AREsp 2879202 - DECISAO
Conheci do agravo, mas não conheci do Recurso Especial porque as razões do recurso não indicaram com precisão o dispositivo de lei federal supostamente violado (incidência da Súmula 284/STF), a alegada ofensa seria indireta/reflexa exigindo exame de norma infralegal e porque não houve prequestionamento; além disso,...
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- Parties
- Agravante: ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Honorários Periciais, Justiça Gratuita, Admissibilidade Do Recurso Especial, Prequestionamento, Súmula 283 STF, Súmula 284 STF
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Parties
ESTADO DE SÃO PAULO
Agravante
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Inadmissibilidade do Recurso Especial por falta de indicação precisa do dispositivo de lei federal (Súmula 284/STF)
- 2 Alegada violação de norma federal de caráter indireto/reflexo exigindo exame de norma infralegal
- 3 Incidência da Súmula 283/STF por haver fundamento autônomo e suficiente não impugnado
Ratio Decidendi
Conheci do agravo, mas não conheci do Recurso Especial porque as razões do recurso não indicaram com precisão o dispositivo de lei federal supostamente violado (incidência da Súmula 284/STF), a alegada ofensa seria indireta/reflexa exigindo exame de norma infralegal e porque não houve prequestionamento; além disso, a parte deixou de impugnar fundamento autônomo e suficiente do acórdão recorrido (Súmula 283/STF).
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por ESTADO DE SÃO PAULO à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO INDENIZATÓRIA - ERRO MÉDICO HONORÁRIOS PERICIAIS JUSTIÇA GRATUITA - DECISÃO RECORRIDA QUE DETERMINOU A EXPEDIÇÃO DE OFÍCIO À SECRETARIA DE JUSTIÇA DO ESTADO PARA QUE PROCEDA À RESERVA DE HONORÁRIOS NO IMPORTE DE RS 4.415,00 (5 VEZES O VALOR DO TETO APLICÁVEL NO PRESENTE CASO, NO VALOR DE RS 883,00) INSURGÊNCIA FAZENDÁRIA PARCIAL PROVIMENTO DO RECURSO APLICAÇÃO DA RESOLUÇÃO DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA CNJ Nº 232/16 APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ARTIGO 95, §3º, II, E §5º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL PRECEDENTES DESSA COLENDA IA CÂMARA DE DIREITO PÚBLICO - HONORÁRIOS PERICIAIS A SEREM PAGOS PELO ENTE PÚBLICO ESTADUAL QUE DEVEM SER FIXADOS EM RS 2.500,00 (DOIS MIL E QUINHENTOS REAIS), CONSIDERANDO A COMPLEXIDADE DA MATÉRIA E A PREVISÃO DE REAJUSTE DOS VALORES CONSTANTES DA RESOLUÇÃO CNJ Nº232/16 DECISÃO REFORMADA RECURSO PROVIDO EM PARTE. Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação do art. 95, § 3º, do CPC, no que concerne ao reconhecimento de que o arbitramento dos honorários periciais a serem custeados pelo ente público deve observar o valor previsto na tabela da Resolução TJ n. 910/2023, trazendo a seguinte argumentação: É, portanto, obrigatória a observância da Tabela de Resolução TJ nº 910/2023. .. Portanto, a utilização da Tabela do TJ como parâmetro encontra amparo em lei e na jurisprudência. No caso, o acórdão recorrido arbitrou honorários periciais no valor total de R$ 2.500,00, com fundamento na Resolução CNJ nº 232/2016. Porém, além de não aplicável a Tabela do CNJ, a r. decisão recorrida não fundamentou a majoração dos honorários periciais, além do que não se verifica no caso uma especial complexidade da perícia a amparar a incidência do mencionado § 4º, o que deve levar à modificação do valor. Demais disso, o valor arbitrado não encontra amparo na Tabela do CNJ, que estabelece o valor de R$ 370,00 para perícias médicas sobre danos físicos e estéticos, caso dos autos (item 3.2). .. Diante do exposto, requer-se a reforma da r. decisão recorrida para que o valor arbitrado a título de adiantamento de honorários periciais observe a Tabela da Resolução TJ nº 910/2023 (fls. 62-65). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, incide a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois nas razões do Recurso Especial não se particularizou o inciso, o parágrafo ou a alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Ressalte-se, por oportuno, que essa indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, que, no caso, traz em seu texto uma mera introdução ao regramento legal contido nos incisos, nos parágrafos ou nas alíneas. Nesse sentido: "A alegação de ofensa a normas legais sem a individualização precisa e compreensível do dispositivo legal supostamente ofendido, isto é, sem a específica indicação numérica do artigo de lei, parágrafos e incisos e das alíneas, e a citação de passagem de artigos sem a efetiva demonstração da contrariedade de lei federal impedem o conhecimento do recurso especial por deficiência de fundamentação, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF" ;(AgInt no REsp n. 2.038.626/PR, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, DJEN de 17/2/2025). De igual sorte: "Ausente a indicação dos incisos e/ou parágrafos supostamente violados do artigo de lei apontado, tem incidência a Súmula 284 do STF (AgInt no AREsp n. 2.422.363/RS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 19/4/2024). Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 2.513.291/PE, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJe de 4/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.473.162/RJ, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJe de 22/8/2024; AgInt no AREsp n. 2.507.148/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 15/8/2024; AgInt no REsp n. 2.046.776/PE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28/9/2023; AgInt no AREsp n. 2.042.341/RJ, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 17/8/2022; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.923.215/AM, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 29/4/2022; EDcl no AgRg no AREsp n. 1.962.212/PA, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 15/2/2022; AgInt no REsp n. 1.475.626/RS, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 4/12/2017. Ademais, é incabível o Recurso Especial porquanto eventual violação de lei federal seria meramente indireta e reflexa, pois exigiria um juízo anterior de norma infralegal, o que refoge à competência deste Superior Tribunal de Justiça. Nesse sentido: "A eventual violação à lei federal, no caso, é reflexa, uma vez que para o deslinde da controvérsia seria imprescindível a interpretação de convênios e portarias, providência vedada no âmbito do recurso especial, pois tais regramentos não se subsomem ao conceito de lei federal" (AgInt no AREsp n. 2.511.459/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 15/8/2024). Ademais, os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 2.088.386/CE, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 18/4/2024; AgInt no AREsp n. 2.399.354/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/10/2023; AgInt no AREsp n. 2.152.278/GO, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 19/12/2022; AgInt no REsp n. 1.950.199/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16/12/2021; AgInt no REsp n. 1.633.125/SE, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 6/12/2021; AgInt no REsp n. 1.887.952/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 12/2/2021. Além disso, incide a Súmula n. 283/STF, porquanto a parte deixou de atacar fundamento autônomo e suficiente para manter o julgado, qual seja: Por fim, o §5º, do artigo 2º, da referida resolução estabelece que os valores constantes da tabela anexa serão reajustados, anualmente, no mês de janeiro, pela variação do IPCA-E, motivo pelo qual, a princípio, não vinga a tese subsidiária de pagamento da quantia de R$ 370,00 (trezentos e setenta reais), como pretende a Fazenda Pública Estadual. .. Deste modo, considerando as peculiaridades do caso, que envolve suposto erro médico, e a previsão de reajuste dos valores constantes da Resolução CNJ nº 232/16, tenho que os honorários periciais devem ser fixados em R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), que bem remuneram o trabalho a ser realizado pelo expert (fls. 38-39). Nesse sentido: "Incide a Súmula n. 283 do STF, aplicável analogicamente a esta Corte Superior, quando o acórdão recorrido é assentado em mais de um fundamento suficiente para manter a conclusão do Tribunal a quo e a parte não impugna todos eles" (REsp n. 2.082.894/RJ, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 28/8/2023). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 2.267.385/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025; REsp n. 2.180.608/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 18/3/2025, DJEN de 21/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.470.308/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 21/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.040.000/RJ, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 3/10/2024; AgInt no AREsp n. 638.541/MA, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 24/11/2023. Ainda, não houve o prequestionamento da tese recursal, porquanto a questão postulada não foi examinada pela Corte a quo sob o viés pretendido pela parte recorrente. Nesse sentido: "Não há prequestionamento da tese recursal quando a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente" (AgInt no AREsp n. 1.946.228/DF, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 28/4/2022). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 2.023.510/GO, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 29/2/2024; AgRg no AREsp n. 2.354.290/ES, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/2/2024; AgInt no AREsp 1.514.978/SC, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/5/2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19.9.2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4/5/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA