REsp 2178753 - DECISAO
Por se tratar de honorários contratuais, com natureza distinta dos honorários sucumbenciais, não se aplicam a eles os parâmetros do art. 85, § 2º, do CPC; assim, o arbitramento deve observar razoabilidade e proporcionalidade em relação ao tempo de patrocínio, aos trabalhos realizados e ao estágio processual até a...
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- Parties
- Recorrente: GALERA MARI E ADVOGADOS ASSOCIADOS; Recorrido: Instituição Financeira
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 February 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgado (conhecido Em Parte E Improvido)
- Outcome
- Recurso especial conhecido em parte e improvido
- Legal Topics
- Honorários Contratuais, Honorários Sucumbenciais, Arbitramento Judicial, Contrato De Prestação De Serviços Advocatícios, Interpretação Art. 22 §2º Lei 8.906/94
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Parties
GALERA MARI E ADVOGADOS ASSOCIADOS
Recorrente
Instituição Financeira
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgado (conhecido Em Parte E Improvido)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade dos critérios do art. 85, § 2º, do CPC aos honorários contratuais
- 2 Interpretação do art. 22, § 2º, da Lei n. 8.906/94 após a Lei n. 14.365/2022
- 3 Critério de arbitramento de honorários em caso de rescisão unilateral do contrato de prestação de serviços advocatícios
Ratio Decidendi
Por se tratar de honorários contratuais, com natureza distinta dos honorários sucumbenciais, não se aplicam a eles os parâmetros do art. 85, § 2º, do CPC; assim, o arbitramento deve observar razoabilidade e proporcionalidade em relação ao tempo de patrocínio, aos trabalhos realizados e ao estágio processual até a rescisão unilateral do contrato, razão pela qual o recurso foi conhecido em parte e improvido.
Court Disposition
Recurso especial conhecido em parte e improvido
Orders
- Conheço parcialmente o recurso especial e, na parte conhecida, nego-lhe provimento.
- Deixo de majorar os honorários visto que já foram fixados na origem no patamar máximo de 20%.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de recurso especial interposto por GALERA MARI E ADVOGADOS ASSOCIADOS, com fundamento no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO. O julgado negou provimento aos recursos de apelação da recorrente e do recorrido nos termos da seguinte ementa (fls. 1.029-1.030): RECURSOS DE APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS - RESCISÃO DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS NO CURSO DE PROCESSO JUDICIAL PATROCINADO - EXISTÊNCIA DE CONTRATO DE HONORÁRIOS POR CONCLUSÃO AD EXITUM DE ETAPAS PROCESSUAIS - SITUAÇÃO QUE NÃO OBSTA O ARBITRAMENTO JUDICIAL DE HONORÁRIOS PELOS SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS EFETIVAMENTE PRESTADOS - ENRIQUECIMENTO ILÍCITO DO EX-CONTRATANTE - IMPOSSIBILIDADE - NATUREZA ALIMENTAR DA VERBA HONORÁRIA - PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DO TRABALHADOR - REMUNERAÇÃO DEVIDA - ARBITRAMENTO PROPORCIONAL AOS TRABALHOS REALIZADOS ATÉ A RESCISÃO UNILATERAL DO CONTRATO - RECURSOS DESPROVIDOS. A previsão no contrato de prestação de serviços advocatícios de pagamento de honorários por etapas processuais concluídas em cada processo patrocinado não se traduzad exitum em impedimento para que o advogado contratado busque, judicialmente, o arbitramento de honorários processuais pelos serviços advocatícios efetivamente prestados até a rescisão do contrato, nos processos em que patrocinou. Nesse caso, levando-se em consideração o tempo de patrocínio, os trabalhos realizados e o estágio processual do feito patrocinado até o momento da ruptura unilateral, a referida verba deve ser arbitrada de forma proporcional, em montante que atenda a razoabilidade. Rejeitados os embargos de declaração opostos (fls. 1.114-1.128). No presente recurso especial, a recorrente alega violação do art. 22, § 2º da Lei n. 8.906/94 c/c 85, § § 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 6º-A, 8º, 8º-A, 9º e 10, do CPC. Sustenta, em síntese, que (fl. 1138): .. o v. aco"rda o, apesar de indicar os dispositivos legais norteadores para a fixação de honorários por arbitramento, ao final, acaba por ignorar por completo os critérios definidos pelo artigo citado, arbitrando os honorários em 2% sobre os valores somados da causa. Ocorre que, com a mudança legal advinda da Lei nº 14.365/2022, o referido dispositivo passou a vincular o arbitramento aos parametros fixados pelo artigo 85 do CPC, de modo que o valor atribuído no arbitramento deve corresponder a no mínimo dez e no máximo vinte por cento do valor da causa. Deste modo, pela correta interpretação do artigo 22, § 2º, da Lei 8.904/96, em sua redação atual, o valor arbitrado necessariamente deveria ter sido balizado entre dez e vinte por cento dos valores da causa, de modo que, ao decidir de modo distinto, o acórdão recorrido viola expressamente o referido artigo. Não apresentadas as contrarrazões, sobreveio o juízo de admissibilidade positivo da instância de origem (fls. 1.324-1.334). É, no essencial, o relatório. A irresignação não merece prosperar. Discute-se no autos a utilização dos critérios previstos no art. 85, § 2º, do CPC para fixação dos honorários contratuais nas ações de arbitramento judicial. Nos termos da jurisprudência desta Corte, os honorários contratuais têm natureza diversa dos honorários sucumbenciais, não se aplicando a eles os critérios estabelecidos pelo art. 85, § 2º, do CPC. Desse modo, revogado imotivadamente o mandato judicial, é cabível o ajuizamento da ação de arbitramento para cobrar os honorários, que deverão ser arbitrados judicialmente de forma proporcional aos serviços até então prestados. A propósito, cito o seguinte precedente: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS CONTRATUAIS. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE NÃO VERIFICADA. ART. 489 DO CPC. ILEGITIMIDADE. HONORÁRIOS. SUCUMBENCIAIS. TABELA OAB. INTERVENÇÃO AMICUS CURIAE. SÚMULA Nº 568/STJ. BASE DE CÁLCULO ART. 85, § 2º, DO CPC. TEMA Nº 1076/STJ. ÔNUS DA SUCUMBÊNCIA. REDISTRIBUIÇÃO. SÚMULA Nº 7/STJ. REEXAME DE FATOS E PROVAS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS NºS 211/STJ E 282/STF. 1. Nos termos da jurisprudência desta Corte, apesar de os honorários advocatícios constituírem direito autônomo do advogado, não se exclui da parte a legitimidade concorrente para discuti-los. Precedentes. 2. A intervenção de terceiro em feitos não submetidos ao rito dos recursos repetitivos é hipótese excepcional, não podendo a OAB intervir como amicus curiae para defender questão afeita a honorários advocatícios, pois seu interesse vincula-se diretamente ao julgamento favorável de uma das partes. Súmula nº 568/STJ. 3. A distribuição dos ônus sucumbenciais, quando verificada a existência de sucumbência recíproca, deve ser pautada pelo exame do número de pedidos formulados e da proporcionalidade do decaimento de cada uma das partes em relação a cada um desses pleitos. Precedentes. 4. Na hipótese, não há falar que não foram observados os parâmetros de fixação previstos no art. 85, § 2º, do CPC e firmados no Tema nº 1.076/STJ. 5. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, ainda que de forma sucinta, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese, apenas não no sentido pretendido pela parte. 6. A fixação dos honorários com base em critério diverso da tabela da OAB, no particular, não avilta o exercício da advocacia e não ofende ao disposto no artigo 22, § 1º do Estatuto da OAB.Precedentes. 7. Esta Corte Superior manifesta-se no sentido de que a tabela organizada pelo Conselho Seccional da OAB tem natureza meramente orientadora e não vincula o julgador, devendo ser levada em consideração a realidade do caso concreto. 8. Ausente o prequestionamento quando o Tribunal de origem não emitiu juízo de valor acerca do dispositivo legal apontado como violado. Aplicação da Súmula 211/STJ. 9. Prequestionamento ficto que pressupõe não apenas a oposição de embargos de declaração na origem, mas também a alegação, perante este Superior Tribunal, da ocorrência de violação do art. 1.022 do CPC, o que não ocorreu no presente caso. 10. No que toca à pretensão de utilizar os critérios previstos no art. 85, § 2º, do CPC para fixação dos honorários contratuais, anota-se que, sob esse enfoque, não há discussão no aresto recorrido, o que atrai a aplicação da Súmula nº 282/STJ, ante a falta de prequestionamento. 11. Nos termos da jurisprudência desta Corte, os honorários contratuais têm natureza diversa dos honorários sucumbenciais, não se aplicando a eles os critérios estabelecidos pelo art. 85, § 2º, do CPC/2015. 12. O acolhimento da pretensão recursal para infirmar a conclusão do aresto atacado quanto ao valor dos honorários contratuais esbarra no óbice da Súmula nº 7/STJ, haja vista que demandaria a incursão nas circunstâncias fáticas dos autos. 13. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.095.078/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 16/9/2024, DJe de 18/9/2024.) RECURSO ESPECIAL. FALÊNCIA. RASTREAMENTO ATIVOS. CONTRATAÇÃO. REMUNERAÇÃO. ÊXITO. POSSIBILIDADE. MELHOR INTERESSE DA MASSA FALIDA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA Nº 211/STJ. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA Nº 284/STF. IMPUGNAÇÃO. INSUFICIÊNCIA. SÚMULA Nº 283/STF. REEXAME DE PROVAS E CLÁUSULAS. SÚMULAS NºS 5 E 7/STJ. 1. A questão controvertida resume-se a definir o critério de remuneração da contratação de serviço de rastreamento e busca de bens, no Brasil e no exterior, para satisfação dos credores da massa falida. 2. O rastreamento e a busca de ativos desviados de massas falidas constituem procedimentos de risco, que, em muitos casos, não pode ser assumido pela massa falida, o que justifica que o juízo da falência, atento ao melhor interesse da massa, autorize a contratação mediante honorários de êxito, com a assunção dos riscos com o custeio das despesas para o trabalho pelo contratado. 3. Trata-se, na espécie, de honorários contratuais, estipulados pelas partes, não se aplicando os critérios para o arbitramento dos honorários do administrador judicial, previstos no art. 24, § 1º, da Lei nº 11.101/2005, ou mesmo os limites dispostos no art. 85, § 2º, do Código de Processo Civil, destinados à fixação dos honorários sucumbenciais. Incidência da Súmula nº 284/STF. 4. Apesar de opostos embargos de declaração com a finalidade de sanar omissão, a parte recorrente não indicou a contrariedade ao art. 1.022 do Código de Processo Civil nas razões do especial, atraindo a incidência da Súmula nº 211/STJ. 5. A subsistência de fundamento não impugnado apto a manter a conclusão do aresto recorrido impõe o não conhecimento da pretensão recursal. Súmula nº 283/STF. 6. Na hipótese, acolher a tese pleiteada pelo agravante exigiria exceder os fundamentos do acórdão impugnado e adentrar no exame das provas e cláusulas contratuais, procedimentos vedados em recurso especial, a teor das Súmulas nºs 5 e 7/STJ. 7. Recurso especial não conhecido. (REsp n. 1.967.252/RJ, relator Ministro Humberto Martins, relator para acórdão Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 16/4/2024, DJe de 13/5/2024.) No caso dos autos, o Tribunal de origem ao analisar a controvérsia manifestou-se no mesmo sentido. É o que se extrai do seguinte trecho (fl. 1052): A seu turno, alega o Apelante Galera Mari e advogados Associados que a atual redação do art. 22, §2º, da Lei n. 8.906/1994 aponta para os parágrafos do art. 85 do CPC, que determinam a fixação dos honorários advocatícios entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou sobre o valor atualizado da causa. Entretanto, deve-se ressaltar, conforme fundamentação retro, que a celeuma não se trata de fixação/arbitramento de honorários de sucumbência, mas sim de existindo, na espécie, contrato prevendo a fixação de honorárioshonorários contratuais conforme atos processuais praticados pelo advogado, de forma que a referida verba deve ser arbitrada de forma razoável e proporcional. E, como dito, considerando o tempo de patrocínio, os trabalhos realizados e o estágio processual do feito patrocinado até o momento da ruptura unilateral, entendo que a verba honorária fixada na sentença encontra-se adequada ao caso concreto. Por derradeiro, anota-se que após o resultado do julgamento, a parte Autora teve reconhecido o direito à remuneração pelos serviços prestados nas demandas em que patrocinou, ainda que montante inferior ao apontado na exordial, sagrando-se, pois, vencedor da demanda, de modo que nenhum reparo deve ser na atribuição da integralidade do ônus sucumbencial à Instituição Financeira. Destarte, estando o acórdão recorrido em sintonia com o entendimento dominante deste Tribunal, aplica-se, ao caso, o entendimento consolidado na Súmula 568/STJ, in verbis: "o relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". Ademais, o acolhimento da pretensão recursal para infirmar a conclusão do aresto atacado quanto ao valor dos honorários contratuais esbarra no óbice das Súmulas n. 5 e 7/STJ, haja vista que demandaria a incursão nas circunstâncias fáticas dos autos, em especial a análise do contrato celebrado entre as parte, consoante se pode verificar do trecho supramencionado. Ante o exposto, conheço parcialmente ao recurso especial e, na parte conhecida, nego-lhe provimento. Deixo de majorar os honorários visto que já foram fixados na origem no patamar máximo de 20% (fl. 1.052). Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS. INAPLICABILIDADE DOS CRITÉRIOS PREVISTOS NO ART. 85, § 2º DO CPC. FIXAÇÃO DE FORMA PROPORCIONAL AOS SERVIÇOS PRESTADO. PRECEDENTES. SÚMULA N. 568 DO STJ. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E IMPROVIDO.