HC 1093883 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque ele foi utilizado como substitutivo de revisão criminal para impugnar acórdão com trânsito em julgado, hipótese em que, por força do art. 105, I, e, da Constituição Federal e da jurisprudência desta Corte, não compete ao STJ conhecer da revisão de julgados de instância diversa...
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- Parties
- Paciente: MÁRCIA MARIA TAVARES FARIAS; Paciente: JOÃO PAULO FARIAS DUARTE; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 June 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Habeas Corpus Substitutivo De Revisão Criminal, Trânsito Em Julgado, Dosimetria Da Pena, Redução Da Pena (art. 33 §4º Lei N. 11.343/2006), Competência Do Superior Tribunal De Justiça
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Parties
MÁRCIA MARIA TAVARES FARIAS
Paciente
JOÃO PAULO FARIAS DUARTE
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 possibilidade de conhecimento de habeas corpus após trânsito em julgado como substitutivo de revisão criminal
- 2 aplicação da fração do §4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006 na dosimetria da pena
- 3 necessidade de prévia impugnação por via revisional para acesso ao STJ em matéria já com trânsito em julgado
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque ele foi utilizado como substitutivo de revisão criminal para impugnar acórdão com trânsito em julgado, hipótese em que, por força do art. 105, I, e, da Constituição Federal e da jurisprudência desta Corte, não compete ao STJ conhecer da revisão de julgados de instância diversa salvo quando se tratar de seus próprios julgados; cabia à defesa promover a impugnação via revisão criminal na origem antes de intentar o writ.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Cientifique-se o Ministério Público Federal
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de MÁRCIA MARIA TAVARES FARIAS e JOÃO PAULO FARIAS DUARTE em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (Apelação Criminal n. 5010721-34.2019.8.21.0022). Consta dos autos que os pacientes foram condenados às penas de 2 anos e 6 meses de reclusão em regime aberto e de 250 dias-multa, como incursos nas sanções do art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006, com a causa de diminuição do § 4º aplicada na fração de 1/2. No presente writ, a defesa sustenta que há excesso na reprimenda porque a fração do § 4º do art. 33, aplicada em 1/2, carece de motivação concreta para afastar o patamar máximo de 2/3. Alega que a natureza e a quantidade do entorpecente não podem ser utilizadas de forma exclusiva para modular a fração da minorante quando a pena-base foi fixada no mínimo legal. Assevera que a valoração da quantidade e natureza na terceira fase configura indevido bis in idem, contrariando a orientação firmada em repercussão geral e a jurisprudência desta Corte Superior. Afirma que, sendo os pacientes primários e sem maus antecedentes, inexistindo prova de dedicação a atividades criminosas ou de vínculo com organização criminosa, impõe-se a redução máxima de 2/3. Defende que, com o redimensionamento, devem ser mantidos o regime aberto e a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos, nos termos dos arts. 33, § 2º, c, e 44 do Código Penal. Requer, liminarmente e no mérito, o redimensionamento da pena com a aplicação da fração máxima de 2/3 prevista no § 4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, mantendo-se o regime aberto e a substituição da pena por restritivas de direitos. É o relatório. O presente writ foi impetrado com o objetivo de impugnar o acórdão que julgou a apelação criminal, com trânsito em julgado em 2/5/2026 (fl. 191). Nesse contexto, a utilização do habeas corpus assume o caráter de substitutivo da revisão criminal, uma vez que a legislação processual exige a prévia submissão do pedido por meio de impugnação específica, sob pena de usurpação da competência da instância originária. Vale anotar que, consoante dispõe o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência do Superior Tribunal de Justiça para julgar pretensão típica de revisão criminal é limitada a os seus próprios julgados, o que não é o caso dos autos. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. PENA-BASE. MATÉRIA NÃO DEBATIDA NA ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. CONSUMAÇÃO DO CRIME. PRÁTICA DE QUALQUER ATO DE LIBIDINAGEM OFENSIVO À DIGNIDADE SEXUAL DA VÍTIMA. MATERIALIDADE DELITIVA. AUSÊNCIA DE VESTÍGIOS NO LAUDO PERICIAL. IRRELEVÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. .. 2. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. Por se tratar de habeas corpus substitutivo de via processual específica, não compete a esta Corte analisar os fundamentos de apelação transitada em julgado, a qual deve ser objeto de recurso interposto na origem, a fim de evitar inadmissível subversão de competência. Cabia à defesa trazer seus argumentos relativos à diminuição da reprimenda-base na ação revisional e depois impetrar o habeas corpus, a fim de possibilitar o exame da matéria por este Superior Tribunal, o que não fez. .. (AgRg no HC n. 914.206/RJ, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 15/8/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. BUSCA PESSOAL E DOMICILIAR. IMPETRAÇÃO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA CONDENAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INCOMPETÊNCIA DESSA CORTE SUPERIOR. WRIT SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. 1. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento segundo o qual: "o advento do trânsito em julgado impossibilita a admissão do writ, visto que o conhecimento de habeas corpus em substituição à revisão criminal subverte o sistema de competências constitucionais, transferindo a análise do feito de órgão estadual para este Tribunal Superior" (AgRg no HC n. 789.984/GO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 20/4/2023). 2. De acordo com o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados, o que não ocorre no presente caso, em que se insurge a defesa contra acórdão proferido pela instância antecedente, no julgamento de apelação criminal, cujo trânsito em julgado ocorreu em 28/9/2022. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 876.697/MG, relator Ministro Jesuíno Rissato - Desembargador convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 16/8/2024.) Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA