REsp 2183802 - DECISAO
Determina-se a devolução dos autos à Corte de origem para que, após a publicação do acórdão referente ao Tema 1.255 do STF, proceda-se: negar seguimento ao recurso se a decisão recorrida coincidir com a orientação da Suprema Corte; ou realizar juízo de retratação se o acórdão vergastado divergir da decisão sobre o...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE GOIÁS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 December 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Devolução Dos Autos À Corte De Origem
- Outcome
- autos devolvidos à Corte de origem
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Art. 85 Do Cpc/2015, Fixação Por Equidade, Fazenda Pública Na Lide, Repercussão Geral, Recursos Repetitivos, Juízo De Retratação
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE GOIÁS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Devolução Dos Autos À Corte De Origem
Legal Issues
- 1 possibilidade de fixação de honorários sucumbenciais por apreciação equitativa quando a parte contrária é a Fazenda Pública
- 2 alcance do art. 85, § 8º do CPC/2015 em ações de saúde e de vida
- 3 efeitos da afetação de tema à repercussão geral (Tema 1.255) sobre recursos especiais e necessidade de aguardar julgamento do paradigma
Ratio Decidendi
Determina-se a devolução dos autos à Corte de origem para que, após a publicação do acórdão referente ao Tema 1.255 do STF, proceda-se: negar seguimento ao recurso se a decisão recorrida coincidir com a orientação da Suprema Corte; ou realizar juízo de retratação se o acórdão vergastado divergir da decisão sobre o tema posto em repercussão geral.
Court Disposition
autos devolvidos à Corte de origem
Orders
- Determino a devolução dos autos à Corte de origem, com a respectiva baixa, para observância do art. 1.040 do CPC/2015 e publicação do acórdão do Tema 1.255 do STF.
- Negue-se seguimento ao recurso se a decisão recorrida coincidir com a orientação emanada pela Suprema Corte.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pela DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE GOIÁS, com fulcro na alínea "a" do permissivo constitucional, contra acórdão do Tribunal de Justiça daquela Unidade da federação. Nas suas razões, a recorrente aponta violação do 85, § 3º, I, do Código de Processo Civil, defendendo a impossibilidade de se fixar os honorários sucumbenciais por equidade, nas demandas em que a parte contrária é a Fazenda Pública. Contrarrazões apresentadas às e-STJ fls. 328/337. Juízo positivo de admissibilidade pelo Tribunal de origem, às 344/347. O Ministério Público Federal manifestou-se pela devolução dos autos à origem, em observâncias ao art. 1.040 e seguintes do CPC/2015. Passo a decidir. A Corte Especial decidiu acerca da impossibilidade de fixação de honorários de sucumbência por apreciação e quitativa no julgamento dos Recursos Especiais 1.850.512/SP, 1.877.883/SP, 1.906.623/SP e 1.906.618/SP, submetidos à sistemática dos recursos repetitivos, ainda que o valor da causa, da condenação ou do proveito econômico seja elevado (Tema 1.076), estabelecendo as seguintes teses: a) A fixação dos honorários por apreciação equitativa não é permitida quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem elevados. É obrigatória nesses casos a observância dos percentuais previstos nos §§ 2º ou 3º do art. 85 do CPC - a depender da presença da Fazenda Pública na lide -, os quais serão subsequentemente calculados sobre o valor: (i) da condenação; ou (ii) do proveito econômico obtido; ou (iii) do valor atualizado da causa. b) Apenas se admite arbitramento de honorários por equidade quando, havendo ou não condenação: (i) o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório; ou (ii) o valor da causa for muito baixo. É certo que, nas ações relacionad as ao direito constitucional à vida e/ou à saúde, como na hipótese dos autos, o Superior Tribunal de Justiça vinha admitido o arbitramento dos honorários de sucumbência por apreciação equitativa, na forma do art. 85, § 8º, do CPC/2015, por considerar que o proveito econômico obtido é inestimável. Ocorre que a Corte Especial do STJ, em hipótese análoga, de demanda voltada ao custeio de medicamentos para tratamento de saúde, entendeu que a fixação da verba honorária com base no art. 85, §8º, do CPC/2015 estaria restrita às "causas em que não se vislumbra benefício patrimonial imediato, como, por exemplo, as de estado e de direito de família" (AgInt nos EDcl nos EREsp 1.866.671/RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe de 27/9/ 2022). Não obstante, em sessão de julgamento realizada em 09/08/2023, o STF decidiu afetar à sistemática da repercussão geral o RE 1.412.069/PR, em que discutida a "possibilidade da fixação dos honorários por apreciação equitativa (art. 85,§ 8º, do Código de Processo Civil) quando os valores da condenação, da causa ou do proveito econômico da demanda forem exorbitantes" - Tema 1.255. Nesse caso, encontrando-se o tema afetado à sistemática da repercussão geral, esta Corte orienta que os recursos que tratam da mesma controvérsia devem aguardar o julgamento do paradigma representativo sobrestados no Tribunal de origem, viabilizando, assim, o juízo de conformação, hoje disciplinado pelos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/2015. Confiram-se as seguintes decisões monocráticas no mesmo viés: AgInt nos EDcl no Ag 1.432.709/ES, rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 18/12/2018; REsp 1.770.141/RJ, rel. Ministra REGINA HELENACOSTA, Primeira Turma, DJe 18/10/2018. Somente depois de realizada essa providência, que representa o exaurimento da instância ordinária, é que o recurso especial deverá ser encaminhado a esta Corte Superior, para que aqui possam ser analisadas as questões jurídicas nele suscitadas e que não ficaram prejudicadas pelo novo pronunciamento do Tribunal a quo. Registre-se que essa medida visa evitar também o desmembramento do apelo especial e, em consequência, eventual ofensa ao princípio da unirrecorribilidade ou unicidade recursal. Ante o exposto, DETERMINO A DEVOLUÇÃO DOS AUTOS à Corte de origem, com a respectiva baixa, para que, após a publicação do acórdão referente ao Tema 1.255 do STF, em observância ao art. 1.040 do CPC/2015: a) negue seguimento ao recurso se a decisão recorrida coincidir com a orientação emanada pela Suprema Corte; ou b) proceda ao juízo de retratação na hipótese de o acórdão vergastado divergir da decisão sobre o tema posto em repercussão geral. Publique -se. Intimem-se. EMENTA