REsp 2123450 - DECISAO
O aresto recorrido diverge da jurisprudência consolidada deste STJ (Tema 1.044/REsp 1.823.402), pelo que deu-se provimento ao Recurso Especial para reconhecer que, em ação acidentária na qual a autora sucumbe e é beneficiária da isenção de ônus sucumbenciais, o ônus definitivo pelo pagamento dos honorários periciais...
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- Parties
- Recorrente: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS; Autora: autora; Estado: Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 May 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática Em Recurso Especial
- Outcome
- Dou provimento ao Recurso Especial.
- Legal Topics
- Honorários Periciais, Gratuidade De Justiça, Sucumbência, Ressarcimento, Temas Repetitivos (tema 1.044/stj)
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Parties
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Recorrente
autora
Autora
Estado de São Paulo
Estado
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Responsabilidade pelo pagamento definitivo dos honorários periciais adiantados pelo INSS em ações acidentárias em que a parte autora, sucumbente, é beneficiária da isenção de ônus sucumbenciais (art.129, par. único, Lei 8.213/91)
- 2 Forma processual de cobrança do ressarcimento (mesmos autos ou ação própria)
- 3 Aplicação da jurisprudência do STJ (Tema 1.044) e compatibilização com dispositivos do CPC
Ratio Decidendi
O aresto recorrido diverge da jurisprudência consolidada deste STJ (Tema 1.044/REsp 1.823.402), pelo que deu-se provimento ao Recurso Especial para reconhecer que, em ação acidentária na qual a autora sucumbe e é beneficiária da isenção de ônus sucumbenciais, o ônus definitivo pelo pagamento dos honorários periciais adiantados pelo INSS é do Estado de São Paulo, e a cobrança deve ser promovida nos mesmos autos, em observância ao art.95, §3º do CPC e à tese firmada pelo STJ.
Court Disposition
Dou provimento ao Recurso Especial.
Orders
- Dou provimento ao Recurso Especial.
- Determinar que o ônus definitivo pelo pagamento dos honorários periciais adiantados pelo INSS recaia sobre o Estado de São Paulo.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão cuja ementa é a seguinte (fl. 237, e-STJ): ACIDENTÁRIA - Ajudante geral - LER/DORT em membros superiores - Exame pericial que concluiu pela ausência de incapacidade laborativa e de liame ocupacional - Laudo não contrariado por nenhum outro trabalho técnico sob o crivo do contraditório - Cerceamento de defesa não configurado - Improcedência mantida - Responsabilização do Estado de São Paulo pelo pagamento dos honorários periciais adiantados pelo INSS, em consonância com a tese firmada pelo STJ quanto ao Tema nº 1.044 - Ressarcimento que, porém, deverá ser postulado em ação própria - Apelo da autora e recurso autárquico desprovidos, este último com observação. Os Embargos de Declaração foram rejeitados (fls. 252-255, e-STJ). O recorrente sustenta que ocorreu violação dos arts. 82, § 2º, 95, § 3º, 515, I, e 927, III, do CPC. Aduz (fls. 261-262, e-STJ) : Ao julgar o recurso, o órgão fracionário do E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo afastou a pretensão do INSS de efetuar a cobrança nos próprios autos dos honorários periciais adiantados, após o julgamento de improcedência do pedido, pois entendeu ser necessário o ajuizamento de ação própria, contra o Estado-membro, para pleitear tal restituição. A autarquia, então, apresentou embargos de declaração a fim de prequestionar os dispositivos legais violados. Os declaratórios foram rejeitados, tendo os julgadores firmado posição no sentido de que a devolução do valor adiantado a título de honorário periciais deverá ser pleiteada em ação autônoma, uma vez que o Estado de São Paulo não participou da presente lide. Apontaram que o artigo 515, I, do CPC e o julgamento do Tema 889/STJ não se aplicam ao caso concreto já que se destinariam aos sujeitos da relação processual. Tem-se, portanto, que o tribunal "a quo" negou vigência ao disposto nos artigos 82, § 2º, 95, § 3º, 515, inciso I, e 927, inciso III. do Código de Processo Civil. Sem contrarrazões. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 08.03.2024. Em estrita conformidade com a Súmula 568/STJ e lastreado na análise sistemática dos arts. 1º ao 12 e 932 do CPC, bem como do art. 34, XVIII, do RI/STJ, verifico que a presente controvérsia pode ser decidida monocraticamente. Tal procedimento alinha-se aos princípios da celeridade processual e da vinculação aos precedentes judiciais, conforme preconizado na legislação processual civil em vigor. Ressalto que a decisão monocrática está sujeita ao mecanismo de controle colegiado por meio da interposição de Agravo Interno, tal como prescrito no art. 1.021 do CPC, em observância ao princípio da colegialidade. No julgamento do Recurso Especial 1.823.402/PR, apreciado em regime de Recursos Repetitivos sob o Tema 1.044 do STJ, a Primeira Seção desta Corte Superior consolidou a orientação de que, em Ações de Acidente do Trabalho, os honorários periciais adiantados pelo INSS devem ser considerados como despesa a cargo do Estado nas hipóteses em que for sucumbente a parte autora, beneficiária da isenção de custas processuais conforme o disposto no parágrafo único do art. 129 da Lei 8.213/1991. Segue a ementa do julgado: PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA DE NATUREZA REPETITIVA. AÇÃO ACIDENTÁRIA EM QUE A PARTE AUTORA, BENEFICIÁRIA DE GRATUIDADE DA JUSTIÇA, NA FORMA DE ISENÇÃO, É SUCUMBENTE. ISENÇÃO DE ÔNUS SUCUMBENCIAIS DO ART. 129, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI 8.213/91. CUSTEIO DE HONORÁRIOS PERICIAIS, ADIANTADOS PELO INSS. ART. 8º, § 2º, DA LEI 8.620/93. RESPONSABILIDADE DO ESTADO. DEVER CONSTITUCIONAL DE PRESTAR ASSISTÊNCIA JURÍDICA AOS HIPOSSUFICIENTES. PRECEDENTES DO STJ. TESE FIRMADA SOB O RITO DOS RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS. ART. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. I. Recurso Especial interposto contra acórdão publicado na vigência do CPC/2015, aplicando-se, no caso, o Enunciado Administrativo 3/2016, do STJ, aprovado na sessão plenária de 09/03/2016 ("Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC"). II. Trata-se, na origem, de ação ajuizada por segurado contra o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, objetivando o restabelecimento de auxílio-doença, decorrente de acidente de trabalho, ou, alternativamente, a concessão de auxílio-acidente. III. O Juízo de 1º Grau, após deferir o benefício da gratuidade da justiça, sob a forma de isenção de ônus sucumbenciais, prevista no art. 129, parágrafo único, da Lei 8.213/91, julgou improcedente o pedido e dispensou a parte autora de tais ônus, na forma do mencionado dispositivo legal. O INSS apelou e o Tribunal de origem manteve a sentença, ao fundamento de que a situação dos presentes autos é diversa daquela em que a parte autora litiga sob o pálio da Lei 1.060/50, hipótese em que, se vencida, caberá ao Estado o ressarcimento das despesas relativas ao processo, incluindo os honorários periciais, pois tem ele o dever constitucional de prestar assistência judiciária aos hipossuficientes. Destacou que, no caso, trata-se de ação de acidente do trabalho, julgada improcedente, incidindo, em favor da parte autora, a isenção dos ônus sucumbenciais prevista no art. 129, parágrafo único, da Lei. 8.213/91, pelo que será de responsabilidade exclusiva do INSS o pagamento dos honorários periciais, independentemente de sua sucumbência. Concluiu que o Estado não tem o dever de ressarcir o INSS pelos honorários periciais que antecipou, por ausência de previsão legal. IV. No Recurso Especial sustenta o INSS violação aos arts. 8º, § 2º, da Lei 8.620/93, 1º da Lei 1.060/50, 15 e 16 da Lei Complementar 101/2000, para concluir que, sendo sucumbente o autor da ação acidentária, beneficiário da gratuidade de justiça, sob a forma de isenção de ônus sucumbenciais de que trata o art. 129, parágrafo único, da Lei 8.213/91, deve a autarquia ser ressarcida, da despesa de honorários periciais que antecipara, pelo Estado, que é responsável constitucionalmente pela assistência jurídica aos necessitados. V. A controvérsia ora em apreciação cinge-se em definir a quem cabe a responsabilidade pelo custeio, em definitivo, de honorários periciais antecipados pelo INSS, na forma do art. 8º, § 2º, da Lei 8.620/93, nas ações de acidente do trabalho em curso na Justiça dos Estados e do Distrito Federal, nas quais a parte autora, sucumbente, é beneficiária da gratuidade de justiça, por força da isenção de custas e de verbas de sucumbência, prevista no art. 129, parágrafo único, da Lei 8.213/91. VI. Nas causas acidentárias, de competência da Justiça dos Estados e do Distrito Federal, o procedimento judicial, para o autor da ação, é isento do pagamento de quaisquer custas e de verbas relativas à sucumbência, conforme a regra do art. 129, parágrafo único, da Lei 8.213/91. Em tais demandas o art. 8º, § 2º, da Lei 8.620/93 estabeleceu norma especial, em relação ao CPC/2015, determinando, ao INSS, a antecipação dos honorários periciais. VII. A exegese do