HC 1041476 - ACORDAO
O agravo regimental foi negado porque o habeas corpus impugnava acórdão de apelação já transitado em julgado e, portanto, funcionava como substitutivo de revisão criminal; como não há julgamento de mérito no STJ passível de revisão, a competência para processar e julgar a pretensão não é desta Corte à luz do art....
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- Parties
- Agravante/paciente: JOÃO CARLOS GONÇALVES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 April 2026
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus / Julgamento (sessão Virtual, 09/04/2026 a 15/04/2026)
- Outcome
- Agravo regimental não provido
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo De Revisão Criminal, Competência Do STJ, Trânsito Em Julgado, Desclassificação De Crime (art. 321 Do Cp), Dosimetria
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Parties
JOÃO CARLOS GONÇALVES
Agravante/paciente
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus / Julgamento (sessão Virtual, 09/04/2026 a 15/04/2026)
Legal Issues
- 1 Competência do STJ para processar e julgar revisão criminal
- 2 Admissibilidade de habeas corpus após trânsito em julgado
- 3 Se o habeas corpus pode ser usado como substitutivo de revisão criminal
Ratio Decidendi
O agravo regimental foi negado porque o habeas corpus impugnava acórdão de apelação já transitado em julgado e, portanto, funcionava como substitutivo de revisão criminal; como não há julgamento de mérito no STJ passível de revisão, a competência para processar e julgar a pretensão não é desta Corte à luz do art. 105, I, "e", da CF, tornando a impetração inadmissível.
Court Disposition
Agravo regimental não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
- Manter decisão de não conhecer do habeas corpus impetrado
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 09/04/2026 a 15/04/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Antonio Saldanha Palheiro, Carlos Pires Brandão, Og Fernandes e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ATO APONTADO COMO COATOR TRANSITADO EM JULGADO. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. INCOMPETÊNCIA DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A competência do STJ para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. A defesa busca, diretamente perante esta Corte Superior, a absolvição, a desclassificação da conduta imputada para a prevista no art. 321 do CP ou o redimensionamento da pena do paciente . Todavia, o habeas corpus foi impetrado depois do trânsito em julgado da condenação e aponta como ato coator o acórdão de apelação. Desse modo, não há como conhecer da impetração, por não ser o STJ o órgão competente para examinar o pleito. 2. Agravo regimental não provido.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ: JOÃO CARLOS GONÇALVES interpõe agravo regimental contra a decisão de fls. 299-301, em que não conheci do habeas corpus impetrado em seu favor. A defesa reitera a alegação de insuficiência probatória e atipicidade das condutas. Subsidiariamente, requer a desclassificação do delito de tráfico de influência para o previsto no art. 321 do CP ou a revisão da dosimetria. Afirma que "o habeas corpus não teve por objeto rescindir decisão transitada em julgado, mas sim cessar constrangimento ilegal atual, decorrente de execução de pena fundada em título condenatório manifestamente incompatível com o princípio da legalidade estrita e com a tipicidade penal" (fl. 310). Requer a reconsideração da decisão anteriormente proferida ou a submissão do recurso à Turma julgadora. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ATO APONTADO COMO COATOR TRANSITADO EM JULGADO. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. INCOMPETÊNCIA DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A competência do STJ para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. A defesa busca, diretamente perante esta Corte Superior, a absolvição, a desclassificação da conduta imputada para a prevista no art. 321 do CP ou o redimensionamento da pena do paciente . Todavia, o habeas corpus foi impetrado depois do trânsito em julgado da condenação e aponta como ato coator o acórdão de apelação. Desse modo, não há como conhecer da impetração, por não ser o STJ o órgão competente para examinar o pleito. 2. Agravo regimental não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ (Relator): Apesar dos argumentos despendidos pela defesa, entendo que não lhe assiste razão. A parte pleiteia a absolvição do réu, ao sustentar insuficiência probatória e atipicidade das condutas. Subsidiariamente, requer a desclassificação do delito de tráfico de influência para o previsto no art. 321 do CP ou a revisão da dosimetria. Todavia, tal como fora registrado na decisão monocrática, o habeas corpus foi impetrado contra acórdão de apelação transitado em julgado, a evidenciar que esta ação constitucional é, portanto, substitutiva de revisão criminal. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. Como não existe no STJ julgamento de mérito passível de revisão em relação à condenação sofrida pelo paciente, é forçoso reconhecer a incompetência deste Tribunal para o processamento do presente pedido. Nessa perspectiva: .. 2. O habeas corpus foi impetrado contra acórdão já transitado em julgado. Verifica-se, assim, a inadmissibilidade do writ, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte Superior (art. 105, inciso I, alínea e, da Constituição da República). Precedentes. .. (AgRg no HC n. 883.695/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 5/3/2024, DJe de 18/3/2024.) Nesse mesmo sentido é a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: .. A orientação do Supremo Tribunal Federal (STF) é no sentido de que o habeas corpus não se revela instrumento idôneo para impugnar decreto condenatório transitado em julgado" (HC 118.292-AgR, Rel. Min. Luiz Fux). Precedentes. Precedentes. .. (HC n. 216.587 AgR, relator Ministro Gilmar Mendes, 2ª T., julgado em 8/8/2022, DJe de 15/8/2022, destaquei.) .. A orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que o "habeas corpus não se revela instrumento idôneo para impugnar decreto condenatório transitado em julgado". Precedentes. .. (HC n. 225.766 AgR, relator Ministro Roberto Barroso, 1ª T., julgado em 25/4-2023, DJe 27/4/2023. ) Ressalto que "a concessão de habeas corpus de ofício demanda a verificação, de plano, por parte exclusivamente do julgador, de ocorrência ou iminente ocorrência de coação ilegal e incontroversa, conforme disposição do art. 654, § 2º, do CPP, situação que não se verifica na espécie, sendo certo que não se presta para sanar eventual irregularidade recursal" (AgRg no AREsp n. 597.845/DF, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 16/12/2014, DJe de 2/2/2015, grifei). Portanto, ausentes fatos novos ou teses jurídicas diversas que permitam a análise do caso sob outro enfoque, deve ser mantida a decisão agravada. A propósito: "É assente nesta Corte Superior de Justiça que o agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a r. decisão vergastada pelos próprios fundamentos" (AgRg no HC n. 749.888/RS, Rel. Ministro Jesuíno Rissato - Desembargador Convocado do TJDFT , 5ª T., DJe 26/8/2022). À vista do exposto, nego p rovimento ao agravo regimental.