AREsp 1860199 - DECISAO
Conheceu-se do agravo interno e não se conheceu do recurso especial porque o recorrente não indicou com precisão os dispositivos legais objeto da alegada violação e do dissídio jurisprudencial, ficando o recurso eivados pela deficiência de fundamentação prevista na Súmula 284/STF; ademais, há ausência de interesse...
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- Parties
- Recorrente: ESTADO DO RIO DE JANEIRO; Impetrante (falecido): ALBERT GOMES MOTHÉ; Sucedente Habilitada: herdeira
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 July 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Habilitação De Herdeiros, Sucessão Processual, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284/stf
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Parties
ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Recorrente
ALBERT GOMES MOTHÉ
Impetrante (falecido)
herdeira
Sucedente Habilitada
Procedural Posture
Agravo Interno / Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 possibilidade de habilitação de herdeiros em mandado de segurança quando o impetrante faleceu antes do trânsito em julgado
- 2 inadmissibilidade do recurso especial por ausência de indicação precisa de dispositivos legais (Súmula 284/STF)
- 3 ausência de interesse recursal quando o acórdão decide nos termos do pedido
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo interno e não se conheceu do recurso especial porque o recorrente não indicou com precisão os dispositivos legais objeto da alegada violação e do dissídio jurisprudencial, ficando o recurso eivados pela deficiência de fundamentação prevista na Súmula 284/STF; ademais, há ausência de interesse recursal quando o acórdão recorrido decidiu nos termos do pedido, motivo pelo qual o recurso não merece conhecimento.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por ESTADO DO RIO DE JANEIRO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a" e alínea "c", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim resumido: AGRAVO INTERNO MANDADO DE SEGURANÇA PEDIDO DE HABILITAÇÃO IMPETRANTE FALECIDO QUE DEIXOU HERDEIROS IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI N 68581980 VERBA PLEITEADA QUE NÃO SE ENQUADRA NA HIPÓTESE DO INCISO V ART 1º DO DECRETO 8584581 QUE REGULAMENTOU A LEI Nº 685880 NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DOS PROCEDIMENTOS PRÓPRIOS DO INVENTÁRIO E PARTILHA DE BENS RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO No que concerne à controvérsia, insurge-se quanto à impossibilidade de habilitação de herdeira em mandado de segurança, por ocasião do falecimento do autor, ocorrido antes do trânsito em julgado da sentença. Para tanto, traz os seguintes argumentos: Trata-se de pedido de habilitação realizado nos autos de mandado de segurança, motivado pelo falecimento do impetrante, ALBERT GOMES MOTHÉ. Contra a decisão monocrática que deferiu o pleito da herdeira, às fls. 40/41, o Estado interpôs agravo interno, cujo provimento foi negado, às fls. 87/92. .. O v. acórdão recorrido negou provimento ao agravo interno interposto por este ente público, confirmando o deferimento da habilitação. Acontece que o impetrante do mandado de segurança faleceu em janeiro de 2003, como certificado à fl. 10,antes trânsito em julgado do mandamus (em agosto/2006). Por conta da data do óbito, anterior ao trânsito, é incabível a habilitação de herdeiros, à luz do entendimento consolidado pela Corte Especial. .. Sendo assim, considerando que a jurisprudência do STJ entende incabível a sucessão processual em mandado de segurança quando o feito não estiver em fase de execução, e que, neste caso, o impetrante sucumbiu em janeiro de 2003 (fl. 10), antes ao início da fase de execução e do trânsito em julgado, merece ser reformado o acórdão recorrido. (fls. 103/105). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Incide, outrossim, o óbice da Súmula n. 284/STF, quanto à controvérsia pela alínea "c" do permissivo constitucional, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar com precisão quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, o que atrai, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nessa linha, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.616.851/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; AgInt no AREsp 1.518.371/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 15/5/2020; AgInt no AREsp 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp 1.023.256/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 24/4/2020; e AgInt nos EDcl no AREsp 1.510.607/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1º/4/2020. Ademais, verifica-se que o acórdão recorrido decidiu a controvérsia nos termos em que postulado pela parte recorrente. Portanto, a insurgência não merece prosperar ante a evidente ausência de interesse recursal, mostrando-se inadmissível a interposição de recurso visando resultado já alcançado. Nesse sentido: "Configurada a ausência de interesse de agir do ente público, no caso, porquanto o resultado pretendido já foi alcançado no acórdão impugnado". (REsp 1335172/CE, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 2/10/2018, DJe de 27/11/2018.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no REsp 1.820.624/MG, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 11/5/2020; AgInt no AREsp 1.318.218/MT, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe 23/5/2019; AgRg no REsp 1.374.090/PR, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/8/2018; AgInt no AREsp 717.203/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 19/11/2018; e AgInt no AREsp 1.320.424/MA, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 22/3/2019. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.