REsp 2189795 - DECISAO
Porque o tema relativo à fixação dos honorários em demandas de saúde foi submetido à sistemática de recursos repetitivos (Tema 1.313), os autos devem ser devolvidos ao tribunal de origem para que seja realizado o juízo de conformidade, em observância aos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/2015, com vistas a evitar...
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- Parties
- Requerente: DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE GOIÁS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 May 2025
- Procedural Posture
- Pedido De Distinção / Decisão Sobre Pedido De Distinção
- Outcome
- Deferido em parte o pedido de distinção; mantida a devolução dos autos ao tribunal de origem para realização do juízo de conformidade após publicação dos acórdãos dos Recursos Especiais repetitivos n. 2.169.102/AL e 2.166.690/RN (Tema 1.313), nos termos do art. 1.040 do CPC/2015.
- Legal Topics
- Honorários De Sucumbência, Proveito Econômico, Recursos Repetitivos, Juízo De Conformidade, Tema 1.313, Tema 1.255, Tema 1.076
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Parties
DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE GOIÁS
Requerente
Procedural Posture
Pedido De Distinção / Decisão Sobre Pedido De Distinção
Legal Issues
- 1 possibilidade de estimar o proveito econômico em ações relativas à saúde para fins de fixação de honorários de sucumbência
- 2 aplicabilidade do art. 85, § 8º do CPC/2015 em demandas de saúde
- 3 obrigatoriedade de observância dos percentuais dos §§ 2º ou 3º do art. 85 do CPC quando valores forem elevados
Ratio Decidendi
Porque o tema relativo à fixação dos honorários em demandas de saúde foi submetido à sistemática de recursos repetitivos (Tema 1.313), os autos devem ser devolvidos ao tribunal de origem para que seja realizado o juízo de conformidade, em observância aos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/2015, com vistas a evitar desmembramento do recurso e preservar a unirrecorribilidade; apenas após esse juízo e a publicação dos acórdãos paradigmas o recurso especial poderá retornar ao STJ se houver questões remanescentes.
Court Disposition
Deferido em parte o pedido de distinção; mantida a devolução dos autos ao tribunal de origem para realização do juízo de conformidade após publicação dos acórdãos dos Recursos Especiais repetitivos n. 2.169.102/AL e 2.166.690/RN (Tema 1.313), nos termos do art. 1.040 do CPC/2015.
Orders
- Devolver os autos à Corte de origem para, após a publicação dos acórdãos dos REsps repetitivos n. 2.169.102/AL e 2.166.690/RN (Tema 1.313), observar o art. 1.040 do CPC/2015.
- Negar seguimento ao recurso se a decisão recorrida coincidir com a orientação emanada pela Suprema Corte.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de pedido de distinção apresentado pela DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE GOIÁS contra decisão, constante às e-STJ fls. 307/309, que determinou a devolução dos autos ao Tribunal de origem para possibilitar a realização do juízo de conformidade com a tese a ser firmada pela Suprema Corte, por ocasião do julgamento do Tema 1.255 do STF. Nas suas razões, afirma que a discussão travada no recuso especial consiste na possibilidade ou não de se estimar o proveito econômico obtido em ações relativas à saúde, para fins de fixação de honorários de sucumbência. Alega, em síntese, que a controvérsia dos autos não guarda relação com o Tema 1.255 do STF - RE n. 1.412.069/PR, que diz respeito à possibilidade de fixação da verba honorária pelo critério da equidade quando os valores da condenação, da causa ou do proveito econômico da demanda mostrarem-se exorbitantes, o que não é o caso dos autos. Passo a decidir. A Corte Especial decidiu acerca da impossibilidade de fixação de honorários de sucumbência por apreciação equitativa no julgamento dos Recursos Especiais n. 1.850.512/SP, 1.877.883/SP, 1.906.623/SP e 1.906.618/SP, submetidos à sistemática dos recursos repetitivos, ainda que o valor da causa, da condenação ou do proveito econômico seja elevado (Tema 1.076), estabelecendo as seguintes teses: a) A fixação dos honorários por apreciação equitativa não é permitida quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem elevados. É obrigatória nesses casos a observância dos percentuais previstos nos §§ 2º ou 3º do art. 85 do CPC - a depender da presença da Fazenda Pública na lide -, os quais serão subsequentemente calculados sobre o valor: (i) da condenação; ou (ii) do proveito econômico obtido; ou (iii) do valor atualizado da causa. b) Apenas se admite arbitramento de honorários por equidade quando, havendo ou não condenação: (i) o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório; ou (ii) o valor da causa for muito baixo. É certo que, nas ações relacionadas ao direito constitucional à vida e/ou à saúde, como na hipótese dos autos, o Superior Tribunal de Justiça vinha admitindo o arbitramento dos honorários de sucumbência por apreciação equitativa, na forma do art. 85, § 8º, do CPC/2015, por considerar que o proveito econômico obtido é inestimável. Ocorre que a Corte Especial do STJ, em situação análoga, de demanda voltada ao custeio de medicamentos para tratamento de saúde, entendeu que a fixação da verba honorária com base no art. 85, §8º, do CPC/2015 estaria restrita às "causas em que não se vislumbra benefício patrimonial imediato, como, por exemplo, as de estado e de direito de família" (AgInt nos EDcl nos EREsp n. 1.866.671/RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe de 27/9/2022). Não obstante, em 11/2/2025, a Primeira Seção desta Corte de Justiça decidiu submeter os REsps n. 2.169.102/AL e 2.166.690/RN ao rito de recursos repetitivos (Tema 1.313), para dirimir a seguinte controvérsia: "Saber se, nas demandas em que se pleiteia do Poder Público o fornecimento de prestações em saúde, os honorários advocatícios devem ser fixados com base no valor da prestação ou do valor atualizado da causa (art. 85, §§ 2º, 3º e 4º, III, CPC), ou arbitrados por apreciação equitativa (art. 85, parágrafo 8º, do CPC)." Nesse caso, encontrando-se o tema afetado à sistemática de recursos repetitivos, esta Corte orienta que os recursos que tratam da mesma controvérsia devem aguardar o julgamento do paradigma representativo sobrestados no Tribunal de origem, viabilizando, assim, o juízo de conformação, hoje disciplinado pelos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/2015. Confiram-se as seguintes decisões monocráticas no mesmo viés: AgInt nos EDcl no Ag 1.432.709/ES, rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 18/12/2018; REsp n. 1.770.141/RJ, rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 18/10/2018. Somente depois de realizada essa providência, que representa o exaurimento da instância ordinária, é que o recurso especial deverá ser encaminhado a esta Corte Superior, para que aqui possam ser analisadas as questões jurídicas nele suscitadas e que não ficaram prejudicadas pelo novo pronunciamento do Tribunal a quo. Registre-se que essa medida visa evitar também o desmembramento do apelo especial e, em consequência, eventual ofensa ao princípio da unirrecorribilidade ou da unicidade recursal. Ante o exposto, DEFIRO EM PARTE o pedido de distinção para , por outro fundamento, MANTER A DEVOLUÇÃO DOS AUTOS à Corte de origem, com a respectiva baixa, para que, após a publicação dos acórdãos dos Recursos Especiais Repetitivos n. 2.169.102/AL e 2.166.690/RN (Tema 1.313), em observância ao art. 1.040 do CPC/2015: a) negue seguimento ao recurso, se a decisão recorrida coincidir com a orientação emanada pela Suprema Corte; ou b) proceda ao juízo de retratação, na hipótese de o acórdão vergastado divergir da decisão sobre o tema posto em repercussão geral. Publique-se. Intimem-se. EMENTA