Rcl 42169 - DECISAO
A reclamação foi indeferida liminarmente porque, conforme Lei n. 12.153/2009 (art. 18) e entendimento pacificado do STJ, existe mecanismo específico para uniformização entre Turmas Recursais do Juizado Especial da Fazenda Pública, e a Resolução STJ/GP 3/2016 delimitou competência, tornando a via eleita inadequada...
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- Parties
- Reclamante: Rafael Baruta Batista; Reclamado: Turma Recursal do Juizado Especial do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 September 2021
- Procedural Posture
- Reclamação / Indeferimento Liminar
- Outcome
- Reclamação indeferida liminarmente
- Legal Topics
- Honorários Advocatícios, Competência, Uniformização De Jurisprudência, Reclamação
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Parties
Rafael Baruta Batista
Reclamante
Turma Recursal do Juizado Especial do Estado de São Paulo
Reclamado
Procedural Posture
Reclamação / Indeferimento Liminar
Legal Issues
- 1 cabimento de reclamação contra acórdão de Turma Recursal do Juizado Especial da Fazenda Pública
- 2 interpretação e aplicação da Lei n. 12.153/2009 (art. 18)
- 3 efeitos da Resolução STJ/GP 3/2016 sobre competência para uniformização em Juizados
Ratio Decidendi
A reclamação foi indeferida liminarmente porque, conforme Lei n. 12.153/2009 (art. 18) e entendimento pacificado do STJ, existe mecanismo específico para uniformização entre Turmas Recursais do Juizado Especial da Fazenda Pública, e a Resolução STJ/GP 3/2016 delimitou competência, tornando a via eleita inadequada para impugnar acórdãos das Turmas Recursais.
Court Disposition
Reclamação indeferida liminarmente
Orders
- Indefiro liminarmente a presente reclamação (art. 34, XVIII, "a", do RISTJ)
- Sem honorários advocatícios, pois nem sequer houve a citação da parte interessada
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos, etc. Trata-se de reclamação ajuizada por Rafael Baruta Batistacontra acórdão proferido pela Turma Recursal do Juizado Especial do Estado de São Paulo. A parte reclamante alega que a orientação contida no aresto reclamado diverge do entendimento do STJ, tendo em vista que a fixação dos honorários sucumbenciais não observaram os parâmetros contidos no art. 85, § 3º, I, do CPC. Salienta que a causa não apresenta valor inestimável, razão pela qual é vedada a estipulação dos honorários advocatícios por critério de equidade. Decido. Consoante a orientação da jurisprudência desta Corte, não se admite o ajuizamento da reclamação dirigida ao Superior Tribunal de Justiça contra acórdão proferido pela Turma Recursal de Juizado da Fazenda Pública. Nesse caso, existe mecanismo específico para tal propósito, conforme previsto na Lei n. 12.153/2009: Art. 18. Caberá pedido de uniformização de interpretação de lei quando houver divergência entre decisões proferidas por Turmas Recursais sobre questões de direito material. § 1º O pedido fundado em divergência entre Turmas do mesmo Estado será julgado em reunião conjunta das Turmas em conflito, sob a presidência de desembargador indicado pelo Tribunal de Justiça. § 2º No caso do § 1º, a reunião de juízes domiciliados em cidades diversas poderá ser feita por meio eletrônico. § 3º Quando as Turmas de diferentes Estados derem a lei federal interpretações divergentes, ou quando a decisão proferida estiver em contrariedade com súmula do Superior Tribunal de Justiça, o pedido será por este julgado. No ponto, destaco o seguinte precedente: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NA RECLAMAÇÃO. CASO CONCRETO QUE NÃO SE AMOLDA A NENHUMA DAS HIPÓTESES AUTORIZATIVAS DA VIA ELEITA. DECISÃO RECORRIDA PROFERIDA POR TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA (LEI 12.153/2009). REGIME PRÓPRIO DE SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA (ARTS. 18 E 19 DA LEI REFERIDA). NÃO CABIMENTO DA RECLAMAÇÃO PREVISTA NA RESOLUÇÃO 12/2009 DO STJ. 1. A Primeira Seção/STJ, a partir do julgamento do RCDESP na Rcl 8.718/SP (Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 29.8.2012), adotou orientação no sentido de que a Lei 12.153/2009, que disciplina o Juizado Especial da Fazenda Pública, estabelece sistema próprio para solucionar divergência sobre questões de direito material, razão pela qual não é cabível o ajuizamento da reclamação prevista na Resolução 12/2009 do STJ. 2. Cumpre registrar que a ausência de previsão, na Lei 12.153/2009, no que se refere ao pedido de uniformização fundado em divergência entre a decisão recorrida e precedentes do Superior Tribunal de Justiça, não autoriza a utilização da reclamação prevista na Resolução 12/2009 do STJ. Isso porque, em se tratando de juizado especial, impõe-se a observância dos princípios que lhe são peculiares, especialmente o princípio da celeridade, o qual não se compatibiliza com a instauração de incidentes não previstos na lei. 3. Ademais, a orientação desta Corte pacificou-se no sentido de que, "para fins de cabimento de reclamação ajuizada com fundamento na Resolução n. 12/2009-STJ, a jurisprudência tida como desrespeitada deve ser referente a direito material e estar consolidada no âmbito do STJ por meio de Súmula ou do julgamento de recurso repetitivo, nos moldes do art. 535-C do CPC" (AgRg na Rcl 12.697/RO, 1ª Seção, Rel. Min. Sérgio Kukina, DJe de 20.11.2013), de modo que não é suficiente o confronto da decisão impugnada com precedentes deste Tribunal. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg na Rcl 15.462/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/12/2013, DJe 17/12/2013). Com efeito, a utilização das reclamações para a uniformização da jurisprudência nos Juizados Especiais foi medida excepcional decorrente de julgamento proferido pelo Pretório Excelsonos EDcl no RE 571.572-8/BA. Naquela oportunidade, decidiu-se que, diante da ausência de instituição de Turma Nacional de Uniformização no âmbito dos Juizados Especiais Cíveis dos Estados, seria possível, em caráter temporário, valer-se da reclamação dirigida ao Superior Tribunal de Justiça, a fim de se preservar o entendimento desta Corteem questões de direito material. Desse modo, a reclamação, na esfera dos Juizados Especiais, não se trata de um novo mecanismo para abranger situações não previstas na legislação específica de regência, mas apenas um meio de impugnação excepcional para suprir a ausência da Turma de Uniformização, situação que não ocorre no presente caso. Ademais, ainda que se tratasse da situação descrita no parágrafo acima, a reclamação deveria ser proposta perante o Colegiadode origem, uma vez que a Resolução STJ n. 12/2009 foi revogada pela Resolução STJ n. 3/2016. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECLAMAÇÃO CONTRA DECISÃO PROFERIDA POR TURMA RECURSAL. RESOLUÇÃO 3/2016 STJ/GP. INCOMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AGRAVO INTERNO DO PARTICULAR DESPROVIDO. 1. Não compete ao Superior Tribunal de Justiça apreciar e julgar Reclamação dirigida contra acórdão proferido pela Turma Recursal de Juizado da Fazenda Pública, visto que há mecanismo específico para tal fim, consoante previsão do art. 18 da Lei 12.153/2009. Definição da competência dos Tribunais de Justiça com o advento da Resolução STJ/GP 3/2016. 2. Hipótese em que a Reclamação foi protocolada aos 24.12.2018, quando já em vigor a Resolução STJ/GP 3, de 7.4.2016, que atribuiu às Câmaras Reunidas ou à Seção Especializada dos Tribunais de Justiça a competência para processar e julgar o pedido aqui formulado. 3. Agravo Interno do Particular desprovido. (AgInt na Rcl 37.189/SP, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 20/8/2019, DJe 26/8/2019). Ante o exposto, com fulcro no art. 34, XVIII, "a", do RISTJ, indefiro liminarmente a presente reclamação. Sem honorários advocatícios, pois nem sequer houve a citação da parte interessada. Publique-se. Intimem-se.