibilidade de impetração de habeas corpus concomitante à interposição de recurso especial ou em substituição à revisão criminal. 2. Revela-se inviável, notadamente diante da incompetência deste Superior Tribunal, analisar habeas corpus substitutivo de revisão criminal. Sem descurar de sua importância na defesa da liberdade de locomoção, a crescente quantidade de impetrações que, antes, deveriam ser examinadas em instâncias diversas, está prejudicando as funções constitucionais desta Corte, em detrimento da eficácia do apelo especial, o que enfraquece a delimitação de teses para a uniformidade e a previsibilidade do sistema jurídico. 3. Agravo regimental não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ (Relator): Em que pesem os argumentos trazidos pela defesa, o julgado deve ser mantido por seus próprios fundamentos. Conforme destacado na decisão monocrática, este habeas corpus se insurge contra acórdão de apelação proferido em 27/5/2024, sem que fosse interposto agravo em recurso especial. A defesa impetrou o HC em 10/1/2025, depois do trânsito em julgado da condenação, a denotar que este habeas corpus é substitutivo de revisão criminal. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. Como não existe no STJ julgamento de mérito passível de revisão em relação à condenação, forçoso reconhecer a incompetência deste Tribunal para o processamento do presente pedido. Importante destacar que esta Corte, em diversas ocasiões, reconheceu a impossibilidade de uso do habeas corpus em substituição à revisão criminal, posicionando-se no sentido de que "o trânsito em julgado do acórdão que julga a apelação criminal, sem que haja a inauguração da competência deste Sodalício, torna incognoscível o pedido de habeas corpus" (AgRg no HC n. 805.183/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 12/3/2024, DJe de 15/3/2024.). Apesar da ampliação do uso do habeas corpus, e sem descurar de sua importância na defesa da liberdade de locomoção, a crescente quantidade de impetrações que, antes, deveriam ser examinadas em instâncias diversas, está prejudicando as funções constitucionais desta Corte, em detrimento da eficácia do recurso especial, o que enfraquece a delimitação de teses para trazer uniformidade e previsibilidade ao sistema jurídico. A impetrante deve apresentar os pedidos de habeas corpus de forma adequada, direcionando-os à autoridade que tem atribuição para decidir sobre a questão, em primeiro lugar. No caso em apreço, não está em curso processo que o Superior Tribunal de Justiça possa conhecer (art. 105 da CF), com a eventualidade de, durante o seu julgamento, deparar-se com irregularidade e conceder ordem de ofício (art. 654, § 2º, do CPP). Diante de tais considerações, entendo ser irretocável a conclusão da decisão ora recorrida, que não conheceu do habeas corpus. À vista do exposto, nego provimento ao agravo regimental.