AREsp 1782250 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e deu-se provimento ao recurso especial, por entender que, segundo os arts. 85, §§ 2º e 3º do CPC/2015 e a jurisprudência do STJ, os honorários advocatícios devem ser fixados com base no valor do proveito econômico (valor integral da causa) e, havendo pluralidade de vencedores, o percentual...
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- Parties
- Agravante: TADEU PORTINHO GALVAO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 July 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Provimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Honorários Advocatícios, Proveito Econômico, Pluralidade De Vencedores, Rateio Proporcional, Exceção De Pré Executividade, Redirecionamento, Prescrição, Sucumbência
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Parties
TADEU PORTINHO GALVAO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Provimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se os honorários advocatícios devem ser fixados com base no valor integral da causa (proveito econômico) ou em fração deste em razão da pluralidade de executados
- 2 Se os honorários devem ser repartidos entre os advogados dos vencedores na proporção das respectivas pretensões
- 3 Aplicabilidade dos arts. 85, §§ 2º e 3º do CPC/2015 e da jurisprudência do STJ sobre rateio de honorários
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e deu-se provimento ao recurso especial, por entender que, segundo os arts. 85, §§ 2º e 3º do CPC/2015 e a jurisprudência do STJ, os honorários advocatícios devem ser fixados com base no valor do proveito econômico (valor integral da causa) e, havendo pluralidade de vencedores, o percentual deve ser rateado entre os advogados dos vencedores na proporção de suas pretensões.
Court Disposition
Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial
Orders
- Os honorários advocatícios sejam fixados com base no valor integral da causa, sendo o percentual rateado entre os advogados dos vencedores
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por TADEU PORTINHO GALVAO contra decisão que inadmitiu o recurso especial fundado no art. 105, III, a, da Constituição Federal, que objetiva reformar o acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO, assim ementado: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. PRESCRIÇÃO. REDIRECIONAMENTO. OCORRÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. Tendo sido o redirecionamento deferido por esta Corte, não cabe análise da ocorrência ou não de dissolução irregular pela via da exceção de pré-executividade. 2. A prescrição em relação aos corresponsáveis não tem como termo inicial a citação da pessoa jurídica, mas sim o momento da "actio nata", ou seja, o momento em que restou configurada a possibilidade de redirecionamento da execução fiscal. Hipótese em que decorreram quase vinte anos entre a ciência da dissolução irregular e o requerimento de redirecionamento. 3. A extinção da execução fiscal, ainda que parcial, em decorrência do acolhimento de exceção de pré-executividade, autoriza a condenação da Fazenda Pública em honorários advocatícios, na medida em que a parte excipiente se viu compelida a contratar advogado para representá-la em juízo. 4. Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a base de cálculo da verba honorária será o valor da condenação ou do proveito econômico (art. 85, §3º). Por sua vez, a hipótese de apreciação equitativa só tem cabimento quando for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou, ainda, quando o valor da causa for muito baixo (art. 85, §8º). 5. Os critérios de apuração da verba honorária são objetivos e resultam de expressa disposição de lei, não se cogitando, portanto, de enriquecimento ilícito. Ademais, não se tem notícia de que o disposto no art. 85 do Diploma Processual Civil tenha sido objeto de declaração de inconstitucionalidade, não se afigurando legítimo afastar suas disposições expressas e objetivas a pretexto de se estar aplicando princípios gerais e abstratos. 6. Havendo devedores solidários, a estipulação do proveito econômico - exclusivamente para fins de sucumbência - deve considerar que cada executado responde proporcionalmente pelo valor devido. 