AREsp 2959481 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque havia deficiência de fundamentação por ausência de comando normativo específico do dispositivo apontado (incidência da Súmula 284/STF), além de que o acórdão recorrido assentou fundamento autônomo e suficiente (entendimento de que os honorários...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: RAINHA SUPERMERCADOS LTDA; Agravado: Município do Rio de Janeiro (MRJ)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo; não conheço do Recurso Especial
- Legal Topics
- Honorários De Sucumbência, Ilegitimidade Ativa Para Cumprimento De Sentença, Prequestionamento, Dissídio Jurisprudencial, Súmula 284 STF, Súmula 283 STF
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
RAINHA SUPERMERCADOS LTDA
Agravante
Município do Rio de Janeiro (MRJ)
Agravado
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se o Município (MRJ) é parte legítima para promover o cumprimento de sentença referente aos honorários de sucumbência
- 2 Aplicação do art. 85, §14, do CPC quanto à titularidade dos honorários de sucumbência
- 3 Incidência das Súmulas 284 e 283 do STF quanto à admissibilidade do recurso e ataque a fundamentos autônomos
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque havia deficiência de fundamentação por ausência de comando normativo específico do dispositivo apontado (incidência da Súmula 284/STF), além de que o acórdão recorrido assentou fundamento autônomo e suficiente (entendimento de que os honorários integram o patrimônio público) não impugnado pela parte (incidência da Súmula 283/STF), e não restou demonstrado prequestionamento e divergência jurisprudencial admissível em recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo; não conheço do Recurso Especial
Orders
- Conheço do agravo
- Não conheço do Recurso Especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por RAINHA SUPERMERCADOS LTDA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. EMBARGOS EXTINTOS EM RAZÃO DA EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO FISCAL PELO PAGAMENTO, COM A CONDENAÇÃO DA EMBARGANTE AO PAGAMENTO DE HONORÁRIOS. INSURGÊNCIA DA EMBARGANTE CONTRA A EXECUÇÃO DE HONORÁRIOS PELO MUNICÍPIO AO FUNDAMENTO DE ILEGITIMIDADE DO ENTE. O ARTIGO 85, §14, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, DISPÕE QUE, EM REGRA, OS HONORÁRIOS SÃO DEVIDOS AO ADVOGADO DA PARTE VENCEDORA E NÃO DIRETAMENTE À PARTE REPRESENTADA. ENTRETANTO, TAL DISPOSITIVO NÃO IMPEDE QUE A PARTE REPRESENTADA REQUEIRA O PAGAMENTO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DEVIDOS AO PATRONO. NO ESPECÍFICO CASO DOS ENTES PÚBLICOS, O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA JÁ MANIFESTOU O ENTENDIMENTO DE QUE "OS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA, QUANDO VENCEDORA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA DA UNIÃO, DOS ESTADOS, DO DISTRITO FEDERAL E DOS MUNICÍPIOS, OU AS AUTARQUIAS, AS FUNDAÇÕES INSTITUÍDAS PELO PODER PÚBLICO, AS EMPRESAS PÚBLICAS, OU AS SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA, NÃO CONSTITUEM DIREITO AUTÔNOMO DO PROCURADOR JUDICIAL, PORQUE INTEGRAM O PATRIMÔNIO PÚBLICO DA ENTIDADE" NÃO HÁ QUE SE FALAR EM ILEGITIMIDADE DO MUNICÍPIO PARA REQUERER O PAGAMENTO DOS HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA DEVIDOS PELA PARTE VENDIA. MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA QUE SE IMPÕE. DESPROVIMENTO DO RECURSO. Quanto à controvérsia, pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação e interpretação divergente aos arts. 17 e 18 do CPC, no que concerne à ilegitimidade do Município para o cumprimento de sentença referente aos honorários advocatícios de sucumbência, tendo em vista que a verba honorária não lhe pertence, sendo que o fundo orçamentário especial da PGMRJ possui personalidade jurídica própria, trazendo a seguinte argumentação: Tendo sido intimado da decisão interlocutória onde a juíza auxiliar Joana Cardia Jardim Cortes rejeitou a ilegitimidade do MRJ para postular honorários sucumbenciais que não lhe pertencem porque, supostamente, "o FOE não detém personalidade jurídica própria", em 06/11/2024 RAINHA interpôs agravo de instrumento visando anulá-la e extinguir o incidente processual de cumprimento de sentença porque, ao contrário do afirmado por aquela magistrada, o Fundo Orçamentário Especial da PGMRJ possui personalidade jurídica própria encontrando-se inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica sob o no 01/386.943/0001-67, como se constata no documento anexo (p. 5 do anexo ao e-TJ/RJ). Como se viu alhures, na petição em que instaurou indevidamente o incidente processual de cumprimento da sentença o próprio MRJ deixou estreme de dúvida: 1) que os honorários sucumbenciais não lhe pertencem e 2) que o Fundo Orçamentário Especial da PGMRJ possui personalidade jurídica própria ao indicar o número de sua inscrição no CNPJ. Faz-se mister salientar que o MRJ se encontra inscrito no CNPJ sob o no 42.498.733/0001-48 (p. 8 do anexo ao e-TJ/RJ). Demonstrado que o Fundo Orçamentário Especial da PGMRJ possui personalidade jurídica própria, o único fundamento utilizado pela juíza auxiliar Joana Cardia Jardim Cortes para deixar de reconhecer a ilegitimidade do MRJ não se sustentava. Assim, no agravo de instrumento o RAINHA requereu o provimento daquele recurso para que fosse reconhecida a ilegitimidade e a falta de interesse do MRJ para instaurar o incidente processual de cumprimento por ele indevidamente instaurado (fl. 81). Neste passo convém repetir que no CPC/1973 não havia dispositivo similar ao § 19 do art. 85 do CPC/2015 e, por isso, os honorários sucumbenciais pertenciam à União, aos Estados, aos Municípios e ao Distrito Federal, diversamente do que ocorre sob a égide do CPC/2015. Assim, sob a égide do CPC/1973 aquelas pessoas jurídicas de direito público podiam fazer compensação utilizando os valores fixados a título de honorários sucumbenciais, o que hodiernamente não é mais possível juridicamente porque os honorários advocatícios não lhes pertencem. Seja como for, ao se fundar em entendimento que só se justificava à luz do CPC/1973, no acórdão recorrido a 8a Câmara de Direito Público do TJ/RJ dissentiu do entendimento do Plenário do STF no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário com Agravo 1.464.986/RS em julgamento realizado no dia 21/02/2024 onde consta que "os honorários de sucumbência fixados na sentença favorável ao ente público pertence a seus advogados ou procuradores, consistindo verba autônoma e destacada de eventual direito material do ente representado", como constata no acórdão ora anexado em observância à exigência estabelecida no § 1o do art. 1.029 do CPC (Doc. 2). .. Os trechos destacados em negrito no quadro retro deixam estreme de dúvida que no acórdão recorrido, exarado em 30/01/2024, a 8a Câmara de Direito Público divergiu do entendimento expendido pelo Plenário do STF Agravo Regimental no Recurso Extraordinário com Agravo 1.464.986/RS em julgamento realizado no dia 21/02/2024. Não sendo o Município do Rio de Janeiro titular dos honorários sucumbenciais, ao considerá-lo equivocadamente parte legítima para promover a execução por quantia certa contra o RAINHA a 8a Câmara de Direito Público vulnerou também frontalmente o disposto no art. 17 e no caput do art. 18 do CPC abaixo transcritos (fls. 86-88). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, incide a Súmula n. 284/STF devido à ausência de comando normativo do(s) dispositivo(s) apontado(s) como violado(s) para sustentar a tese recursal, o que atrai, por conseguinte, o referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Segundo a jurisprudência do STJ, o óbice de ausência de comando normativo do artigo de lei federal apontado como violado ou como objeto de divergência jurisprudencial incide nas seguintes situações: quando não tem correlação com a controvérsia recursal, por versar sobre tema diverso; e quando sua indicação não é apta, por si só, para sustentar a tese recursal, seja porque o dispositivo legal tem caráter genérico, seja porque, embora consigne em seu texto comando específico, exigiria a combinação com outros dispositivo legais. Ressalte-se, por oportuno, que a indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, pois a ofensa aos seus desdobramentos também deve ser indicada expressamente. Nesse sentido, já decidiu o STJ que quando "o dispositivo legal indicado como malferido não tem comando normativo suficiente para infirmar os fundamentos do acórdão recorrido, tampouco para sustentar a tese defendida pelo recorrente, o que configura deficiência de fundamentação do recurso especial, atraindo, por analogia, o óbice da Súmula nº 284/STF" (AgInt no AREsp n. 2.586.505/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 26/8/2024, DJe de 29/8/2024). Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 2.136.718/PR, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 19/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.706.055/DF, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 5/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.670.085/RS, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Terceira Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no REsp n. 2.084.597/SC, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 27/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.520.394/RS, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJEN de 19/2/2025; AgInt no REsp n. 1.885.160/MG, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/12/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.394.457/BA, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJEN de 12/12/2024; AgRg no AREsp n. 1.245.830/MG, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 9/12/2024; AREsp n. 2.320.500/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 3/12/2024; AgRg no REsp n. 1.994.077/SE, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 29/11/2024; AgRg no AREsp n. 2.600.425/SC, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 28/8/2024; REsp n. 2.030.087/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 28/8/2024; AgInt no AgInt no AREsp n. 2.426.943/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 14/8/2024. Ademais, incide a Súmula n. 283/STF, porquanto a parte deixou de atacar fundamento autônomo e suficiente para manter o julgado, qual seja: E, no específico caso dos Entes Públicos, o Superior Tribunal de Justiça já manifestou o entendimento de que "os honorários advocatícios de sucumbência, quando vencedora a Administração Pública direta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, ou as Autarquias, as Fundações instituídas pelo Poder Público, as Empresas Públicas, ou as Sociedades de Economia Mista, não constituem direito autônomo do Procurador judicial, porque integram o patrimônio público da entidade": .. (fls. 64-65, grifo meu). Nesse sentido: "Incide a Súmula n. 283 do STF, aplicável analogicamente a esta Corte Superior, quando o acórdão recorrido é assentado em mais de um fundamento suficiente para manter a conclusão do Tribunal a quo e a parte não impugna todos eles" (REsp n. 2.082.894/RJ, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 28/8/2023). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 2.267.385/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025; REsp n. 2.180.608/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 18/3/2025, DJEN de 21/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.470.308/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 21/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.040.000/RJ, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 3/10/2024; AgInt no AREsp n. 638.541/MA, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 24/11/2023. Além disso, não houve o prequestionamento da tese recursal, porquanto a questão postulada não foi examinada pela Corte a quo sob o viés pretendido pela parte recorrente no sentido de que o fundo orçamentário especial da PGMRJ possui personalidade jurídica própria. Nesse sentido: "Não há prequestionamento da tese recursal quando a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente" (AgInt no AREsp n. 1.946.228/DF, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 28/4/2022). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 2.023.510/GO, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 29/2/2024; AgRg no AREsp n. 2.354.290/ES, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/2/2024; AgInt no AREsp 1.514.978/SC, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/5/2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19.9.2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4/5/2018. Ainda, não foi comprovada a divergência jurisprudencial, tendo em vista que não é possível invocar, em sede de recurso especial, dissídio com julgados do Supremo Tribunal Federal. Confiram-se os seguintes precedentes: ;AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.650.082/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 5/3/2025; AREsp n. 2.119.933/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 26/4/2024; AgInt no REsp n. 2.038.687/CE, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 14/3/2024; AgInt no AREsp n. 2.304.333/RJ, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 7/12/2023; AgInt no REsp n. 1.957.278/DF, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 20/9/2023; AgRg no REsp 1.210.998/MS, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 15/9/2015; AgInt no AREsp 903.411/RJ, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 6/2/2017; e AgInt no REsp 1.604.133/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe de 31/8/2016. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA