AREsp 2702850 - DECISAO
Aplicando o entendimento consolidado no Tema 1.002 do STF, que reconhece o recebimento de honorários sucumbenciais pela Defensoria Pública e veda o rateio da verba entre membros/instituições, exerceu-se o juízo de retratação para afastar o rateio antes determinado e fixar, de forma autônoma, a responsabilidade do...
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- Parties
- Recorrente: DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL; Recorrido: ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL; Parte: MUNICÍPIO DE CAMPO GRANDE/MS; Parte: TELMA DE OLIVEIRA; Tribunal a Quo: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo No Recurso Especial / Recurso Especial / Juízo De Retratação / Decisão Interlocutória
- Outcome
- Agravo conhecido para conhecer em parte o recurso especial e dar-lhe provimento apenas para condenar o Estado do Mato Grosso do Sul ao pagamento de R$ 2.000,00 a título de honorários sucumbenciais de forma autônoma
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Defensoria Pública, Juízo De Retratação, Repercussão Geral, Vedação Ao Rateio De Verbas Sucumbenciais
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Parties
DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL
Recorrente
ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL
Recorrido
MUNICÍPIO DE CAMPO GRANDE/MS
Parte
TELMA DE OLIVEIRA
Parte
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL
Tribunal a Quo
Procedural Posture
Agravo No Recurso Especial / Recurso Especial / Juízo De Retratação / Decisão Interlocutória
Legal Issues
- 1 Possibilidade de percepção de honorários sucumbenciais pela Defensoria Pública quando representa parte vencedora contra ente público
- 2 Vedação ao rateio da verba sucumbencial entre entes da federação
- 3 Aplicabilidade do Tema 1.002 do STF e necessidade de juízo de retratação
Ratio Decidendi
Aplicando o entendimento consolidado no Tema 1.002 do STF, que reconhece o recebimento de honorários sucumbenciais pela Defensoria Pública e veda o rateio da verba entre membros/instituições, exerceu-se o juízo de retratação para afastar o rateio antes determinado e fixar, de forma autônoma, a responsabilidade do Estado do Mato Grosso do Sul pelo pagamento de R$ 2.000,00 a título de honorários sucumbenciais.
Court Disposition
Agravo conhecido para conhecer em parte o recurso especial e dar-lhe provimento apenas para condenar o Estado do Mato Grosso do Sul ao pagamento de R$ 2.000,00 a título de honorários sucumbenciais de forma autônoma
Orders
- Condenar o Estado do Mato Grosso do Sul ao pagamento de R$ 2.000,00 (dois mil reais) a título de honorários sucumbenciais, de forma autônoma
- Publique-se
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL, fundamentado no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição da República, contra o acórdão prolatado pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL na apelação assim ementada (fl. 301): APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER - RETORNO DA VICE-PRESIDÊNCIA PARA JUÍZO DE RETRATAÇÃO - CONDENAÇÃO DO ESTADO AO PAGAMENTO DE HONORÁRIOS EM FAVOR DA DEFENSORIA PÚBLICA - POSSIBILIDADE - APLICAÇÃO DO TEMA N.º 1.002, DO STF - JUÍZO DE RETRATAÇÃO EXERCIDO - RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Consoante Tema n.º 1.002, do STF: "É devido o pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública, quando representa parte vencedora em demanda ajuizada contra qualquer ente público, inclusive aquele que integra". Conforme se extrai dos autos, houve o juízo de conformação ao Tema n. 1.022, o que acarretou a prejudicialidade do recurso, porém a recorrente requer a fixação dos honorários por parte do Estado do Mato Grosso do Sul, questão ainda pendente de análise, como bem exposto pela ora recorrente em seu agravo no recurso especial, porquanto incabível o rateio da verba entre os entes da federação. É o relatório. Decido. A despeito do recurso especial ter sido julgado prejudicado, em virtude do juízo de conformação, há que se definir os honorários devidos pelo Estado do Mato Grosso do Sul, tendo em vista que, na sentença, apenas o Município de Campo Grande/MS foi condenado ao pagamento de R$ 2.000,00 (dois mil reais) (fl. 146). Isso porque, ao dar provimento à apelação interposto por Telma de Oliveira e a Defensoria Pública do Estado do Mato Grosso do Sul, o Tribunal local reformou acórdão anterior, porém condenou o Estado de Mato Grosso do Sul ao pagamento de 50% (cinquenta por cento) dos honorários advocatícios arbitrados na sentença na forma de rateio com o Município de Campo Grande/MS. Desse modo, em face do princípio da celeridade e economicidade processual fixo os honorários devidos pelo Estado do Mato Grosso do Sul em R$ 2.000,00 (dois mil reais), tendo em vista a jurisprudência desta Corte que veda o rateio da verba sucumbencial entre os entes da federação responsáveis pelo pagamento dos honorários advocatícios. A propósito (grifei): PROCESSUAL CIVIL. HONORÁRIOS SUCUMBEBCIAIS. DEFENSORIA PÚBLICA. ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TEMA 1002/STF. JUÍZO DE RETRATAÇÃO NOS TERMOS DO ART. 1.040, II, DO CPC. CABIMENTO. 1. Na hipótese dos autos, conquanto a conclusão do acórdão recorrido esteja fundamentada em precendente do STJ, nota-se que o Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o RE 1.140.005-RG/RJ, submetido ao regime da repercussão geral, firmou as seguintes teses (Tema 1002/STF): "1. É devido o pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública, quando representa parte vencedora em demanda ajuizada contra qualquer ente público, inclusive aquele que integra; 2. O valor recebido a título de honorários sucumbenciais deve ser destinado, exclusivamente, ao aparelhamento das Defensorias Públicas, vedado o seu rateio entre os membros da instituição". 