REsp 1653385 - DECISAO
Reconsiderou-se a decisão anterior e deu-se parcial provimento ao recurso especial para reconhecer que o Sindicato possui legitimidade ativa para promover a execução em regime de substituição processual em relação às substituídas falecidas, com possibilidade de habilitação dos sucessores; quanto aos honorários...
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- Parties
- Agravante: SINDICATO DOS SERVIDORES FEDERAIS DO RIO GRANDE DO SUL; Embargante: UNIÃO; Substituída Falecida: Eva Neuza Vasconcelos; Substituída Falecida: Infância Pereira; Substituída Falecida: Jovita da Rosa
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Reconsideração E Julgamento Do Recurso Especial
- Outcome
- Reconsiderada a decisão recorrida e dado parcial provimento ao recurso especial para reconhecer a legitimidade ativa do Sindicato para promoção da execução em substituição processual.
- Legal Topics
- Honorários Advocatícios De Sucumbência, Direito Intertemporal, Legitimidade Ativa Sindical, Substituição Processual, Embargos À Execução, Anuênios
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Parties
SINDICATO DOS SERVIDORES FEDERAIS DO RIO GRANDE DO SUL
Agravante
UNIÃO
Embargante
Eva Neuza Vasconcelos
Substituída Falecida
Infância Pereira
Substituída Falecida
Jovita da Rosa
Substituída Falecida
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Reconsideração E Julgamento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 omissão e violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC
- 2 aplicabilidade do art. 85, § 14, do CPC/2015 quanto à compensação de honorários
- 3 legitimidade do sindicato para substituir sucessores de servidoras falecidas
Ratio Decidendi
Reconsiderou-se a decisão anterior e deu-se parcial provimento ao recurso especial para reconhecer que o Sindicato possui legitimidade ativa para promover a execução em regime de substituição processual em relação às substituídas falecidas, com possibilidade de habilitação dos sucessores; quanto aos honorários advocatícios, aplicam-se as regras do CPC/1973 por força do princípio tempus regit actum, não sendo aplicável ex nunc a vedação à compensação prevista no art. 85, § 14, do CPC/2015 quando os atos que fixaram os ônus sucumbenciais ocorreram na vigência da lei anterior.
Court Disposition
Reconsiderada a decisão recorrida e dado parcial provimento ao recurso especial para reconhecer a legitimidade ativa do Sindicato para promoção da execução em substituição processual.
Orders
- Reconsidera-se a decisão de fls. 371-380.
- Dá-se parcial provimento ao recurso especial para, cassando parcialmente o acórdão recorrido, reconhecer a legitimidade ativa do Sindicato para a promoção da execução e permitir a habilitação dos sucessores.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno interposto por SINDICATO DOS SERVIDORES FEDERAIS DO RIO GRANDE DO SUL contra decisão que conheceu em parte do recurso especial e, nessa extensão, negou-lhe provimento (fls. 371-380). Inconformada, sustenta a parte agravante que a decisão agravada não pode prosperar, pois houve "equívoco quanto ao objeto do recurso especial" em relação à "impossibilidade de compensação dos honorários advocatícios" (fl. 396). Afirma, ainda, a inaplicabilidade da Súmula n. 7 do STJ, no que se refere à "legitimidade ativa do sindicato para representar os pensionistas/sucessores das servidoras falecidas", porquanto "a análise da questão não implica reexame de fatos e provas", conforme jurisprudência desta Corte, bem como na "impossibilidade de compensação dos honorários advocatícios" (fl. 403). Alega, por fim, a ocorrência de nulidade do acórdão proferido em embargos de declaração, em face da efetiva violação dos arts. 489, § 1º, inciso IV, e 1.022, inciso II, do CPC. Pugna, assim, pela reconsideração da decisão agravada ou pela apresentação do recurso para a análise do Órgão Colegiado, a fim de que seja conhecido e provido o seu recurso especial. Intimada, a parte agravada