AREsp 2510146 - DECISAO
Conhecer do agravo e dar provimento ao recurso especial, por entender que a hipótese de extinção da execução fiscal por cancelamento administrativo da CDA (art.26 da LEF) não está contemplada pela tese do Tema 1.076/STJ, devendo o Tribunal de origem arbitrar os honorários de sucumbência por critério de equidade com...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: Município do Rio de Janeiro
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento
- Outcome
- Agravo conhecido e provido; recurso especial provido; acórdão recorrido reformado; retorno dos autos ao Tribunal de origem para que arbitre honorários de sucumbência com amparo no art.85, §8º do CPC/2015.
- Legal Topics
- Honorários De Sucumbência, Art. 26 Da Lei Nº 6.830/80 (lei De Execução Fiscal), Art. 85 Do Cpc/2015, Tema 1.076/stj, Princípio Da Causalidade, Exceção De Pré Executividade
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Município do Rio de Janeiro
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento
Legal Issues
- 1 Cabimento de honorários advocatícios quando execução fiscal é extinta por cancelamento administrativo da CDA (art. 26 da LEF)
- 2 Aplicabilidade do Tema 1.076/STJ às execuções fiscais extintas com fundamento no art. 26 da LEF
- 3 Critério de arbitramento dos honorários (aplicação dos §§ 3º,5º do art.85 do CPC vs. arbitramento por equidade pelo § 8º)
Ratio Decidendi
Conhecer do agravo e dar provimento ao recurso especial, por entender que a hipótese de extinção da execução fiscal por cancelamento administrativo da CDA (art.26 da LEF) não está contemplada pela tese do Tema 1.076/STJ, devendo o Tribunal de origem arbitrar os honorários de sucumbência por critério de equidade com amparo no art.85, §8º do CPC/2015.
Court Disposition
Agravo conhecido e provido; recurso especial provido; acórdão recorrido reformado; retorno dos autos ao Tribunal de origem para que arbitre honorários de sucumbência com amparo no art.85, §8º do CPC/2015.
Orders
- Conhecer do agravo
- Dar provimento ao recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Em análise, agravo em recurso especial interposto pelo Município do Rio de Janeiro contra decisão que inadmitiu o recurso especial com fundamento na Súmula 7/STJ e na Súmula 83/STJ. Alega a parte agravante que os pressupostos de admissibilidade do recurso especial foram atendidos, já que "está superado o argumento, portanto, de incidência do Enunciado n.º 7 da Súmula do STJ, justamente em razão de a questão limitar-se a avaliar, não quantidade ou qualidade do exercício da atividade, mas se o patrono deveria lograr honorários a despeito da extinção do crédito ter ocorrido administrativamente em razão da sua remissão, o que afasta a causalidade ínsita ao instituto." (fl. 385) e que o acórdão recorrido desconsiderou o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça fixado há mais de uma década acerca do descabimento da condenação ao pagamento de honorários advocatícios quando a execução fiscal é extinta em razão de cancelamento da CDA. Argumenta que "visa tão somente expor que a extinção da execução fiscal, em virtude da oposição de exceção de pré-executividade não enseja a condenação da Fazenda Pública em honorários advocatícios quando o motivo da extinção do crédito for remissão concedida pelo ente público após o ajuizamento da execução fiscal" (fl. 384). Contrarrazões apresentadas às fls. 392-397. Atendidos os pressupostos de conhecimento do agravo em recurso especial, passo à análise do recurso especial. O recurso merece prosperar. A Corte de origem consignou (fls. 212-219, grifo nosso): A insurgência recursal dirige-se contra os critérios legais utilizados para a fixação dos honorários de sucumbência, pretendendo o apelante que estes sejam fixados na forma do artigo 85, §8º do Código de Processo Civil. Sabe-se que o artigo 26 da Lei nº 6.830/80 isenta as partes dos ônus processuais na execução fiscal, se a inscrição de dívida for cancelada antes da decisão de primeira instância: "Art. 26. Se, antes da decisão de primeira instância, a inscrição de Dívida Ativa for, a qualquer título, cancelada, a execução fiscal será extinta, sem qualquer ônus para as partes." A interpretação a esse dispositivo, todavia, não deve ser feita ipsi literis, pois ele contempla situações nas quais na ação de execução não se instaurou a litigiosidade, sendo portanto de se considerar devidos os honorários advocatícios no caso de a execução fiscal ser extinta em razão de cancelamento da certidão de dívida ativa após a citação, a oposição de Embargos à Execução ou de qualquer outra forma de manifestação do executado. É o que ocorre no caso em tela, em que a parte executada necessitou contratar advogado para impugnar a execução por meio da exceção de pré-executividade, que foi afinal acolhida pelo Juízo a quo, que somente depois da oferta daquela peça julgou extinta a execução. O trabalho do advogado foi realizado e portanto deve ser remunerado. Também não há que se falar em redução pelos honorários à metade, como pretende o Município apelante, na medida em que o §4º do artigo 90 do CPC só se aplica nos casos de reconhecimento do pedido pelo réu, simultaneamente com o cumprimento da prestação reconhecida, o que não ocorre nos autos, já que o Município figura como autor da execução fiscal. Reconhecido, portanto, o cabimento da condenação em honorários de sucumbência na hipótese, passo a analisar a questão dos critérios de arbitramento. Como se sabe, as regras para arbitramento dos honorários advocatícios nos casos em que a Fazenda Pública for parte são aquelas estabelecidas no artigo 85, §§ 3º e 5º do Código de Processo Civil, tal como observado pela sentença. A incidência da regra do § 8º do artigo 85 do Código de Processo Civil, invocada pelo apelante, por sua vez, pressupõe a ocorrência das hipóteses nela elencadas, quais sejam, proveito econômico irrisório ou inestimável ou valor de causa muito baixo. A aplicação literal do disposto no §3º, inciso III do artigo 85 do Código de Processo Civil de 2015 vem sendo muito debatida desde a entrada em vigor da lei processual, já que a verba honorária de sucumbência poderia se afigurar elevada e não corresponder às particularidades do caso concreto, mormente quando o sucumbente é a Fazenda Pública, o que tem levado à admissibilidade da aplicação, por extensão, dos critérios previstos no §8º do artigo 85 do Código de Processo Civil. Ocorre que, recentemente, em julgamento submetido à sistemática dos recursos repetitivos, o Superior Tribunal de Justiça, por sua Corte Especial, consolidou o entendimento que deu origem ao Tema 1076, cuja tese constou de notícia publicada no site daquela Corte em 16/03/2022, nos seguintes termos: .. Assim, de acordo com o julgado supra mencionado, é imperativa a aplicação dos parágrafos 2º e 3º do artigo 85 do CPC no caso em análise, como fez o magistrado sentenciante, eis que não configuradas as hipóteses previstas para o arbitramento por equidade, já que o proveito econômico obtido pelo vencedor pode ser estimado e o valor da causa não é muito baixo. .. Dessa forma, não merece reparo a sentença que, ao fixar os honorários advocatícios de sucumbência, observou rigorosamente, o disposto no artigo 85, §§ 3º e 5º do Código de Processo Civil, por não estarem presentes os pressupostos elencados no § 8º do mesmo dispositivo legal, que dessem ensejo à sua fixação de forma equitativa. Todavia, o entendimento mais recente desta Corte Superior, em ambas as Turmas da Primeira Seção, é no sentido de que os honorários advocatícios devem ser fixados por critério equitativo, afastando-se a aplicação do Tema 1.076/STJ. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ISSQN. TEMAS N. 1.255/STF E 1.076/STJ. AFASTADOS. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação de execução fiscal, objetivando a cobrança de créditos tributários relacionados ao ISSQN. Na sentença a demanda foi julgada extinta, com base no art. 26 da Lei n. 6.830/1980, em função da inexigibilidade do crédito tributário. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada. Nesta Corte, deu-se provimento ao recurso especial. II - Inicialmente, não se olvida que haja entendimento pretérito deste Superior Tribunal de Justiça de que a condenação em honorários advocatícios sucumbenciais, na hipótese de extinção da execução fiscal em razão do cancelamento administrativo da CDA, deveria ser fundamentada no art. 85, § 2º e 3º, do CPC/2015, em razão do princípio da causalidade. III - No entanto, no caso dos autos, o entendimento mais recente desta Corte Superior, em ambas as Turmas da Primeira Seção, é no sentido de que os honorários advocatícios devem ser fixados por critério equitativo, afastando-se a aplicação do Tema 1.076/STJ. Nesse sentido: AgInt no AgInt no REsp n. 2.076.352/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 28/6/2024; AgInt no REsp n. 1.801.584/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 28/6/2024; AgInt no AgInt no REsp n. 1.862.598/SC, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 10/6/2024, DJe de 17/6/2024; AgInt no REsp n. 2.088.330/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 7/5/2024. IV - Desse modo, merece reparo o acórdão recorrido, uma vez que o entendimento desta Corte Superior é de que o precedente qualificado formado no julgamento do Tema Repetitivo 1.076/STJ, que analisou as regras do art. 85 do CPC/2015, não contempla a referida hipótese da Lei de Execução Fiscal, norma especial em relação às regras gerais do CPC/2015, o que justifica a distinção no presente caso. V - Correta a decisão que deu provimento ao recurso especial para, reestabelecendo os termos da sentença, fixar os honorários advocatícios sucumbenciais com base no art. 85, § 8º, do CPC/2015. VI - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.099.891/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 27/11/2024, DJEN de 2/12/2024.) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. CANCELAMENTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. JUÍZO DE EQUIDADE. POSSIBILIDADE. DISTINÇÃO DO ENTENDIMENTO FIRMADO NO JULGAMENTO DO TEMA REPETITIVO 1.076 DO STJ. 1. Tratam os autos de Execução Fiscal para a cobrança de IPTU em que se apresentou Exceção de Pré-Executividade pelo executado. Após apuração administrativa, o Município veio com pedido de extinção da execução pelo cancelamento do débito. Na ocasião, o juízo extinguiu o feito executivo nos termos do artigo 26 da LEF, com a condenação do exequente em honorários advocatícios fixados por equidade no limite de R$ 10 mil. 2. Considerando as circunstâncias específicas dos autos (extinção da Execução Fiscal em virtude do cancelamento administrativo da CDA, com base no art. 26 da Lei 6.830/1980 - LEF), fica inviável a adequação pura e simples ao Tema 1.076/STJ, haja vista que a definição da tese repetitiva não se deu sob tal enfoque, mas apenas à luz do princípio da sucumbência. 3. Precedentes do STJ no sentido da inaplicabilidade do Tema 1.076/STJ nos casos de Execução Fiscal extinta com base no art. 26 da Lei 6.830/1980: AgInt no REsp. 2.088.330/SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 7/5/2024; AgInt no AgInt no AREsp 1.967.127/RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, DJe de 1º/8/2022; REsp 1.795.760/SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 03/12/2019; 4. Agravo Interno não provido. (AgInt no AgInt no REsp n. 2.076.352/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 28/6/2024.) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CANCELAMENTO DA CDA. EXECUÇÃO EXTINTA COM FUNDAMENTO NO ART. 26 DA LEF. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBÊNCIAIS. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. FIXAÇÃO PELO CRITÉRIO DA EQUIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. O Tribunal de origem consignou: "A FESP, por sua vez, peticionou ao juízo requerendo a extinção da execução "sem ônus para as partes", ante o cancelamento administrativo do débito, nos termos do disposto pelo art. 26 da Lei de Execuções Fiscais (fl. 90). O juízo de 1º grau acolheu o pedido de extinção da execução, condenando a FESP ao pagamento de verba honorária ao advogado da parte executada, decisão contra a qual se insurgiu a exequente. O acórdão de fls. 123/127 assim decidiu no tocante à fixação da verba honorária: "(..) o princípio da causalidade justifica o ônus imposto à FESP de arcar com o pagamento da verba honorária. No tocante ao seu arbitramento, indiscutível que o magistrado deve fazê-lo em um patamar adequado para remunerar condignamente o patrono da parte, sem se mostrar excessivo, nem desproporcional à complexidade da causa, no entanto, o caso em exame versou sobre questão bastante singela (exceção de pré executividade), tratando-se de causa de natureza pouco complexa (débito tributário que foi cancelado pela própria exequente) e que não exigiu esforço desproporcional por parte do patrono da excipiente. Assim sendo, o arbitramento em patamar mínimo (10%) sobre o valor atualizado da causa mostra-se excessivo, sendo mais condizente com o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade a fixação dos honorários advocatícios em R$ 2.000,00 (dois mil reais). (..)" (..) Por fim anoto, ainda, que o próprio STJ, em decisões proferidas em momento posterior ao julgamento do R Esp. nº 1.850.512/SP, tem entendido que a hipótese em exame (cancelamento administrativo da CDA pelo Fisco estadual, na forma do art. 26, da Lei nº 6.830/80) não se encontra abarcada pela tese jurídica firmada no julgamento do Tema Repetitivo 1.076 do STJ, confira-se: (..) Ante o exposto, meu voto é pela manutenção do julgamento anterior." (fls. 213-216, e-STJ). 2. Trata-se de execução extinta pelo cancelamento administrativo do débito, com fulcro no art. 26 da LEF, após a apresentação de Exceção de Pré-Executividade. 3. Com efeito, "a jurisprudência desta Corte é uníssona no sentido de que, sobrevindo extinção da execução fiscal em razão do cancelamento da certidão de dívida ativa após a citação válida do executado, a Fazenda Pública deve responder pelos honorários advocatícios, em homenagem ao princípio da causalidade" (REsp n. 1.648.213/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 14/3/2017, DJe de 20/4/2017). 4. Em se tratando de extinção da execução com fundamento no disposto no art. 26 da LEF, em razão do cancelamento administrativo da CDA, e não da defesa propriamente dita, o entendimento do STJ é de que o precedente qualificado formado no julgamento do Tema Repetitivo 1.076/STJ, que analisou as regras do art. 85 do CPC/2015, não contempla a referida hipótese da Lei de Execução Fiscal, norma especial em relação às regras gerais do CPC/2015 - o que justifica a distinção. A propósito, confiram-se: AgInt no AgInt no AREsp n. 1.967.127/RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 1º/8/2022; AgInt no AREsp n. 1.398.106/SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 6/5/2020; REsp 1.795.760/SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 3/12/2019. 5. No mesmo sentido, citem-se monocráticas: REsp n. 1.801.584/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 21/9/2023; REsp n. 1.743.072/RS, Rel. Min. Sérgio Kukina, DJe 16/8/2023 e; REsp n. 2.088.094/TO, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 10/8/2023. 6. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.801.584/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 28/6/2024.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO. CANCELAMENTO ADMINISTRATIVO DA CDA. VERBA HONORÁRIA. APRECIAÇÃO EQUITATIVA. POSSIBILIDADE. PROVIMENTO NEGADO. 1. A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça possui a orientação de que a extinção da execução fiscal, pelo cancelamento administrativo da dívida ativa, como na espécie, enseja a fixação da verba honorária com fundamento no princípio da causalidade, a despeito da previsão do art. 26 da Lei 6.830/1980. Todavia, o juízo de equidade deve nortear seu arbitramento. Precedentes. 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AgInt no REsp n. 1.862.598/SC, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 10/6/2024, DJe de 17/6/2024.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. CANCELAMENTO DA CDA. EXECUÇÃO EXTINTA COM FUNDAMENTO NO ART. 26 DA LEF. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBÊNCIAIS. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. FIXAÇÃO PELO CRITÉRIO DA EQUIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. Trata-se de execução extinta pelo cancelamento administrativo do débito, com fulcro no art. 26 da LEF, após a apresentação de exceção de pré-executividade, tendo as instâncias ordinárias fixado os honorários advocatícios pelo critério equitativo, por força do princípio da causalidade. 3. Com efeito, "a jurisprudência desta Corte é uníssona no sentido de que, sobrevindo extinção da execução fiscal em razão do cancelamento da certidão de dívida ativa após a citação válida do executado, a Fazenda Pública deve responder pelos honorários advocatícios, em homenagem ao princípio da causalidade" (REsp n. 1.648.213/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 14/3/2017, DJe de 20/4/2017). 4. Em se tratando de extinção da execução com fundamento no disposto no art. 26 da LEF, em razão do cancelamento administrativo da CDA, e não da defesa propriamente dita, o entendimento desta Corte Superior é no sentido de que o precedente qualificado formado no julgamento do Tema Repetitivo n. 1.076/STJ, que analisou as regras do art. 85 do CPC/2015, não contempla a referida hipótese da Lei de Execução Fiscal, norma especial em relação às regras gerais do CPC/2015 - o que justifica a distinção. A propósito, confiram-se: AgInt no AgInt no AREsp n. 1.967.127/RJ, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 1º/8/2022; AgInt no AREsp n. 1.398.106/SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 6/5/2020; REsp n. 1.795.760/SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 3/12/2019. No mesmo sentido, citem-se as seguintes monocráticas: REsp n. 1.801.584/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 21/9/2023; REsp n. 2.086.582/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 18/8/2023; REsp n. 1.743.072/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, DJe 16/8/2023; REsp n. 2.088.094/TO, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 10/8/2023; REsp n. 2.092.464/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 28/9/2023. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.088.330/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 7/5/2024.) Assim, deve ser reformado o acórdão recorrido, Desse modo, merece reparo o acórdão recorrido, uma vez que "o entendimento desta Corte Superior é de que o precedente qualificado formado no julgamento do Tema Repetitivo 1.076/STJ, que analisou as regras do art. 85 do CPC/2015, não contempla a referida hipótese da Lei de Execução Fiscal, norma especial em relação às regras gerais do CPC/2015" (AgInt no REsp n. 2.099.891/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 27/11/2024, DJEN de 2/12/2024). Isso posto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, a, do RISTJ, conheço do agravo, para dar provimento ao recurso especial, e determinar o retorno dos autos para que o Tribunal de origem arbitre honorários de sucumbência com amparo no art. 85, §8º do Código de Processo Civil. Intimem-se. EMENTA