2. Ao apreciar os Embargos de Declaração, o Plenário do STF modulou os efeitos do acórdão, explicitando que a tese firmada não deve alcançar decisões transitadas em julgado, nem processos em curso nos quais a matéria referente aos honorários advocatícios sucumbenciais esteja preclusa. 3. Todavia, no caso em tela, não se verificam as circunstâncias que permitiriam a modulação dos efeitos da tese vinculante estabelecida pelo STF, de modo que a solução adotada pelo STJ, no caso concreto, não está em conformidade com o entendimento fixado no Tema 1.002 do STF. 4. Portanto, há exercer juízo de retratação nos termos do art. 1.040, II, do CPC/2015, para reposicionar o acórdão anteriormente promulgado, em observância ao decidido pelo STF no Tema 1002. 5. Recurso Especial provido, em juízo de retratação. (REsp n. 1.771.111/CE, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 4/6/2024, DJe de 26/6/2024.) SERVIDOR PÚBLICO. PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO. RECEBIMENTO. POSSIBILIDADE. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.030, II, DO CPC. RE N. 1.140.005/RJ. REPERCUSSÃO GERAL (TEMA 1.002/STF). 1. Autos devolvidos pela Vice-Presidência do STJ para análise de hipótese de retratação, conforme previsão do art. 1.040, II, do CPC. 2. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE n. 1.140.005/RJ, em Repercussão Geral (Rel. Ministro Roberto Barroso, DJe de 16/8/2023), consolidou as seguintes teses: 1. É devido o pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública, quando representa parte vencedora em demanda ajuizada contra qualquer ente público, inclusive aquele que integra; 2. O valor recebido a título de honorários sucumbenciais deve ser destinado, exclusivamente, ao aparelhamento das Defensorias Públicas, vedado o seu rateio entre os membros da instituição. 3. Impositiva, assim, a adequação do julgado, para reconhecer a possibilidade de recebimento de honorários advocatícios pela DPU. 4. Agravo interno provido. (AgInt no REsp n. 1.993.139/CE, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 10/6/2024, DJe de 13/6/2024.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.030, II, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. AUTARQUIA FEDERAL. DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO. CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. TEMA N. 1.022. AGRAVO INTERNO PROVIDO PARA APLICAR A NOVA ORIENTAÇÃO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 9.3.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 1973. II - Retorno dos autos ao Colegiado para juízo de retratação, nos termos do art. 1.030, II, do Código de Processo Civil de 2015. III - O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário n. 1.140.005/RJ, submetido à sistemática da repercussão geral, firmou orientação no sentido de que é devido o pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública, quando representa parte vencedora em demanda ajuizada contra qualquer ente público, inclusive aquele que integra. IV - Juízo de retratação exercido, para conhecer do Agravo Interno da Recorrida e dar-lhe provimento, aplicando a tese fixada em repercussão geral. PROCESSUAL CIVIL. DIREITO À SAÚDE. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO. APLICAÇÃO DO TEMA 1.002 DA REPERCUSSÃO GERAL DO STF. PUBLICAÇÃO. DESNECESSIDADE DE TRÂNSITO EM JULGADO. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação objetivando o fornecimento de medicamento de alto custo fora da lista de fármacos excepcionais da Portaria do Ministério da Saúde. Na sentença o pedido foi julgado procedente, fixando honorários advocatícios à Defensoria Pública do Estado da Paraíba. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. Agravo interno do Estado da Paraíba interposto contra decisão que negou provimento ao recurso especial. II - Conforme entendimento pacífico desta Corte, não é necessário o trânsito em julgado para aplicar matéria decidida em repercussão geral. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 2.060.149/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 8/8/2023, DJe de 30/10/2023; AgInt no AREsp n. 2.236.428/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 23/10/2023, DJe de 26/10/2023; AgInt no AREsp n. 1.346.875/PE, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 22/10/2019, DJe de 29/10/2019. III - Portanto, aplico ao caso sob análise o Tema 1.002 de Repercussão Geral n. 1.140.005, da Relatoria do Ministro Roberto Barroso, julgado pelo Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal em sessão virtual realizada entre 16.6.2023 e 23.6.2023, que fixou as seguintes teses: 1. É devido o pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública, quando representa parte vencedora em demanda ajuizada contra qualquer ente público, inclusive aquele que integra; 2. O valor recebido a título de honorários sucumbenciais deve ser destinado, exclusivamente, ao aparelhamento das Defensorias Públicas, vedado o seu rateio entre os membros da instituição. IV - Agravo interno improvido. (AgInt no AgInt no AgInt no AREsp n. 2.069.403/PB, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 11/12/2023, DJe de 18/12/2023.) Ante o exposto, conheço do agravo em recurso especial para conhecer em parte o recurso especial e dar-lhe provimento apenas para condenar o Estado do Mato Grosso do Sul ao pagamento do valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais) a título de honorários sucumbenciais de forma autônoma. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO NO RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEFENSORIA PÚBLICA ESTADUAL. ENTES DA FEDERAÇÃO. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. PERCEPÇÃO. POSSIBILIDADE. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. TEMA N. 1.002/STF. RATEIO. VEDAÇÃO. CELERIDADE. ECONOMICIDADE. PRECEDENTES. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER EM PARTE O RECURSO ESPECIAL E DAR-LHE PROVIMENTO APENAS PARA FIXAR A VERBA HONORÁRIA AO ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL DE FORMA AUTÔNOMA.