AREsp 2948836 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque a Corte de origem aplicou corretamente o entendimento consolidado pelo STJ no Tema 1.313, segundo o qual, em ações que buscam prestações de saúde, o proveito econômico é inestimável e os honorários sucumbenciais podem ser arbitrados por...
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- Parties
- Autor: Autor; Beneficiária De Honorários: Defensoria Pública Estadual; Réu/ente Público: Estado de Mato Grosso do Sul; Réu/ente Público: Município
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decidido: Agravo Conhecido Para Negar Provimento Ao Recurso Especial (decisão De Mérito No Agravo)
- Outcome
- Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Honorários De Sucumbência, Direito À Saúde, Prestações De Saúde Pelo SUS, Arbitramento Por Equidade, Recursos Repetitivos (tema 1.313)
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Parties
Autor
Autor
Defensoria Pública Estadual
Beneficiária De Honorários
Estado de Mato Grosso do Sul
Réu/ente Público
Município
Réu/ente Público
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decidido: Agravo Conhecido Para Negar Provimento Ao Recurso Especial (decisão De Mérito No Agravo)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do recurso especial face aos requisitos do CPC/2015 e à Súmula 83 do STJ
- 2 Se, em demandas que pleiteiam prestações de saúde, os honorários advocatícios devem ser fixados por apreciação equitativa (art.85, §8º CPC) ou com base no valor da causa/da prestação (art.85, §§2º,3º,4º,III)
- 3 Aplicação da tese consolidada no Tema 1.313 do STJ e eventual incidência do §8º-A do art.85 do CPC
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque a Corte de origem aplicou corretamente o entendimento consolidado pelo STJ no Tema 1.313, segundo o qual, em ações que buscam prestações de saúde, o proveito econômico é inestimável e os honorários sucumbenciais podem ser arbitrados por apreciação equitativa com fundamento no art.85, §8º do CPC, não incidindo o §8º-A do mesmo artigo nas demandas de saúde, e por isso manteve-se a fixação equitativa dos honorários em favor da Defensoria Pública e sua responsabilidade solidária pelos entes públicos.
Court Disposition
Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial
Orders
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra decisão da Corte de origem que não admitiu o recurso especial em razão da incidência da Súmula 83 do STJ. O apelo nobre obstado enfrenta acórdão, assim ementado (fl. 946): APELAÇÃO CÍVEL EM AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER - IDOSO/NECESSIDADE COMPROVADA PARA REALIZAÇÃO DE CIRURGIA DE ARTROPLASTIA TOTAL DO QUADRIL ESQUERDO - DIREITO À SAÚDE - DEVER DO ESTADO GARANTIR O MÍNIMO EXISTENCIAL - RESERVA DO POSSÍVEL - PREVALÊNCIA DO EFETIVO CUMPRIMENTO AO PRINCÍPIO DA DIGNIDADE HUMANA. COMPETÊNCIA PARA REALIZAÇÃO DA CIRURGIA - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ENTES PÚBLICOS - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS EM FAVOR DA DEFENSORIA PÚBLICA ESTADUAL - DEVIDOS PELO ESTADO - FIXAÇÃO POR EQUIDADE - POSSIBILIDADE - RECURSO PARCIAL PROVIDOS - I - A saúde é direito de todos e dever do Estado (União, Estados-Membros e Municípios, de forma solidária), o qual deverá garantir aos indivíduos a efetiva prestação de serviços mínimos para uma vida digna. - II- No caso destes autos é evidente que a não concessão da cirurgia pretendia é uma ofensa escancarada ao direito à vida, à saúde e à dignidade da pessoa humana, sobretudo quando se trata de cidadãos hipossuficientes com prioridade legal que os acoberta como é o caso destes autos. III- Os honorários advocatícios devidos à Defensoria Pública Estadual devem ser também arcados pelo Estado de Mato Grosso do Sul e Município de forma solidária, conforme disposição do tema 1002 do STF - Tratando-se de ação cujo valor se revela inestimável, além de monetariamente imensurável, já que se diz respeito ao bem da vida - saúde - que não se confunde com o montante total do tratamento postulado, parâmetro geralmente utilizado para a fixação do valor da causa, motivo por que plenamente viável se estipular a verba honorária de forma equitativa, nos termos do § 8º do art. 85 do CPC, não se mostrando razoável utilizar o valor da causa como parâmetro para o arbitramento de honorários, uma vez que a obrigação de realização da cirurgia não se pode mensurar. IV - Recurso provido apenas para conceder imediata cirurgia ao autor. Embargos de declaração rejeitados. No recurso especial o recorrente alega violação do artigo 1.022, inciso II, do CPC/2015, ao argumento de que a Corte local não se manifestou a respeito de pontos importantes ao deslinde da controvérsia. Quanto à questão de fundo, sustenta ofensa aos artigos 6º-A, 11, 85, §§ 2º, 3º, 4º, inciso III, e 292, do CPC/2015, sob o argumento de que, na hipótese, não há falar em benefício econômico inestimável em demanda que se pleiteia prestações em saúde, devendo a fixação dos honorários advocatícios se basear no valor da causa. Com contrarrazões. Neste agravo afirma que seu recurso especial satisfaz os requisitos de admissibilidade e que não se encontram presentes os óbices apontados na decisão agravada. É o relatório. Decido. Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. Tendo a parte insurgente impugnado os fundamentos da decisão agravada, passo ao exame do recurso especial. A Corte de origem assim resolveu a controvérsia (fl. 956): É certo que o Superior Tribunal de Justiça ao fixar o Tema 1.076 estabeleceu os seguintes parâmetros: "i) A fixação dos honorários por apreciação equitativa não é permitida quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem elevados. É obrigatória nesses casos a observância dos percentuais previstos nos §§ 2º ou 3º do artigo 85 do CPC - a depender da presença da Fazenda Pública na lide -, os quais serão subsequentemente calculados sobre o valor: (a) da condenação; ou (b) do proveito econômico obtido; ou (c) do valor atualizado da causa.. Importante ressaltar que existe uma distinção, na medida em que, a despeito da condenação certa, está em discussão o direito à saúde/vida, o que não se confunde com os custos do procedimento médico. Cumpre consignar que não se trata de desmerecimento do trabalho profissional realizado pelo patrono da parte autora, mas de compatibilização com os princípios de direito, a fim de assegurar a Justiça da decisão. Deste modo, a verba destinada à Defensoria Pública deve ser pautada no § 8º do art. 85 do CPC, como constou-se na sentença, porquanto não se tem como valorar o efetivo proveito econômico obtido, tampouco possível considerar o valor dado à causa para tanto, já que foi atribuído o valor correspondente aos custos do procedimento cirúrgico. Nesse sentido, aliás, os recentes posicionamentos do Superior Tribunal de Justiça de que "Nas ações em que se busca o fornecimento de medicação gratuita e de forma contínua pelo Estado, para fins de tratamento de saúde, o Superior Tribunal de Justiça tem admitido o arbitramento dos honorários de sucumbência por apreciação equitativa, tendo em vista que o proveito econômico obtido, em regra, é inestimável" (AgInt no AREsp n. 1.923.626/SP, relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do Trf5), Primeira Turma, julgado em 27/6/2022, DJe de 30/6/2022.) Desta feita, plenamente viável se estipular a verba honorária de forma equitativa, nos termos do § 8º do art. 85 do CPC, não se mostrando razoável utilizar o valor da causa como parâmetro para o arbitramento de honorários, uma vez que a obrigação de realização da cirurgia não se pode mensurar., devendo os honorários advocatícios aplicados na sentença serem invertidos em favor da Defensoria cujo pagamento será de forma solidária pelos entes públicos (50% para cada ente), conforme fixados em R$ 2.000,00 (dois mil reais) na origem. Evidencia-se que o entendimento firmado pela Corte de origem se filia a recente orientação jurisprudencial firmada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (Tema n. 1.313), no sentido de que, nas demandas em que se pleiteia do Poder Público a satisfação do direito à saúde, os honorários advocatícios são fixados por apreciação equitativa, sem aplicação do art. 85, § 8º-A, do CPC/2015. A propósito: Administrativo e processo civil. Tema 1.313. Recurso especial representativo de controvérsia. Honorários sucumbenciais. Sistema Único de Saúde - SUS e Assistência à saúde de servidores. Prestações em saúde - obrigações de fazer e de dar coisa. Arbitramento com base no valor da prestação, do valor atualizado da causa ou por equidade. I. Caso em exame 1. Tema 1.313: recursos especiais (REsp ns. 2.166.690 e 2.169.102) afetados ao rito dos recursos repetitivos, para dirimir controvérsia relativa ao arbitramento de honorários advocatícios de sucumbência em decisões que ordenam o fornecimento de prestações de saúde no âmbito do SUS. II. Questão em discussão 2. Saber se, nas demandas em que se pleiteia do Poder Público o fornecimento de prestações em saúde, os honorários advocatícios devem ser fixados com base no valor da prestação ou do valor atualizado da causa (art. 85, §§ 2º, 3º e 4º, III, CPC), ou arbitrados por apreciação equitativa (art. 85, parágrafo 8º, do CPC). III. Razões de decidir 3. Não é cabível o arbitramento com base no valor do procedimento, medicamento ou tecnologia. A prestação em saúde não se transfere ao patrimônio do autor, de modo que o objeto da prestação não pode ser considerado valor da condenação ou proveito econômico obtido. Dispõe a Constituição Federal que a "saúde é direito de todos e dever do Estado" (art. 196). A ordem judicial concretiza esse dever estatal, individualizando a norma constitucional. A terapêutica é personalíssima - não pode ser alienada, a título singular ou mortis causa. 4. O § 8º do art. 85 do CPC dispõe que, nas causas de valor inestimável, os honorários serão fixados por apreciação equitativa. É o caso das prestações em saúde. A equidade é um critério subsidiário de arbitramento de honorários. Toda a causa tem valor - é obrigatório atribuir valor certo à causa (art. 291 do CPC) -, o qual poderia servir como base ao arbitramento. Os méritos da equidade residem em corrigir o arbitramento muito baixo ou excessivo e em permitir uma padronização, especialmente nas demandas repetitivas. 5. O § 6º-A do art. 85 do CPC impede o uso da equidade, "salvo nas hipóteses expressamente previstas no § 8º deste artigo". Como estamos diante de caso de aplicação do § 8º, essa vedação não se aplica. 6. O § 8º-A, por sua vez, estabelece patamares mínimos para a fixação de honorários advocatícios por equidade. A interpretação do dispositivo em questão permite concluir que ele não incide nas demandas de saúde contra o Poder Público. O arbitramento de honorários sobre o valor prejudicaria o acesso à jurisdição e a oneraria o Estado em área na qual os recursos já são insuficientes. IV. Dispositivo e tese 7. Tese: Nas demandas em que se pleiteia do Poder Público a satisfação do direito à saúde, os honorários advocatícios são fixados por apreciação equitativa, sem aplicação do art. 85, § 8º-A, do CPC. 8. Caso concreto: negado provimento ao recurso especial. (REsp n. 2.166.690/RN, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Primeira Seção, julgado em 11/6/2025, DJEN de 16/6/2025.) Ante o exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO PARA FORNECIMENTO DE PRESTAÇÃO DE SAÚDE. HONORÁRIOS FIXADOS POR EQUIDADE. POSSIBILIDADE: TESE FIRMADA EM REPETITIVOS NO TEMA 1313. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.