AREsp 1806597 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque: (i) quanto à alegada omissão (art. 1.022 CPC) a parte não demonstrou objetivamente os pontos omitidos, incorrendo na deficiência de fundamentação prevista na Súmula 284/STF; (ii) quanto à exigência de apresentação de contrato individual ou...
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- Parties
- Agravante: M DE OLIVEIRA ADVOGADOS & ASSOCIADOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 March 2021
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Decisão Que Não Admitiu O Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Honorários Contratuais, Execução De Sentença Coletiva, Legitimação Sindical, Contrato De Honorários, Retenção De Valores, Prequestionamento, Súmula 284 STF, Súmula 211 STJ
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Parties
M DE OLIVEIRA ADVOGADOS & ASSOCIADOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Decisão Que Não Admitiu O Recurso Especial
Legal Issues
- 1 alegada omissão no acórdão quanto ao art. 1.022 do CPC
- 2 exigência de contrato individual ou autorização dos filiados para destaque de honorários nos próprios autos (art. 22, §4º, Lei 8.906/94)
- 3 alegada violação ao art. 884 do CC (enriquecimento sem causa)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque: (i) quanto à alegada omissão (art. 1.022 CPC) a parte não demonstrou objetivamente os pontos omitidos, incorrendo na deficiência de fundamentação prevista na Súmula 284/STF; (ii) quanto à exigência de apresentação de contrato individual ou autorização dos filiados para retenção de honorários, não se atacou o fundamento do aresto recorrido nem o precedente do STJ que exige tal comprovação (art. 22, §4º, Lei 8.906/94 e REsp 1799616/AL); e (iii) as questões relativas aos arts. 884 e 664 do CC não foram apreciadas pelo tribunal de origem, faltando prequestionamento nos termos da Súmula 211/STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por M DE OLIVEIRA ADVOGADOS & ASSOCIADOS contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS, assim resumido: AGRAVO DE INSTRIMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. SINDICATO. SLU. HONORÁRIOS CONTRATUAIS. FILIADOS. AUSÊNCIA DE CONTRATO INDIVIDUAL. RESERVA DE VALORES. IMPOSSIBILIDADE. 1. O contrato celebrado entre o sindicato e a sociedade de advogados não tem o condão de vincular os filiados substituídos e demais beneficiários da sentença coletiva, diante da ausência de relação jurídica contratual entre as partes. 2. A sociedade de advogados contratada por sindicato precisa apresentar contratos individuais de cada filiado para pleitear os honorários contratuais dos respectivos beneficiários da sentença coletiva, filiados ou não. 3. Recurso conhecido e não provido. (fls. 53) Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 1.022, II, do CPC, no que concerne à omissão no aresto de origem. Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 22, § 4º, da Lei 8.906/94 (EOAB), no que concerne à juntada aos autos de contrato de honorários para fins de pagamento direto nos próprios autos, trazendo os seguintes argumentos: Com o devido respeito, o acórdão recorrido violou fundo o art. 22, § 4º, da Lei n. 8.906/94, que somente exige, como condição para o destaque dos honorários contratuais, que o advogado junte aos autos seu contrato de prestação de serviços, o que foi feito, contrato este firmado entre a sociedade dos advogados que patrocinou a ação de conhecimento onde formado o título executivo e o seu autor, in casu, o Sindireta/DF que, portanto, não é um terceiro estranho à lide, mas sim o substituto processual dos recorridos. Neste sentido, restou plenamente satisfeita à condição imposta pela lei para o destaque pleiteado, não havendo nos autos qualquer prova de que os agravados já tivessem pago os honorários, única hipótese legal que impediria a consecução do que requerido, de sorte que a pretensão deduzida merece guarida, não sendo outro, aliás, o entendimento dessa Corte, em aresto(s) que se encontra(m) assim ementado(s), verbis: .. Por conseguinte, não há dúvidas de que restaram preenchidos todos os requisitos para o atendimento da pretensão deduzida na origem, fazendo jus o recorrente ao destaque dos honorários nos próprios autos. (fls. 88-89) Quanto à terceira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 884 do CC, no que concerne ao enriquecimento sem causa. Quanto à quarta controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 664 do CC, no que concerne ao direito de retenção do mandatário. É, no essencial, o relatório. Decido. Em relação à primeira controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia"), uma vez que a parte recorrente alega, genericamente, a existência de violação do art. 1.022 do CPC de 2015 (art. 535 do Código de Processo Civil de 1973), sem, contudo, demonstrar especificamente quais os vícios do aresto vergastado e/ou a sua relevância para a solução da controvérsia. Nesse sentido, este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que "é deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegada ofensa aos arts. 489, § 1º, e 1.022 do CPC/2015 se faz sem a demonstração objetiva dos pontos omitidos pelo acórdão recorrido, individualizando o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão supostamente ocorridos, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula 284/STF" (REsp n. 1.653.926/PR, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 26/9/2018). Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 1.466.877/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 12/5/2020; AgInt no REsp n. 1.829.871/MG, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 20/2/2020; REsp n. 1.838.279/SP, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 28/10/2019; e REsp n. 1.653.926/PR, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 26/9/2018. Em relação à segunda controvérsia, na espécie, o acórdão recorrido assim decidiu: A controvérsia consiste em verificar se a sociedade de advogados contratada pelo sindicato detém legitimidade para pleitear os honorários contratuais de cada um dos beneficiários da categoria, filiados ou não à entidade sindical. Sobre a matéria, há precedente do STJ no julgamento do REsp 1799616/AL: "PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC/2015 NÃO CONFIGURADA. ENTIDADE SINDICAL. EXECUÇÃO DE SENTENÇA COLETIVA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS CONTRATADOS EXCLUSIVAMENTE PELO SINDICATO. RETENÇÃO PELO ENTE SINDICAL. AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO DOS FILIADOS. IMPOSSIBILIDADE ANTE A INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO CONTRATUAL ENTRE OS FILIADOS SUBSTITUÍDOS E O ADVOGADO. ART. 22, § 4º, DA LEI 8.906/1994. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015. 2. Ainda que seja ampla a legitimação extraordinária do sindicato para defesa de direitos e interesses dos integrantes da categoria que representa, inclusive para liquidação e execução de créditos, a retenção sobre o montante da condenação do que lhe cabe por força de honorários contratuais só é permitida com a apresentação do contrato celebrado com cada um dos filiados, nos temos do art. 22, § 4º, da Lei 8.906/1994, ou, ainda, com a autorização deles para tanto. O contrato pactuado exclusivamente entre o Sindicato e o advogado não vincula os filiados substituídos, em Precedentes do STJ. 3. Recurso face da ausência da relação jurídica contratual entre estes e o advogado. Especial conhecido parcialmente somente em relação à preliminar de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e, nessa parte, não provido. (REsp 1799616/AL, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/03/2019, DJe 28/05/2019)" grifado na transcrição Conforme entendimento supracitado, mesmo considerando a amplitude da legitimação extraordinária dos sindicatos para defender os interesses dos integrantes de determinada categoria profissional, a retenção dos honorários advocatícios contratuais somente será permitida mediante a apresentação de autorização ou de contrato individual firmado com cada um dos filiados, nos termos do art. 22, §4º da Lei 8.906/94. (fls. 56, grifo meu) Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, o fundamento central do Tribunal de origem quanto ao precedente atual desta c. Corte Superior em relação à necessidade de apresentação do contrato advocatício celebrado com cada um dos filiados, nos temos do art. 22, § 4º, da, Lei n. 8.906/94, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no Resp 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp 1637445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp 1647046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Em relação à terceira e quarta controvérsias, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 211/STJ, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem, a despeito da oposição de embargos de declaração. Assim, ausente o requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo - Súmula n. 211 - STJ". (AgRg nos EREsp 1138634/RS, relator Ministro Aldir Passarinho Júnior, Corte Especial, DJe de 19/10/2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgRg nos EREsp n. 554.089/MG, relator Ministro Humberto Gomes de Barros, Corte Especial, DJ de 29/8/2005; AgInt no AREsp n. 1.264.021/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 1º/3/2019; REsp n. 1.771.637/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 4/2/2019; e AgRg no AREsp 1.647.409/SC, relator Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 1º/7/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.