REsp 2137591 - DECISAO
A fixação dos honorários de sucumbência por apreciação equitativa (art.85, §8º, CPC/2015) não é permitida quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico forem elevados; nesses casos deve-se observar os percentuais dos §§2º ou 3º do art.85 do CPC, calculados sobre a condenação, o proveito econômico...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 May 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Autos Devolvidos Ao Tribunal De Origem E Sobrestados Aguardando Julgamento Do RE 1.412.069/pr (tema 1.255) Pelo STF
- Outcome
- Determino a devolução dos autos ao tribunal de origem para que fiquem sobrestados aguardando o julgamento do RE 1.412.069/PR (Tema 1.255) pelo Supremo Tribunal Federal
- Legal Topics
- Honorários De Sucumbência, Apreciação Equitativa, Recursos Repetitivos, Repercussão Geral, Sobrestamento, Juízo De Retratação, Unirrecorribilidade
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Procedural Posture
Recurso Especial / Autos Devolvidos Ao Tribunal De Origem E Sobrestados Aguardando Julgamento Do RE 1.412.069/pr (tema 1.255) Pelo STF
Legal Issues
- 1 Possibilidade de fixação de honorários de sucumbência por apreciação equitativa (art.85, §8º, CPC/2015) quando valores da condenação, da causa ou proveito econômico forem exorbitantes
- 2 Aplicação obrigatória dos percentuais previstos nos §§2º ou 3º do art.85 do CPC/2015 quando valores forem elevados
- 3 Necessidade de sobrestamento de recursos especiais quando o tema estiver afetado à sistemática da repercussão geral
Ratio Decidendi
A fixação dos honorários de sucumbência por apreciação equitativa (art.85, §8º, CPC/2015) não é permitida quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico forem elevados; nesses casos deve-se observar os percentuais dos §§2º ou 3º do art.85 do CPC, calculados sobre a condenação, o proveito econômico obtido ou o valor atualizado da causa. Admitir-se-á arbitramento por equidade apenas quando o proveito econômico for inestimável ou irrisório ou o valor da causa for muito baixo. Ademais, recursos cujo tema foi afetado à repercussão geral devem ficar sobrestados no tribunal de origem até o julgamento do paradigma (RE 1.412.069/PR), procedendo-se após publicação, em observância...
Court Disposition
Determino a devolução dos autos ao tribunal de origem para que fiquem sobrestados aguardando o julgamento do RE 1.412.069/PR (Tema 1.255) pelo Supremo Tribunal Federal
Orders
- Devolução dos autos ao tribunal de origem
- Manter os autos sobrestados no tribunal de origem aguardando o julgamento do RE 1.412.069/PR (Tema 1.255) pelo STF
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO A Corte Especial decidiu acerca da impossibilidade de fixação de honorários de sucumbência por apreciação equitativa, no julgamento dos Recursos Especiais 1.850.512/SP, 1.877.883/SP, 1.906.623/SP e 1.906.618/SP submetidos à sistemática dos recursos repetitivos, ainda que o valor da causa, da condenação ou o proveito econômico sejam elevados (Tema 1.076), estabelecendo as seguintes teses: a) A fixação dos honorários por apreciação equitativa não é permitida quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem elevados. É obrigatória nesses casos a observância dos percentuais previstos nos §§ 2º ou 3º do art. 85 do CPC - a depender da presença da Fazenda Pública na lide -, os quais serão subsequentemente calculados sobre o valor: (i) da condenação; ou (ii) do proveito econômico obtido; ou (iii) do valor atualizado da causa. b) Apenas se admite arbitramento de honorários por equidade quando, havendo ou não condenação: (i) o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório; ou (ii) o valor da causa for muito baixo. É certo que, nas ações relacionadas ao direito constitucional à vida e/ou à saúde, como na hipótese dos autos, o Superior Tribunal de Justiça vinha admitido o arbitramento dos honorários de sucumbência por apreciação equitativa, na forma do art. 85, § 8º, do CPC/2015, por considerar que o proveito econômico obtido é inestimável. Ocorre que a Corte Especial do STJ, em hipótese análoga, de demanda voltada ao custeio de medicamentos para tratamento de saúde, entendeu que a fixação da verba honorária com base no art. 85, §8º, do CPC/2015 estaria restrita às "causas em que não se vislumbra benefício patrimonial imediato, como, por exemplo, as de estado e de direito de família" (AgInt nos EDcl nos EREsp 1.866.671/RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe de 27.9.2022). Não obstante, em sessão de julgamento realizada em 09/08/2023, o STF decidiu afetar à sistemática da repercussão geral o RE 1.412.069/PR, em que discutida a "possibilidade da fixação dos honorários por apreciação equitativa (art. 85,§ 8º, do Código de Processo Civil) quando os valores da condenação, da causa ou do proveito econômico da demanda forem exorbitantes" - Tema 1.255. Nesse caso, encontrando-se o tema afetado à sistemática da repercussão geral, esta Corte orienta que os recursos que tratam da mesma controvérsia devem aguardar o julgamento do paradigma representativo sobrestados no Tribunal de origem, viabilizando, assim, o juízo de conformação, hoje disciplinado pelos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/2015. Confiram-se as seguintes decisões monocráticas no mesmo viés: AgInt nos EDcl no Ag 1.432.709/ES, rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 18/12/2018; REsp 1.770.141/RJ, rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, Primeira Turma, DJe 18/10/2018. Somente depois de realizada essa providência, que representa o exaurimento da instância ordinária, é que o recurso especial deverá ser encaminhado a esta Corte Superior, para que aqui possam ser analisadas as questões jurídicas nele suscitadas e que não ficaram prejudicadas pelo novo pronunciamento do Tribunal a quo. Registre-se que essa medida visa evitar também o desmembramento do apelo especial e, em consequência, eventual ofensa ao princípio da unirrecorribilidade ou unicidade recursal. Ante o exposto, DETERMINO A DEVOLUÇÃO DOS AUTOS ao tribunal de origem, com a respectiva baixa, para que lá fiquem sobrestados aguardando o julgamento do RE 1.412.069/PR (Tema 1.255) pelo Supremo Tribunal Federal e, após sua pu blicação, em observância ao art. 1.040 do CPC/2015: a) negue seguimento ao recurso se a decisão recorrida coincidir com a orientação emanada pela Suprema Corte; ou b) proceda ao juízo de retratação na hipótese de o acórdão vergastado divergir da decisão sobre o tema posto em repercussão geral. Publique-se. Intimem-se. EMENTA