apresentou contraminuta (fls. 428-432). É o relatório. Decido. Tendo em vista a relevância dos argumentos esposados pela parte agravante, RECONSIDERO a decisão de fls. 371-380 e passo a nova análise do recurso especial. Na origem, trata-se de embargos opostos pela União à execução promovida pelo "Sindicato dos Servidores Federais no Rio Grande do Sul, fundada em decisão transitada em julgado nos autos da Ação Coletiva nº 93.00.10769-0, que reconheceu aos substituídos o direito às diferenças vencimentais relativas ao cômputo do tempo de serviço público prestado soba égide da CLT até o advento da Lei nº 8.112/90", julgados parcialmente procedentes (fls. 140-147). O Tribunal Regional deu parcial provimento ao apelo do Sindicato (fls. 207-213). Os embargos de declaração opostos pelas partes foram parcialmente acohidos, sem efeitos infringentes (fls. 252-258). Daí a interposição do presente recurso especial, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, no qual a parte recorrente aponta violação dos arts. 85, § 14, 489, inciso II, e 1.022 do CPC, 240, alínea a, da Lei n. 8.112/1990, 6º e 567, inciso I, do CPC/73 (arts. 18 e 778, § 1º, inciso II, do CPC/2015); 3º da Lei n. 8.073/1990, 23 e 24 da Lei n. 8.906/1994, ao fundamento de: i) ocorrência de omissão no julgado; ii) legitimidade do sindicato para "subsitituir, em execução de sentença, as servidoras falecidas antes do ajuizamento da demanda executiva"; iii) impossibilidade de "em execução de sentença, as servidoras falecidas antes do ajuizamento da demanda executiva"; e iv) impossibilidade de compensação dos honorários advocatícios (fls. 299-316). De início, ao contrário do alegado pela parte agravante, deve-se ressaltar que o acórdão recorrido não possui omissão ou ausência de prestação jurisdicional suscitadas. Ao revés, apresentou, concretamente, os fundamentos que justificaram a sua conclusão. Como é cediço, o Julgador não está obrigado a rebater, individualmente, todos os argumentos suscitados pelas partes, sendo suficiente que demonstre, fundamentadamente, as razões do seu convencimento. No caso, existe mero inconformismo da parte recorrente com o resultado do julgado proferido no acórdão recorrido, que lhe foi desfavorável. Inexiste, portanto, ofensa aos arts. 489 e 1022 do Código de Processo Civil. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 2.040.789/PA, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 22/5/2023, DJe de 24/5/2023; AgInt no AREsp n. 1.975.109/RJ, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 9/11/2022, DJe de 30/11/2022; AgInt no REsp n. 2.113.466/PE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 8/4/2024, DJe de 11/4/2024. Em relação aos honorários, o Tribunal de origem consignou (fl. 211): Em face do decidido nos presentes embargos, tenho por configurada a sucumbência recíproca, ainda que não equivalente, razão pela qual a verba honorária deve ser distribuída entre as partes na seguinte proporção: a embargante deve arcar com o pagamento de 10% do valor impugnado reconhecido como devido aos substituídos; o embargado deve arcar com o pagamento de 10% do valor impugnado reconhecido como indevido. Reconhecida a sucumbência recíproca, os honorários advocatícios devem se recompensados entre os litigantes, na parte cabível, nos termos do art. 21, caput, doCPC/1973 (vigente à época da sentença), ficando eventual saldo em favor da embargante limitado ao montante fixado na sentença (R$ 500,00), sob pena de reformatio in pejus. Em sede de embargos, a Corte a quo afastou a tese defensiva, concluindo que, "no presente processo, as apelações foram interpostas ainda na vigência do CPC/1973, razão pela qual se mostra inaplicável, no que diz respeito aos honorários advocatícios sucumbenciais, o disposto no art. 85, § 14, do CPC/2015". Ora, não se desconhece que o Estatuto Processual de 2015 vedou, de forma expressa, a compensação da verba sucumbencial (art. 85, § 14). Contudo, no caso sob exame, os embargos à execução foram opostos em março de 2010 e a sentença proferida em junho de 2012, ou seja, na vigência da lei processual anterior, motivo pelo qual deve incidir o princípio tempus regit actum. De fato: é a lei do tempo (tempus regit actum) que rege o rateio dos honorários advocatícios. A lei vigente quando os ônus sucumbenciais foram fixados era o Código de Processo Civil de 1973, sendo, assim, plenamente aplicável a compensação prevista no art. 21. (AgInt nos EDcl no REsp n. 1.576.240/SP, relator Ministro Marco Buzzi, relator para acórdão Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 15/6/2021, DJe de 9/9/2021.) Na forma da jurisprudência da Corte Especial do STJ: .. em homenagem à natureza processual material e com o escopo de preservar os princípios do direito adquirido, da segurança jurídica e da não surpresa, as normas sobre honorários advocatícios de sucumbência não devem ser alcançadas pela lei processual nova. A sentença (ou o ato jurisdicional equivalente, na competência originária dos tribunais), como ato processual que qualifica o nascedouro do direito à percepção dos honorários advocatícios, deve ser considerada o marco temporal para a aplicação das regras fixadas pelo CPC/2015. Assim, se o capítulo acessório da sentença, referente aos honorários sucumbenciais, foi prolatado em consonância com o CPC/1973, serão aplicadas essas regras até o trânsito em julgado. Por outro lado, nos casos de sentença proferida a partir do dia 18.3.2016, as normas do novel diploma processual relativas a honorários sucumbenciais é que serão utilizadas. (EAREsp 1.255.986/PR, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe de 06/05/2019.) Nesse contexto, não há falar em ofensa aos arts. 85, § 14, do CPC e 23 e 24 da Lei n. 8.906/1994. No que se refere à legitimidade do sindicato, assiste razão ao Recorrente. Com efeito, esta Corte tem entendimento consolidado no sentido de que o sindicato possui legitimidade ativa para substituir os sucessores de servidores falecidos, ainda que o óbito tenha ocorrido antes do ajuizamento da ação de conhecimento. Isso porque o sucessor de servidor falecido integra a categoria substituída pelo sindicato na qualidade de pensionista, a qual depende do vínculo firmado pela pensão, e não pela sua filiação à entidade substituidora. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 2.105.674/AL, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 2/5/2024; AgInt no REsp n. 2.000.341/PE, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 29/2/2024; AgInt nos EREsp n. 1.883.100/RN, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, julgado em 31/5/2022, DJe de 3/6/2022. Assim, não merece prosperar o acórdão recorrido, no ponto, por se encontrar em dissonância com a jurisprudência desta Corte, devendo ser reconhecida a legitimidade do Sindicato, ora recorrente, para promoção da execução em regime de substituição processual em relação às substituídas falecidas Eva Neuza Vasconcelos, Infância Pereira e Jovita da Rosa, oportunizando, desta forma, a regularização do polo ativo da lide mediante a habilitação dos sucessores. Ante o exposto, com fundamento no art. 259 do RISTJ, RECONSIDERO a decisão de fls. 371-380 e, nos termos do art. 932 do CPC, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso especial da parte autora para, cassando parcialmente o acórdão recorrido, reconhecer a legitimidade ativa do Sindicato para a promoção da execução. Publique-se. Intimem-se. EMENTA DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DECISÃO RECONSIDERADA. SERVIDOR PÚBLICO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. ANUÊNIOS. ALEGADA VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. INEXISTÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA. DIREITO INTERTEMPORAL. MARCO TEMPORAL PARA A INCIDÊNCIA DO CPC/2015. PROLAÇÃO DA SENTENÇA. LEGITIMIDADE ATIVA. EXEQUENTES JÁ FALECIDOS. SUBSTITUIÇÃO. HABILITAÇÃO DE SUCESSORES. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO.