AREsp 2678403 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem decidiu corretamente que as questões relativas aos honorários contratuais devem ser discutidas em ação própria na Justiça Estadual, que os honorários contratuais compõem o principal e dependem de requisição, que o novo procurador foi constituído antes...
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- Parties
- Autor: exequente; Procurador: Carlos Alberto Tregnago
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento Em Cumprimento De Sentença / Recurso Especial Interposto E Não Conhecido Pelo STJ
- Outcome
- recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Honorários Contratuais, Competência Da Justiça Federal, Requisição De Valores, Habilitação De Sucessores, Prequestionamento, Súmula 7 Do STJ, Majoração De Honorários (art.85, §11 Cpc/2015)
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Parties
exequente
Autor
Carlos Alberto Tregnago
Procurador
Procedural Posture
Agravo De Instrumento Em Cumprimento De Sentença / Recurso Especial Interposto E Não Conhecido Pelo STJ
Legal Issues
- 1 Titularidade dos honorários contratuais
- 2 Competência para discutir honorários contratuais
- 3 Efeito da nomeação de novo procurador antes da coisa julgada
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem decidiu corretamente que as questões relativas aos honorários contratuais devem ser discutidas em ação própria na Justiça Estadual, que os honorários contratuais compõem o principal e dependem de requisição, que o novo procurador foi constituído antes do julgamento definitivo dos embargos à execução e que seria necessário reexame de fatos e provas (vedado pela Súmula 7), além da ausência de prequestionamento das teses invocadas.
Court Disposition
recurso especial não conhecido
Orders
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo
- Não conheço do recurso especial
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de agravo de instrumento em sede de cumprimento de sentença. Na decisão, indeferiu-se o pedido de reserva dos honorários. No Tribunal a quo, a decisão foi mantida. O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. TITULARIDADE DOS HONORÁRIOS CONTRATUAIS. AÇÃO PRÓPRIA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. As questões relativas aos honorários contratuais deverão ser debatidas pelos interessados em ação própria, no competente juízo entre particulares, carecendo a Justiça Federal de competência para sua apreciação. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: No presente caso, ainda que tenha sido inicialmente deferido o destaque dos honorários contratuais, em 12/08/2008 (evento 3, EXECUMPR6, pág. 26), situação que possibilitou, inclusive, a requisição e levantamento dos valores incontroversos (evento 3, EXECUMPR6, págs. 73, 78/79),verdade é que o autor, em 16/05/2011, constituiu novo procurador - Carlos Alberto Tregnago (evento3, EXECUMPR6, págs. 94/95). Os embargos à execução nº 2008.71.00.023600-0, somente transitaram em julgado em2014, quando foi dado prosseguimento à execução (evento 3, EXECUMPR6, pág. 132), com apuração dos valores ainda devidos. A quantia suplementar foi requisitada em 2008 (evento 3, EXECUMPR6, pág. 242). Contudo, considerando a ausência de levantamento dos valores, a secretaria certificou o falecimento do exequente e a existência de dependente previdenciária habilitada à pensão por morte. Intimado para promover a habilitação da sucessora, o procurador Carlos Alberto Tregnago deixou decorrer o prazo sem manifestação, razão pela qual os valores foram estornados ao Tesouro Nacional por forçada Lei 13.463/2017 (evento 35, CERT1). Neste contexto, importante observar que a pretensão da parte agravante não pode ser acolhida, uma vez que, o novo procurador foi constituído antes do julgamento definitivo dos embargos à execução, portanto, em momento anterior a definição do efetivo valor devido. Demais, apesar da ausência de manifestação do procurador Carlos Alberto, a questão dos honorários contratuais igualmente interessa às partes (autor e seus sucessores) e não apenas aos advogados. Como é sabido os honorários contratuais não se constituem em crédito autônomo e sim parte integrante do montante principal, motivo pelo qual devem seguir a forma de requisição do principal. Assim, considerando que não há qualquer informação nos autos sobre o conhecimento da parte exequente (sucessores) quanto aos valores ainda devidos, não se pode afirmar que concordam com o destaque dos honorários contratuais que, inclusive, dependem de nova requisição. Não há violação do art. 489 e 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação (artigos 926 e 927, do CPC , esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA