AREsp 675460 - DECISAO
A compensação entre honorários sucumbenciais fixados em processos distintos não é permitida diante da ausência de identidade subjetiva entre credor e devedor e da distinta natureza jurídica das verbas (honorários como verba alimentícia em favor do advogado versus crédito público do ente), razão pela qual a...
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- Parties
- Agravante: José Ricardo Ibias Schutz
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 December 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial/agravo
- Outcome
- Conheço do agravo e dou parcial provimento ao recurso especial para suspender a compensação das verbas sucumbenciais.
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Compensação De Créditos, Assistência Judiciária Gratuita, Admissibilidade De Recurso Especial
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Parties
José Ricardo Ibias Schutz
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial/agravo
Legal Issues
- 1 possibilidade de compensação entre honorários sucumbenciais fixados em processos distintos
- 2 alegada omissão do Tribunal de origem nos termos do art. 535 do CPC/73
- 3 incidência da Lei n. 1.060/50 e suspensão da cobrança em razão da justiça gratuita
Ratio Decidendi
A compensação entre honorários sucumbenciais fixados em processos distintos não é permitida diante da ausência de identidade subjetiva entre credor e devedor e da distinta natureza jurídica das verbas (honorários como verba alimentícia em favor do advogado versus crédito público do ente), razão pela qual a compensação determinada pelo Tribunal de origem deve ser suspensa.
Court Disposition
Conheço do agravo e dou parcial provimento ao recurso especial para suspender a compensação das verbas sucumbenciais.
Orders
- Suspender a compensação das verbas sucumbenciais nos termos da fundamentação.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado por José Ricardo Ibias Schutz contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, assim ementado (fl. 91): AGRAVO INTERNO CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA PROFERIDA EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. PÚBLICO. COMPENSAÇÃO DA VERBA HONORÁRIA. SUMULA 306 DO STJ. POSSIBILIDADE. Viável a compensação dos honorários fixados em sede de embargos à execução com aqueles arbitrados na ação de conhecimento em favor do particular. Inteligência do art. 21 do CPC e da Súmula 306 do STJ. Precedentes do STJ e desta Corte. Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados ante a inexistência dos vícios elencados no art. 535 do CPC/73. Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta violação aos arts.535 do CPC/73; e 3º, V, da Lei n. 1.060/50. Sustenta que: (I) o Tribunal de origem não se manifestou sobre questões relevantes para o deslinde da controvérsia, relacionadas à isenção conferida ao beneficiário da justiça gratuita, bem como quanto à ilegitimidade do Estado do Rio Grande do Sul para a cobrança da verba sucumbencial; e (II) não é cabível a compensação dos honorários sucumbenciais devidos ao autor na fase de conhecimentocom aqueles fixados em seu desfavor em sede de embargos à execução, tendo em vista que, com o deferimento da justiça gratuita, está suspensa a cobrança do valor por ele devido. É O RELATÓRIO. SEGUE FUNDAMENTAÇÃO. Registre-se, de logo, que o acórdão recorrido foi publicado na vigência do CPC/73; por isso, no exame dos pressupostos de admissibilidade do recurso, será observada a diretriz contida no Enunciado Administrativo n. 2/STJ, aprovado pelo Plenário desta Corte, na Sessão de 9 de março de 2016 (Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/73 - relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016 -- devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas, até então, pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça). Feita essa observação, verifica-se não ter ocorrido ofensa ao art. 535 do CPC/73, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas e apreciou integralmente a controvérsia posta nos autos; não se pode, ademais, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. Quanto ao mérito da controvérsia, a insurgência merece prosperar. Sobre o tema da compensação de verbas sucumbenciais, este Superior Tribunal de Justiça já se manifestou pela impossibilidade da compensação, tendo em vista que se tratam de créditos e de credores de naturezas distintas. Destacam-se, nesse sentido, osseguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 03/STJ.HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. COMPENSAÇÃO COM O CRÉDITO PRINCIPAL.IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. "Esta Corte firmou entendimento no sentido da impossibilidade de compensação entre os honorários advocatícios de sucumbência, arbitrados nos Embargos à Execução, com o crédito principal, objeto da Execução, diante da ausência de identidade entre credores e devedores das apontadas verbas" (AgInt no REsp 1844502/SC, Rel.Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/05/2020, DJe 07/05/2020).Nesse sentido: AgRg no REsp 1389859/RS, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2015, DJe 25/06/2015;AgInt no REsp 1842094/SC, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2019, DJe 19/12/2019; REsp 1874810/SC, Rel.Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/06/2020, DJe 14/09/2020. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1863832/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/02/2021, DJe 11/02/2021) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.COMPENSAÇÃO COM O CRÉDITO PRINCIPAL. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE ENTRE CREDOR E DEVEDOR. PRECEDENTES. 1. O entendimento adotado pelo Tribunal de origem diverge da jurisprudência desta Corte. Isso porque "A Primeira Seção desta Corte, nos autos do Recurso Especial 1.402.616/RS, adotou orientação no sentido de que, pelo conceito de compensação, credor e devedor devem ser as mesmas pessoas e que a verba honorária, que possui natureza alimentícia, pertence ao advogado, que tem sobre ela direito autônomo, não sendo razoável a compensação de honorários advocatícios em processos distintos" (AgInt no AgInt no REsp 1609915/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/12/2016, DJe 19/12/2016). 2. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1842094/SC, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2019, DJe 19/12/2019) TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DA VERBA FIXADA NA AÇÃO DE CONHECIMENTO COM AQUELA ESTABELECIDA NA EXECUÇÃO. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE ENTRE CREDOR E DEVEDOR. INEXISTÊNCIA DE SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. NATUREZA ALIMENTÍCIA DA VERBA DEVIDA AO CAUSÍDICO DISTINTA DA NATUREZA DE CRÉDITO PÚBLICO DA VERBA DEVIDA AO ENTE PÚBLICO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA DO PARTICULAR PROVIDOS. 1. No termos do art. 368 do Código Civil/2002, a compensação é possível quando duas pessoas forem ao mesmo tempo credora e devedora uma da outra. 2. A partir da exigência de que exista sucumbência recíproca, deve-se identificar credor e devedor, para que, havendo identidade subjetiva entre eles, possa ser realizada a compensação, o que não se verifica na hipótese em exame. 3. No caso, os honorários advocatícios devidos pela Fazenda Nacional na ação de conhecimento pertencem ao Advogado. Já os honorários devidos ao Ente público pelo êxito nos Embargos à Execução do título judicial são devidos pela parte sucumbente, e não pelo Causídico, não havendo claramente identidade entre credor e devedor, não sendo possível, outrossim, que a parte disponha da referida verba, que, repita-se, não lhe pertence, em seu favor. 4. Em segundo lugar, a natureza jurídica das verbas devidas são distintas: os honorários devidos ao Advogado têm natureza alimentícia, já a verba honorária devida ao Ente Público tem natureza de crédito público, não havendo como ser admitida a compensação nessas circunstâncias. 5. Assim, não há possibilidade de se fazer o encontro de contas entre credores que não são recíprocos com créditos de natureza claramente distinta e também sem que ocorra sucumbência recíproca. 6. A Corte Especial do STJ, por ocasião do julgamento do REsp.1.520.710/SC, da relatoria do eminente Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, sob a sistemática do recurso representativo da controvérsia, reconheceu a impropriedade da aplicação do instituto da compensação diante da autonomia entre os processos de conhecimento, de Execução e de Embargos à Execução. 7. Embargos de Divergência do Particular providos. (EREsp 1574257/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/12/2019, DJe 13/12/2019) No caso, a Corte local adotou os seguintes fundamentos (fl. 94): A pretensão do executado é ter compensados os honorários de sucumbência firmados na ação de conhecimento, com esses dos embargos á execução, para o que não há qualquer impedimento na legislação vigente, ainda que a parte exeqüente seja beneficiária da Assistência Judiciária Gratuita. Veja-se que a execução de sentença nada mais é do que um desdobramento da ação de conhecimento, revelando-se inequívoca, pois, a conexão entre os feitos. Verifica-se que o acórdão recorrido concluiu pela possibilidade decompensação a verba advocatícia, embora tenham sido fixadas em processos distintos, em confronto com a orientação jurisprudencial desta Corte Superior. Assim, cabe a reforma do acórdão recorrido. Ressalte-se que deve ser observado o disposto no art. 12 da Lei n. 1.060/50, no que se refere à parcela devida pela parte ora agravante. ANTE O EXPOSTO, conheço do agravo e dou parcial provimento ao recurso especial, parasuspender a compensação das verbas sucumbenciais, nos termos da fundamentação supra. Publique-se.