REsp 2178268 - DECISAO
O pedido de distinção foi indeferido porque a matéria do recurso especial se relaciona diretamente com o Tema de Repercussão Geral n. 1.255/STF, sendo imprescindível aguardar o julgamento do paradigma no STF e determinar a devolução dos autos ao tribunal de origem para que seja exercido o juízo de...
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- Parties
- Requerente: DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE GOIÁS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 February 2025
- Procedural Posture
- Pedido De Distinção / Decisão Sobre Pedido De Distinção
- Outcome
- INDEFIRO o pedido de distinção
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Repercussão Geral (tema N. 1.255/stf), Pedido De Distinção, Recursos Repetitivos, Devolução Dos Autos, Equidade Na Fixação De Honorários
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Parties
DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE GOIÁS
Requerente
Procedural Posture
Pedido De Distinção / Decisão Sobre Pedido De Distinção
Legal Issues
- 1 existência de distinção entre a matéria do recurso especial e o Tema n. 1.255/STF
- 2 possibilidade de fixação de honorários por equidade quando valores da condenação, da causa ou o proveito econômico forem exorbitantes
- 3 aplicabilidade dos critérios de fixação de honorários em demandas prestacionais na área da saúde
Ratio Decidendi
O pedido de distinção foi indeferido porque a matéria do recurso especial se relaciona diretamente com o Tema de Repercussão Geral n. 1.255/STF, sendo imprescindível aguardar o julgamento do paradigma no STF e determinar a devolução dos autos ao tribunal de origem para que seja exercido o juízo de retratação/conformação, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015; além disso, decisões que determinam sobrestamento e retorno não são providências decisórias e são irrecorríveis.
Court Disposition
INDEFIRO o pedido de distinção
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de pedido de distinção apresentado pela DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE GOIÁS, com esteio nos §§ 9º e 10 do art. 1.037 do CPC, contra a decisão de fls. 485-488, que, em razão da repercussão geral reconhecida quanto ao Tema n. 1.255/STF, determinou a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que, após a publicação do acórdão a ser proferido pelo Pretório Excelso, proceda nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015. A Requerente alega que há distinção entre o tema tratado no presente recurso especial e a questão tratada no Tema de Repercussão Geral n. 1.255/STF, fato esse que justificaria não devolver o processo ao Tribunal a quo. Aponta que, no tema de Repercussão Geral n. 1.255/STF, será discutida a possibilidade de fixação de honorários por equidade nas hipóteses em que o valor da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem exorbitantes, o que não ocorre no caso. É o relatório. Decido. A irresignação não merece acolhimento. Como mencionado na decisão de fls. 485-488 , a matéria discutida no recurso especial diz respeito aos critérios de fixação da verba honorária sucumbencial em causa que versa sobre fornecimento de medicamento/tratamento de saúde. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar o Tema n. 1.076 do regime dos recursos repetitivos, estabeleceu as seguintes teses jurídicas: i) A fixação dos honorários por apreciação equitativa não é permitida quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem elevados. É obrigatória nesses casos a observância dos percentuais previstos nos §§ 2º ou 3º do artigo 85 do CPC - a depender da presença da Fazenda Pública na lide -, os quais serão subsequentemente calculados sobre o valor: (a) da condenação; ou (b) do proveito econômico obtido; ou (c) do valor atualizado da causa. ii) Apenas se admite arbitramento de honorários por equidade quando, havendo ou não condenação: (a) o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório; ou (b) o valor da causa for muito baixo. Lado outro, consigno que, de início, o Superior Tribunal de Justiça adotou o entendimento de que, nas demandas prestacionais na área da saúde, o arbitramento da verba honorária sucumbencial deveria ser fixada pelo critério da equidade, uma vez que o proveito econômico é inestimável. A Corte Especial, todavia, em feito análogo, concluiu que a fixação da verba honorária com base no art. 85, § 8º, do CPC estaria restrita às "causas em que não se vislumbra benefício patrimonial imediato, como, por exemplo, as de estado e de direito de família" (AgInt nos EDcl nos EREsp n. 1.866.671/RS, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe 27/9/2022). Mais adiante, o Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE n. 1.412.069/PR, relator Ministro André Mendonça, reconheceu a repercussão geral da matéria alusiva à "possibilidade da fixação dos honorários por apreciação equitativa (artigo 85, § 8º, do Código de Processo Civil) quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem exorbitantes" (Tema n. 1.255 do STF). Assim, por medida de economia processual e para evitar decisões dissonantes entre a Suprema Corte e esta Corte Superior, orienta-se que os recursos que tratam da mesma questão devem aguardar o julgamento do paradigma representativo no Tribunal de origem, viabilizando, assim, o juízo de conformação, disciplinado pelo art. 1.040 do CPC. Nessas condições, ao contrário do que pretende fazer crer a Requerente, para a solução da matéria controvertida veiculada nas razões do recurso especial, é imprescindível aguardar o desfecho do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, quanto ao Tema de Repercussão Geral n. 1.255/STF, inclusive no tocante à eventual necessidade, ou não, de apreciação de questões sobejantes. Registro que "o ato judicial que determina o sobrestamento e o retorno dos autos ao Tribunal a quo, a fim de que lá seja exercido o competente juízo de retratação/conformação (arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015), não possui carga decisória e não acarreta prejuízo às partes, por isso, se trata de provimento irrecorrível" (AgInt no REsp n. 1.615.887/PR, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 7/2/2019, DJe de 12/2/2019). Ante o exposto, INDEFIRO o pedido de distinção. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. PEDIDO DE DISTINÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À ORIGEM PARA AGUARDAR O JULGAMENTO DO TEMA DE REPERCUSSÃO GERAL N. 1.255/STF. ALEGADA DISTINÇÃO DO PRESENTE FEITO. INEXISTENTE. INDEFERIDO O PEDIDO.