EREsp 2029834 - DECISAO
Os embargos de divergência não foram admitidos por ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial: os recorrentes não realizaram cotejo analítico entre os acórdãos apontados e o caso concreto, tampouco demonstraram similitude fática necessária para configurar divergência; ademais, esta Corte tem entendimento...
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- Parties
- Embargante: Mohamad Hassam Hommaid; Executado/impugnante: Estado de Mato Grosso do Sul
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Procedural Posture
- Embargos De Divergência Em Recurso Especial / Não Admitidos
- Outcome
- Embargos de divergência não admitidos
- Legal Topics
- Honorários Advocatícios Sucumbenciais, Cumprimento De Sentença, Súmula 519/stj, Dissídio Jurisprudencial, Cotejo Analítico, Embargos De Divergência
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Parties
Mohamad Hassam Hommaid
Embargante
Estado de Mato Grosso do Sul
Executado/impugnante
Procedural Posture
Embargos De Divergência Em Recurso Especial / Não Admitidos
Legal Issues
- 1 aplicabilidade da Súmula 519/STJ às execuções contra a Fazenda Pública
- 2 fixação de honorários advocatícios sucumbenciais na hipótese de rejeição de impugnação ao cumprimento de sentença
- 3 requisito de demonstração do dissídio jurisprudencial mediante cotejo analítico
Ratio Decidendi
Os embargos de divergência não foram admitidos por ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial: os recorrentes não realizaram cotejo analítico entre os acórdãos apontados e o caso concreto, tampouco demonstraram similitude fática necessária para configurar divergência; ademais, esta Corte tem entendimento consolidado (REsp 1.134.186/RS e Súmula 519/STJ) no sentido de que não são devidos honorários quando rejeitada a impugnação ao cumprimento de sentença em execuções contra a Fazenda Pública.
Court Disposition
Embargos de divergência não admitidos
Orders
- Embargos de divergência não admitidos
- Publique-se
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de divergência opostos por Mohamad Hassam Hommaid e outro contra acórdão proferido pela Primeira Turma do STJ sintetizado nestes termos: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS INDEVIDOS. TESE FIRMADA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO (RESP 1.134.186/RS). AGRAVO INTERNO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Na origem, a parte agravante se insurge contra a ausência de fixação de honorários advocatícios na decisão que rejeitou a impugnação ao cumprimento de sentença. 2. Esta Corte Superior firmou o entendimento, em julgamento realizado sob a sistemática repetitiva, de que não são cabíveis honorários advocatícios quando for rejeitada a impugnação ao cumprimento de sentença. 3. A jurisprudência desta Corte Superior é firme no sentido de que a Súmula 519/STJ é aplicável às execuções contra a Fazenda Pública, ainda que após a edição do Código de Processo Civil de 2015. 4. Agravo interno desprovido. Os recorrentes opuseram embargos de declaração, os quais foram rejeitados. Nas razões dos embargos, os recorrentes narram que a presente ação - relacionada ao pagamento de diferenças salariais a servidores - foi julgada procedente e houve o início da fase de cumprimento de sentença. Afirma que o Estado de Mato Grosso do Sul apresentou impugnação ao cumprimento de sentença que foi rejeitada. Ressaltam que a sentença não fixou honorários advocatícios, em violação do art. 85, § 7º, do CPC/2015. Em sede de embargos de declaração, afirmam que foram condenados pelo magistrado de primeiro grau ao pagamento de multa por recurso protelatório. Em sede de agravo de instrumento, afirmam que essa multa foi afastada. Ainda assim, os honorários não foram fixados, razão pela qual houve a interposição de recurso especial, o qual não foi provido pelo acórdão ora impugnado. Sustentam divergência entre o acórdão impugnado e o paradigma da Segunda Turma proferido no AgInt no REsp n. 2.039.422/RS, segundo o qual a rejeição de impugnação ao cumprimento de sentença deve ensejar a fixação de honorários advocatícios sucumbenciais. Defende a inaplicabilidade da Súm. n. 519/STJ no caso dos autos, pois se aplica somente no cumprimento de sentença entre particulares, uma vez que o mero pagamento voluntário já importa na condenação do executado em honorários (art. 523, § 1º, do CPC/2015). Impugnação às e-STJ fls. 309/329. Em parecer, o Ministério Público Federal manifestou-se pelo não provimento dos embargos de divergência. É o relatório. Passo a decidir. A pretensão não merece acolhida. Após a apresentação da controvérsia proposta em embargos de divergência e breve relato do processamento dos autos, a parte recorrente indicou paradigma, mas apenas fez breves transcrições de partes desses acórdãos. Não é possível inferir que a tutela jurídica proferida nesses paradigmas podem ser consideradas idênticas (ou próximas) do caso dos autos. Não há, efetivamente, cotejo analítico entre o caso dos autos e os paradigmas apontados. Porém, o cotejo analítico é imprescindível para verificação da efetiva divergência, o qual deve ser formulado nas razões do recorrente nos termos do art. 266, § 4º, do RISTJ e do art. 1.043, § 4º, do CPC/2015. Nesse sentido: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA SIMILITUDE FÁTICA ENTRE ACÓRDÃO EMBARGADO E PARADIGMA. I - Do cotejo entre os fundamentos firmados em ambos os arestos (paradigma e acórdão embargado), constata-se que, não obstante as razões deduzidas pelo embargante, a tese jurídica neles exposta não partiu do mesmo contexto fático. II - Com efeito, para a configuração do dissídio jurisprudencial é imprescindível a demonstração tanto da similitude fática quanto da identidade jurídica entre o acórdão embargado e os paradigmas apontados, conforme a pacífica orientação desta Corte Superior, a partir da interpretação do § 4º do art. 1.043 do CPC e do § 4º do art. 266 do Regimento Interno. III - No acórdão embargado, foi firmado o entendimento sobre a necessidade de ratificação do recurso especial quando, em juízo de retratação, o Tribunal de origem mantém o julgado, todavia se utilizando de fundamento novo, aplicando, por analogia, a Súmula n. 579/STJ. IV - Por sua vez, o acórdão paradigma tratou da desnecessidade de ratificação do recurso especial, porquanto a Corte de origem, ao rejulgar a demanda na forma do art. 543-C, § 7º, II, do CPC, não alterou a conclusão do julgamento anterior. V - O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas e jurídicas idênticas. VI - Embargos de divergência não conhecidos. (EREsp n. 1.493.826/AL, relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Seção, julgado em 22/11/2023, DJe de 29/11/2023.) AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. COMPETÊNCIA INTERNA DO STJ. NATUREZA RELATIVA. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. MERA TRANSCRIÇÃO DE EMENTAS. INSUFICIÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. DIVERGÊNCIA DE TESES JURÍDICAS. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO INTERNO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. É relativa a competência interna dos órgãos fracionários desta Corte, de modo que deve ser questionada pela parte interessada na primeira oportunidade que tiver para se manifestar nos autos, sob pena de preclusão. 2. "O dissídio jurisprudencial deve ser demonstrado conforme preceituam os arts. 266, § 4º, do RISTJ e 1.043, § 4º, do CPC, mediante o cotejo analítico dos arestos, indicando-se as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados" (AgRg nos EREsp 1.842.988/CE, Relator Ministro João Otávio de Noronha, Corte Especial, DJe de 9.6.2021). 3. Para a configuração da divergência, os acórdãos confrontados devem apresentar similitude de base fática capaz de ensejar decisões conflitantes a propósito da mesma questão jurídica, situação não verificada nos autos. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EREsp n. 2.028.862/PA, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Corte Especial, julgado em 24/10/2023, DJe de 31/10/2023.) De fato, a tese do recorrente não indica que a controvérsia decidida pelos paradigmas pode ser considerada semelhante ou idêntica à questão controvertida destes autos de embargos de divergência. O acórdão paradigma não revela nenhuma particularidade de extensão ou não da Súm. n. 519/STJ no âmbito da condenação da Fazenda Pública em impugnação ao cumprimento de sentença. Assim, ausente a indispensável similitude fática entre os acórdãos comparados, é firme a jurisprudência da Corte Especial deste Superior Tribunal de Justiça no sentido de que que não podem ser conhecidos os embargos de divergência. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DISSÍDIO NÃO DEMONSTRADO. REGRA TÉCNICA DE CONHECIMENTO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 315 DO STJ. SIMILITUDE FÁTICA NÃO DEMONSTRADA. 1. Revela-se inviável rever - em embargos de divergência - o conhecimento do recurso, uma vez que o agravo em recurso especial foi improvido em decorrência dos óbices das Súmulas n. 5 e 7/STJ. 2. Não cabe, em embargos de divergência, a análise de possível acerto ou desacerto do acórdão embargado, mas tão somente a de eventual dissídio de teses jurídicas, a fim de uniformizar a interpretação do direito infraconstitucional no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Agravo interno improvido. (AgInt nos EAREsp n. 1.880.896/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 7/2/2023, DJe de 10/2/2023.) PROCESSUAL CIVIL E DIREITO ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. INEXISTÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 1973, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 2/2016/STJ. 2. O acórdão embargado entendeu, conforme remansosa jurisprudência desta Corte e em razão do disposto nos artigos 475-P, II, e 575, II, do CPC, que a execução do julgado deve ser efetuada no mesmo juízo que processou a causa principal, de forma que, tendo havido trânsito em julgado da decisão que definiu a competência da justiça estadual para o julgamento da ação de conhecimento (REsp 183.800/PE), não há como o feito ser deslocado, em sede de execução, para a Justiça Federal, como pretende a recorrente. 3. Sob a alegação de divergência com o que fora adotado em outros precedentes desta Corte, a embargante defende, em suma, ser da Justiça Federal a competência para julgar a causa em que haja manifesto interesse jurídico e econômico da União, não havendo o que se falar em preclusão da matéria alegada, por ser de ordem pública. Defende, também, a aplicação imediata da Lei n. 9.469/1997. 4. O alegado dissídio jurisprudencial não foi devidamente comprovado nos moldes estabelecidos nos artigos 541, parágrafo único, do CPC/1973 e 255, § 1º, do RISTJ, haja vista que não foi realizado o devido cotejo analítico, além de que não se vislumbra similitude fática entre o acórdão embargado e os paradigmas, que examinaram a questão sob outro enfoque fático e jurídico e sem alcançar a peculiaridade existente no presente caso, relativa a ocorrência de trânsito em julgado da questão acerca da competência da Justiça Estadual. 5. Além disso, o acórdão embargado sequer discutiu a tese jurídica relativa à aplicação imediata da Lei n. 9.469/1997, utilizada pela embargante como fundamento para atrair a competência para a Justiça Federal. 6. Agravo interno não provido. (AgInt nos EREsp n. 1.366.295/PE, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, julgado em 13/12/2022, DJe de 16/12/2022.) Ante o exposto, não admito os embargos de divergência. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. SERVIDOR PÚBLICO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS.