AREsp 2734909 - DECISAO
Aplicando-se o entendimento fixado no Tema Repetitivo 1.076/STJ (REsp 1.850.512), a apreciação equitativa não é cabível na hipótese concreta, sendo obrigatório observar o art. 85, § 2º, do CPC/2015; assim, por ser mensurável o proveito econômico (R$ 5.000,00) obtido com o provimento parcial da apelação, os...
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- Parties
- Agravante: GILBERTO SAMOEL LEITE; Recorrente: banco requerido
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1.042, Cpc/15) / Admissibilidade Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido e provido; dado provimento ao recurso especial para fixar os honorários sucumbenciais em 15% sobre o proveito econômico de R$ 5.000,00, a serem pagos ao banco pelo primeiro autor.
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Proveito Econômico, Fixação Por Equidade, Recursos Especiais, Tema Repetitivo 1076/stj
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Parties
GILBERTO SAMOEL LEITE
Agravante
banco requerido
Recorrente
Procedural Posture
Agravo (art. 1.042, Cpc/15) / Admissibilidade Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 incidência do art. 85, § 2º, CPC/2015 na fixação de honorários sucumbenciais
- 2 possibilidade de arbitramento por equidade nos termos do § 8º do art. 85 do CPC/2015
- 3 aplicação do Tema Repetitivo 1.076/STJ
Ratio Decidendi
Aplicando-se o entendimento fixado no Tema Repetitivo 1.076/STJ (REsp 1.850.512), a apreciação equitativa não é cabível na hipótese concreta, sendo obrigatório observar o art. 85, § 2º, do CPC/2015; assim, por ser mensurável o proveito econômico (R$ 5.000,00) obtido com o provimento parcial da apelação, os honorários sucumbenciais devem ser arbitrados em 15% sobre esse proveito, a serem pagos pelo primeiro autor ao banco.
Court Disposition
Agravo conhecido e provido; dado provimento ao recurso especial para fixar os honorários sucumbenciais em 15% sobre o proveito econômico de R$ 5.000,00, a serem pagos ao banco pelo primeiro autor.
Orders
- Fixar os honorários sucumbenciais em 15% sobre o proveito econômico de R$ 5.000,00, a serem pagos ao banco pelo primeiro autor.
- Publique-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo (art. 1.042, CPC/15), interposto por GILBERTO SAMOEL LEITE, contra decisão que não admitiu recurso especial. O apelo extremo, com amparo na alínea "a" do permissivo constitucional, desafia acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, assim ementado (fl. 448, e-STJ): APELAÇÃO CÍVEL. INSCRIÇÃO INDEVIDA DE DÍVIDA QUITADA EM ACORDO. CONTRATOS BANCÁRIOS. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA QUE FIXA O DANO MORAL EM R$ 5.000,00 PARA CADA UM DOS AUTORES, PESSOA JURÍDICA E SEU SÓCIO ADMINISTRADOR. APELO DO BANCO. DEFENDIDA LEGITIMIDADE DAS COBRANÇAS POR TRATAREM DE DÉBITOS DIVERSOS DO ACORDO. REJEIÇÃO. COMPOSIÇÃO QUE ENGLOBOU TODOS OS CONTRATOS MANTIDOS COM A RÉ, INCLUINDO AS COBRANÇAS AGORA NEGATIVADAS. CONFIRMAÇÃO DESSE FATO PELO PREPOSTO DO REQUERIDO, EM ÁUDIO ENCAMINHADO PELO APLICATIVO WHATSAPP. PROVA CITADA, OUTROSSIM, NEM SEQUER IMPUGNADA PELO BANCO. JUSTA EXPECTATIVA DE QUITAÇÃO TOTAL QUE, NO CASO, DEVE PREVALECER. INSCRIÇÃO INDEVIDA. ABALO MORAL PRESUMIDO, MESMO PARA PESSOA JURÍDICA. SENTENÇA MANTIDA NO PONTO. PEDIDO DE AFASTAMENTO DA INDENIZAÇÃO FIXADA EM FAVOR DO SÓCIO ADMINISTRADOR. ACOLHIMENTO. PARTE QUE NÃO FOI NEGATIVADA E PESSOALMENTE NADA SOFREU COM OS FATOS TRATADOS. IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO EM RELAÇÃO A ELE. SENTENÇA REFORMADA NO PONTO. PEDIDO DE REDUÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO. REJEIÇÃO. VALOR ARBITRADO QUE SE AMOLDA AO CASO CONCRETO. PATAMAR MÍNIMO ARBITRADO POR ESTA CÂMARA EM CASOS SIMILARES. SENTENÇA MANTIDA NO PARTICULAR. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 475-477, e-STJ). Nas razões do especial (fls. 494-509, e-STJ), a recorrente alega violação do art. 85, § 2º, do Código de Processo Civil de 2015. Requer que os honorários sucumbenciais sejam fixados conforme o proveito econômico da causa. Sustenta que caso mantido o acórdão, o advogado do banco receberá à título de honorários sucumbenciais valor maior do que a indenização recebida pelos autores, mantida em R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para cada um dos autores (fl. 451, e-STJ). Contrarrazões apresentadas às fls. 524-531, e-STJ. Em razão do juízo negativo de admissibilidade na origem (fls. 546-547, e-STJ), fora interposto o presente agravo (fls. 556-569, e-STJ). Contraminuta ao agravo em recurso especial às fls. 573-578, e-STJ. É o relatório. Decido. Presentes os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A pretensão merece prosperar. 1. A parte recorrente alega violação do art. 85, § 2º, do CPC/2015, porquanto entende que os honorários sucumbenciais da parte contrária devem ser arbitrados conforme o proveito econômico obtido na causa (R$ 5.000,00), aplicando-se a equidade (fl. 509, e-STJ). Assim consignou o acórdão recorrido ao decidir da questão (fls. 451-452, e-STJ): 7. Dada a conclusão obtida, ajusto os ônus sucumbenciais. Arcam o banco requerido e o segundo autor com as despesas processuais, metade para cada. Honorários pelo banco em favor do advogado da primeira autora no montante de 15% sobre o valor da condenação; e honorários pelo segundo autor em favor do advogado do banco réu no patamar de 15% sobre o valor atualizado da causa, dada a impossibilidade de aferir o benefício financeiro, todo na forma do art. 85, § 2º, do CPC. Voto no sentido de conhecer do recurso e dar-lhe parcial provimento, apenas para julgar improcedentes os pedidos em relação ao segundo autor; mantida a sentença, na íntegra, quanto à primeira atora (sic). grifou-se A jurisprudência da Corte Especial do STJ determinou no Tema Repetitivo 1.076/STJ: "i) a fixação dos honorários por apreciação equitativa não é permitida quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem elevados. É obrigatória nesses casos a observância dos percentuais previstos nos §§ 2º ou 3º do artigo 85 do CPC - a depender da presença da Fazenda Pública na lide -, os quais serão subsequentemente calculados sobre o valor: (a) da condenação; ou (b) do proveito econômico obtido; ou (c) do valor atualizado da causa. ii) Apenas se admite arbitramento de honorários por equidade quando, havendo ou não condenação: (a) o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório; ou (b) o valor da causa for muito baixo". A saber: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL SOB O RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. ART. 85, §§ 2º, 3º, 4º, 5º, 6º E 8º, DO CPC. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. VALORES DA CONDENAÇÃO, DA CAUSA OU PROVEITO ECONÔMICO DA DEMANDA ELEVADOS. IMPOSSIBILIDADE DE FIXAÇÃO POR APRECIAÇÃO EQUITATIVA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. RECURSO JULGADO SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015, C/C O ART. 256-N E SEGUINTES DO REGIMENTO INTERNO DO STJ. 1. O objeto da presente demanda é definir o alcance da norma inserta no § 8º do artigo 85 do CPC, a fim de compreender as suas hipóteses de incidência, bem como se é permitida a fixação dos honorários por apreciação equitativa quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem elevados. 2. O CPC/2015 pretendeu trazer mais objetividade às hipóteses de fixação dos honorários advocatícios e somente autoriza a aplicação do § 8º do artigo 85 - isto é, de acordo com a apreciação equitativa do juiz - em situações excepcionais em que, havendo ou não condenação, estejam presentes os seguintes requisitos: 1) proveito econômico irrisório ou inestimável, ou 2) valor da causa muito baixo. Precedentes. 3. A propósito, quando o § 8º do artigo 85 menciona proveito econômico "inestimável", claramente se refere àquelas causas em que não é possível atribuir um valor patrimonial à lide (como pode ocorrer nas demandas ambientais ou nas ações de família, por exemplo). Não se deve confundir "valor inestimável" com "valor elevado". 4. Trata-se, pois, de efetiva observância do Código de Processo Civil, norma editada regularmente pelo Congresso Nacional, no estrito uso da competência constitucional a ele atribuída, não cabendo ao Poder Judiciário, ainda que sob o manto da proporcionalidade e razoabilidade, reduzir a aplicabilidade do dispositivo legal em comento, decorrente de escolha legislativa explicitada com bastante clareza. 5. Percebe-se que o legislador tencionou, no novo diploma processual, superar jurisprudência firmada pelo STJ no que tange à fixação de honorários por equidade quando a Fazenda Pública fosse vencida, o que se fazia com base no art. 20, § 4º, do CPC revogado. O fato de a nova legislação ter surgido como uma reação capitaneada pelas associações de advogados à postura dos tribunais de fixar honorários em valores irrisórios, quando a demanda tinha a Fazenda Pública como parte, não torna a norma inconstitucional nem autoriza o seu descarte. 6. A atuação de categorias profissionais em defesa de seus membros no Congresso Nacional faz parte do jogo democrático e deve ser aceita como funcionamento normal das instituições. Foi marcante, na elaboração do próprio CPC/2015, a participação de associações para a promoção dos interesses por elas defendidos. Exemplo disso foi a promulgação da Lei n. 13.256/2016, com notória gestão do STF e do STJ pela sua aprovação. Apenas a título ilustrativo, modificou-se o regime dos recursos extraordinário e especial, com o retorno do juízo de admissibilidade na segunda instância (o que se fez por meio da alteração da redação do art. 1.030 do CPC). 7. Além disso, há que se ter em mente que o entendimento do STJ fora firmado sob a égide do CPC revogado. Entende-se como perfeitamente legítimo ao Poder Legislativo editar nova regulamentação legal em sentido diverso do que vinham decidindo os tribunais. Cabe aos tribunais interpretar e observar a lei, não podendo, entretanto, descartar o texto legal por preferir a redação dos dispositivos decaídos. A atuação do legislador que acarreta a alteração de entendimento firmado na jurisprudência não é fenômeno característico do Brasil, sendo conhecido nos sistemas de Common Law como overriding. 8. Sobre a matéria discutida, o Enunciado n. 6 da I Jornada de Direito Processual Civil do Conselho da Justiça Federal - CJF afirma que: "A fixação dos honorários de sucumbência por apreciação equitativa só é cabível nas hipóteses previstas no § 8º, do art. 85 do CPC." 9. Não se pode alegar que o art. 8º do CPC permite que o juiz afaste o art. 85, §§ 2º e 3º, com base na razoabilidade e proporcionalidade, quando os honorários resultantes da aplicação dos referidos dispositivos forem elevados. 10. O CPC de 2015, preservando o interesse público, estabeleceu disciplina específica para a Fazenda Pública, traduzida na diretriz de que quanto maior a base de cálculo de incidência dos honorários, menor o percentual aplicável. O julgador não tem a alternativa de escolher entre aplicar o § 8º ou o § 3º do artigo 85, mesmo porque só pode decidir por equidade nos casos previstos em lei, conforme determina o art. 140, parágrafo único, do CPC. 11. O argumento de que a simplicidade da demanda ou o pouco trabalho exigido do causídico vencedor levariam ao seu enriquecimento sem causa - como defendido pelo amicus curiae COLÉGIO NACIONAL DEPROCURADORES GERAIS DOS ESTADOS E DO DISTRITO FEDERAL / CONPEG - deve ser utilizado não para respaldar apreciação por equidade, mas sim para balancear a fixação do percentual dentro dos limites do art. 85, § 2º, ou dentro de cada uma das faixas dos incisos contidos no § 3º do referido dispositivo. 12. Na maioria das vezes, a preocupação com a fixação de honorários elevados ocorre quando a Fazenda Pública é derrotada, diante da louvável consideração com o dinheiro público, conforme se verifica nas divergências entre os membros da Primeira Seção. É por isso que a matéria já se encontra pacificada há bastante tempo na Segunda Seção (nos moldes do REsp n. 1.746.072/PR, relator para acórdão Ministro Raul Araújo, DJe de 29/3/2019), no sentido de que os honorários advocatícios sucumbenciais devem ser fixados no patamar de 10% a 20%, conforme previsto no art. 85, § 2º, inexistindo espaço para apreciação equitativa nos casos de valor da causa ou proveito econômico elevados. 