AREsp 2540308 - DECISAO
O acórdão manteve o entendimento jurisprudencial do STJ de que os honorários sucumbenciais, embora tenham natureza alimentar, são acessório do crédito principal e, por essa razão, não podem ser preferidos em relação ao crédito do cliente; portanto, não devem ser classificados como crédito preferencial no concurso de...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MEDINA & GUIMARÃES ADVOGADOS ASSOCIADOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento (contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial) / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Negativa De Provimento Ao Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Natureza Alimentar, Preferência De Crédito, Concurso De Credores, Jurisprudência Do STJ
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Parties
MEDINA & GUIMARÃES ADVOGADOS ASSOCIADOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo De Instrumento (contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial) / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Negativa De Provimento Ao Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se o crédito decorrente de honorários sucumbenciais tem preferência em relação ao crédito principal do cliente
- 2 Se houve negativa de prestação jurisdicional por omissão ou contradição
- 3 Aplicabilidade da Súmula 568/STJ para decisão monocrática
Ratio Decidendi
O acórdão manteve o entendimento jurisprudencial do STJ de que os honorários sucumbenciais, embora tenham natureza alimentar, são acessório do crédito principal e, por essa razão, não podem ser preferidos em relação ao crédito do cliente; portanto, não devem ser classificados como crédito preferencial no concurso de credores, razão pela qual se conheceu do agravo e negou-se provimento ao recurso especial, aplicando-se a Súmula 568/STJ para decisão monocrática quando há entendimento dominante.
Court Disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Deixo de majorar os honorários sucumbenciais por ausência de condenação em honorários nas instâncias ordinárias.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por MEDINA & GUIMARÃES ADVOGADOS ASSOCIADOS contra decisão que inadmitiu recurso especial . O apelo extremo, interposto com fulcro no art. 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, insurge-se contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná assim ementado: "AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. DECISÃO QUE NÃO CLASSIFICOU OCRÉDITO DA PARTE AGRAVANTE REFERENTE AOS HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS COMO PREFERENCIAL. INSURGÊNCIA DA PARTE EXEQUENTE. ALEGAÇÃO DE QUE OS HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS POSSUEM NATUREZA ALIMENTAR E SE EQUIPARAM AOS CRÉDITOS TRABALHISTAS. NÃO ACOLHIMENTO. EM QUE PESE A NATUREZA ALIMENTAR DOS HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS, NÃO HÁ QUE SE COGITAR EM PREFERÊNCIA DO CRÉDITO DO PROCURADOR EXEQUENTE EM RELAÇÃO À VERBA PRINCIPAL. PRECEDENTE DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - RESP Nº 1.890.615/SP. DECISÃO MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO" (fl. 29 e-STJ). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. No recurso especial, o recorrente aponta, violação aos arts. 85, § 14, 1.022 do Código de Processo Civil e 23 do Estatuto da OAB. Sustenta, em síntese, a negativa de prestação jurisdicional e que o seu crédito decorrente de honorários advocatícios tem caráter alimentar, e por isso, ao contrário do que consignou o Tribunal local, deveriam ser listados no concurso de credores juntamente com os demais créditos trabalhistas. É o relatório. DECIDO. Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A irresignação não merece prosperar. No tocante à negativa de prestação jurisdicional, verifica-se que o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. Não há falar, portanto, em existência de contradição ou omissão apenas pelo fato de o julgado recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. Ao solucionar a controvérsia, a Corte de local assim decidiu: "A controvérsia recursal cinge-se em verificar se a decisão agravada deve ser reformada para determinar a inclusão dos honorários sucumbenciais como sendo crédito preferencial, em razão da sua natureza alimentar, alterando a categorização do crédito mencionado na decisão em comento. (..) Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, não se pode admitir que os advogados do credor tenham crédito referente aos honorários advocatícios satisfeitos antes do valor da dívida principal, uma vez que há relação de acessoriedade entre os honorários sucumbenciais e o débito principal a ser recebido pela parte. A verba referente aos honorários sucumbenciais existe somente porque a dívida do seu cliente existe. Assim, a verba em questão deverá seguir a sorte da dívida principal, nada impedindo que seja cobrada de forma concomitante, de tal modo que o produto da arrematação seja distribuído proporcionalmente entre ambos os credores" (fls. 31/32-STJ). Com efeito, o acórdão recorrido decidiu em consonância com a atual jurisprudência do STJ, firmada no sentido de que o crédito decorrente de honorários advocatícios não tem preferência em rel ação ao crédito de seu cliente, conforme retrata o presente caso. A propósito, confiram-se: "AGRAVO INTERNO. RAZÕES QUE NÃO INFIRMARAM OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. "O CRÉDITO DECORRENTE DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS TITULARIZADO PELO ADVOGADO NÃO É CAPAZ DE ESTABELECER RELAÇÃO DE PREFERÊNCIA OU DE EXCLUSÃO EM RELAÇÃO AO CRÉDITO PRINCIPAL TITULARIZADO POR SEU CLIENTE". (STJ, REsp 1.890.615/SP). AGRAVO INTERNO A QUE SE NEGA PROVIMENTO" (AgInt no AREsp 23.669/PR, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 12/12/2022, DJe de 16/12/2022 - grifou-se). "CIVIL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DIREITO DO ADVOGADO, NATUREZA ALIMENTAR E CRÉDITO PRIVILEGIADO. PREFERÊNCIA EM RELAÇÃO AO CRÉDITO TITULARIZADO PELO SEU CLIENTE VENCEDOR NA EXECUÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA RELEVANTE E ESPECÍFICA. CONCURSO SINGULAR DE CREDORES. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA MATERIAL ENTRE OS CREDORES CONCORRENTES. PRESSUPOSTO DO CONCURSO AUSENTE NA HIPÓTESE. NECESSIDADE DE INDEPENDÊNCIA E AUTONOMIA ENTRE AS EXECUÇÕES. INDISPENSABILIDADE DO INGRESSO APENAS POSTERIOR DO CREDOR CONCORRENTE, APÓS A OBTENÇÃO DE VALOR HÁBIL A SATISFAÇÃO, TOTAL OU PARCIAL, DO CRÉDITO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS. RELAÇÃO DE ACESSORIEDADE COM O CRÉDITO PRINCIPAL TITULARIZADO PELA PARTE VENCEDORA. IMPOSSIBILIDADE DE PREFERÊNCIA DO ACESSÓRIO SOBRE O PRINCIPAL. INEXISTÊNCIA DE PREFERÊNCIA DOS HONORÁRIOS, QUE SEGUIRÃO A NATUREZA DO CRÉDITO PRINCIPAL. TITULAR DO DIREITO MATERIAL A QUEM NÃO SE PODE OPOR A EXISTÊNCIA DE CRÉDITO PRIVILEGIADO INSTITUÍDO POR ACESSORIEDADE NA MESMA RELAÇÃO PROCESSUAL EM QUE SE SAGROU VENCEDORA. PROCESSO QUE DEVE DAR À PARTE TUDO AQUILO E EXATAMENTE AQUILO QUE TEM O DIREITO DE CONSEGUIR. IMPOSSIBILIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DO PRODUTO DA ALIENAÇÃO A PARTIR DA REGRA TEMPORAL DE ANTERIORIDADE DA PENHORA. CONCOMITÂNCIA DA PENHORA PARA SATISFAÇÃO DE AMBOS OS CRÉDITOS. DISTRIBUIÇÃO PROPORCIONAL DO PRODUTO DA ALIENAÇÃO. POSSIBILIDADE. (..) 4- Inexiste omissão relevante no acórdão que, resolvendo embargos de declaração opostos pela parte, examina a questão e afasta a existência de concurso de credores entre o advogado e seu cliente. 5- Os honorários advocatícios sucumbenciais constituem direito do advogado, possuem natureza alimentar e são considerados créditos privilegiados, equiparados aos créditos oriundos da legislação trabalhista para efeito de habilitação em falência, concordata, concurso de credores, insolvência civil e liquidação extrajudicial. Precedentes. 6- A despeito disso, é de particular relevância e especificidade a questão relacionada à possibilidade de o crédito decorrente dos honorários advocatícios sucumbenciais preferir o crédito titularizado pela parte vencedora e que foi representada, no processo, ainda que por determinado período, pela sociedade de advogados credora. 7- Não há concurso singular de credores entre o advogado titular da verba honorária sucumbencial e o seu cliente titular da condenação principal, uma vez que é elemento essencial do concurso a ausência de relação jurídica material entre os credores, exigindo-se, ao revés, que haja independência e autonomia entre as execuções até o momento em que um deles obtenha valor hábil a satisfazê-la, no todo ou em parte, quando os demais credores poderão ingressar no processo alheio e estabelecer concorrência com aquele que havia obtido êxito na perseguição do patrimônio do devedor. Doutrina. 8- De outro lado, não pode o advogado, que atuou na defesa dos interesses da parte vencedora, preferir ao crédito principal por ela obtido porque a relação de acessoriedade entre os honorários sucumbenciais e a condenação principal a ser recebida pela parte é determinante para que se reconheça que os honorários sucumbenciais, nessa específica hipótese em que há concorrência com a condenação principal, deverão, em verdade, seguir a sorte e a natureza do crédito titularizado pela parte vencedora. 9- Em suma, o crédito decorrente de honorários advocatícios sucumbenciais titularizado pelo advogado não é capaz de estabelecer relação de preferência ou de exclusão em relação ao crédito principal titularizado por seu cliente porque, segundo a máxima chiovendiana, o processo deve dar, na medida do possível, a quem tem um direito, tudo aquilo e exatamente aquilo que tem direito de conseguir, de modo que a parte, titular do direito material, não pode deixar de obter a satisfação de seu crédito em razão de crédito constituído por acessoriedade ao principal e titularizado por quem apenas a representou em juízo no processo em que reconhecido o direito. 10- Hipótese em que, inclusive, é inaplicável a regra do art. 908, §2º, do CPC/15, pois a perseguição dos valores devidos pelo executado, que culminou com a penhora e posterior alienação judicial do bem cujo produto se disputa, iniciou-se conjuntamente pela vencedora e pelo advogado, tendo sido a penhora para a satisfação de ambos os créditos sido realizada na constância da atuação do recorrente como representante processual do recorrido. 11- Recurso especial conhecido e não provido" (REsp 1.890.615/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 17/8/2021, DJe de 19/8/2021 - grifou-se). "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO - INSURGÊNCIA RECURSAL DA PARTE AGRAVANTE. (..) 2.Em razão da relação de acessoriedade existente entre os honorários de sucumbência e os valores a serem percebidos pela parte, a título de condenação na ação principal, não se revela possível que o pagamento da menciona verba honorária anteceda o adimplemento do crédito principal. Incidência do óbice contido na Súmula 83/STJ. 3. Agravo interno desprovido" (AgInt no REsp 1.974.774/DF, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 25/4/2022, DJe de 29/4/2022). Nesse contexto, não merece acolhida a insurgência da recorrente, visto que o acórdão estadual encontra-se em harmonia com da jurisprudência firmada neste Superior Tribunal de Justiça. Incide, na espécie, a Súmula nº 568/STJ: "O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema." Ante o exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Deixo de majorar os honorários sucumbenciais, conforme determina o artigo 85, § 11, do Código de Processo Civil , haja vista a ausência de condenação em honorários nas instâncias ordinárias. Publique-se. Intimem-se EMENTA