AREsp 2690358 - DECISAO
Por força da afetação do tema da fixação de honorários por equidade ao regime de repercussão geral (RE 1.412.069/PR - Tema 1.255), os recursos que suscitam a mesma controvérsia devem aguardar o julgamento do paradigma representativo; portanto, o recurso especial foi considerado prejudicado e os autos foram...
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- Parties
- Autora: Zaira Maciel das Neves; Réu: Estado de Mato Grosso do Sul; Recorrente: Defensoria Pública do Estado de Goiás
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 November 2024
- Procedural Posture
- Ação Ordinária De Obrigação De Fazer / Agravo Conhecido; Recurso Especial Prejudicado; Autos Devolvidos Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformação
- Outcome
- Conheço do agravo e julgo prejudicado o exame do recurso especial, determinando a devolução dos autos ao Tribunal de origem.
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Fixação Por Equidade (art. 85, §8º Cpc), Juízo De Conformação, Repercussão Geral (tema 1.255/stf), Tutela Antecipada
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Parties
Zaira Maciel das Neves
Autora
Estado de Mato Grosso do Sul
Réu
Defensoria Pública do Estado de Goiás
Recorrente
Procedural Posture
Ação Ordinária De Obrigação De Fazer / Agravo Conhecido; Recurso Especial Prejudicado; Autos Devolvidos Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformação
Legal Issues
- 1 possibilidade de fixação de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública
- 2 aplicabilidade do art.85, §8º do CPC em ações de saúde/vida
- 3 necessidade de aguardar julgamento do RE 1.412.069/PR (Tema 1.255/STF) e submetê-lo ao juízo de conformação pelo tribunal de origem
Ratio Decidendi
Por força da afetação do tema da fixação de honorários por equidade ao regime de repercussão geral (RE 1.412.069/PR - Tema 1.255), os recursos que suscitam a mesma controvérsia devem aguardar o julgamento do paradigma representativo; portanto, o recurso especial foi considerado prejudicado e os autos foram devolvidos ao Tribunal de origem para que proceda ao juízo de conformação, nos termos dos arts. 1.039, 1.040 e 1.041 do CPC/2015.
Court Disposition
Conheço do agravo e julgo prejudicado o exame do recurso especial, determinando a devolução dos autos ao Tribunal de origem.
Orders
- Devolução dos autos ao Tribunal de origem para juízo de conformação nos termos dos arts. 1.039, 1.040 e 1.041 do CPC/2015
- Publique-se
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DECISÃO Na origem, Zaira Maciel das Neves, assistida juridicamente pela Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso do Sul, ajuizou ação ordinária de obrigação de fazer, com pedido de tutela antecipada, contra o Estado de Mato Grosso do Sul, postulando, em suma, a realização de procedimento cirúrgico de artroscopia do joelho direito, e demais recursos terapêuticos necessários, segundo critério médico, para tratamento da doença denominada gonartrose femorotibial externa, mal que acomete a autora (fls. 1-13). O valor da causa foi fixado em R$ 30.000,00 (trinta mil reais). Na sentença, confirmando a antecipação de tutela deferida, julgou-se procedente o pedido, para condenar o réu a fornecer à autora a cirurgia de artroscopia do joelho direito, necessária para o tratamento da doença denominada gonartrose femorotibial externa, sem condenação ao pagamento de honorários, por implicar confusão entre credor e devedor (fls. 52-55). O Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul manteve a sentença, nos termos da seguinte ementa (fl. 98): APELAÇÃO CÍVEL - OBRIGAÇÃO DE FAZER - PAGAMENTO DE HONORÁRIOS PELO ESTADO EM FAVOR DA DEFENSORIA PÚBLICA ESTADUAL - CONFUSÃO - RECURSO NÃO PROVIDO. Indevida a condenação do Estado ao pagamento de honorários em favor da Defensoria Pública Estadual, sob pena de se configurar o instituto da confusão. Na sequência, a Corte local exerceu juízo de retratação à luz da tese firmada no Tema 1.002/STF, para reformar parcialmente a sentença e condenar o Estado de Mato Grosso do Sul, ao pagamento de honorários sucumbenciais em favor da Defensoria Pública Estadual, fixados, por equidade, no valor de R$ 1.000,00 (mil reais), consoante ementa a seguir reproduzida (fl. 115): APELAÇÃO CÍVEL EM REANÁLISE - AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER - RETORNO DA VICE-PRESIDÊNCIA - CONDENAÇÃO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL AO PAGAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS EM FAVOR DA DEFENSORIA PÚBLICA ESTADUAL - POSSIBILIDADE - TEMA 1.002 DO STF - JUÍZO DE RETRATAÇÃO EXERCIDO - RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. I - O Supremo Tribunal Federal fixou tese vinculante no sentido de que "é devido o pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública, quando representa parte vencedora em demanda ajuizada contra qualquer ente público, inclusive aquele que integra" (RE 1.140.005-RJ - Tema 1002 do STF). II - O valor recebido a título de honorários sucumbenciais deve ser destinado, exclusivamente, ao aparelhamento das Defensorias Públicas, vedado o seu rateio entre os membros da instituição" III - Juízo de retratação exercido, para adequar o julgamento da apelação cível ao entendimento consolidado pela Suprema Corte, condenando o Estado de Mato Grosso do Sul ao pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais. Os embargos de declaração opostos por ambas as partes foram rejeitados, nos termos assim ementados (fl. 153): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO CÍVEL - OMISSÕES NÃO VERIFICADAS - MERO INCONFORMISMO COM O RESULTADO - DESNECESSIDADE DE MANIFESTAÇÃO EXPRESSA ACERCA DE TODOS OS DISPOSITIVOS LEGAIS - EMBARGOS CONHECIDOS E REJEITADOS. I - Os Embargos de Declaração têm como escopo esclarecer Sentenças ou Acórdãos que padeçam de vícios, como a obscuridade, omissão, contradição ou erro material. II - No caso, ficou cabalmente demonstrado que nas demandas em que se discute questão relativa ao direito constitucional à vida e/ou à saúde, o Superior Tribunal de Justiça tem admitido o arbitramento dos honorários advocatícios de sucumbência por apreciação equitativa, pois, independentemente do montante despendido com a prestação pleiteada, o proveito econômico obtido pelo litigante é imensurável. III - Em relação à alegada omissão a respeito da suposta ausência de manifestação sobre a necessidade de aguardar o trânsito em julgado do RE 1.140.005/RJ (Tema 1.002 do STF), não há qualquer determinação das Cortes Superiores nesse sentido, sabendo-se que não é necessário aguardar o trânsito em julgado do recurso representativo da controvérsia, nos termos do art. 1.039 do CPC e da jurisprudência do STF. Desta feita, o mero inconformismo com o resultado da demanda não autoriza a revisão de tema suficientemente devidamente fundamentado. IV - O mero inconformismo com o resultado da demanda não autoriza a revisão de tema suficientemente fundamentado. Eventual discordância das partes quanto ao resultado do julgamento deve ser objeto de recurso apropriado, não lhe servindo a via estreita dos embargos de declaração. V - Mesmo para fins de prequestionamento, a oposição de Embargos pressupõe a existência de algum dos vícios do art. 1.022 do CPC, sendo desnecessário que o julgador se manifeste sobre todos os dispositivos legais apontados pelas partes como violados. VI - Embargos de Declaração opostos pelo Estado de Mato Grosso do Sul e pela Defensoria Pública Estadual conhecidos e rejeitados. A Defensoria Pública do Estado de Goiás interpõe recurso especial, com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal, apontando a violação do Tema 1.706 do STJ e do artigo 85, §2º e §3º, do CPC/2015. Sustenta, em síntese, que "o valor atribuído à causa é de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), a totalizar, considerado o salário mínimo vigente, 22 salários mínimos, sendo certo que os honorários fixados em R$ 1.000,00 (um mil reais), equivalem a aproximadamente 3% (três por cento) do valor da ação. Portanto, considerando o entendimento firmado por essa egrégia Corte da Cidadania, por ocasião do julgamento do REsp 1.850.512 / SP nº (Tema 1.076), o valor a ser fixado a título de honorários de sucumbência poderá enquadrar-se no disposto no artigo 85, § 3º, inciso I, do Código de Processo Civil" (fl. 172). Foram apresentadas contrarrazões às fls. 195-201, e o Tribunal de origem inadmitiu o recurso especial (fls. 211-216), tendo sido interposto o presente agravo (fls. 224-236) . É o relatório. Decido. Conheço do agravo, por presentes seus requisitos, passando, desde já, à apreciação do apelo nobre. Com efeito, nas ações relacionadas ao direito constitucional à vida e/ou à saúde, como na hipótese dos autos, o Superior Tribunal de Justiça vinha admitido o arbitramento dos honorários de sucumbência por apreciação equitativa, na forma do art. 85, § 8º, do CPC/2015. De igual modo, não se olvida que a Corte Especial do STJ, em hipótese análoga, de demanda voltada ao custeio de medicamentos para tratamento de saúde, entendeu que a fixação da verba honorária com base no art. 85, §8º, do CPC/2015 estaria restrita às "causas em que não se vislumbra benefício patrimonial imediato, como, por exemplo, as de estado e de direito de família" (AgInt nos EDcl nos EREsp 1.866.671/RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe de 27.9.2022). Não obstante, em sessão de julgamento realizada em 09/08/2023, o STF, tendo em conta o Tema 1076/STJ, decidiu afetar à sistemática da repercussão geral o RE 1.412.069/PR, em que discutida a "possibilidade da fixação dos honorários por apreciação equitativa (art. 85,§ 8º, do Código de Processo Civil) quando os valores da condenação, da causa ou do proveito econômico da demanda forem exorbitantes" - Tema 1.255. Nesse caso, encontrando-se o tema afetado à sistemática da repercussão geral, esta Corte orienta que os recursos que suscitem a mesma controvérsia devem aguardar o julgamento do paradigma representativo sobrestados no Tribunal de origem, viabilizando, assim, o juízo de conformação, hoje disciplinado pelos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/2015. Confiram-se as seguintes decisões monocráticas no mesmo viés: AgInt nos EDcl no Ag 1.432.709/ES, rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 18/12/2018; REsp 1.770.141/RJ, rel. Ministra REGINA HELENACOSTA, Primeira Turma, DJe 18/10/2018. Importante registrar que compete ao Tribunal de origem avaliar, previamente, se o valor da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda é ou não exorbitante, consideradas as peculiaridades do caso, e, quando do juízo de conformação, decidir se o julgamento originário guarda sintonia ou não com o Tema 1.255 do STF - RE 1.412.069/PR. Somente depois de realizada essa providência, que representa o exaurimento da instância ordinária, é que o recurso especial deverá ser encaminhado a esta Corte Superior, para que aqui possam ser analisadas as questões jurídicas nele suscitadas e que não ficaram prejudicadas pelo novo pronunciamento do Tribunal a quo. A propósito: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. PEDIDO DE DISTINÇÃO INDEFERIDO. REALIZAÇÃO DE JUÍZO DE CONFORMAÇÃO, PELA CORTE DE ORIGEM, COM O TEMA 1.255/STF. NECESSIDADE. 1. Agravo interno desafiando decisão de indeferimento de pedido de distinção, fundado no art. 1.037,§ 13, II, do CPC. 2. Recurso especial que discute a possibilidade, ou não, de fixação dos honorários advocatícios por equidade em ação na qual se pleiteia o fornecimento de medicamento, em que o bem jurídico tutelado seria a vida, que possui valor inestimável. 3. Havendo a adequação da questão em debate com o tema de repercussão geral mencionado alhures, de rigor o cumprimento do juízo de adequação, pelo Sodalício de origem, do juízo de conformação, nos termos dos arts. 1.030 e 1.040 do CPC. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.650.663/MS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 5/9/2024.) No mesmo sentido, em hipóteses como tai s, cita-se: REsp 2170221/GO, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe de 05/11/2024; REsp 2169345/SC, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, DJe de 05/11/2024; REsp 2167151/GO, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe de 05/11/2024; REsp 2167041/GO, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe de 05/11/2024; REsp 2164895/GO, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe de 05/11/2024; REsp 2163655/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe de 05/11/2024; AREsp 2759931/SP, Rel. Ministro Segio Kukina, DJe de 04/11/2024; AREsp 2743244/MS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, DJe de 29/10/2024; AREsp 2731902/MS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, DJe de 29/10/2024; REsp 2175872/GO, Rel. Ministro Gurgel de Faria, DJe de 29/10/2024; REsp 2175680/TO, Rel. Ministro Gurgel de Faria, DJe de 29/10/2024; REsp 2162609/GO, Rel. Ministro Mauro Campbel Marques, DJe de 15/08/2024; REsp 2160988/GO, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, DJe de 15/08/2024; EDcl no REsp 2116838/GO, Rel. Ministro Paulo Sérgio Domingues, DJe de 01/08/2024; REsp 2147916/GO, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, DJe de 21/06/2024; REsp 2142021/GO, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, DJe de 21/06/2024. Ainda, por pertinente: PDist no REsp 2164083/GO, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe de 05/11/2024; PDist no REsp 2162727/GO, Rel. Ministro Gurgel de Faria, DJe de 21/10/2024; PDist no REsp 2162722/GO, Rel. Ministro Gurgel de Faria, DJe de 21/10/2024; PDist no REsp 2162175/GO, Rel. Ministro Gurgel de Faria, DJe de 21/10/2024, PDist no REsp 2161304/GO, Rel. Ministro Gurgel de Faria, DJe de 21/10/2024. Registre-se que essa medida visa evitar também o desmembramento do apelo especial e, em consequência, eventual ofensa ao princípio da unirrecorribilidade ou unicidade recursal. Ante o exposto, à luz dos precedentes desta Corte, conheço do agravo e julgo prejudicado o exame do recurso especial no presente momento processual, determinando a devolução dos autos ao Tribunal de origem, em observância aos artigos 1.039, 1.040, I e II, e 1.041 do CPC/2015. Publique-se. Intimem-se. EMENTA