7. Agravo parcialmente provido, para fixar a verba honorária nos percentuais mínimos de cada faixa prevista nos incisos do § 3º do art. 85, sobre 1/4 do valor atualizado da causa com relação à agravante (proveito econômico). O feito decorre de ação ajuizada com valor da causa em R$ 105.232,42, em 13/04/1995. No recurso especial, o recorrente aponta como violados o art. 85, §3º do CPC/210154, alegando, em suma, que não seria cabível a divisão do valor da causa por quatro partes para fins de apuração dos honorários em razão da pluralidade de executados, o que configuraria a violação ao referido dispositivo legal, por ter o Tribunal a quo criado critério inexistente no código. Explicita o recorrente que o proveito econômico obtido pelo recorrente não foi somente do valor executado mas sim o valor integral da execução. Apresentadas contrarrazões pela manutenção do acórdão recorrido. Após decisum que inadmitiu o recurso especial foi interposto o presente agravo, tendo o recorrente apresentado argumentos visando rebater os fundamentos da decisão agravada. É o relatório. Decido. Considerando que o agravante, além de atender aos demais pressupostos de admissibilidade deste agravo, logrou impugnar a fundamentação da decisão agravada, passo ao exame do recurso especial interposto. Assiste razão ao recorrente, porque segundo os art. 85, §§ 2º e 3º do CPC/2015, os honorários serão fixados de acordo com o valor do proveito econômico e, de acordo com a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, havendo pluralidade de vencedores a referida verba deverá ser partilhada entre os advogados dos vencedores. Neste diapasão, confira-se: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. RESCISÃO DO CONTRATO A PEDIDO DO COMPRADOR. EXTINÇÃO DO PROCESSO EM RELAÇÃO À INCORPORADORA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO EM RELAÇÃO À VENDEDORA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA. EQUIDADE. DESCABIMENTO. ART. 85, § 2º, DO CPC/2015. VALOR DA CAUSA. PLURALIDADE DE VENCEDORES. RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO PROVIDO. 1. A jurisprudência firmada na Segunda Seção desta eg. Corte é no sentido de que os honorários advocatícios sucumbenciais devem ser fixados, em regra, com observância dos limites percentuais e da ordem de gradação da base de cálculo estabelecida pelo art. 85, § 2º, do CPC/2015, inclusive nas demandas julgadas improcedentes ou extintas sem resolução do mérito, sendo subsidiária a aplicação do art. 85, § 8º, do CPC/2015, possível apenas quando ausente qualquer das hipóteses do § 2º do mesmo dispositivo (REsp 1.746.072/PR, Rel. p/ acórdão Ministro RAUL ARAÚJO, SEGUNDA SEÇÃO, DJe de 29/3/2019). 2. Conforme entendimento já manifestado por esta Corte, "A regra da proporcionalidade - art. 23 do CPC - também se aplica nos casos em que há vencedores plúrimos" (REsp 1.370.152/RJ, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 10/11/2015, DJe de 13/11/2015, g.n.). Nesses termos, "havendo pluralidade de vencedores, os honorários da sucumbência deverão ser partilhados entre eles, na proporção das respectivas pretensões" (AgRg no Ag 1.241.668/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, julgado em 17/03/2011, DJe de 11/05/2011, g.n.). 3. Agravo interno parcialmente provido, para dar parcial provimento ao recurso especial, a fim de fixar os honorários advocatícios em 10% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 85, § 2º, do CPC/2015, a serem repartidos entre os advogados dos vencedores. (AgInt no AREsp 1495240/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 17/12/2019, DJe 04/02/2020) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUSTAS E HONORÁRIOS. LITISCONSÓRCIO PASSIVO. EXTINÇÃO DO PROCESSO, SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO EM RELAÇÃO A DOIS RÉUS, POR AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE AD CAUSAM. ÔNUS SUCUMBENCIAIS. PROPORCIONALIDADE. 1. Reconhecida a ilegitimidade ad causam de dois dos cinco réus, incide o disposto no art. 20 do CPC, com a condenação do autor nos encargos decorrentes da sucumbência relativamente aos vencedores. 2. Na distribuição dos ônus sucumbenciais por esta Corte Superior, considera-se o processo por inteiro, e não apenas o que foi decidido no especial. 3. Havendo pluralidade de vencedores, os honorários da sucumbência deverão ser partilhados entre eles, na proporção das respectivas pretensões. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no Ag 1241668/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, julgado em 17/03/2011, DJe 11/05/2011) Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, c, do RISTJ, conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial para que os honorários advocatícios sejam fixados com base no valor integral da causa, sendo o percentual rateado entre os advogados ou advogado dos vencedores. Publique-se. Intimem-se.