REsp 2126189 - DECISAO
O Recurso Especial não foi conhecido/teve provimento negado porque a matéria relativa ao art. 689 do CPC não foi apreciada pelo Tribunal de origem, ausentando o prequestionamento exigido (Súmula 211/STJ), e porque o acórdão recorrido aplicou corretamente o entendimento de que, havendo bens a inventariar, é...
Source-derived case information.
- Parties
- Requerente/recorrente: Nilcéa dos Santos Cunha
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 April 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento
- Outcome
- Nego provimento ao Recurso Especial.
- Legal Topics
- Habilitação De Herdeiros, Inventário, Cumprimento De Sentença, Substituição Processual, Prequestionamento, Súmulas
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
Nilcéa dos Santos Cunha
Requerente/recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento
Legal Issues
- 1 prequestionamento quanto ao art. 689 do CPC (Súmula 211/STJ)
- 2 necessidade de abertura de inventário para levantamento de valores quando o de cujus deixou bens
- 3 preferência pela substituição processual pelo espólio quando houver patrimônio (art. 110 CPC)
Ratio Decidendi
O Recurso Especial não foi conhecido/teve provimento negado porque a matéria relativa ao art. 689 do CPC não foi apreciada pelo Tribunal de origem, ausentando o prequestionamento exigido (Súmula 211/STJ), e porque o acórdão recorrido aplicou corretamente o entendimento de que, havendo bens a inventariar, é obrigatória a abertura de inventário e a representação do espólio, não sendo cabível a habilitação direta dos herdeiros.
Court Disposition
Nego provimento ao Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial interposto, com fundamento no art. 105, III, "a" da Constituição da República, contra acórdão assim ementado: CIVIL E PROCESSO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM SEDE DE CUMPRIMENTO DESENTENÇA. LEGITIMIDADE ATIVA DOS SUCESSORES. DE CUJUS DEIXOU BENS. ABERTURADE INVENTÁRIO. NECESSIDADE.- O Superior Tribunal de Justiça consolidou entendimento no sentido de que a abertura de inventário é desnecessária para o levantamento de valores decorrentes de ação executiva, desde que o de cujus não tenha deixado bens e todos os herdeiros se habilitem pessoalmente em juízo.- Agravo de instrumento desprovido. A parte recorrente afirma que houve, além de divergência jurisprudencial, ofensa ao art. 689 do CPC. Aduz: No entanto, não há que se falar em inventário, posto que a habilitação poderá dar-se mediante simples qualificação nos autos do processo como estabelece o artigo 689 do CPC, (..) Vale lembrar que a jurisprudência é firme no sentido da possibilidade de habilitação dos herdeiros independentemente da abertura de inventário, aplicando-se por analogia a Lei n.º 6.858/80 e a Lei n.º 8.213/91, conforme entendimento já pacificado na jurisprudência, veja-se: (..) O intuito da presente demanda visa a verificação correta da aplicação da Lei Federal nº 13.463/2017, em razão da especialidade da norma que não foi corretamente aplicada, negando o pedido de habilitação e expedição da nova RPV em benefício da requerente. (..) Contrarrazões às fls. 101-105, e-STJ. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 19.3.2024. Inicialmente, no que tange à apontada violação do art. 689 do CPC, a irresignação não merece prosperar, uma vez que o Colegiado regional não emitiu juízo de valor sobre o referido dispositivo legal. É inadmissível o conhecimento do Recurso Especial quando os artigos tidos por violados não foram apreciados pelo Tribunal de origem, a despeito da oposição de Embargos de Declaração, haja vista a ausência de prequestionamento. Incide, na espécie, a Súmula 211/STJ. Com efeito, para que se configure tal requisito é necessário que a causa tenha sido decidida à luz da legislação federal indicada, bem como tenha sido exercido juízo de valor sobre o dispositivo legal indicado e a tese recursal a ele vinculada, interpretando-se a sua aplicação ou não ao caso concreto (AgInt no AREsp 1.511.330/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 19.12.2019), o que não ocorreu. Nesse sentido: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. IRPJ E CSLL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211 DO STJ. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. NÃO INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. SÚMULA 126 DO STJ. ART. 1.032 DO CPC/2015. INAPLICABILIDADE. PRECEDENTES. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. No que tange à apontada violação dos arts. 165 do CTN e 66, § 2º, da Lei 8.383/1991, a irresignação não merece prosperar, uma vez que o Colegiado regional não emitiu juízo de valor sobre os referidos dispositivos legais. O Superior Tribunal de Justiça entende ser inadmissível o conhecimento do Recurso Especial quando os artigos tidos por violados não foram apreciados pelo Tribunal de origem, a despeito da oposição de Embargos de Declaração, haja vista a ausência do requisito do prequestionamento. Incide, na espécie, a Súmula 211/STJ. 2. Com efeito, para que se configure o prequestionamento é necessário que a causa tenha sido decidida à luz da legislação federal indicada, bem como tenha sido exercido juízo de valor sobre o dispositivo legal indicado e a tese recursal a ele vinculada, interpretando-se a sua aplicação ou não ao caso concreto (AgInt no AREsp 1.511.330/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 19.12.2019), o que não ocorreu. 3. O Tribunal a quo examinou a questão também com base no art. 100 da Constituição Federal, sendo que a parte recorrente não interpôs o recurso cabível, o que atrai, como fundamento adicional a obstar o conhecimento do Especial, o óbice da Súmula 126/STJ. 4. Não se aplica o art. 1.032 do CPC/2015 ("Se o relator, no Superior Tribunal de Justiça, entender que o recurso especial versa sobre questão constitucional, deverá conceder prazo de 15 (quinze) dias para que o recorrente demonstre a existência de repercussão geral e se manifeste sobre a questão constitucional."), pois o Recurso Especial não versa sobre questão constitucional. 5. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.068.131/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 9/10/2023.) No enfrentamento da matéria, o Tribunal de origem consignou: Com efeito, esta E. Turma Especializada, na esteira do entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça, vem entendendo que a abertura de inventário é desnecessária para o levantamento de valores decorrentes de ação executiva, desde que o falecido não tenha deixado bens, bem como todos os herdeiros se habilitem pessoalmente em juízo (STJ, REsp 1715839/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA,DJe 25/05/2018 e Ag 5006099-39.2019.4.02.0000, TRF2, 7a. Turma Especializada, Relator Des. JOSÉ ANTONIOLISBÔA NEIVA, DJe 06/02/2020). O caso em tela, todavia, apresenta distinção relevante, pois da análise da certidão de óbito carreada no processo 0008227-87.2012.4.02.5101/RJ, evento 133, CERTOBT8, constata-se que o falecido deixou bens a inventariar. Assim sendo, o requerimento de habilitação direta de Nilcéa dos Santos Cunha, de fato, não se mostra adequado no ponto, razão pela qual seu indeferimento é medida que se impõe. Nos termos do art. 110 do Código de Processo Civil, ocorrendo a morte de qualquer das partes, dar-se-á a substituição dela pelo seu espólio ou sucessores. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.179.851/RS, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe 29/4/2013; AgRg no AREsp 15.297/SE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma; AgRg no Ag 1.331.358/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, DJe 12/9/2011. Apesar de o dispositivo referir que a substituição deve ocorrer alternativamente "pelo espólio ou pelos seus sucessores", entende-se que será dada preferência à substituição pelo espólio, havendo a habilitação dos herdeiros em caso de inexistência de patrimônio sujeito à abertura de inventário. Dessa forma, falecendo a pessoa natural, parte no processo judicial, e havendo patrimônio ou bens a inventariar, é obrigatória a abertura do inventário com a consequente representação do espólio no processo judicial em andamento pelo "inventariante" do procedimento de inventário, com fundamento no art. 75, VII, CPC. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. SERVIDOR. HABILITAÇÃO DE SUCESSORES. SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL PELO ESPÓLIO. ART. 110 DO CPC. PARTICULARIDADES DO CASO. EXISTÊNCIA DE PATRIMÔNIO SUJEIÇÃO À ABERTURA DE INVENTÁRIO. 1. Cuida-se de Agravo de Instrumento interposto pelos sucessores de Luiz Antônio Minas dos Santos contra decisão em Ação Ordinária (em fase de execução), a qual determinou que para a habilitação de herdeiros é necessária a comprovação da abertura do inventário. 2. No presente caso, trata-se de situação peculiar, pois havendo valores a inventariar, há necessidade de abertura do inventário, com nomeação do inventariante, procedendo-se a habilitação na pessoa deste. 3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, nos termos do art. 110 do Código de Processo Civil, sucedendo a morte de qualquer das partes, dar-se-á a substituição dela pelo seu espólio ou sucessores. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.179.851/RS, Rel. Ministro Antônio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe 29/4/2013; AgRg no AREsp 15.297/SE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 14/5/2012; AgRg no Ag 1.331.358/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, DJe 12/9/2011. 4. Apesar de o dispositivo referir que a substituição pode ocorrer alternativamente "pelo espólio ou pelos seus sucessores", entende-se que será dada preferência à substituição pelo espólio, havendo a habilitação dos herdeiros em caso de inexistência de patrimônio sujeito à abertura de inventário. 5. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.455.705/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 13/9/2019.) PROCESSUAL CIVIL. MORTE DO AUTOR. SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL. INEXISTÊNCIA DE PATRIMÔNIO. HABILITAÇÃO DOS HERDEIROS. CPC, ART. 43. - Embora no caso de morte do autor da ação seja efetuada a substituição processual pelo seu espólio, é admissível a simples habilitação dos seus herdeiros na hipótese de inexistência de patrimônio susceptível de abertura de inventário. - Inteligência do art. 43, do Código de Processo Civil. - Recurso especial não conhecido. (REsp 254.180/RJ, Rel. Ministro VICENTE LEAL, SEXTA TURMA, DJ 15/10/2001) Dessume-se que o acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento do STJ, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Incide, in casu, o princípio estabelecido na Súmula 83/STJ: "Não se conhece do Recurso Especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." Nesse sentido: Segunda Turma, Agnt no REsp 1.860.741, Rel. Min. Mauro Camp bell Marques, DJe 18.9.2020; REsp 1.796.295/ES, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 22/4/2019; AgInt no REsp 1.603.114/MG, Rel. Min. Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 14/6/2018. Diante do exposto, nos termos do art. 255, § 4º, II, do RI STJ e da Súmula 568/STJ, nego provimento ao Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA