REsp 2180957 - DECISAO
O Superior Tribunal de Justiça conheceu do recurso especial, mas julgou prejudicado o seu exame e determinou a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se proceda ao juízo de conformação/ retratação em face do Tema 1.255 do STF (RE 1.412.069/PR), de modo que somente após essa providência o recurso especial...
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- Parties
- Réu: Estado do Ceará
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 November 2024
- Procedural Posture
- Ação De Obrigação De Fazer (fornecimento De Medicamento) / Recurso Especial Conhecido E Julgado Prejudicado; Autos Devolvidos Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformação/ Retratação
- Outcome
- recurso especial conhecido e julgado prejudicado; autos devolvidos ao Tribunal de origem para juízo de conformação/retratação
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Fixação Por Equidade (art.85, §8º Cpc), Fornecimento De Medicamento, Juízo De Retratação/juízo De Conformação, Repercussão Geral (tema 1.255), Proveito Econômico
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Parties
Estado do Ceará
Réu
Procedural Posture
Ação De Obrigação De Fazer (fornecimento De Medicamento) / Recurso Especial Conhecido E Julgado Prejudicado; Autos Devolvidos Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformação/ Retratação
Legal Issues
- 1 possibilidade de condenação do ente público ao pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública quando esta atua contra a própria unidade a que está vinculada
- 2 possibilidade de fixação dos honorários por equidade (art.85, §8º CPC) em demandas com potencial proveito econômico imediato
- 3 necessidade de observância da sistemática da repercussão geral (Tema 1.255/STF) e de juízo de conformação pelo tribunal de origem antes do exame do recurso especial
Ratio Decidendi
O Superior Tribunal de Justiça conheceu do recurso especial, mas julgou prejudicado o seu exame e determinou a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se proceda ao juízo de conformação/ retratação em face do Tema 1.255 do STF (RE 1.412.069/PR), de modo que somente após essa providência o recurso especial poderá ser apreciado pelo STJ.
Court Disposition
recurso especial conhecido e julgado prejudicado; autos devolvidos ao Tribunal de origem para juízo de conformação/retratação
Orders
- Conheço e julgo prejudicado o exame do recurso especial.
- Determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem, nos termos dos arts. 1.039, 1.040, I e II, e 1.041 do CPC/2015.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de ação de obrigação de fazer, com pedido de tutela de urgência para fornecimento de medicamento, em face do Estado do Ceará, ao argumento que a requerente "faz acompanhamento no Hospital Geral Dr. César Cals, devido diagnóstico de Lúpus Eritematoso Sistêmico (CID 10: M32). (..) foi solicitado pela médica que a acompanha, em caráter de URGÊNCIA, que a autora faça tratamento com o medicamento RITUXIMABE (MABTHERA) 500MG - 02 FRASCOS-AMPOLA A CADA SEIS MESES, POR 2 (DOIS) ANOS, OU PERÍODO OU DOSAGEM SUPERIOR A SER LAUDADO POR MÉDICO JUNTO À SECRETARIA DE SAÚDE, ressaltando que essa é única marca que o produz e que o mesmo se encontra previsto nos protocolos do Colégio Americano de Reumatologia (ACR) e da EULAR (Liga Europeia)." (fl. 4). O valor da causa foi fixado em R$ 65.620,48 (sessenta e cinco mil seiscentos e vinte reais e quarenta e oito centavos). Na sentença, julgou-se extinto o feito "Em face da perda de objeto superveniente, decreto a extinção do feito sem exame do mérito. Sem condenação em custas e honorários. Malgrado o que diz a lei, a ninguém pode ser atribuído nem a culpa pela instauração da demanda, nem tampouco a responsabilidade pela ulterior inadequação do fármaco pretendido para o tratamento da autora. P. R. I. Após o trânsito em julgado, arquive-se." (fl. 89). O Tribunal de Justiça do Estado do Ceará manteve a sentença e, em juízo de conformação, fixou os honorários advocatícios, nos termos da seguinte ementa: (fls. 258-259): PROCESSUAL CIVIL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO EM APELAÇÃO CÍVEL. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO INCISO II DO ART. 1.040 DO CPC. DISCUSSÃO ACERCA DA CONDENAÇÃO DO ESTADO DO CEARÁ NO PAGAMENTO DE HONORÁRIOS À DEFENSORIA PÚBLICA. POSSIBILIDADE. MUDANÇA DE ORIENTAÇÃO NO ÂMBITO DESTE TRIBUNAL. APLICAÇÃO DO TEMA Nº 1.002 DO STF AO PRESENTE CASO. FORÇA VINCULANTE DOS PRECEDENTES (CPC, ART. 927, INCISO III). PROVEITO ECONÔMICO INESTIMÁVEL. UTILIZAÇÃO DO CRITÉRIO DA EQUIDADE PARA O ARBITRAMENTO DO SEU VALOR (CPC, ART. 85, § 8º). NECESSIDADE DE ADEQUAÇÃO DO ACÓRDÃO AO REFERIDO PRECEDENTE VINCULANTE. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. 1. Foi devolvida a este Tribunal a controvérsia em torno da possibilidade ou não da fixação de honorários em prol da Defensoria Pública, mesmo quando atua contra a Unidade da Federação a que se encontra vinculada. 2. A questão específica foi anteriormente apreciada pela 3ª Câmara de Direito Público, em sede de apelação, que manteve inalterada a sentença a quo, no sentido da impossibilidade de condenação do Estado do Ceará no pagamento de honorários em favor da Defensoria Estatal, com esteio no enunciado sumular nº 421 do STJ, ao destacar que "os honorários advocatícios não são devidos à Defensoria Pública quando ela atua contra a pessoa jurídica de direito público à qual pertença.". 3. Contudo, em 23.06.2023, a matéria em tela foi enfrentada pelo STF, em sede de Repercussão Geral (RE 1.140.005/RJ), que firmou as seguintes teses: "(1) É devido o pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública, quando representa parte vencedora em demanda ajuizada contra qualquer ente público, inclusive aquele que integra; e (2) O valor recebido a título de honorários sucumbenciais deve ser destinado, exclusivamente, ao rateio entre os membros da instituição." (Tema nº 1.002). 4. Desse modo, sobrevindo alteração de entendimento, não mais subsiste dúvida de que é devida a condenação do Estado do Ceará ao pagamento de honorários para a Defensoria Pública, à luz do novo precedente vinculante do STF. 5. E, não se fazendo possível mensurar, in concreto, o proveito econômico obtido em casos que tais, seu quantum há de ser realmente arbitrado equitativamente, de acordo com o art. 85, §§ 2º e 8º do CPC. 6. Logo, em homenagem aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, fica o valor dos honorários devidos pelo Estado do Ceará à Defensoria Pública fixado em R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais), alcançando montante compatível com as peculiaridades do caso, e os parâmetros atualmente adotados por este Tribunal. 7. Consequentemente, considerando que o acórdão anteriormente proferido pela 3ª Câmara de Direito Público não se encontra em plena conformidade com o precedente vinculante do STF (Tema nº 1.002), o exercício do juízo de retratação é medida que se impõe neste azo, com fulcro no art. 1.040, inciso II, do CPC, para condenar o Estado do Ceará no pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública, os quais fixa-se, por equidade, em R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais), tendo por base o disposto no art. 85, §§ 2º e 8º, do CPC. - Precedentes. - Juízo positivo de retratação. - Sentença reformada em parte. Por sua vez, a Defensoria Pública do Estado do Ceará interpôs recurso especial, apontando violação do art. 4º, XXI da Lei Complementar n. 80/1994, " além de ter contrariado o art. 85, §§ 2º, 3º e 8º, do CPC, conflitou com os requisitos estabelecidos no Tema 1.076, do STJ, pois era plenamente possível verificar o benefício patrimonial imediato da causa" (fls. 304). Aduz, também que o acórdão recorrido violou o art. 85, § 8ºA do CPC/2015, uma vez que "deixou de observar os valores recomendados pelo Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (seja por aplicação direta ou por referência para fixação) ou o limite mínimo de 10% sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou sobre o valor atualizado da causa. (fls. 312-313). O recurso especial restou admitido, uma vez que "como tal controvérsia diz respeito à interpretação dada à tese fixada no Tema 1076, impõe-se a re messa dos autos à Corte Superior para que se manifeste sobre a questão" (fl. 326). É o relatório. Decido. Com efeito, nas ações relacionadas ao direito constitucional à vida e/ou à saúde, como na hipótese dos autos, o Superior Tribunal de Justiça vinha admitido o arbitramento dos honorários de sucumbência por apreciação equitativa, na forma do art. 85, § 8º, do CPC/2015. De igual modo, não se olvida que a Corte Especial do STJ, em hipótese análoga, de demanda voltada ao custeio de medicamentos para tratamento de saúde, entendeu que a fixação da verba honorária com base no art. 85, § 8º, do CPC/2015 estaria restrita às "causas em que não se vislumbra benefício patrimonial imediato, como, por exemplo, as de estado e de direito de família" (AgInt nos EDcl nos EREsp 1.866.671/RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe de 27.9.2022). Não obstante, em sessão de julgamento realizada em 09/08/2023, o STF, tendo em conta o Tema 1.076/STJ, decidiu afetar à sistemática da repercussão geral o RE 1.412.069/PR, em que discutida a "possibilidade da fixação dos honorários por apreciação equitativa (art. 85,§ 8º, do Código de Processo Civil) quando os valores da condenação, da causa ou do proveito econômico da demanda forem exorbitantes" - Tema 1.255. Nesse caso, encontrando-se o tema afetado à sistemática da repercussão geral, esta Corte orienta que os recursos que suscitem a mesma controvérsia devem aguardar o julgamento do paradigma representativo sobrestados no Tribunal de origem, viabilizando, assim, o juízo de conformação, hoje disciplinado pelos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/2015. Confiram-se as seguintes decisões monocráticas no mesmo viés: AgInt nos EDcl no Ag 1.432.709/ES, rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 18/12/2018; REsp 1.770.141/RJ, rel. Ministra REGINA HELENACOSTA, Primeira Turma, DJe 18/10/2018. Importante registrar que compete ao Tribunal de origem avaliar, previamente, se o valor da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda é ou não exorbitante, consideradas as peculiaridades do caso, e, quando do juízo de conformação, decidir se o julgamento originário guarda sintonia ou não com o Tema 1.255 do STF - RE 1.412.069/PR. Somente depois de realizada essa providência, que representa o exaurimento da instância ordinária, é que o recurso especial deverá ser encaminhado a esta Corte Superior, para que aqui possam ser analisadas as questões jurídicas nele suscitadas e que não ficaram prejudicadas pelo novo pronunciamento do Tribunal a quo. A propósito: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. PEDIDO DE DISTINÇÃO INDEFERIDO. REALIZAÇÃO DE JUÍZO DE CONFORMAÇÃO, PELA CORTE DE ORIGEM, COM O TEMA 1.255/STF. NECESSIDADE. 1. Agravo interno desafiando decisão de indeferimento de pedido de distinção, fundado no art. 1.037,§ 13, II, do CPC. 2. Recurso especial que discute a possibilidade, ou não, de fixação dos honorários advocatícios por equidade em ação na qual se pleiteia o fornecimento de medicamento, em que o bem jurídico tutelado seria a vida, que possui valor inestimável. 3. Havendo a adequação da questão em debate com o tema de repercussão geral mencionado alhures, de rigor o cumprimento do juízo de adequação, pelo Sodalício de origem, do juízo de conformação, nos termos dos arts. 1.030 e 1.040 do CPC. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.650.663/MS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 5/9/2024.) No mesmo sentido, em hipóteses idênticas, cita-se: REsp 2170221/GO, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe de 05/11/2024; REsp 2169345/SC, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, DJe de 05/11/2024; REsp 2167151/GO, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe de 05/11/2024; REsp 2167041/GO, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe de 05/11/2024; REsp 2164895/GO, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe de 05/11/2024; REsp 2163655/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe de 05/11/2024; AREsp 2759931/SP, Rel. Ministro Segio Kukina, DJe de 04/11/2024; AREsp 2743244/MS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, DJe de 29/10/2024; AREsp 2731902/MS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, DJe de 29/10/2024; REsp 2175872/GO, Rel. Ministro Gurgel de Faria, DJe de 29/10/2024; REsp 2175680/TO, Rel. Ministro Gurgel de Faria, DJe de 29/10/2024; REsp 2162609/GO, Rel. Ministro Mauro Campbel Marques, DJe de 15/08/2024; REsp 2160988/GO, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, DJe de 15/08/2024; EDcl no REsp 2116838/GO, Rel. Ministro Paulo Sérgio Domingues, DJe de 01/08/2024; REsp 2147916/GO, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, DJe de 21/06/2024; REsp 2142021/GO, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, DJe de 21/06/2024. Ainda, por pertinente: PDist no REsp 2164083/GO, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe de 05/11/2024; PDist no REsp 2162727/GO, Rel. Ministro Gurgel de Faria, DJe de 21/10/2024; PDist no REsp 2162722/GO, Rel. Ministro Gurgel de Faria, DJe de 21/10/2024; PDist no REsp 2162175/GO, Rel. Ministro Gurgel de Faria, DJe de 21/10/2024, PDist no REsp 2161304/GO, Rel. Ministro Gurgel de Faria, DJe de 21/10/2024. Registre-se que essa medida visa evitar também o desmembramento do apelo especial e, em consequência, eventual ofensa ao princípio da unirrecorribilidade ou unicidade recursal. Ante o exposto, à luz dos precedentes desta Corte, conheço e julgo prejudicado o exame do recurso especial no presente momento processual, determinando a devolução dos autos ao Tribunal de origem, em observância aos artigos 1.039, 1.040, I e II, e 1.041 do CPC/2015. Publique-se. Intimem-se. EMENTA