13. O próprio legislador anteviu a situação e cuidou de resguardar o erário, criando uma regra diferenciada para os casos em que a Fazenda Pública for parte. Foi nesse sentido que o art. 85, § 3º, previu a fixação escalonada de honorários, com percentuais variando entre 1% e 20% sobre o valor da condenação ou do proveito econômico, sendo os percentuais reduzidos à medida que se elevar o proveito econômico. Impede-se, assim, que haja enriquecimento sem causa do advogado da parte adversa e a fixação de honorários excessivamente elevados contra o ente público. Não se afigura adequado ignorar a redação do referido dispositivo legal a fim de criar o próprio juízo de razoabilidade, especialmente em hipótese não prevista em lei. 14. A suposta baixa complexidade do caso sob julgamento não pode ser considerada como elemento para afastar os percentuais previstos na lei. No ponto, assiste razão ao amicus curiae Instituto Brasileiro de Direito Processual - IBDP, quando afirma que "esse dado já foi levado em consideração pelo legislador, que previu "a natureza e a importância da causa" como um dos critérios para a determinação do valor dos honorários (art. 85, § 2º, III, do CPC), limitando, porém, a discricionariedade judicial a limites percentuais. Assim, se tal elemento já é considerado pelo suporte fático abstrato da norma, não é possível utilizá-lo como se fosse uma condição extraordinária, a fim de afastar a incidência da regra". Idêntico raciocínio se aplica à hipótese de trabalho reduzido do advogado vencedor, uma vez que tal fator é considerado no suporte fático abstrato do art. 85, § 2º, IV, do CPC ("o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço"). 15. Cabe ao autor - quer se trate do Estado, das empresas, ou dos cidadãos - ponderar bem a probabilidade de ganhos e prejuízos antes de ajuizar uma demanda, sabendo que terá que arcar com os honorários de acordo com o proveito econômico ou valor da causa, caso vencido. O valor dos honorários sucumbenciais, portanto, é um dos fatores que deve ser levado em consideração no momento da propositura da ação. 16. É muito comum ver no STJ a alegação de honorários excessivos em execuções fiscais de altíssimo valor posteriormente extintas. Ocorre que tais execuções muitas vezes são propostas sem maior escrutínio, dando-se a extinção por motivos previsíveis, como a flagrante ilegitimidade passiva, o cancelamento da certidão de dívida ativa, ou por estar o crédito prescrito. Ou seja, o ente público aduz em seu favor a simplicidade da causa e a pouca atuação do causídico da parte contrária, mas olvida o fato de que foi a sua falta de diligência no momento do ajuizamento de um processo natimorto que gerou a condenação em honorários. Com a devida vênia, o Poder Judiciário não pode premiar tal postura. 17. A fixação de honorários por equidade nessas situações - muitas vezes aquilatando-os de forma irrisória - apenas contribui para que demandas frívolas e sem possibilidade de êxito continuem a ser propostas diante do baixo custo em caso de derrota. 18. Tal situação não passou despercebida pelos estudiosos da Análise Econômica do Direito, os quais afirmam com segurança que os honorários sucumbenciais desempenham também um papel sancionador e entram no cálculo realizado pelas partes para chegar à decisão - sob o ponto de vista econômico - em torno da racionalidade de iniciar um litígio. 19. Os advogados devem lançar, em primeira mão, um olhar crítico sobre a viabilidade e probabilidade de êxito da demanda antes de iniciá-la. Em seguida, devem informar seus clientes com o máximo de transparência, para que juntos possam tomar a decisão mais racional considerando os custos de uma possível sucumbência. Promove-se, dessa forma, uma litigância mais responsável, em benefício dos princípios da razoável duração do processo e da eficiência da prestação jurisdicional. 20. O art. 20 da "Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro" (Decreto-Lei n. 4.657/1942), incluído pela Lei n. 13.655/2018, prescreve que, "nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão". Como visto, a consequência prática do descarte do texto legal do art. 85, §§ 2º, 3º, 4º, 5º, 6º e 8º, do CPC, sob a justificativa de dar guarida a valores abstratos como a razoabilidade e a proporcionalidade, será um poderoso estímulo comportamental e econômico à propositura de demandas frívolas e de caráter predatório. 21. Acrescente-se que a postura de afastar, a pretexto de interpretar, sem a devida declaração de inconstitucionalidade, a aplicação do § 8º do artigo 85 do CPC/2015, pode ensejar questionamentos acerca de eventual inobservância do art. 97 da CF/1988 e, ainda, de afronta ao verbete vinculante n. 10 da Súmula do STF. 22. Embora não tenha sido suscitado pelas partes ou amigos da Corte, não há que se falar em modulação dos efeitos do julgado, uma vez que não se encontra presente o requisito do art. 927, § 3º, do CPC. Isso porque, no caso sob exame, não houve alteração de jurisprudência dominante do STJ, a qual ainda se encontra em vias de consolidação. 23. Assim, não se configura a necessidade de modulação dos efeitos do julgado, tendo em vista que tal instituto visa a assegurar a efetivação do princípio da segurança jurídica, impedindo que o jurisdicionado de boa-fé seja prejudicado por seguir entendimento dominante que terminou sendo superado em momento posterior, o que, como se vê claramente, não ocorreu no caso concreto. 24. Teses jurídicas firmadas: i) A fixação dos honorários por apreciação equitativa não é permitida quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem elevados. É obrigatória nesses casos a observância dos percentuais previstos nos §§ 2º ou 3º do artigo 85 do CPC - a depender da presença da Fazenda Pública na lide -, os quais serão subsequentemente calculados sobre o valor: (a) da condenação; ou (b) do proveito econômico obtido; ou (c) do valor atualizado da causa. ii) Apenas se admite arbitramento de honorários por equidade quando, havendo ou não condenação: (a) o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório; ou (b) o valor da causa for muito baixo. 25. Recurso especial conhecido e provido, devolvendo-se o processo ao Tribunal de origem, a fim de que arbitre os honorários observando os limites contidos no art. 85, §§ 3º, 4º, 5º e 6º, do CPC, nos termos da fundamentação. 26. Recurso julgado sob a sistemática do art. 1.036 e seguintes do CPC/2015 e art. 256-N e seguintes do Regimento Interno do STJ. (REsp n. 1.850.512/SP, relator Ministro Og Fernandes, Corte Especial, julgado em 16/3/2022, DJe de 31/5/2022) grifou-se . Em síntese, importa consignar que a Corte Especial, em sede de julgamento de recursos repetitivos, REsp 1.850.512/PB (TEMA 1076), firmou as seguintes teses: i) A fixação dos honorários por apreciação equitativa não é permitida quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem elevados. É obrigatória nesses casos a observância dos percentuais previstos nos §§ 2º ou 3º do art. 85 do CPC - a depender da presença da Fazenda Pública na lide -, os quais serão subsequentemente calculados sobre o valor: (a) da condenação; ou (b) do proveito econômico obtido; ou (c) do valor atualizado da causa. ii) Apenas se admite arbitramento de honorários por equidade quando, havendo ou não condenação: (a) o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório; ou (b) o valor da causa for muito baixo. No caso dos autos, depreende-se que a Corte local não decidiu em harmonia com a orientação jurisprudencial deste Tribunal Superior, razão pela qual merece provimento o apelo nobre a fim de fixar os honorários sucumbenciais sobre o proveito econômico obtido com o acolhimento parcial da apelação. Conforme o art. 85, § 2º, o proveito econômico precede o valor da causa na fixação dos honorários sucumbenciais. Na presente hipótese, o proveito econômico obtido com o provimento parcial da apelação é mensurável a claro, qual seja, o valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) fixado a título de danos morais na sentença que o banco deixou de pagar para um dos autores (pessoa física) com o julgamento da apelação. Dessa forma, cabe o arbitramento dos honorários advocatícios sucumbenciais pela re gra geral exposta no § 2º do mesmo dispositivo legal "Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos: I - o grau de zelo do profissional; II - o lugar de prestação do serviço; III - a natureza e a importância da causa; IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço". 2. Do exposto, conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial a fim de fixar os honorários sucumbenciais a serem pagos ao banco pelo primeiro autor em 15% (quinze por cento) sobre o proveito econômico obtido pela instituição financeira, qual seja, R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Publique-se. Intimem-se. EMENTA