REsp 1650664 - ACORDAO
Aplicando-se o julgamento do Tema 1.002 do STF (RE 1.140.005/RJ), que reconheceu a autonomia administrativa, funcional e financeira da Defensoria Pública e afastou a tese da confusão patrimonial, considerou-se superada a Súmula 421/STJ; em juízo de retratação (art. 1.040, II, CPC) acolheram-se os embargos de...
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- Parties
- Recorrente: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS; Beneficiária: Defensoria Pública da União
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 May 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Juízo De Retratação (art. 1.040, Ii, Cpc) / Julgamento Em Sessão Virtual
- Outcome
- Embargos de Declaração acolhidos com efeitos modificativos (infringentes); negar provimento ao Recurso Especial; condenar a autarquia previdenciária ao pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública da União.
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Defensoria Pública, Juízo De Retratação, Tema 1.002/stf, Súmula 421/stj, Confusão Patrimonial, Destinação De Verbas Sucumbenciais
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Parties
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Recorrente
Defensoria Pública da União
Beneficiária
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Juízo De Retratação (art. 1.040, Ii, Cpc) / Julgamento Em Sessão Virtual
Legal Issues
- 1 Cabimento de honorários sucumbenciais em favor da Defensoria Pública quando esta atua contra ente público integrante da mesma Fazenda Pública
- 2 Aplicação do Tema 1.002/STF e superação da Súmula 421/STJ
- 3 Destino das verbas sucumbenciais e vedação de rateio entre membros da Defensoria Pública
Ratio Decidendi
Aplicando-se o julgamento do Tema 1.002 do STF (RE 1.140.005/RJ), que reconheceu a autonomia administrativa, funcional e financeira da Defensoria Pública e afastou a tese da confusão patrimonial, considerou-se superada a Súmula 421/STJ; em juízo de retratação (art. 1.040, II, CPC) acolheram-se os embargos de declaração com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso especial e condenar a autarquia previdenciária ao pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública da União.
Court Disposition
Embargos de Declaração acolhidos com efeitos modificativos (infringentes); negar provimento ao Recurso Especial; condenar a autarquia previdenciária ao pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública da União.
Orders
- Acolher os Embargos de Declaração, com efeitos modificativos.
- Negar provimento ao Recurso Especial da União.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 16/04/2024 a 22/04/2024, por unanimidade, acolher os embargos de declaração, com efeitos modificativos, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Mauro Campbell Marques, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS EM FAVOR DA DEFENSORIA PÚBLICA. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC. APLICAÇÃO DA TESE 1.002/STF. JULGAMENTO DE RECURSO COM REPERCUSSÃO GERAL. 1. Com o retorno dos autos para os fins do art. 1.040, II, do CPC, a hipótese é de aplicação do juízo de retratação. 2. O STF, por ocasião do julgamento do RE 1.140.005/RJ, ao considerar a autonomia administrativa, funcional e financeira atribuída à Defensoria Pública, concluiu pela ausência de vínculo de subordinação ao Poder Executivo, e consequente superação do argumento de confusão patrimonial, definindo tese que assegura o pagamento de honorários sucumbenciais à instituição, independentemente do ente público litigante, os quais devem ser destinados, exclusivamente, ao aparelhamento das Defensorias Públicas, sendo vedado o rateio dos valores entre os membros (Tema 1.002/STF). 2. Cabível, portanto, a condenação da autarquia previdenciária ao pagamento de verba sucumbencial à Defensoria Pública da União. 3. Embargos de Declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao Recurso Especial da União.
RELATÓRIO Trata-se de Embargos de Declaração opostos ao acórdão da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça que deu provimento ao Recurso Especial do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS com ementa nos seguintes termos: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO. PRETENSÃO AJUIZADA CONTRA UNIÃO. NÃO CABIMENTO. SÚMULA 421/STJ. CONFUSÃO DE CRÉDITO DA MESMA FAZENDA PÚBLICA. COISA JULGADA. NÃO OCORRÊNCIA. 1. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.199.715/RJ, submetido ao rito do art. 543-C do CPC, da relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima, julgado em 16/2/2011, firmou não serem devidos honorários advocatícios à Defensoria Pública quando ela atua contra pessoa jurídica de direito público à qual pertença ou que integra a mesma Fazenda Pública. 2. "Não se pode falar em violação a coisa julgada quando há confusão entre as pessoas da mesma Fazenda Pública, por se tratar de crédito extinto na sua origem." (AgInt no REsp 1.546.228/AL, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 14/3/2017, DJe 27/3/2017). 3. Agravo Interno não provido. Nos Aclaratórios, a parte embargante sustenta (fls. 318-319, e-STJ): Podemos perceber, portanto, que o venerando acórdão embargado passou ao largo da questão constitucional expressamente ventilada no agravo interno, e, assim sendo, omitiu-se na análise do tema. Ora, deve-se considerar que desde o julgamento do leading case do REsp nº 596.836-RS (no já longínquo dia 14/04/2004), mudou bastante o panorama normativo-constitucional, apto a ensejar uma revisão do entendimento deste Egrégio Superior Tribunal. É que, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 45/2004, a Defensoria Pública ganhou autonomia e "status" de instituição estatal (não mais governamental), com autogestão e ausência de subordinação a qualquer outro órgão. A Defensoria Pública, hodiernamente, deixou de ser apêndice de Secretaria de Estado, de Governadoria ou de órgão de quaisquer dos Poderes. O argumento da confusão, portanto, não tem mais razão de ser, pena de violação da Constituição da República, de enriquecimento sem causa para o Estado sucumbente e de malferimento da prerrogativa da autonomia da Defensoria Pública, que ficaria sem uma de suas mais importantes fontes orçamentárias de aparelhamento e capacitação funcional. Daí se vê claramente, pois, que a alteração da Constituição deveria ter sido levada em conta, expressamente, para fins de julgamento do agravo. Pensar em sentido contrário, com a devida vênia, acarretaria nova violação da Constituição, desta feita aos princípios constitucionais da fundamentação de todas as decisões judiciais (art. 93, IX, da Constituição da República), do devido processo legal e da ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, da Constituição da República). A Vice-Presidência do STJ, por despacho proferido às fls. 380-382, e-STJ, diante do julgamento do Tema 1.002/STF, determinou o retorno dos autos a esta Segunda Turma, para eventual juízo de retratação, nos termos do art. 1.040, II, do CPC. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS EM FAVOR DA DEFENSORIA PÚBLICA. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC. APLICAÇÃO DA TESE 1.002/STF. JULGAMENTO DE RECURSO COM REPERCUSSÃO GERAL. 1. Com o retorno dos autos para os fins do art. 1.040, II, do CPC, a hipótese é de aplicação do juízo de retratação. 2. O STF, por ocasião do julgamento do RE 1.140.005/RJ, ao considerar a autonomia administrativa, funcional e financeira atribuída à Defensoria Pública, concluiu pela ausência de vínculo de subordinação ao Poder Executivo, e consequente superação do argumento de confusão patrimonial, definindo tese que assegura o pagamento de honorários sucumbenciais à instituição, independentemente do ente público litigante, os quais devem ser destinados, exclusivamente, ao aparelhamento das Defensorias Públicas, sendo vedado o rateio dos valores entre os membros (Tema 1.002/STF). 2. Cabível, portanto, a condenação da autarquia previdenciária ao pagamento de verba sucumbencial à Defensoria Pública da União. 3. Embargos de Declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao Recurso Especial da União. VOTO Com o retorno dos autos para os fins do art. 1.040, II, do CPC, a hipótese é de aplicação do juízo de retratação. A Súmula 421 do STJ determina que os honorários advocatícios não são devidos à Defensoria Pública quando ela atua contra a pessoa jurídica de direito público à qual pertença. Em sentido oposto, o STF, por ocasião do julgamento do RE 1.140.005/RJ, ao considerar a autonomia administrativa, funcional e financeira atribuída à Defensoria Pública, concluiu pela ausência de vínculo de subordinação ao Poder Executivo, e consequente superação do argumento de confusão patrimonial, definindo tese que assegura o pagamento de honorários sucumbenciais à instituição, independentemente do ente público litigante, os quais devem ser destinados, exclusivamente, ao aparelhamento das Defensorias Públicas, sendo vedado o rateio dos valores entre os membros (Tema 1.002/STF). O Tema 1.002 de Repercussão Geral: Em razão da autonomia e da relevância institucional das Defensorias Públicas, é constitucional o recebimento de honorários sucumbenciais quando estas representarem o litigante vencedor em demanda ajuizada contra qualquer ente público, ainda que o litígio se dê contra o ente federativo que integram. As reformas trazidas pelas EC 45/2004, 74/2013 e 80/2014 atribuíram autonomia funcional, administrativa e financeira às Defensorias dos estados e da União. Portanto, no contexto atual, as Defensorias Públicas são consideradas órgãos constitucionais independentes, sem subordinação ao Poder Executivo. Como deixaram de ser vistas como órgãos auxiliares do governo, que integram e vinculam-se à estrutura administrativa do estado-membro, encontra-se superado o argumento de violação do instituto da confusão (art. 381 do Código Civil). Vale ressaltar, contudo, que é vedado o rateio, entre os membros da Defensoria Pública, do valor recebido a título de verbas sucumbenciais decorrentes de sua atuação judicial. Essa quantia deve ser destinada, exclusivamente, para a estruturação das unidades dessa instituição, com vistas ao incremento da qualidade do atendimento à população carente e à garantia da efetividade do acesso à Justiça. STF. Plenário. RE 1.140.005/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em26/06/2023 (Repercussão Geral - Tema 1.002) (Info 1100) Logo, superado o entendimento previsto na Súmula 421 do STJ. Cabível, portanto, a condenação da autarquia previdenciária ao pagamento de verba sucumbencial à Defensoria Pública da União. Ante o exposto, em juízo de retratação nos termos do art. 1.040, II, do CPC, acolho os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para negar provimento ao Recurso Especial da União . É como voto.