AREsp 1914528 - DECISAO
O acórdão foi mantido porque a jurisprudência do STJ é no sentido de que, quando o mandato do advogado é revogado, a execução de honorários sucumbenciais nos próprios autos da ação principal é incabível, exigindo-se ação autônoma para apurar e quantificar a participação processual e a verba devida; diante da...
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- Parties
- Agravante: CARLOS ARAUZ FILHO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 September 2021
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Conhecimento Do Agravo E Negação De Provimento Ao Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Revogação De Mandato, Ação Autônoma, Súmula 83/stj, Art. 24, §1º, Lei 8.906/1994
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Parties
CARLOS ARAUZ FILHO
Agravante
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Conhecimento Do Agravo E Negação De Provimento Ao Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Possibilidade de execução de honorários sucumbenciais nos próprios autos quando o mandato do advogado foi revogado
- 2 Interpretação do art. 24, §1º da Lei nº 8.906/1994 quanto à percepção de honorários no bojo da execução
- 3 Aplicação da Súmula 83/STJ como óbice ao recurso especial
Ratio Decidendi
O acórdão foi mantido porque a jurisprudência do STJ é no sentido de que, quando o mandato do advogado é revogado, a execução de honorários sucumbenciais nos próprios autos da ação principal é incabível, exigindo-se ação autônoma para apurar e quantificar a participação processual e a verba devida; diante da consonância do acórdão recorrido com essa orientação, aplicou-se o óbice da Súmula 83/STJ, motivo pelo qual se conheceu do agravo e se negou provimento ao recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial
Orders
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por CARLOS ARAUZ FILHO em face de decisão que inadmitiu recurso especial fundado no art. 105, III,"c", da Constituição Federal, interposto contra v. acórdão do eg. Tribunal de Justiça do Estado doParaná, assim ementado: "AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS. PEDIDO DE RESERVA. IMPOSSIBILIDADE.MANDATO REVOGADO. CONSTITUIÇÃO DE NOVO PATRONO NA EXECUÇÃO. NECESSIDADE DE AÇÃO AUTÔNOMA.PRECEDENTOS DO STJ. DECISÃO MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. "A jurisprudência desta Corte Superior de Justiça é pela impossibilidade da execução de honorários advocatícios sucumbenciais nos próprios autos da ação principal em relação a advogado que teve seu mandato revogado" (AgInt no REsp n. 1.546.305/PR, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 16/06/2016, DJe 3/8/2016)." (fl. 105) Os embargos de declaração foram rejeitados. Nas razões do recurso especial, o ora agravante apontadivergência jurisprudencial na interpretação do art. 24, § 1º da Lei nº 8906/1994, especificamente quanto ao direito àpercepção de honorários advocatícios no bojo da própria execução, em sendo revogado unilateralmenteo mandato. Apresentadas contrarrazões às fls. 232/242. É o relatório. No que se refere ao direito de perseguir o crédito dos honorários advocatícios em sede do processo executivo, consignou o Tribunal de origem: Dessa forma, o advogado interpôs o presente recurso alegando, em síntese, que em atenção ao princípio da economia processual e ao disposto no art. 24, §1º, da Lei nº 8.906/94, o crédito desses honorários pode ser cobrado no presente feito, sem a necessidade de ação autônoma. Contudo, sem razão. Isso porque a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que, em casos como o presente, é incabível a execução de honorários advocatícios sucumbenciais nos próprios autos da ação principal em relação ao advogado que teve seu mandato revogado, devendo a referida verba ser pleiteada em ação autônoma. Visto que há que se aferir os atos praticados, o tempo de acompanhamento do processo, enfim todos os elementos que regem o tema e que estão previstos no art.85, § 2o., incs. I a IV, do CPC, para daí se aferir a proporção de honorários de sucumbência que terá direito. (fls. 106/107) Com efeito, a jurisprudência consolidada desta Corte se manifesta no sentido de que é incabível a cobrança dos honorários advocatícios no bojo dademanda naqual o patrono teve seu mandato revogado, tendo em vista a necessidade de se analisar a participação nos atos processuais, a fim de quantificar a verba devida, tanto no que se refere aos honorários contratuais, quanto aos sucumbenciais. A propósito: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. EXECUÇÃO. DESPACHO INICIAL. PROVISORIEDADE. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. COMPOSIÇÃO AMIGÁVEL. HONORÁRIOS INICIAIS. INSUBSISTÊNCIA. MANDATO JUDICIAL. REVOGAÇÃO. COBRANÇA DE HONORÁRIOS. INVIABILIDADE. AÇÃO AUTÔNOMA. NECESSIDADE. DECISÃO MANTIDA. 1. A jurisprudência sedimentada do STJ orienta que os honorários fixados no despacho inicial da execução possuem caráter provisional e podem ser majorados, reduzidos ou até mesmo excluídos posteriormente, fixando-se a sucumbência definitiva somente ao final do processo. 2. Ao receber a inicial da execução, o juiz arbitra honorários apenas provisoriamente, para a hipótese de pronto pagamento, pelo executado, no prazo fixado pela lei processual (CPC/1973, art. 652-A; CPC/2015, art. 827). No caso de continuidade do feito executivo, faz-se impositivo um novo arbitramento, oportunidade em que o magistrado considerará os desdobramentos do processo, tais como a eventual oposição (e o resultado) de embargos do devedor, bem assim todo "o trabalho realizado pelo advogado do exequente" (CPC/2015, art. 827, § 2º). Logo, não se trata de título executivo revestido de definitividade que qualifique direito adquirido e desde logo esteja incorporado ao patrimônio do advogado que patrocina o exequente. 3. Diante de ulterior composição amigável entre as partes, não mais subsistem os honorários fixados no despacho inicial, tampouco se cogita de sucumbência, haja vista que, a rigor, não há falar em vencedor ou vencido. A transação, sabidamente, pressupõe que as partes façam concessões mútuas com o objetivo de pôr fim ao litígio (CC/2002, art. 840). Por esse motivo, " n os casos em que houve a revogação, pelo cliente, do mandato outorgado ao advogado, este não está autorizado a demandar honorários de sucumbência da parte adversa nos próprios autos da execução relativa ao objeto principal do processo. Nessas hipóteses, o antigo patrono deve pleitear seus direitos (por exemplo, honorários contratuais e indenização pelos honorários sucumbenciais de que foi privado) em ação autônoma proposta contra o ex-cliente" (AgRg no AREsp 757.537/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 16/11/2015). 4. " A penas o advogado constituído nos autos possui interesse processual para a discussão de eventual direito à verba honorária, cabendo àquele que teve revogado o seu mandato propor ação própria para pleitear direitos relacionados aos honorários contratuais ou à indenização pelos honorários sucumbenciais" (REsp 1726925/MA, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/06/2018, DJe 15/02/2019). No mesmo sentido: AgInt no AREsp 873.920/RS, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 05/06/2018, DJe 12/06/2018; AgInt nos EDcl Acordo no REsp 1517922/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 24/04/2018, DJe 30/04/2018; AgInt no AgRg no AREsp 812.524/PR, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 18/10/2016, DJe 27/10/2016; AgRg no AREsp 275.001/RS, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 04/02/2016, DJe 16/02/2016; AgInt no AREsp 1062559/RS, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 23/05/2017, DJe 30/05/2017; AgInt no AREsp 899.389/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 06/12/2016, DJe 14/12/2016; REsp 901.983/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 07/10/2008, DJe 23/10/2008, dentre outros. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AgInt no AREsp 1790469/MT, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 31/05/2021, DJe 07/06/2021) AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. RECONSIDERAÇÃO. REVOGAÇÃO DO MANDATO DO ADVOGADO. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. AJUIZAMENTO DE AÇÃO AUTÔNOMA. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO PROVIDO PARA CONHECER DO AGRAVO E DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. 1. Agravo interno contra decisão da Presidência que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial, em razão da incidência da Súmula 284 do STF. Reconsideração. 2. A jurisprudência desta Corte de Justiça consagra orientação de que é indevida a execução de honorários advocatícios sucumbenciais nos próprios autos da ação principal em relação a advogado que teve seu mandato revogado, devendo este promover ação autônoma. 3. Agravo interno provido para conhecer do agravo e dar provimento ao recurso especial, extinguindo o cumprimento de sentença. (AgInt nos EDcl no AREsp 1574820/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 11/05/2020, DJe 25/05/2020) Assim, estando o acórdão recorrido em harmonia com a orientação firmada nesta Corte Superior, incide, na espécie, o óbice previsto na Súmula 83 do STJ. Diante do exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, b, do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se.