art. 129, parágrafo único, da Lei 8.213/91 - que presumiu a hipossuficiência do autor da ação acidentária - não pode conduzir à conclusão de que o INSS, que, por força do art. 8º, § 2º, da Lei 8.620/93, antecipara os honorários periciais, seja responsável, em definitivo, pelo seu custeio, ainda que vencedor na demanda, em face do disposto no art. 82, § 2º, do CPC/2015, que, tal qual o art. 20, caput, do CPC/73, impõe, ao vencido, a obrigação de pagar, ao vencedor, as despesas que antecipou. VIII. Entretanto, como, no caso, o autor da ação acidentária, sucumbente, é beneficiário de gratuidade de justiça, sob a forma de isenção de ônus sucumbenciais de que trata o art. 129, parágrafo único, da Lei 8.213/91 - que inclui o pagamento de honorários periciais -, a jurisprudência do STJ orientou-se no sentido de que, também nessa hipótese, tal ônus recai sobre o Estado, ante a sua obrigação constitucional de garantir assistência jurídica integral e gratuita aos hipossuficientes, como determina o art. 5º, LXXIV, da CF/88. IX. O acórdão recorrido sustenta a diferença entre a assistência judiciária - prevista na Lei 1.060/50 e nos arts. 98 a 102 do CPC/2015 - e a gratuidade de justiça, sob a forma de isenção de ônus sucumbenciais, sobre a qual dispõe o art. 129, parágrafo único, da Lei 8.213/91, concluindo que, na última hipótese, o Estado não pode ser responsabilizado pelo custeio definitivo dos honorários periciais, à míngua de previsão legal, recaindo tal ônus sobre o INSS, ainda que vencedor na demanda. X. Contudo, interpretando o referido art. 129, parágrafo único, da Lei 8.213/91, quando sucumbente o autor da ação acidentária, firmou-se "a jurisprudência do STJ (..) no sentido de que o ônus de arcar com honorários periciais, na hipótese em que a sucumbência recai sobre o beneficiário da assistência judiciária gratuita ou de isenção legal, como no caso dos autos, deve ser imputado ao Estado, que tem o dever constitucional de prestar assistência judiciária aos hipossuficientes" (STJ, AgInt no REsp 1.666.788/SC, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, DJe de 13/05/2019). No mesmo sentido: STJ, AgInt no REsp 1.720.380/SC, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 07/08/2018; REsp 1.790.045/PR, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 08/08/2019; REsp 1.782.117/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 29/05/2019; AgInt no REsp 1.678.991/SC, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 05/12/2017. XI. Tese jurídica firmada: "Nas ações de acidente do trabalho, os honorários periciais, adiantados pelo INSS, constituirão despesa a cargo do Estado, nos casos em que sucumbente a parte autora, beneficiária da isenção de ônus sucumbenciais, prevista no parágrafo único do art. 129 da Lei 8.213/91." XII. Recurso Especial conhecido e provido, para determinar que cabe ao Estado do Paraná o pagamento, em definitivo, de despesa de honorários periciais adiantados pelo INSS, em ação de acidente do trabalho na qual o autor, sucumbente, é beneficiário da gratuidade de justiça, sob a forma de isenção de ônus sucumbenciais, prevista no art. 129, parágrafo único, da Lei 8.213/91. XIII. Recurso julgado sob a sistemática dos recursos especiais representativos de controvérsia (art. 1.036 e seguintes do CPC/2005 e art. 256-N e seguintes do RISTJ). (REsp 1.823.402/PR, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Primeira Seção, DJe de 25/10/2021.) Não se justifica a exigência de que a restituição dos referidos honorários seja realizada em autos autônomos, sendo mais adequado que ocorra nos mesmos autos, em observância ao princípio da celeridade processual. Nesse contexto, constato que o aresto recorrido diverge da diretriz atualmente adotada pelo Superior Tribunal de Justiça acerca dessa matéria. Portanto, é imperioso o provimento do Recurso Especial a fim de determinar que o ônus definitivo pelo pagamento dos honorários periciais adiantados, a serem cobrados nos mesmos autos, recaia sobre o Estado de São Paulo - o que encontra respaldo no Tema 1.044 do STJ e é reforçado pelo art. 95, § 3º do Código de Processo Civil, o qual dispõe que, quando o sucumbente é beneficiário da gratuidade de justiça, a responsabilidade pelo custeio dos honorários periciais é do Estado-membro . Esse posicionamento visa assegurar a observância ao princípio da sucumbência e ao que foi firmado pelo STJ nos temas repetitivos acima mencionados. Diante do exposto, nos termos do art. 255, § 4º, III, do RI/STJ e da Súmula 568/STJ, dou provimento ao Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA