AREsp 2531618 - DECISAO
Conheceu-se em parte do agravo para, quanto ao mérito da admissibilidade, declarar inviável o conhecimento do recurso especial porque a negativa de seguimento relativa ao cabimento do agravo de instrumento implica que o recurso adequado seria o agravo interno (art. 1.030, §2º, CPC), tornando inviável a análise pelo...
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- Parties
- Agravante/recorrente: IRMÃOS BERNAL LTDA.; Órgão Julgador Recorrido: TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 July 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Parcial Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial (decisão De Mérito Sobre Admissibilidade)
- Outcome
- Conheço em parte do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Honorários Periciais, Cabimento De Agravo De Instrumento, Agravo Interno (art. 1.030 Cpc), Preclusão, Prequestionamento, Súmula 7 STJ, Súmula 282 STF, Súmula 284 STF
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Parties
IRMÃOS BERNAL LTDA.
Agravante/recorrente
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO
Órgão Julgador Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Parcial Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial (decisão De Mérito Sobre Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 cabimento do agravo de instrumento contra intimação para depósito de honorários periciais (art. 1.015 CPC)
- 2 adequação do agravo em recurso especial quando o aresto recorrido está em consonância com tese repetitiva (art. 1.030, §2º, CPC)
- 3 possibilidade de redução dos honorários periciais (art. 465, §3º, CPC/2015)
Ratio Decidendi
Conheceu-se em parte do agravo para, quanto ao mérito da admissibilidade, declarar inviável o conhecimento do recurso especial porque a negativa de seguimento relativa ao cabimento do agravo de instrumento implica que o recurso adequado seria o agravo interno (art. 1.030, §2º, CPC), tornando inviável a análise pelo STJ; quanto à alegação de violação do art. 465, §3º, do CPC/2015 não houve prequestionamento pelo tribunal de origem, razão pela qual a matéria não pode ser conhecida (Súmula 282 STF); a alegação sobre substituição de perito careceu de indicação de dispositivo afrontado, atraindo a Súmula 284 do STF; e matérias que demandariam reexame probatório foram obstaridas pela Súmula 7...
Court Disposition
Conheço em parte do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por IRMÃOS BERNAL LTDA. contra decisão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO, que não admitiu recurso especial, fundado na alínea "a" do permissivo constitucional, o qual desafia acórdão assim ementado (e-STJ fl. 583): ADMINISTRATIVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. HONORÁRIOS PERICIAIS. ADIANTAMENTO. ART. 1.015 DO CPC. TAXATIVIDADE MITIGADA. 1. Não há, no art. 1.015 do CPC, previsão de cabimento do agravo de instrumento contra intimação para depósito de honorários periciais, devendo a insurgência da parte ser veiculada como preliminar de apelação, visto que a questão não será atingida pela preclusão, nos termos do art. 1.009, § 1º, do CPC. 2. No caso, não se conhece do recurso, tendo em vista que a parte interpõe agravo de instrumento de decisão que indefere pedido de redução dos honorários periciais. No recurso especial obstaculizado, a parte recorrente apontou violação do art. 465, § 3º, do Código de Processo Civil de 2015, sustentando que a proposta de honorários indicada pelo perito é desproporcional, devendo ser reduzida a valor condizente com a realidade do caso. Aduz, ainda, que não houve manifestação quanto à substituição do perito, inclusive requerida pelo próprio especialista inicialmente nomeado. Sem contrarrazões (e-STJ fl. 615). O Tribunal de origem negou seguimento ao recurso especial, quanto ao cabimento de agravo de instrumento, por entender que o julgado recorrido está em consonância com a tese do Tema 988 do STJ, e inadmitiu-o em relação às demais questões com fundamento na Súmula 7 do STJ (e-STJ fls. 620/622). Agravo em recurso especial em que sustentada a adequação do recurso especial ao tema em recurso repetitivo e não incidência do óbice sumular (e-STJ fls. 633/639). Parecer ministerial às e-STJ fls. 657/661. Passo a decidir. Inicialmente, cumpre observar que, negado seguimento ao apelo nobre, quanto ao cabimento do agravo de instrumento, com base no art. 1.030, I, "b", do CPC/2015, revela-se inviável a análise da temática pelo STJ, pois o recurso cabível, na hipótese, é o agravo interno para o Tribunal de origem. Confiram-se: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. ISS. DECADÊNCIA PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º, DO CTN. PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS. NATUREZA. NECESSIDADE DE EXAME DO CONJUNTO PROBATÓRIO. SUMULA N. 7/STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. MATÉRIA ANALISADA DE ACORDO COM O JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO, TEMA 1.076. PARCELA DO RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PRECLUSÃO QUANTO À PARCELA RELATIVA AO TEMA REPETITIVO. ART. 1.022 DO CPC. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. I - Conforme o art. 1.030, § 2º, do CPC/2015, o recurso cabível contra a decisão que nega seguimento ao recurso especial, por estar o aresto recorrido em harmonia com julgado repetitivo, é o agravo interno. A interposição do agravo em recurso especial torna a questão preclusa, sendo indevida a sua análise no recurso, conjuntamente com as outras parcelas que foram inadmitidos pela mesma decisão do Tribunal a quo. Precedentes: AgInt no AREsp n. 2.453.037/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 15/4/2024, DJe de 17/4/2024 e AgInt no AREsp n. 2.468.652/RS, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 22/4/2024, DJe de 25/4/2024. II - Tendo o Tribunal a quo analisado a questão tida como omissa, remanesce o intento revisional dos embargos de declaração, sendo de rigor o afastamento da alegada omissão. III - O pagamento parcial do tributo, a despeito de ter sido feito no código que o contribuinte entendia correto, ou seja, o do item 17.10 da lista de Serviços da LCP n. 116/2003 e não o item 3.03 do referido diploma, sendo o entendimento do contribuinte depois confirmado como correto pelo Tribunal a quo, não desqualifica o pagamento parcial do tributo para a contagem do prazo decadencial, aplicável o art. 150, §4º, do CTN. Precedentes: AREsp n. 1.471.958/RS, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 18/5/2021, DJe de 24/5/2021 e AgInt no AREsp n. 1.425.553/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 7/5/2019, DJe de 14/5/2019. IV - No tocante à atividade prestada pela empresa, verifica-se que, para analisar a tese do município no sentido de que as atividades da empresa recorrida teriam natureza descrita no item 3.03 da lista de serviços da LC 116/2003, em vez daquelas do item 17.10, buscando rever a convicção do julgador que entendeu de forma contrária com base nos elementos fáticos constantes dos autos, seria impositivo reexaminar esses mesmos elementos do conjunto probatório, o que é vedado no âmbito do recurso especial. Incide na espécie a Súmula n. 7/STJ. V - Agravo conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa parte, negar-lhe provimento. (AREsp n. 2.513.667/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 11/6/2024, DJe de 14/6/2024.) PROCESSUAL CIVIL. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO NEGATIVO. TEMA JULGADO EM SEDE DE REPETITIVO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESCABIMENTO. PROVA PERICIAL INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. INVIABILIDADE. 1. Segundo a jurisprudência do STJ, é incabível o agravo do art. 1.042 do CPC/2015 contra decisão que nega seguimento a recurso especial com base na aplicação de tese firmada em sede de recurso repetitivo, publicada a partir de 18 de março de 2016, quando entrou em vigor o CPC/2015, sendo apenas possível a interposição do agravo interno constante do art. 1.030, § 2º, do CPC/2015. 2. Hipótese em que a decisão denegatória de seguimento do apelo nobre foi publicada após a vigência do CPC/2015, e o tópico recursal relativo à violação dos arts. 492 e 141 do CPC/2015 está associado ao tema repetitivo, razão pela qual o agravo em recurso especial não merece conhecimento nesta parte. 3. A conclusão alcançada pela Corte local de que a prova pericial pretendida não teria o condão de alterar o entendimento de que as atividades da contribuinte não seriam industriais para fins de creditamento do ICMS e que, por isso, seria impertinente a produção dessa prova, além de estar em sintonia com a jurisprudência desta Corte superior em relação à não configuração do cerceamento de defesa, atraindo a aplicação da Súmula 83 do STJ, somente pode ser revisada com o revolvimento fático-probatório dos autos, medida que esbarra no óbice da Súmula 7 do STJ. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AgInt no AREsp 1.847.878/SP, de minha relatoria, Primeira Turma, DJe de 25/5/2022). Em relação à matéria remanescente, não abrangida pela negativa de seguimento, nota-se que a alegada violação do art. 465, § 3º, do CPC/2015, referente à proporcionalidade dos honorários periciais e eventual possibilidade de sua redução, não foi apreciada pelo Tribunal de origem, carecendo do requisito constitucional do prequestionamento. Incide no ponto o óbice da Súmula 282 do STF. A propósito: AgInt no AREsp n. 2.430.528/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 10/6/2024, DJe de 13/6/2024; e AgInt no AREsp n. 2.358.525/RN, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 3/6/2024, DJe de 7/6/202. Com efeito, nos termos da jurisprudência desta Corte, para que se configure o prequestionamento, mister se faz que a tese jurídica vinculada no recurso especial tenha sido decidida à luz da legislação federal indicada. Frise-se que, mesmo em se tratando de matérias de ordem pública, é necessário que haja o respectivo enfrentamento pelo Tribunal de origem, sob pena de persistir a incidência do óbice sumular mencionado. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 2.010.772/RS, Relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 12/9/2022, DJe de 19/9/2022; AgInt no AREsp n. 1.505.743/PR, Relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 30/5/2022, DJe de 2/6/2022; e AgInt no REsp n. 1.960.877/RJ, Relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 9/5/2022, DJe de 11/5/2022. Registre-se que, no que se refere à alegação de que não houve manifestação quanto à substituição do perito, inclusive requerida pelo próprio especialista inicialmente nomeado, a parte insurgente não especificou o dispositivo supostamente contrariado, o que atrai o óbice da Súmula 284 do STF. Vejam-se: AgInt no AREsp n. 2.485.230/RN, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 20/5/2024, DJe de 24/5/2024; e AgInt no AREsp n. 2.537.272/MS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 20/5/2024, DJe de 23/5/2024. Ante o exposto, com base no art. 253, parágrafo único, I e II, "a", do RISTJ, CONHEÇO EM PARTE do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial. Deixo de majorar os honorários recursais, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, visto que o recurso tem origem em agravo de instrumento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA