AREsp 2276759 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, em conformidade com a jurisprudência desta Corte no sentido de que o dolo eventual pode ser compatível com as qualificadoras objetivas (art. 121, § 2º, III e IV, CP) quando comprovado que o agente se utilizou dolosamente de meio ou modo específico mais reprovável, deu-se provimento parcial...
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- Parties
- Agravante: Ministério Público de Minas Gerais; Tribunal a Quo: Tribunal de Justiça de Minas Gerais; Manifestante: Ministério Público Federal; Vítima: R.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Provimento Parcial Do Recurso Special, Restabelecimento Da Sentença De Pronúncia Quanto Às Qualificadoras
- Outcome
- Agravo conhecido e provido em parte para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, dar-lhe provimento, restabelecendo a sentença de pronúncia quanto às qualificadoras do perigo comum e do recurso que dificultou a defesa da vítima.
- Legal Topics
- Homicídio Qualificado Consumado, Homicídio Qualificado Tentado, Dolo Eventual, Qualificadoras Objetivas (art. 121, § 2º, III E IV, Cp), Pronúncia, Decote De Qualificadoras Pelo Tribunal De Origem, Súmula 83/stj, Súmula 7/stj
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Parties
Ministério Público de Minas Gerais
Agravante
Tribunal de Justiça de Minas Gerais
Tribunal a Quo
Ministério Público Federal
Manifestante
R.
Vítima
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Provimento Parcial Do Recurso Special, Restabelecimento Da Sentença De Pronúncia Quanto Às Qualificadoras
Legal Issues
- 1 inadmissão do recurso especial com fundamento na Súmula 83/STJ
- 2 violações suscitadas aos arts. 619 do CPP, 18, I e 121, § 2º, III e IV do CP, e 1.022 do CPC
- 3 compatibilidade do dolo eventual com as qualificadoras objetivas (art. 121, § 2º, III e IV)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, em conformidade com a jurisprudência desta Corte no sentido de que o dolo eventual pode ser compatível com as qualificadoras objetivas (art. 121, § 2º, III e IV, CP) quando comprovado que o agente se utilizou dolosamente de meio ou modo específico mais reprovável, deu-se provimento parcial ao recurso especial para restabelecer, na sentença de pronúncia, as qualificadoras do perigo comum e do recurso que dificultou a defesa da vítima, determinando comunicação ao juízo de primeiro grau e ao tribunal de origem.
Court Disposition
Agravo conhecido e provido em parte para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, dar-lhe provimento, restabelecendo a sentença de pronúncia quanto às qualificadoras do perigo comum e do recurso que dificultou a defesa da vítima.
Orders
- Conhecer do agravo
- Conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, dar-lhe provimento para restabelecer a sentença de pronúncia no tocante às qualificadoras do art. 121, § 2º, III e IV do Código Penal
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto pelo Ministério Público de Minas Gerais contra a decisão que inadmitiu o recurso especial (fundado no art. 105, III, a, da CF) apresentado contra o acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça local no Recurso em Sentido Estrito n. 1.0317.20.000680-5/001 que, mantendo a pronúncia do acusado, proveu o recurso para decotar as qualificadoras objetivas constantes dos incisos III e IV do § 20 do art. 121 do CP (perigo comum e recurso que dificultou a def esa da vítima), mantendo, quanto ao mais, a r. decisão de pronúncia (fl. 880). Alega o agravante, no especial, violação dos arts. 619 do CPP; 18, 1 e 121, § 2º, III e IV, do Código Penal, e 1.022 do CPC, na forma do art. 3º do CPP. A Corte de origem inadmitiu o recurso com fundamento na Súmula 83/STJ (fls. 917/921). Contra o decisum o órgão ministerial interpôs o presente agravo (fls. 924/935). Instado a se manifestar, o Ministério Público Federal opinou pelo parcial conhecimento do recurso especial e, nessa extensão, pelo provimento do reclamo, nos termos do parecer assim ementado (fls. 951/956): AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO DO MP. HOMICÍDIO QUALIFICADO CONSUMADO E HOMICÍDIO QUALIFICADO TENTADO. DOLO EVENTUAL. QUALIFICADORAS OBJETIVAS RELATIVAS AO CRIME CONSUMADO. COMPATIBILIDADE. PRECEDENTE DESSE STJ. EXCLUSÃO DAS QUALIFICADORAS PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DO JÚRI. CONHECIMENTO DO PRESENTE AGRAVO PARA DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL, RESTABELECENDO-SE A SENTENÇA DE PRONÚNCIA. É o relatório. O agravo é admissível, pois é tempestivo e impugnou os fundamentos da decisão de inadmissão. De início, no tocante à alegada violação do art. 619 do Código de Processo Penal, é de se notar que o Tribunal a quo se pronunciou a respeito dos pontos acerca dos quais deveria ter-se manifestado, não se podendo atribuir-lhe o defeito de omisso só porque dispôs contrariamente às pretensões do recorrente. Ademais, cumpre ressaltar que o órgão julgador não está obrigado a se pronunciar acerca de toda e qualquer alegação levantada pelas partes, mas apenas sobre aquelas consideradas suficientes para alterar a conclusão adotada, o que foi feito. De outra parte, no que se refere ao decote das qualificadoras da sentença de pronúncia pelo Tribunal de origem em detrimento da Soberania do Tribunal do Júri, a insurgência é admissível, e, no mérito, merece acolhida. Com efeito, o Tribunal de Justiça mineiro expressamente destacou que, quanto ao crime praticado em desfavor de R. (homicídio qualificado consumado), .. por tratar-se de crime descrito na denúncia com dolo eventual ("assumiram o risco do resultado e mataram"), as qualificadoras objetivas imputadas (recurso que dificultou a defesa da vítima e perigo comum) são incompatíveis com a modalidade criminosa e, portanto, devem ser decotadas nesta oportunidade procedimental (fls. 876/877 - grifo nosso). Tal o contexto, inexoravelmente a conclusão foi de encontro à orientação jurisprudencial atual desta Corte Superior de Justiça no sentido da compatibilidade do dolo eventual também com as qualificadoras objetivas (art. 121, § 2º, III e IV, do CP), motivo pelo qual o acórdão recorrido merece reparos, como se verifica dos seguintes julgados: .. 12. Não obstante a existência de julgados desta Corte Superior a respeito da incompatibilidade entre o dolo eventual e a qualificadora objetiva referente ao recurso que dificultou a defesa da vítima, tem-se a recente orientação no sentido de que: "elege-se o posicionamento pela compatibilidade, em tese, do dolo eventual também com as qualificadoras objetivas (art. 121, § 2º, III e IV, do CP). Em resumo, as referidas qualificadoras serão devidas quando constatado que o autor delas se utilizou dolosamente como meio ou como modo específico mais reprovável para agir e alcançar outro resultado, mesmo sendo previsível e tendo admitido o resultado morte" (AgRg no AgRg no REsp 1.836.556/PR, Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, Quinta Turma, DJe de 22/6/2021). .. No caso, as instâncias de origem fundamentaram adequadamente a preservação da qualificadora do recurso que dificultou a defesa da vítima, notadamente diante dos suficientes indicativos de que os golpes de instrumento cortante realizados pelo acusado teriam ocorrido de inopino, sem a vítima esperar ataque semelhante, sendo incabível, portanto, a sua exclusão no presente momento processual (AgRg no HC n. 678.195/SC, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 20/9/2021 - grifo nosso). .. 22. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, provido, em parte. (REsp n. 1.903.295/SP, de minha relatoria, Sexta Turma, julgado em 28/2/2023, DJe 6/3/2023 - grifo nosso). PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO QUALIFICADO. PRONÚNCIA. 1) DOLO EVENTUAL. COMPATIBILIDADE COM AS QUALIFICADORAS DO ART. 121, § 2º, III E IV, DO CÓDIGO PENAL - CP. PERIGO COMUM E RECURSO QUE DIFICULTOU OU IMPOSSIBILITOU A DEFESA DA VÍTIMA. 2) PERIGO COMUM. MANIFESTAMENTE IMPROCEDENTE. ÚNICO DISPARO EM DIREÇÃO AOS PRESENTES NO LOCAL. CONSTATAÇÃO QUE PARA SER AFASTADA ESBARRA NO ÓBICE DA SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. 3) AGRAVO REGIMENTAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte e do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF oscila a respeito da compatibilidade ou incompatibilidade do dolo eventual no homicídio com as qualificadoras objetivas (art. 121, § 2º, III e IV). Precedentes. 1.1. Aqueles que compreendem pela incompatibilidade do dolo eventual com as qualificadoras objetivas do art. 121, § 2º, III e IV, do CP, escoram tal posição na percepção de que o autor escolhe o meio e o modo de proceder com outra finalidade, lícita ou não, embora seja previsível e admitida a morte. 1.2. Tal posicionamento, retira, definitivamente do mundo jurídico, a possibilidade fática de existir um autor que opte por utilizar meio e modo específicos mais reprováveis para alcançar fim diverso, mesmo sendo previsível o resultado morte e admissível a sua concretização. Ainda, a justificativa de incompatibilidade entre o dolo eventual e as qualificadoras objetivas, inexistência de dolo direto para o resultado morte, se contrapõe à admissão nesta Corte de compatibilidade entre o dolo eventual e o motivo específico e mais reprovável (art. 121, § 2º, I e II, do CP). 1.3. Com essas considerações, elege-se o posicionamento pela compatibilidade, em tese, do dolo eventual também com as qualificadoras objetivas (art. 121, § 2º, III e IV, do CP). Em resumo, as referidas qualificadoras serão devidas quando constatado que o autor delas se utilizou dolosamente como meio ou como modo específico mais reprovável para agir e alcançar outro resultado, mesmo sendo previsível e tendo admitido o resultado morte. 2. A configuração do perigo comum (121, § 2º, III, do CP) por disparo de arma de fogo tem como pressuposto que mais de um disparo tenha sido direcionado aos presentes no local ou que único disparo a eles direcionado tivesse potencialidade lesiva apta para alcançar mais de um resultado, o que não foi constatado. Para se concluir de modo diverso, seria necessário o revolvimento fático-probatório, vedado conforme Súmula n. 7 do STJ. 3. Agravo regimental parcialmente provido para também incluir na sentença de pronúncia a qualificadora do art. 121, § 2º, IV, do CP. (AgRg no AgRg no REsp n. 1.836.556/PR, Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 15/6/2021, DJe 22/6/2021 - grifo nosso). PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO. PRONÚNCIA. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 315, § 2º, E 619 DO CPP. INÉPCIA DA DENÚNCIA. QUESTÃO PREJUDICADA. DOLO EVENTUAL. SÚMULA 7/STJ. TENTATIVA E QUALIFICADORAS DO PERIGO COMUM E DO MEIO QUE DIFICULTOU A DEFESA DA VÍTIMA. COMPATIBILIDADE COM O ELEMENTO SUBJETIVO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Inexiste ofensa aos arts. 315, § 2º, e 619 do CPP, pois o Tribunal de origem se pronunciou sobre todos os aspectos relevantes para a definição da causa. Ressalte-se que o julgador não é obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos das partes, bastando que resolva a situação que lhe é apresentada sem se omitir sobre os fatores capazes de influir no resultado do julgamento. 2. Proferida a decisão de pronúncia, torna-se prejudicada a discussão quanto à inépcia da denúncia. 3. "O elemento psíquico do agente é extraído dos elementos e das circunstâncias do fato externo. Não há como afastar o decisum que reconheceu o dolo eventual em crime de homicídio na direção de veículo automotor, de forma fundamentada e com base nas provas dos autos, ao apontar sinais concretos do agir doloso, a saber, a ingestão de álcool, o excesso de velocidade e a indiferença do recorrente ante o resultado danoso. A investigação conclusiva sobre a alegada ausência do elemento subjetivo do tipo demandaria incursão vertical sobre o extenso material probatório produzido sob o crivo do contraditório, vedada pela Súmula n. 7 do STJ" (REsp n. 1.358.116/RN, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 20/9/2016, DJe de 10/10/2016.) 4. A tentativa e as qualificadoras do perigo comum e do meio que dificultou a defesa da vítima são compatíveis com o dolo eventual. Precedentes. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp n. 2.001.594/SP, Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 16/8/2022, DJe 22/8/2022 - grifo nosso). AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TENTATIVA DE HOMICÍDIO QUALIFICADO POR MOTIVO FÚTIL E EMPREGO DE RECURSO QUE DIFICULTOU A DEFESA DA VÍTIMA. PRONÚNCIA. EXCESSO DE LINGUAGEM. INOCORRÊNCIA. CABIMENTO DA TENTATIVA EM DELITOS PRATICADOS MEDIANTE DOLO EVENTUAL. COMPATIBILIDADE, EM TESE, ENTRE O DOLO EVENTUAL E A QUALIFICADORA OBJETIVA PREVISTA NO ART. 121, § 2º, INCISO IV, DO CÓDIGO PENAL. PRECEDENTE. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Não se configura excesso de linguagem quando, por ocasião da prolação da decisão de pronúncia, o magistrado se refere às provas constantes dos autos, para verificar a ocorrência da materialidade e a presença de indícios suficientes de autoria, aptos a ensejar o julgamento do feito pelo Tribunal do Júri. Precedentes (AgRg no RHC 141.548/MT, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Sexta Turma, julgado em 23/3/2021, DJe de 30/3/2021), assim como ocorreu na hipótese dos autos, inexistindo qualquer juízo de certeza pelo Juízo de primeiro grau quanto à autoria delitiva, mas tão somente quanto aos seus indícios. 2. Consoante o entendimento jurisprudencial desta Corte Superior, é compatível com a imputação de homicídio tentado o dolo eventual atribuído à conduta do acusado, hipótese na qual houve a demonstração do consentimento no resultado por parte do agente. 3. É cediço que as qualificadoras do delito de homicídio somente podem ser excluídas quando se revelarem manifestamente improcedentes, sob pena de usurpação da competência do Tribunal do Júri. 4. Não obstante a existência de julgados desta Corte Superior a respeito da incompatibilidade entre o dolo eventual e a qualificadora objetiva referente ao recurso que dificultou a defesa da vítima, tem-se a recente orientação no sentido de que: "elege-se o posicionamento pela compatibilidade, em tese, do dolo eventual também com as qualificadoras objetivas (art. 121, § 2º, III e IV, do CP). Em resumo, as referidas qualificadoras serão devidas quando constatado que o autor delas se utilizou dolosamente como meio ou como modo específico mais reprovável para agir e alcançar outro resultado, mesmo sendo previsível e tendo admitido o resultado morte" (AgRg no AgRg no REsp 1.836.556/PR, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, Quinta Turma, julgado em 15/6/2021, DJe de 22/6/2021). 5. No caso, as instâncias de origem fundamentaram adequadamente a preservação da qualificadora do recurso que dificultou a defesa da vítima, notadamente diante dos suficientes indicativos de que os golpes de instrumento cortante realizados pelo acusado teriam ocorrido de inopino, sem a vítima esperar ataque semelhante, sendo incabível, portanto, a sua exclusão no presente momento processual. 6. Agravo regimental improvido. (AgRg no HC n. 678.195/SC, Ministro Reynaldo Sores da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 14/9/2021, DJe 20/9/2021). Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, dar-lhe provimento a fim de restabelecer a sentença de pronúncia no tocante às qualificadoras do perigo comum e do recurso que dificultou a defesa da vítima. Dê-se ciência ao Juízo de primeiro grau e ao Tribunal a quo. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENAL. PROCESSO PENAL. RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. HOMICÍDIO QUALIFICADO CONSUMADO E HOMICÍDIO QUALIFICADO TENTADO. PRONÚNCIA. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DECOTA QUALIFICADORAS OBJETIVAS DO PERIGO COMUM E DO RECURSO QUE DIFICULTOU DEFESA DA VÍTIMA, POR CONSIDERÁ-LAS INCOMPATÍVEIS COM O DOLO EVENTUAL. COMPREENSÃO MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA À JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA FIRME NO SENTIDO DA POSSIBILIDADE . Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, dar-lhe provimento, nos termos do dispositivo.