REsp 2122434 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido por incidência da Súmula n. 83 do STJ, assentando-se que o Tribunal de origem aplicou corretamente o entendimento consolidado do STJ (Tema 1.076) e o disposto no art. 85, §§ 8º e 8º-A do CPC ao determinar a observância dos valores recomendados pela OAB quando houve arbitramento...
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- Parties
- Recorrente: ATLÂNTICO FUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITÓRIOS NÃO PADRONIZADOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 December 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido
- Outcome
- recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Art. 85, § 8º a, Do CPC, Apreciação Equitativa, Tema N. 1.076 Do STJ, Súmula N. 83 Do STJ
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Parties
ATLÂNTICO FUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITÓRIOS NÃO PADRONIZADOS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Aplicação do art. 85, § 8º-A do CPC sobre fixação equitativa de honorários
- 2 Obrigatoriedade de observar valores recomendados pelo Conselho Seccional da OAB ou o mínimo de 10% do §2º do art.85 quando há arbitramento por equidade
- 3 Hipóteses de cabimento da fixação por equidade (proveito econômico inestimável ou irrisório, valor da causa muito baixo)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido por incidência da Súmula n. 83 do STJ, assentando-se que o Tribunal de origem aplicou corretamente o entendimento consolidado do STJ (Tema 1.076) e o disposto no art. 85, §§ 8º e 8º-A do CPC ao determinar a observância dos valores recomendados pela OAB quando houve arbitramento por equidade em razão de proveito econômico irrisório.
Court Disposition
recurso especial não conhecido
Orders
- Majorar em 10% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem os honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente, nos termos do § 11 do art. 85 do CPC, observado o § 2º e ressalvada eventual concessão de gratuidade de justiça.
- Publique-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por ATLÂNTICO FUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITÓRIOS NÃO PADRONIZADOS com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo em apelação nos autos de ação de repetição de débito e de reparação de danos (Apelação Cível n. 1025805-54.2022.8.26.0005). O julgado foi assim ementado (fl. 260): Ação declaratória de inexigibilidade de débito cumulada com indenização por danos morais. Dívida prescrita. Parcial Procedência. Ausência de negativação. Indevida manutenção na plataforma "Serasa Limpa Nome". Dano moral inexistente. Arbitramento, por equidade, da verba honorária sucumbencial. Aplicação do disposto pelo artigo 85, §8º-A, da lei de ritos. Recurso a que se dá parcial provimento. Nas razões do recurso especial, a parte recorrente aponta violação do art. 85, § 8º-A, do CPC. Defende, em síntese, que a fixação equitativa dos honorários deve ser realizada a critério do juiz, seguindo os critérios da causa, sendo inviável a adoção da tabela da OAB como parâmetro, tendo em vista a falta de regulamentação do referido dispositivo legal. Não foram apresentadas contrarrazões (fl. 283). Admitido o recurso especial (fls. 284-286), os autos ascenderam ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. Trata-se, na origem, de ação de declaratória de inexigibilidade de débito e de débito e de reparação de danos. Na sentença, o pedido foi acolhido. Diante da sucumbência, a parte demandada foi condenada ao pagamento dos ônus respectivos. Os honorários advocatícios foram arbitrados em R$ 1.500,00, com fundamento no art. 85, § 8º, do CPC (fls. 195-196). Interposta apelação, o Tribunal a quo deu provimento ao recurso para determinar o arbitramento com base nos valores recomendados pela tabela da OAB (fls. 260-271). Sobreveio recurso especial, em que o recorrente alega violação do art. 85, § 8º-A, do CPC. A respeito da fixação dos honorários sucumbenciais com o advento do Código de Processo Civil de 2015, o Superior Tribunal de Justiça consolidou entendimento a respeito de seus critérios quando da análise do Tema n. 1.076 do STJ, submetido à sistemática dos recursos especiais repetitivos, oportunidade em que foi debatida a possibilidade de fixação de honorários advocatícios com fundamento no juízo de equidade. Nesse julgamento, foram fixados critérios objetivos para o arbitramento dos honorários sucumbenciais, de acordo com a ordem de preferência e com os critérios estabelecidos no § 2º do art. 85 do Código de Processo Civil. Para melhor compreensão, transcrevo trecho da ementa do precedente referenciado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL SOB O RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. ART. 85, §§ 2º, 3º, 4º, 5º, 6º E 8º, DO CPC. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. VALORES DA CONDENAÇÃO, DA CAUSA OU PROVEITO ECONÔMICO DA DEMANDA ELEVADOS. IMPOSSIBILIDADE DE FIXAÇÃO POR APRECIAÇÃO EQUITATIVA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. RECURSO JULGADO SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015, C/C O ART. 256-N E SEGUINTES DO REGIMENTO INTERNO DO STJ. .. 24. Teses jurídicas firmadas: i) A fixação dos honorários por apreciação equitativa não é permitida quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem elevados. É obrigatória nesses casos a observância dos percentuais previstos nos §§ 2º ou 3º do artigo 85 do CPC - a depender da presença da Fazenda Pública na lide -, os quais serão subsequentemente calculados sobre o valor: (a) da condenação; ou (b) do proveito econômico obtido; ou (c) do valor atualizado da causa. ii) Apenas se admite arbitramento de honorários por equidade quando, havendo ou não condenação: (a) o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório; ou (b) o valor da causa for muito baixo. 25. Recurso especial conhecido e provido, devolvendo-se o processo ao Tribunal de origem, a fim de que arbitre os honorários observando os limites contidos no art. 85, §§ 3º, 4º, 5º e 6º, do CPC, nos termos da fundamentação. 26. Recurso julgado sob a sistemática do art. 1.036 e seguintes do CPC/2015 e art. 256-N e seguintes do Regimento Interno do STJ. (REsp n. 1.850.512/SP, relator Ministro Og Fernandes, Corte Especial, DJe de 31/5/2022, destaquei.) Recentemente, foi ainda incluída no CPC (art. 85, § 8º-A) a exigência de que, no caso de fixação dos honorários por equidade, sejam observados os valores recomendados pelo Conselho Seccional da OAB ou o limite mínimo de 10% estabelecido no § 2º do art. 85, o que for maior. No caso, o Tribunal de origem determinou que a fixação equitativa de honorários sucumbenciais fosse realizada com base nos valores recomendados pela OAB, na forma do art. 85, § 8º-A, do CPC. Confira-se (fls. 264-170): No que tange à verba honorária sucumbencial, com efeito, com o julgamento dos Recursos Especiais Representativos de Controvérsia nº 1.850.512/SP, 1.906.623/SP e 1.906.618/SP1, o C. Superior Tribunal de Justiça consolidou o seguinte entendimento acerca do arbitramento, por equidade, dos honorários advocatícios sucumbenciais: .. Em apertada síntese, restou sedimentado que, muito embora não se olvide que a fixação da verba honorária deva ser realizada com observância dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, o arbitramento por equidade, à luz do disposto pelo §8º, do citado artigo 85, se afigura excepcional, somente tendo cabimento nas estritas hipóteses: a) causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou b) quando o valor da causa for muito baixo. No caso em tela, tem-se que o proveito econômico obtido, no valor de R$ 376,99, mostra-se irrisório, sendo, portanto, cabível o arbitramento dos honorários por equidade. Quanto ao valor a ser fixado, respeitada a convicção do MM. Juízo "a quo", nos termos do disposto pelo §8º-A, do artigo 85, do CPC, este deverá corresponder aos "valores recomendados pelo Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil a título de honorários advocatícios ou o limite mínimo de 10% (dez por cento) estabelecido no § 2º deste artigo, aplicando-se o que for maior". Frisa-se que a sentença foi proferida em abril de 2023, ou seja, após a inserção da referida disposição pelo legislador, sendo, portanto, aplicável in casu. Ante o exposto, de rigor o provimento do apelo no que diz respeito à verba honorária sucumbencial, que deverá observar os valores recomendados pelo Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, acrescida da quantia de R$ 500,00, em atenção ao disposto pelo §11º, do artigo 85, da lei de ritos, bem como à exclusão do nome do autor da plataforma "Serasa Limpa Nome", ficando mantida a improcedência quanto à fixação de danos morais. O entendimento adotado está de acordo com orientação do STJ, na medida em que, por expressa determinação legal, sendo o caso de fixação dos honorários por equidade, devem ser observados os valores recomendados pelo Conselho Seccional da OAB ou o limite mínimo de 10% estabelecido no § 2º do art. 85, aplicando-se o que for maior. A propósito: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. FUNDAMENTOS DA DECISÃO. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. SÚMULA N. 182/STJ. RECLAMAÇÃO CONSTITUCIONAL. CPC/2015. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAS. RELAÇÃO PROCESSUAL FORMADA. CABIMENTO. COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO. PROCURAÇÃO. AUSÊNCIA. IRREGULARIDADE SANÁVEL. PODERES ESPECIAIS. INDICAÇÃO EXPRESSA DO PROCESSO. EQUIVALÊNCIA. VERBA HONORÁRIA. VALOR DA CAUSA BAIXO. ARBITRAMENTO POR EQUIDADE. CPC/2015, ART. 85, §§ 2º, 8º E 8º-A. 1. É inviável o agravo previsto no art. 1.021 do CPC/2015 que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada (Súmula n. 182/STJ). 1.1. O agravante não impugnou de forma específica os fundamentos relacionados ao mérito da decisão agravada, que demonstrou o cumprimento, pela autoridade reclamada, da determinação proferida por este Tribunal Superior nos autos do REsp n. 1.636.704/SP. 2. Quando aperfeiçoada a relação processual nas reclamações ajuizadas na vigência do CPC/2015, é cabível a condenação da parte vencida no pagamento de honorários sucumbenciais com fundamento no art. 85, caput, da lei processual civil. Precedentes. 