REsp 2113805 - DECISAO
Tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal sobre a matéria tratada (Tema 1.255/STF), o Superior Tribunal de Justiça entendeu que o exame do recurso especial é prejudicado no momento, determinando o sobrestamento e a devolução dos autos ao tribunal de origem para aguardar o...
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- Parties
- Recorrente: DISTRITO FEDERAL; Recorrente: Município de Santo Antônio da Barra
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 March 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Sobrestado (prejudicado); Devolução Dos Autos Ao Tribunal a Quo
- Outcome
- Recurso especial prejudicado. Autos devolvidos ao tribunal de origem e sobrestamento até a publicação do acórdão do STF sobre o Tema 1.255/STF.
- Legal Topics
- Honorários De Sucumbência, Apreciação Equitativa, Repercussão Geral, Sobrestamento De Recurso Especial, Fornecimento De Medicamentos (referência Ao Tema 106/stj)
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Parties
DISTRITO FEDERAL
Recorrente
Município de Santo Antônio da Barra
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Sobrestado (prejudicado); Devolução Dos Autos Ao Tribunal a Quo
Legal Issues
- 1 Possibilidade de fixação de honorários advocatícios por apreciação equitativa quando o proveito econômico ou valores da condenação são exorbitantes (Tema 1.255/STF)
- 2 Necessidade de sobrestamento do recurso especial em razão de repercussão geral reconhecida pelo STF
- 3 Procedimento a ser adotado pelo tribunal de origem após publicação do acórdão do STF (negativa de seguimento ou juízo de retratação)
Ratio Decidendi
Tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal sobre a matéria tratada (Tema 1.255/STF), o Superior Tribunal de Justiça entendeu que o exame do recurso especial é prejudicado no momento, determinando o sobrestamento e a devolução dos autos ao tribunal de origem para aguardar o pronunciamento definitivo do STF; após a publicação do acórdão do STF, o tribunal de origem deverá negar seguimento ao recurso se a decisão recorrida coincidir com a orientação do STF ou proceder ao juízo de retratação se divergir.
Court Disposition
Recurso especial prejudicado. Autos devolvidos ao tribunal de origem e sobrestamento até a publicação do acórdão do STF sobre o Tema 1.255/STF.
Orders
- Julgo prejudicado o exame do recurso especial.
- Determino a devolução dos autos ao Tribunal a quo, com baixa, para que aguarde a publicação do acórdão a ser proferido pelo Supremo Tribunal Federal (Tema 1.255/STF).
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo DISTRITO FEDERAL com fundamento no artigo 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo TJDFT, assim ementado (fls. 907-908): DIREITO CIVIL. PROCESSO CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE CONHECIMENTO. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS. INTEGRAÇÃO DO POLO PASSIVO PELA UNIÃO. DESNECESSIDADE. TEMA 793/STF. REQUISITOS PARA A CONCESSÃO DO MEDICAMENTO PELO DISTRITO FEDERAL. TEMA N. 106/STJ. REGISTRO NA ANVISA. LAUDO MÉDICO. APELAÇÃO DO RÉU NÃO PROVIDA. APELAÇAO DA AUTORA PROVIDA. 1. Nos termos dos Embargos de Declaração no RE 855.178, somente ações que demandem fornecimento de medicamentos sem registro na ANVISA devem ser propostas necessariamente em face da União (Tema 793 do STF). 1.1. Nas hipóteses em que há registro na ANVISA, aindaque o produto não esteja incorporado aos atos normativos do SUS, édesnecessária a inclusão da União no polo passivo. Precedentes doSuperior Tribunal de Justiça - STJ. 1.2. O Incidente de Assunção de Competência (IAC) n. 14 do STJ afetou a matéria e a Primeira Seção deliberou que, até o julgamento definitivo do IAC, o juiz estadual deverá abster-se de praticar qualquer ato judicial de declinação de competência nas ações que versem sobre o tema, de modo que o processo deve prosseguir na jurisdição estadual. 2. O c. Superior Tribunal de Justiça, ao tratar da obrigatoriedade dadistribuição de medicamentos não constantes de lista do Sistema Únicode Saúde, quando do julgamento do REsp 1.657.156/RJ (Tema n. 106),submetido ao rito dos recursos repetitivos, definiu a tese de que a concessão dos medicamentos não padronizados exige a presença cumulativa dos seguintes requisitos: I - Comprovação, por meio de laudo médico fundamentado e circunstanciado expedido por médico que assiste o paciente, da imprescindibilidade ou necessidade do medicamento, assim como da ineficácia, para o tratamento da moléstia, dos fármacos fornecidos pelo SUS; II - Incapacidade financeira do paciente de arcar com o custo do medicamento prescrito; e III -Existência de registro na ANVISA do medicamento, observados os usos autorizados pela agência. 2.1. No caso dos autos, presentes os requisitos para aconcessão de medicamentos não padronizados, demonstrada a necessidade do medicamento, a incapacidade financeira em arcar com os custos do tratamento e que os medicamentos fornecidos pelo SUS são ineficazes ou contraindicados para o combate à sua moléstia. 2.2. Deve ser fornecido o medicamento se há comprovação,por fundamentado relatório médico, de que o medicamento é essencial ao tratamento prescrito à parte; de que já foram testados outros medicamentos e terapêuticas, sem resultado; e de que a parte não tem condições de arcar com os custos do fármaco registrado na ANVISA. 3. Os critérios previstos no Código de Processo Civil para a fixação dos honorários advocatícios são de aplicação obrigatória, não sendo permitido ao julgador afastá-los fora das hipóteses excepcionais previstas na Lei. 3.1. No caso em apreço, deve ser reformada a sentença para fixar honorários de acordo com o proveito econômico. 4. Recurso da autora conhecido e provido. Recurso do réu conhecido e desprovido. Embargos de declaração rejeitados (fls. 989-1.001). Em suas razões, o recorrente sustenta ofensa aos artigos 85, § 8º, 291 e 293, § 3º, do CPC/2015, afirmando que, em demandas judiciais que tratam de direito à saúde, o proveito econômico é inestimável, razão pela qual os honorários advocatícios devem ser fixados por equidade, e não com base no valor do tratamento determinado ao paciente. Sem contrarrazões. Juízo positivo de admissibilidade às fls. 1.034-1.036. É o relatório. Passo a decidir. Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. Em que pese o entendimento do Superior Tribunal de Justiça exposto no julgamento do Tema 1.076/STJ, é de se ressaltar que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de Repercussão Geral do Tema 1.255 - RE 1.412.069 - Possibilidade da fixação dos honorários por apreciação equitativa (artigo 85, § 8º, do Código de Processo Civil) quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem exorbitantes - caso dos autos -, cuja descrição é a seguinte: Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 2º, 3º, I e IV, 5º, caput, XXXIV e XXXV, 37, caput, e 66, § 1º, da Constituição Federal, a interpretação conferida pelo Superior Tribunal de Justiça ao art. 85, §§ 2º, 3º e 8º, do Código de Processo Civil, em julgamento de recurso especial repetitivo, no sentido de não ser permitida a fixação de honorários advocatícios por apreciação equitativa nas hipóteses de os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda serem elevados, mas tão somente quando, havendo ou não condenação: (a) o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório; ou (b) o valor da causa for muito baixo (Tema 1.076/STJ). Considerando que a matéria objeto do apontado Tema 1.255/STF é a única examinada no presente recurso especial, o sobrestamento dos autos na origem, para aguardar o julgamento do Recurso Extraordinário sob a sistemática da Repercussão Geral, é medida que se impõe, tendo em vista a economia processual e para se evitar a prolação pelo STJ de provimentos jurisdicionais em desconformidade com o que for definitivamente decidido pela Corte Suprema. Nesse cenário, os autos devem retornar ao tribunal de origem para que o recurso fique sobrestado até o exercício do juízo de conformação do órgão julgador com a tese a ser fixada pelo Supremo Tribunal Federal. Nessa linha de entendimento, confiram-se os seguintes julgados desta Corte: REsp 1.486.671/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 25/11/2014; AgRg no REsp 1.467.551/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 9/9/2014. No mesmo sentido, tem decidido o STF, conforme revelam, entre outras, as decisões proferidas nos: ARE 1.437.298/MG, ARE 1.432.289/SP e RE 1.434.553/SP. Ante o exposto, julgo prejudicado o exame do recurso especial neste presente momento processual, bem como o recurso especial interposto pelo Município de Santo Antônio da Barra (fls. 2.268-2.286), e determino a devolução dos autos ao Tribunal a quo, com a respectiva baixa, para que, após a publicação do acórdão a ser proferido pelo Supremo Tribunal Federal (Tema 1.255/STF), em observância aos artigos 1.039, 1.040, I e II, e 1.041 do CPC/2015: a) negue seguimento ao recurso, se a decisão recorrida coincidir com a orientação exarada pelo STF; ou b) proceda ao juízo de retratação, na hipótese de o acórdão vergastado divergir da decisão sobre o tema. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA. VALORES EXORBITANTES. ARBITRAMENTO POR APRECIAÇÃO EQUITATIVA. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO STF. TEMA 1.255/STF. SOBRESTAMENTO DO ESPECIAL. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À ORIGEM. RECURSO ESPECIAL PREJUDICADO.