REsp 2129572 - DECISAO
Em razão da existência de debate entre a jurisprudência do STJ (Temas 128 e 129 e Súmula 421) e o entendimento do STF no Tema 1.002 (RE 1.140.005/RJ) sobre a autonomia da Defensoria Pública e o recebimento de honorários sucumbenciais, determino a devolução dos autos ao tribunal a quo para que, em observância aos...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: Defensoria Pública da União; Recorrido: Fazenda Nacional
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 April 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática; Autos Devolvidos Ao Tribunal a Quo Para Denegação De Seguimento Ou Juízo De Retratação (arts. 1.040 E Ss. Cpc/2015)
- Outcome
- Autos devolvidos ao tribunal a quo com baixa para que observe o Tema 1002/STF e proceda, conforme o caso, à denegação de seguimento ou ao juízo de retratação.
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Autonomia Da Defensoria Pública, Temas Repetitivos (tema 1002/stf; Temas 128 E 129/stj), Súmula 421 Do STJ, Prescrição
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Defensoria Pública da União
Recorrente
Fazenda Nacional
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática; Autos Devolvidos Ao Tribunal a Quo Para Denegação De Seguimento Ou Juízo De Retratação (arts. 1.040 E Ss. Cpc/2015)
Legal Issues
- 1 É devida verba honorária sucumbencial à Defensoria Pública da União quando esta atua contra pessoa jurídica de direito público federal à qual pertence?
- 2 Qual a eficácia do Tema 1002/STF e seu impacto sobre a jurisprudência consolidada nos Temas 128 e 129/STJ e na Súmula 421 do STJ?
- 3 Como proceder diante de conflito entre entendimento do STF sobre autonomia da Defensoria e jurisprudência desta Corte?
Ratio Decidendi
Em razão da existência de debate entre a jurisprudência do STJ (Temas 128 e 129 e Súmula 421) e o entendimento do STF no Tema 1.002 (RE 1.140.005/RJ) sobre a autonomia da Defensoria Pública e o recebimento de honorários sucumbenciais, determino a devolução dos autos ao tribunal a quo para que, em observância aos arts. 1.040 e seguintes do CPC/2015 e ao Tema 1002/STF, denegue seguimento ao recurso caso o acórdão recorrido coincida com a orientação dos Tribunais Superiores ou proceda ao juízo de retratação caso diverja, assegurando-se a compatibilização da jurisprudência entre as Cortes superiores.
Court Disposition
Autos devolvidos ao tribunal a quo com baixa para que observe o Tema 1002/STF e proceda, conforme o caso, à denegação de seguimento ou ao juízo de retratação.
Orders
- Determinar devolução dos autos ao Tribunal a quo com baixa
- a) Denegar seguimento ao Recurso, se o acórdão recorrido coincidir com a orientação emanada pelos Tribunais Superiores (arts. 1.040 e ss. CPC/2015).
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial interposto contra acordão cuja ementa é a seguinte (fls.160-167-e-STJ): EXECUÇÃO FISCAL. DIREITO CONSTITUCIONAL. DIREITO FINANCEIRO. DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO (DPU). VERBA HONORÁRIA EM FACE DE ENTE FEDERAL. TEMA 1002/C.STF. REPERCUSSÃO GERAL PENDENTE. TEMAS 128 E 129/E. STJ. OVERRULING. INEXISTÊNCIA DE REQUISITOS. JURISPRUDÊNCIA DO E. TRF3. IMPOSSIBILIDADE. - Na opinião do Relator, dada à autonomia funcional, orçamentária e administrativa da DPU, conferida por reformas constitucionais ao art. 134 da ordem de 1988, não há mais a confusão patrimonial quando ente federal (da administração direta e indireta) é condenado em honorários sucumbenciais em favor da Defensoria, além do que há expresso comando legal garantindo o recebimento de verbas sucumbenciais decorre ntes de sua atuação, "inclusive quando devidas por quaisquer entes públicos" (art. 4º, XXI, da Lei Complementar nº 80/1994, na redação da Lei Complementar nº 132/2009), de modo que esses valores compõem suas fontes de financiamento. - Contudo, observando que o Tema 1002 está pendente de julgamento de julgamento no C.STF (sem determinação de sobrestamento de feitos), considerando o conteúdo obrigatório do entendimento firmado pelo E.STJ nos Temas 128 e 129 (reafirmados sob o fundamento de que não há motivos para overruling após as Emendas Constitucionais nºs 74/2013 e 80/2014 e da Lei Complementar nº 132/2009), e em vista de reiterados e recentes julgados deste E.TRF sobre a matéria, a DPU não pode receber honorários advocatícios sucumbenciais quando atua contra pessoa jurídica de direito público federal (da administração direta e indireta). - No caso dos autos, à época do ajuizamento da presente execução fiscal (12/02/2015), o débito perseguido já se encontrava atingido pela prescrição. Pela causalidade, os honorários seriam devidos pela União à DPU, o que confronta com as orientações obrigatórias dos Temas 128 e 129/E.STJ.- Apelação desprovida. Os Embargos de Declaração não foram providos ( fls.209-217, e-STJ). A Defensoria Pública da União alega: Como visto, trata-se de execução fiscal que foi extinta em virtude do e que, apesar disso, afastou reconhecimento da prescrição da pena de multa imposta em sentença criminal a condenação da Fazenda Nacional ao pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública da União, pois considerou que ela atuou contra a União, entendimento que, no entanto, viola o disposto no art. 4º, XXI, da Lei Complementar 80/1994. Contrarrazões às fls. 244-247, e-STJ. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 9 de abril de 2024. A Controvérsia 56/STJ, que visava à revisão dos Temas 128, 129 e 433/STJ, foi tacitamente rejeitada. Com isso, não foram conhecidos os Recursos Especiais 1.746.683, 1.735.591, 1.735.907, 1.736.252, 1.752.738, 1.768.245, 1.736.503, 1.752.884 e 1.736.278 por ter sido a controvérsia dirimida na origem com base em fundamentos de índole constitucional e infraconstitucional, ambos suficientes para manter o julgado. Não houve revogação do Tema Repetitivo 128/STJ, no qual foi firmada a tese de que "os honorários advocatícios não são devidos à Defensoria Pública quando ela atua contra a pessoa jurídica de direito público à qual pertença". A Súmula 421 do STJ determinava que os honorários advocatícios não seriam devidos à Defensoria Pública quando ela atuasse contra a pessoa jurídica de direito público à qual pertencesse. Entretanto, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça cancelou a referida Súmula na sessão ordinária de 17 de abril de 2024. Ademais, ao considerar a autonomia administrativa, funcional e financeira atribuída à Defensoria Pública no julgamento do RE 1.140.005/RJ, vinculado ao Tema 1.002/STF, o Supremo Tribunal Federal decidiu em sentido oposto e concluiu pela ausência de vínculo de subordinação ao Poder Executivo e consequente superação do argumento de confusão patrimonial. Na ocasião, foi definida tese que assegura o pagamento de honorários sucumbenciais à instituição, independentemente do ente público litigante, os quais devem ser destinados, exclusivamente, ao aparelhamento das Defensorias Públicas, sendo vedado o rateio dos valores entre seus membros. A propósito: (..) Em razão da autonomia e da relevância institucional das Defensorias Públicas, é constitucional o recebimento de honorários sucumbenciais quando estas representarem o litigante vencedor em demanda ajuizada contra qualquer ente público, ainda que o litígio se dê contra o ente federativo que integram. As reformas trazidas pelas EC 45/2004, 74/2013 e 80/2014 atribuíram autonomia funcional, administrativa e financeira às Defensorias dos estados e da União. Portanto, no contexto atual, as Defensorias Públicas são consideradas órgãos constitucionais independentes, sem subordinação ao Poder Executivo. Como deixaram de ser vistas como órgãos auxiliares do governo, que integram e vinculam-se à estrutura administrativa do estado-membro, encontra-se superado o argumento de violação do instituto da confusão (art. 381 do Código Civil). Vale ressaltar, contudo, que é vedado o rateio, entre os membros da Defensoria Pública, do valor recebido a título de verbas sucumbenciais decorrentes de sua atuação judicial. Essa quantia deve ser destinada, exclusivamente, para a estruturação das unidades dessa instituição, com vistas ao incremento da qualidade do atendimento à população carente e à garantia da efetividade do acesso à Justiça. (STF. Plenário. RE 1.140.005/RJ, Rel. Ministro Roberto Barroso, julgado em 26/6/2023 - Repercussão Geral - Tema 1.002 - Info 1100) O dever de manter a jurisprudência íntegra, estável e coerente (art. 926 do CPC/2015) impõe a compatibilização da jurisprudência esta Corte Superior com o Tema 1.002/STF. Logo, é cabível a condenação da Fazenda Nacional ao pagamento de verba sucumbencial à Defensoria Pública da União, superando-se o entendimento previsto na Súmula 421 do STJ. Diante do exposto, determino a devolução dos autos ao Tribunal a quo, com a devida baixa, para que este, em observância aos arts. 1.040 e seguintes do CPC/2015 e, em atenção ao Tema 1002/STF: a) denegue seguimento ao Recurso, se o acórdão recorrido coincidir com a orientação emanada pelos Tribunais Superiores; ou b) proceda ao juízo de retratação, na hipótese de o aresto impugnado divergir da decisão sobre o tema repetitivo. Publique-se. Intimem-se. EMENTA