2.1. No caso concreto, a parte beneficiária do ato reclamado compareceu aos autos e ofereceu contestação, aperfeiçoando a relação jurídica processual (CPC/2015, art. 239, § 1º). 3. O comparecimento espontâneo, como ato que supre a citação da parte (art. 214, § 1º, do CPC/1973), também ocorre nos casos em que a procuração outorgada confere poderes gerais e contém dados específicos sobre o processo em que se dará a atuação. Precedentes. 4. A ausência de mandato é irregularidade sanável, com a possibilidade de se aplicar as disposições contidas nos art. 76, 662, e 932, § ún., do CPC/2015. Precedentes. 4.1. Os agravados regularizaram sua representação processual, juntando aos autos instrumento de mandato com expressa referência ao número do processo para o qual o advogado foi incumbido de atuar. 5. Conforme dispõe o art. 85, § 8º, do CPC/2015, " n as causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou, ainda, quando o valor da causa for muito baixo, o juiz fixará o valor dos honorários por apreciação equitativa, observando o disposto nos incisos do § 2º". 5.1. No caso concreto, o proveito econômico afigura-se imensurável, e o valor da causa é muito baixo, razão pela qual a situação dos autos subsume-se à hipótese de que trata o dispositivo legal, na estrita aplicação do entendimento firmado na tese n. 2 do Tema Repetitivo n. 1.076. 5.2. O parágrafo 8º-A do art. 85 do CPC/2015 determina que "para fins de fixação equitativa de honorários sucumbenciais, o juiz deverá observar os valores recomendados pelo Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil a título de honorários advocatícios ou o limite mínimo de 10% (dez por cento) estabelecido no § 2º deste artigo, aplicando-se o que for maior". 5.3. Na espécie, o valor dos honorários advocatícios de sucumbência foram arbitrados com observância do valor mínimo previsto na Tabela de Honorários aprovada pela OAB/SP. 6. O arbitramento de honorários por equidade não exige observância do limite máximo previsto no § 2º do art. 85 da lei processual. 7. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt na Rcl n. 47.536/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Segunda Seção, julgado em 29/10/2024, DJe de 5/11/2024, destaquei.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS. PROVEITO ECONÔMICO IRRISÓRIO. VALOR DA CAUSA MUITO BAIXO. ARBITRAMENTO POR APRECIAÇÃO EQUITATIVA. CPC/2015, ART. 85, §§ 8º E 8º-A. DECISÃO MANTIDA. 1. Conforme dispõe o art. 85, § 8º, do CPC/2015, " n as causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou, ainda, quando o valor da causa for muito baixo, o juiz fixará o valor dos honorários por apreciação equitativa, observando o disposto nos incisos do § 2º". 1.1. No caso concreto, o proveito econômico obtido pelo autor da ação afigura-se irrisório, e o valor da causa é muito baixo, razão pela qual a situação dos autos subsume-se à hipótese de que trata o dispositivo legal, na estrita aplicação do entendimento firmado na tese n. 2 do Tema Repetitivo n. 1.076. 2. O parágrafo 8º-A do art. 85 do CPC/2015 determina que "para fins de fixação equitativa de honorários sucumbenciais, o juiz deverá observar os valores recomendados pelo Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil a título de honorários advocatícios ou o limite mínimo de 10% (dez por cento) estabelecido no § 2º deste artigo, aplicando-se o que for maior". 2.1. Na espécie, o valor dos honorários advocatícios de sucumbência foram arbitrados com observância do valor mínimo previsto na Tabela de Honorários aprovada pela OAB/RN. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.789.203, Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 18/5/2023, destaquei.) No mesmo sentido, as seguintes decisões monocráticas: AREsp n. 2.736.129, Ministro João Otávio de Noronha, DJe de 19/11/2024; REsp n. 2.102.294, Ministra Maria Isabel Gallotti, DJe de 21/12/2023. É caso, pois, de aplicação da Súmula n. 83 do STJ. Ressalte-se que o entendimento desta Corte é firme no sentido de que a Súmula n. 83 aplica-se não somente aos recursos especiais interpostos com base na alínea c mas também aos fundamentados na alínea a do permissivo constitucional (AgInt no AREsp n. 1.544.832/MA, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 5/12/2022; AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.729.384/PR, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 30/11/2022 e AgInt no REsp n. 2.026.907/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 13/3/2023, DJe de 16/3/2023). Ante o exposto, não conheço do recurso especial. Nos termos do § 11 do art. 85 do CPC, majoro, em 10% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, os honorários advocatícios em desfavor da parte ora recorrente, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos no § 2º do referido artigo e ressalvada eventual concessão de gratuidade de justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA